quarta-feira, 27 de março de 2019

Um dia eu peguei o que eu não tinha e parti. Ir embora sem nada é mais fácil porque é só seguir. Estou em frente não porque deixei, larguei, abandonei ou sai. Não. Eu desanimei, desistir assim é só colocar um pé na frente e o outro logo depois...
Eu não quero voltar para onde estive. Não quero mais continuar à deriva no mar da vida, um oceano para mergulhar...e eu estava olhando os peixes sequinha. Agora eu vou pular. Quero sentir o mar aberto fazer meus olhos lacrimajarem de verdade. Chorei olhando os peixes de um aquário, podendo nadar com as vidas marinhas mais loucas sem nem saber aonde iremos chegar. Mas vamos juntos, eu e esses seres todos de dentro do meu universo.
Aos que estão no lugar de onde eu segui, deixo a amizade de portas, janelas e braços abertos. Eu sei que ser amor é aprender antes de tudo compartilhar. E vamos partilhar novas histórias, novidades e os amores que se aproximaram de nossas longas conversas agora em horas marcadas. O relógio é um aliado de pessoas descontroladas e controvérsias como eu sou. E vai me dizer o que fazer na hora certa da chegada e da revoada.
Hoje é um dia de fazer a vida valer a pena.
Sou, desde garoto, um sujeito lento. Rápido no pensar, lá isso eu sou, mas muito lento no agir. Quem gosta de mim diz, com benevolência, que eu tenho um tempo próprio de fazeção das coisas. Deve que tenho mesmo. Pelo sim, pelo não, adotei como um dos meus lemas o mineiríssimo "Festina lente" ("Apressa-te lentamente") dos latinos, que me permite viver sem culpa uma vida em que lavar e pôr para secar a roupa, observar o movimento dos calangos no quintal ou o voo das andorinhas sobre a minha morada são etapas do dia tão importantes quanto escrever mais algumas páginas do livro de memórias ou terminar de preparar a oficina que oferecerei neste fim de semana em São Paulo. Junto à lentidão (talvez a marca maior do meu temperamento pessoal) a opção pela frugalidade. Fazer do pouco algo que perdure, quem sabe alguma alegria para sempre: isto é, sim, comigo. Sem pressa nenhuma. Porque, além de já ser lento de nascença, aprendi a valorizar ainda mais a lentidão desde que li pela primeira vez, logo que foi publicado, este primoroso ensaio do geógrafo-pensador Milton Santos que volta e meia eu reposto aqui. "Vos desejo uma excelente viagem" - faço minhas as palavras grafadas por Bispo do Rosário num estandarte - pelo texto do professor Santos. Terei muito gosto em saber, à noite, se quiserem me contar, que o dia de hoje foi para vocês agradavelmente lento.

terça-feira, 26 de março de 2019

Texto lindo... página do Facebook "Ventre feminista"

Tem um texto de uma escritora portuguesa chamada Matilde Campilho que começa assim :
 "Escute só, isto é muito sério.
Anda, escuta que isso é sério!
O mundo está tremendamente esquisito"

Sim Matilde, o mundo está tremendamente esquisito. Não há como discordar.
E o desamor anda solto. Parece até cafona gostar dos outros.
O caso é que sou cafona e gosto dos outros. E meu jeito mais sincero de demonstrar amor é através do cuidado.
Meu pai não está muito bem nos últimos tempos. Claro que isso me abala. Ele é idoso, está com a saúde frágil. Até poucos dias eu levava almoço pra ele. Agora levo almoço e janta. Ele precisa comer direitinho. E me deixa feliz poder fazer isso por ele. Alimentar alguém, pra mim, é uma forma de ofertar vida, sabe?
Hoje um dos meus cachorrinhos começou a gritar de dor. A unha da patinha tinha quebrado e entrado na carne dele. Uma dor imensa, imagino. Chamei a veterinária, ela veio e ele está bem agora. Cuidar dele e vê-lo bem me alivia o peito.
Agora há pouco eu estava na cozinha fazendo comida (sim, de novo) para meu filho que vai chegar do estágio. Ele poderia fazer a própria comida? Claro que poderia e faz na maioria das vezes. Mas eu gosto de cozinhar pra ele e ouvir ele dizer "tava uma delícia mãe! Obrigado!"
Faço porque gosto, de verdade.
Sim, o mundo está tremendamente esquisito. E a gente vai deixando de cuidar da gente, de cuidar de quem a gente ama e de aprender a receber cuidado também quando precisamos. Às vezes ninguém oferece cuidado. Eu sei. Não vivencio atualmente, mas sei porque já vivenciei.
Tô falando de cuidado aqui e sei que pode surgir alguém para levantar a lebre de " cuidