terça-feira, 17 de dezembro de 2024

quando a tragédia e a comédia se encontram ou sobre a morte e o prazer na apaixonante história de amor catastrófica

Eu sou o zero depois da linha de chegada, enquanto ela corre atrás do pódio na velocidade máxima. Eu caí antes de começar a disputa, e a maratonista queimou duas vezes o início na largada. Histórias de fracassos épica mediocridade do cotidiano. Ontem eu queria suspirar, meu travesseiro afogava a minha ânsia.  Eu rangia os dentes, triste e mórbida.  O banquete na casa dela tinha poções generosas caídas da sala à cozinha; os quartos eram bagunça entre lençóis fora do lugar. Ela gargalhava sonoras notas agudas, cansada e indiferente embora molhada e inteira.
O caminho entre nós está necessariamente demarcado de zero ao potencial elevado ao quadrado de 10 vezes alguma coisa. Enquanto ela solta pirueta no ar, eu tenho preguiça de elevar a pestana do olhos e perder a cabeça. O fogo e o perigo de ser tocada excitam a mente e arrepiam pelos. A água e o medo de ser consumida endurecem os músculos e a pele esfria esvaindo o que pudesse ser dúvida.  Ela, não tenho medo de olhar; enquanto eu sou dela monstruosidade silêncio e erro. A catástrofe de amar o contraditório se instaura antes que se possa lutar contra.
O prazer dá medo, constrange e confunde a mente aturdida.  A morte é motivo de dor do qual se foge por causa óbvia da própria existência.  Como se move para o prazer quando ele machuca? Por que se busca na morte o sentido de vida? O complexo da fênix,  no ensinamento do analista inspira essa loucura de amor na noite desse dezembro fatalista. Onde não se pode ter paz, não se demore: lê-se no letreiro em destaque diante da vista. Entretanto,  se não for a morte propriamente dita? E se for apenas metaforicamente o prazer em desmedida?
Quando se busca na morte conotativa um motivo para se recomeçar,  há vontade de permanecer viva. O milagre de se vencer o perigo de um dia partir está na certeza do agora já que vivente se respira. E o prazer apavorante tomado pela fantasia de dor por perda é reconfortante quando vivenciado por uma reciprocidade jamais concebida.
A tragédia está aí,  pois o prazer não é mútuo,  não se traduz em uma reciprocidade oferecida.  O que possibilita alguma comédia triunfante nesse desencontro de amor no qual final feliz não se concretiza. Então,  nem o fim se pode de fato dizer que exista. Talvez,  o incerto instaure um eterno inacabado desfecho. Tudo que há de insano ao amor se apraz.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

ela me surta

O primeiro nome na rede social mais pop de todas...Twitter [tuite pros íntimos,  como nós fomos]. Porcausadajuh foi um codinome exato pros tempos investidos de tempo e deslocamentos no espaço que nutriu nosso biênio.  Fizemos desse momento um itinerário dinâmico e frequente.  Tudo entre nós foi perene e por isso mesmo não sinto medo do devaneio, éramos e tudo que passou nos tornou presentes como somos no hoje-futuro. Faz 7 anos que seguimos rotas divergentes e por acaso nos reencontramos na nova rede social top do momento: Instagram. Ultrapassamos as barreiras no tempo.
Uma vez escrevi "ela me surta" e compreendi cada microdetalhe dessa sensação alucinante.  Hoje ela já são muitas elas. Elas invadiram meus planos e desde o princípio eu queria esse sentimento vívido. Amar é desarmar as armadilhas que eu mesma coloquei no caminho. É dispor o novelo na entrada do labirinto e proclamar a saída em si mesma, comigo. 
Eu queria dizer mesmo que me encontro hoje surtando felizmente, amorosamente e me amando e  me admirando por isso. E muito mais do que fosse possível eu surto mesmo longe dos seus lábios,  porque neles eu afinco a minha razão de sentidos. Tudo sentido nos seus seios sossego. Colo que desejo na lonjura entre minha rede e seu edredon branco macio feito sua pele e seus pelos, no toque furtivo debaixo da mesa do bar no pôr de sol de domingo. E surtar assim é amansar desejos de esconderijos antes de seus cabelos, enrolados pelos meus dedos livres, enlaçados pelo cheiro vício no teu travesseiro. E seus olhos? [meu olhar] fugindo...será o beijo o medo que meço entre nós no mesmo lençol do lado do seu abismo, abrindo-se como o rio transbordando no sul do nosso corpo-caminho.

sábado, 13 de julho de 2024

não deixem que te exijam uma atitude que nem mesmo quem requer teria

Eu estou cansada de gente achando que sabe o que eu preciso
Enquanto até mesmo eu não estou me fazendo essa pergunta 
Eu não sei e nem quero saber do que ao levantar esqueço
E quando preciso urjo anseio sedento e caio
Urgência é um prenúncio de certezas e eu sinto
Eu sinto muito
Eu tenho sentidos antepassados
Um pedaço de mundo em mim se abre
Eu desvaneço em buraco negro de necessidades 
Então,  me recuso a saber de minhas urgências 
Umedeço os lábios depois enxugo cada porção de desejo
Minhas sedes eu engulo gota a gota no deserto insano
Eu desmorono nas areias mmovediças sob meus pés cansados 
Um a um meus medos sereno antes de fechar os olhos
Sou sedenta, faminta, desenredo psíquico da minha vida
O prelúdio de minha demanda acalento sangrando por dentro
Uma vasta fome que ninguém sabe o preço e minha prece eu mesma rezo

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

cristianismo para ser rico: uma violência contra os pobres

Sobre o cristianismo da riqueza e a demonização da pobreza: a violência como FÔRMA da "fé".

Em algumas igrejas, percebemos um tipo de dogma que endeusa a acumulação de bens materiais e, de modo inversamente proporcional, demoniza o que considera pobreza. Ou seja, nessas igrejas (religiões), a pobreza é vista como um tipo de "pecado" que precisa ser perseguida enquanto que a riqueza é defendida como uma "graça  alcançada" através da fé. 
A fé é um sentimento exercido por meio de uma religião.  Ela possui várias formas de ser praticada. Por exemplo, cantar para Deus, vestir-se para ir ao encontro de Deus em um determinado lugar (templo), ajudar pessoas que estejam em situação de necessidade ou até caminhar em procissão seguindo um determinado símbolo. Existem muitos RITUAIS que demonstram a fé de uma pessoa.
No caso do cristianismo para ser rico - uma espécie de religiosidade muito comum atualmente no Brasil (mas comum no mundo todo também) -, existe algumas maneiras de se expressar essa fé.  A fôrma na qual alguns estão sendo talhados (moldados) parece apontar para uma demonstração de aproximação da riqueza de bens materiais e distanciamento da  simplicidade (espiritual). Ilustro aqui: quanto mais bens materiais você parecer ter, mais abençoado filho de Deus você parecerá. Ou ainda: se você tem um carro, demonstra a riqueza material dada pelo próprio Deus na sua vida, de forma que trocar de carro seja quase um testemunho de milagre. E isso é bem estranho se comparado ao menino Jesus, denominado pela própria narrativa bíblica,  como o filho de Deus. Não é? 
Eu fico imaginando como que essas mentalidades religiosas imaginam que o pobre galileu (Jesus) seria se chegasse hoje...Será que pensam que ele seria um bilionário,  como Elon Musk? Ou será que ele estaria sendo humilhado, mal trapilho, perambulando pelas ruas asfaltadas do nosso imenso, rico, país? Será que ele gostaria das roupas lavadas ou exigiria a grife mais cara da última moda chique das passarelas de Milão? Será que comeria hambúrguer ou juntaria restos de comida despejados dos banquetes das mesas fartas das casas pomposas dos seus fãs? Eu acho que Jesus não iria querer nascer hoje se pudesse escolher, não nasceria. 
A violência expressa contra a pobreza é a prática de constante humilhação dos pobres produzida por tantos religiosos. É inacreditável perceber que quem dá mais dízimo, oferta e remuneração para padres, pastores, "servos" da fé e afins costuma ser melhor tratado dentro dos templos. Sei lá o que se fala hoje no sermão contra os vendilhões do templo. Hoje eu não sei mesmo COMO se "vende" tanto sucesso material como o milagre da vida. Comprimiram a beleza da crença em um anel de ouro e diamantes que não vale nada além do valor na prateleira de uma joalheria. 
A fé que antes valia ao espírito, hoje alterna o valor conforme o dólar. E - sem nenhuma vergonha - condena a pobreza à morte, como no alto do monte uma cruz se erguia. Ser pobre é um pecado na mercadoria das igrejas vazias. Cheias de bancos, repletas de ornamentos enquanto milhares dormem ao relento nas noites. A alma desse cristianismo da riqueza sucumbe ao papel moeda, pois as almas estão olhando a aparente vestimenta de luxo da benção nas mãos sedentas por mais cédulas.  O dólar não perde a importância em contrapartida a sobrevivência não tem garantia.
Precisamos repensar a fé materialista, consumista, porque ela nos faz perder a capacidade de se sentir humano diante de outro ser humano. E essa perda leva à descrença verdadeira na importância de amar a vida de todas as pessoas.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

para lembrar sempre em 2024

O patriarcado é um condicionamento tão violento para nós,  mulheres, que derruba nosso senso de realidade mesmo. A realidade,  no sentido histórico  (material-dialético), é composta do que se vê,  se sente, se experiencia,  se sente e se compreende a partir de tudo isso. Complexo e natural para nós humanos, de acordo com o Wittgenstein,  tanto quanto os limites da linguagem são em proporção o limite (as fronteiras) do nosso mundo. E, para mulheres, a misoginia é uma linguagem codificada na carne, que exerce sentido no nosso corpo e pode ser autossabotadora quando, em algum momento,  nossa alienação (falta de consciência de classe, como diz Marx) nos aprisiona no cativeiro de paredes douradas, ou o amor romantizado (heteronormativo, para Butlher). É a consciência de gênero (consciência de ser mulher nesse mundo) que nos liberta pouco a pouco, sem ilusão,  sem troféu na mãe,  com mil e umas lutas silenciadas que começam a ser EXPRESSAS EM LETRAS E SONS maiores do que a fantasia do "herói " salvador da mocinha. Para mim, o percurso foi vivido do lado das letras de Gerda Lerner, Audre Lorde, Angela Davis, Silvia Federici, Valeska Zanello Zanello e outras irmãs de cura que estão presentes na vida vida me lembrando que nós mulheres merecemos sim ser partes de uma realidade melhor para nós.  Sigamos VIVAS e juntas de olho vivo contra o opressor. #nenhumaamenos

sábado, 23 de setembro de 2023

reflexões para o séc 21

Perguntas pra se fazer no íntimo.
Será que meus valores são meus mesmo, escolhidos por mim, ou são valores impostos, induzidos na minha mente, por um modelo de ensino "de mercado" e o controle da comunicação por empresas?
Será que o que eu quero da vida fui eu mesmo que quis, ou fui induzido, condicionado, dentro do "que se espera de mim"?
Será que vejo o mundo com os meus próprios olhos, ou através das lentes distorcedoras que foram postas na minha cara desde que sou criança?
A humanidade tem milênios sem conta, mas uma vida são apenas algumas décadas, duas, três, cinco, sete, nove ou dez, quando se tem "sorte". O que fazer com esse tempo que temos de passagem por aqui? Assim como é certo que entramos aqui pelo nascimento, é certo que vamos sair pela morte.
Morte não é desgraça ou infelicidade, morte é conseqüência de nascer. Simples assim. Seja planta, bicho ou gente, tudo que nasce, morre. É da natureza, cada um a seu tempo. Tem os que vão cedo, e são muitos, tem os que vão tarde, e são poucos. A maioria vai pelo caminho, não chega nem na velhice. Comprovei isso nas pesquisas que fiz enquanto mangueava - oferecia minhas coisas de mesa em mesa, de grupo em grupo, de bar em bar, em praças e qualquer tipo de ajuntamento de gente. E fazia minhas pesquisas.
O que a sociedade nos empurra a fazer não é necessariamente o que nos realiza nesta passagem. Viemos aqui atrás do quê? A publicidade, a ideologia da superficialidade, da forma e do consumo nos diz uma coisa. O coração, se soubermos ouvir, diz outra.
Somos da terra, não a temos. Tudo nos é empréstimo, mesmo o corpo que usamos - a natureza o cobrará de volta, a seu tempo. E nós seguimos, entre dimensões. A freqüência que escolhemos faz as suas sintonias.


Eduardo Marinho , o pensador solitário da psicodelia contra o capital.

mulher aldeia

Um dia eu disse que você é aldeia, sabe, Lívia.  Você é aldeia. Existem as pessoas ocas, as vazias como casarões fantasmagóricos e ocos. E existem as pessoas legiões...as que trazem, como em um tsunami, as tralhas e os estrondos. O que te cerca não é barulho, nem holofotes,  é benção,  irmã.  Singra. Deixe tudo no seu caminho borbulhando como Oxum num rio. Seu caminho não esmaga, seu passo avança junto. Nenhum bom testemunho ou nenhum pronunciamento solene convence como a reza silente de quem anda. Como diz a Luedje Luna "eu sou minha própria embarcação,  sou minha  própria sorte e a história do meu lugar" em Um corpo no mundo. Não volte um passo. Enquanto você segue, existe quem te siga. Vai com alegria de dentro💖. Te admiro demais,  mana.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

ao som de "Atômico platônico " eu amo

Eu amo sim, por isso mesmo posso ir e vir a hora que for.
Eu amo mesmo e mesmo assim deixo claro que não sou objeto de abuso.
Eu amo imenso, eu amo brisa, eu amo ventania e às vezes derrubo tudo.
Eu amo e quebro tudo, eu amo e dispenso, eu amo e sumo e brigo.
Eu amo e sou ninho, abrigo, abraço aberto e liberto...de tudo.
Eu amo e vento, vivo, venho, recebo, carrego e desejo secreto...
Amo e por isso preciso de ESPAÇO,  carinho, palavras, aconchego, TEMPO, presentes, presença,  pertenço. 
Eu pertenço a quem eu amo. Não há dúvida. 
Se existir algum sinal de que não estou, de que desconverso, de que não vou...
eu apenas exijo respeito.
Eu repito:  porque amo, eu respeito.
Eu cuido porque amo. E ainda morro de saudade a esmo... 
Um amor inédito e preambular inaudito sempre nascendo.
E eu fico. 
Não fico falando, não fico presente a todo momento, um dia mesmo todos não mais estaremos. 
Para aqueles que me amam, eu simplesmente permaneço. 
Eu amo.
Um desses antiamor comum, sem pretensão até. 
Um  jeito doido de amar esse!
Eu te amo...
Custa
Custou tanto tempo.
Eu te amo...apago e recomeço.

é isso

Eu amo sim, por isso mesmo posso ir e vir a hora que for.
Eu amo mesmo, mesmo assim deixo claro que não sou objeto de abuso.
Eu amo imenso, eu amo brisa, eu amo ventania e às vezes derrubo tudo.
Eu amo e quebro tudo, eu amo e dispenso, eu amo e sumo e brigo.
Eu amo e sou ninho, abrigo, abraço aberto e liberto...de tudo.
Eu amo e venho, recebo, carrego e desejo secreto...
Amo e por isso preciso de ESPAÇO, carinho, palavras, aconchego, TEMPO, presentes, presença, pertenço. 
Eu pertenço a quem eu amo. Não há dúvida. 
Se existir algum sinal de que não estou, de que desconverso, de que não vou.
Eu apenas exijo respeito.
Eu respeito porque amo.
Eu cuido porque amo.
Eu morro de saudade porque amo.
E eu fico. 
Não fico falando, não fico presente a todo momento, um dia mesmo todos não mais estaremos. 
Para aqueles que me amam, eu simplesmente permaneço. 
Eu te amo.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

afeto factível

E o afeto tanto quanto humano é político. Sinto muito as pedradas na rotina do trabalho também.  Sou uma professora de "carne e osso", um tipo de educação no corpo e na alma que me fizeram encontrar Nietzsche,  vagando atrás de uma filosofia demasiadamente humana sem o regime "robotizador" liberal. Eu submerjo e transbordo, afeto visceral. Sempre lembro do Renato Russo dizendo que "sou um animal sentimental " ...nem tão sereníssima assim. É um jeito de libertar das correntes (quais sejam) a pedagogia engajada que estou conhecendo com a bell hooks. Uma educação amorosa, chamada assim por Freire. Eu me diria uma professora lutando (radicalizada às vezes ) pelos afetos. E essa resposta foi assim porque o seu afeto me afetou de fato (essa é uma música). Por uma revolução em que seja possível sentir para fazer mais sentido existir todo mundo junto.

domingo, 9 de julho de 2023

o novo sempre vem

"O novo sempre vem" ou "e o passado é uma roupa que não nos serve mais"...ou sobre Belchior, "Como nossos pais", "Velha roupa colorida" e a vida Real.

        Enquanto assistia o comercial da Volkswagen,  lembrava chorando de duas figuras lindas da minha vida: Tio João e sua Combi e Tio Milton e seu Gol branco quadradinho...
Ah, a vida, como ela nos prega peças...afinal, Belchior já dizia "o presente, a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais". Naquele instante, eu pensei que isso fosse ruim, mas senti uma inexplicável alegria. Seria a arte uma forma de cura?

        A combi em que fomos em família tantas vezes para salinas...o tio Milton que sempre foi tão feliz...e a "roupa colorida" de Belchior que insiste em dizer "mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem".

        Afinal...o novo sempre vem...e nos dá medo! Medo de que o passado seja esquecido, medo de que algo em nós se perca; entretanto,  Belchior tinha razão: "você me pergunta pela minha  paixão...digo que estou encantado como uma nova invenção "...a vida sempre arranja um jeito de nos encantar, de nos apaixonar de novo e, por ser assim, "viver é melhor que sonhar". 

        E eu também sei que "qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa", Belchior...nem ele nem eu vamos voltar ...nem Belchior vai voltar pro sertão...e eu vou estar na cidade onde a vida puder me encantar de novo e sempre e outra vez, enquanto eu durar, mesmo se doer.

        Por tudo isso, eu precisava dizer, nenhuma música ou compositor ou arte pertence a um lugar, a um tempo ou a uma única memória. ..e as invenções vão continuar, sabe...IA, pen-drive, o vinil e o "toca fita", nada foi suficiente para apagar a memória,  a "tecnologia" do abraço,  a certeza da história e a liberdade da gente.

        Mas o medo de que o novo seja tão melhor que nos "vença", nos deixe fora de moda, é atual. Sentimos esse medo "Como nossos pais", mas "precisamos todos rejuvenecer".
Como uma apreciadora das literaturas, da arte na escrita, que se comove com as coisas, eu argumento: deixe a arte ser. Não tema, o novo não vai doer.

sábado, 17 de junho de 2023

estigma e maldade são discursos comuns que revivem o tempo dos manicômios contra pessoas que possuem sofrimento psíquico

O sofrimento psíquico infelizmente é mais condenado por pura falta de empatia mesmo, por quererem se manter ignorantes sobre o assunto, sendo assim mais condenado do que maldade, do que falta de caráter.  Você vê gente que condena, difama, xinga, rotula bipolar, autista, depressivos e outras pessoas neuroatípicas de vagabundos, preguiçosos e mentirosos; porém, são as mesmas pessoas que acham pessoas maldosas, pessoas violentas, pessoas racistas "comuns". A mesma pessoa que te dá uma dica de vida saudável não chega com um cara que bate na mulher e dá nenhum conselho pra ele, Natália.  Sabe por quê? Essas pessoas sempre demonizaram,  sempre condenaram, foram elas que prenderam inocentes em manicômios.  Foram elas que condenaram justos, condenaram um Jesus que amava pobre e denunciava gente corrupta e hipócrita.  Infelizmente,  Natália,  seu sofrimento psicológico é uma condição. Faz parte da sua natureza.  Psicoterapia te acolhe, te cuida, te abraça, te faz acreditar que você é amada. Remédios psiquiátricos te ajudam a equilibrar a ligação de hormônios em seu sistema nervoso. Seus neurônios,  por causa do Transtornos Afetivo Bipolar,  possuem dificuldades de fazerem algumas transmissões entre hormônios que regulam estresse, ansiedade, euforia e excitação.  A bipolaridade é uma condição neuroatípica, uma natureza da mente, por isso não é curável,  ela é equilibrada por psicofarmacos como o lítio.  O resto que seja "aconselhado" - se não for acompanhado de acolhimento, compreensão e respeito - deve ser ignorado. Sua vida, sua saúde, sua existência precisam de tranquilidade e amor; não de conselhos que parecem ser tirados de vídeo de autoajuda do YouTube cheio de preconceito e ignorância mesmo.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

o trabalho que sustenta o mundo

O trabalho que sustenta o mundo é o TRABALHO DOMÉSTICO que é invisível hoje e sempre para a sociedade do capital. Sabe por quê? Porque as mulheres CUIDAM DA VIDA COTIDIANAMENTE, e a vida não tem preço. 
A vida que é cuidada e garantida todos os dias pelo trabalho repetitivo, indispensável, impagável e vital, a vida não é produto. Por isso, muitas teorias sobre o "trabalho produtivo que gera riqueza" nunca pensaram de fato no que é a mais valioso no mundo: estar vivo.
Sabe quem estava passando o café, lavando a roupa, lavando a louça, arrumando a cama, cuidando de quem adoece em casa, fazendo a criança resistir aos primeiros dias de inteira dependência e vulnerabilidade: uma mulher. 
Mulher que no mundo da super tecnologia não tem mais a cultura do cuidado como sua responsabilidade única e hoje também está frenética na fábrica, no supermercado, na indústria, na ciência, na engenharia, comprando tudo que puder, vestindo tudo que quiser e sabotando a si mesma, porque o consumo da vida também é seu negócio agora.
Na sociedade capitalista, do progresso e do bem-estar social, a casa não é mais lugar de ninguém e quem sobra é um indivíduo partindo pra violência sem afeto, sem o cuidado, sem uma educação, sem a humanidade da família, o que já foi trabalho único de mulheres em sociedades primevas. 
Agora nem mais cuidar de si mesmo se sabe. O cuidado precisa ser terceirizado por um preço que não paga a conta da violência, da doença mental, das famílias sem nenhuma cultura de afeto só consumo até o último fio de vida que termina.
A vida acaba. Os produtos, chamados de riqueza, vão pro lixo antes de virarem algo que realmente importa. E parece que tem gente indo pro lixo junto com o que consome.
O trabalho primordial, o cuidado cotidiano com a vida, a casa, a comida, a limpeza, a natureza do jardim, um animal ou outro que se tenha ou que se perceba na rua, esse cuidado perdeu o valor pra muita gente que tem celular, livro, vestuário e coleciona produtos. O que não tem preço não tem valor na visão do mundo capitalista. E tem muita gente que se esqueceu que o capitalismo destrói antes de tudo a humanidade de si.
O consumo do produto exaurido é o consumo de si. E a vida acaba. O trabalho mais importante do mundo deveria ter mais valor para as pessoas e não deveríamos achar que o cuidado doméstico é inferior a qualquer outra atividade humana vital. É como respirar. Quando o trabalho doméstico acaba é porque a vida acabou ali.

o salário mínimo é a falha do tal progressismo

O salário de um trabalhador teria que dar pra ele comprar uma CASA, uma geladeira, COMIDA.
Não comprar qualquer lixo tecnológico que só destrói a natureza. 
Não é riqueza.
O trabalho que agora vale no mínimo R$1320,00 não paga a hora com a família,  não paga a saúde acabada, não paga a revolta social da desigualdade absurda. Não paga.
Trabalhadoras e trabalhadores têm que se unir mesmo MAS É PARA MUDAR A FORMA DE PENSAR O QUE VALE A VIDA HOJE!
VALE ganhar o seu salário para viver COMO VOCÊ VIVE?
O QUE DE FATO PRECISAMOS?
Pronunciamentos esvaziados de empatia de fato é o que percebo.
A minha picanha vai chegar quando na minha casa?
Meu vizinho que ganha R$1320 vai comprar a picanha também?
Eu vou ter que ir comprar no feriado a picanha enquanto outro trabalhador é explorado até 23h no líder,  o supermercado do inferno que nunca fecha...
Eu estou indignada com o Brasil!
Eu estou indignada com um país que precisa fantasiar algum bem-estar hoje enquanto trabalhadores são MISERAVELMENTE EXPLORADOS por um salário que produz doença e lixo.
Isso é o capitalismo de sempre sem qualquer mudança no modus operandi, continua destruindo a vida das pessoas e dizendo que o tem preço é o que tem valor.
Mas a vida de uma pessoa não tem preço. O valor de uma vida de um trabalhador é maior do que o agromerda,  do que a indústria de guerra matando tanto na Ucrânia, no continente africano, na nossa América do Sul e da tecnologia que leva um miserável pro espaço e não dá dignidade para as família viverem de fato.
Falhamos miseravelmente com a gente mesmo achando que comprar algo melhora a nossa vida, se para comprar a opressão minha ou do outro precisa estar cada vez mais violenta e forte.

no dia do trabalho, indignação com a exploração da gente é só o que temos e nada a celebrar

No dia do trabalho, é obrigatório se reconhecer que TODOS os pensadores do século XIX estão radicalmente errados sobre o que disseram ser o resultado da "força de trabalho humana".
Enquanto muitos, incluindo o marxismo, defendem que o trabalho "produz riqueza ", que o fruto do trabalho do proletariado é a produção da riqueza, que o trabalhador produz riqueza; eu digo que para o século XXI (hoje) o que se produz é DOENÇA e LIXO.
Ou mudamos RADICALMENTE a visão antiquada, INADEQUADA para a contemporaneidade, em nossos discursos em prol de trabalhadoras e trabalhadores ou estamos condenando todas e todos à morte por exaustão. 
Infelizmente achar que "o que o trabalhador produz a ele pertence" realmente se tornou a sentença de morte da "classe operária ", porque nós operárias e operários somos de fato EXAURIDOS, ESMAGADOS e EXPLORADOS ATÉ A MORTE para gerar a fantasia, a ficção, de "lucro".
Não existe e NUNCA EXISTIU LUCRO! Acordem!
O que há de fato é o trabalhador (o oprimido) querendo e comprando - através da sua exploração e da sua exaustão- a fantasia que ele foi alienado a acreditar que é o tal do bem-estar. 
Não se produz riqueza nesse sistema, nessa forma de trabalho, nada é riqueza. Nada.
Tudo é doença e lixo.
Lixo tecnológico, lixo nos oceanos, lixo que comemos e lixo que nos tornamos.
Doença que gera vício por remédios, para se trabalhar o que fingimos que "vale".
Eu não me conformo com um salário mínimo declarado pelo governo Lula de R$1320,00 para que um trabalhador esteja HOJE, neste miserável feriado, trabalhando em um supermercado de algum fdp.
Isso é gerar riqueza para um país, trabalhador?
Quem enganou todos dizendo que trabalho produz riqueza estava também se enganando, viu. Não pensem que foram gênios os homens miseráveis que entenderam que o operário estava gerando riqueza para poucos.
Não é riqueza ter iPhone, morar em condomínio de luxo, ter o melhor hospital pra tratar câncer enquanto no mundo crianças passam fome agora, trabalhadores são VIOLENTAMENTE IMPEDIDOS DE ESTAREM COM SUAS FAMÍLIAS, PESSOAS NÃO PODEM DESFRUTAR DE UM PINGO DE LAZER E DESCANSO EM SUAS CASAS OU ONDE QUISEREM porque estão obrigadas, estão compulsoriamente levadas a trabalhar horas de desumanidade.
Eu não estou nem um pingo honrada, como trabalhadora da educação que sou, em um país neoliberal como o Brasil, com um governo que NÃO PENSA ATÉ AGORA EM REVOGAR A REFORMA TRABALHISTA QUE DESTRUIU e vai acabar com a qualidade de vida de milhares de pessoas.
A conta vai chegar. 
A porcaria da aposentadoria na hora da morte pode não chegar a tempo.
E hoje é de R$1320,00 a merda do salário de alguém que trabalhou mais horas do que seu corpo humano e sua mente podem de fato suportar.
A conta da violência doméstica, da cultura da violência simbólica, das violências estruturais só aumentam e temos que achar bonito aumentar pouquíssimos reais no SALÁRIO MÍNIMO. 
PARTIDOS QUE SEJAM DE TRABALHADORES vocês falham miseravelmente em aceitar que as pessoas estejam sendo esmagadas e moídas na máquina do capitalismo.  
Ou vocês dizem que é preciso repensar jornada de trabalho PARA TODOS OS TRABALHADORES NESSE PAÍS ou vocês estão ajudando a comprimir a nossa vida no suco de laranja do opressor.
Falhamos miseravelmente com a nossa população que precisa de dignidade de vida.
A vida de um ser humano não pode valer o valor do salário mínimo desse país.
Redução de carga horária geral ou vergonha nacional. É o que entendo como justiça social hoje no dia do trabalho.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

medíocre afeto

Um homem filosofou certa vez sobre a dureza de amar em uma absoluta realidade,  sem doses homeopáticas de fantasias, senão as costumeiras ficções repetidas sobre amor nas míticas antigas. Eu cansei de ler Nietzsche nesse século do mesmo jeito que lia em 20. Os anos me levaram disso, me trouxeram para a ampulheta quebrada. Qualquer poeira do canto da casa o vento que leva, o tempo não traz. Eu dancei nessa aposta e me vi dizendo que pingos de afetos duravam um gole sedento de tequila a mais. Não tenho mais esse mísero tempo. Preciso mergulhar onde a mediocridade jaz. Colhendo na miséria de corpos sem sentido a semente do que o porvir não faz. Não pode fazer de uma gota a certeza de que o oceano se satisfaz. Não tenho mágica alguma por acreditar em pequenos traumas fantasmagóricos e frios. Freios soaram, enquanto velozes os sonhos partiram-se em mim. Desprendi coisas demais. Dói perder sumo em prantos rasos e moscas ao redor. Tomei um porre de pouca ligação e nenhuma palavra durante meses a fio. Foi meticulosamente parcelado o mínimo de sentimento por baixo de nenhuma paixão. Dormi em pleno deserto, feito areia multipliquei solidão de grão em grão. Medíocre amor é desfecho na estrada. Nenhum caminho se anda diante de nada. Desfez-se em mim desate...em desejos...desgastes...desamorosidade...em mim am..ar..gor...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Biden o senhor das armas

Escutem bem uma coisa: Biden (o branquelo ofensivo dos EUA) está dando bilhões de dólares em armamento para fazer do território ucraniano um joguinho da morte longe do seu país.
Esse mesmo imbecil (vulgo "presidente") sabe que está carregando milhares de pessoas para uma morte absolutamente vã e não se sente injusto e criminoso que é. 
Ele leva, da indústria da guerra da morte e do encarceramento,  bilhões para armar a população,  MAS EU PERGUNTO: ELE TEM ESCUDO PARA IMPEDIR CIDADÃOS DE SEREM DIZIMADOS? ELE NÃO TEM.
O país mais criminoso do planeta, também conhecido como "América do Norte", é o MOTIVADOR de um genocídio desnecessário.
Ele pode acabar com a guerra? Deve. Sua lista de crimes humanitários só cresce, mas ele quer patrocínio que sustente sua "governabilidade " no solo podre em que governa. 
O governo de Biden se sustenta "vivo" da morte de ucranianos. Uma irresponsabilidade irreparável.  O parlamento estadunidense inteiro sabe que sem guerra não tem Biden.
Agora quem paga com a vida para um desgoverno desse continuar "vivo" é a população ucraniana.
O capitalismo selvagem, o neoliberalismo genocida, essa necropolítica arrasadora são a prova de que esse sistema social baseado no lucro NUNCA DEU CERTO e nunca vai dar.
Se a morte de milhões e milhões de pessoas não sensibiliza, a desumanidade é a prática desse poder.
Medo de perder o patrocínio para a Rússia,  para a China, para a Coreia do Norte...não! 
Vontade de morte.
#bidenisnotmypresident 
#bidenÉumGenocida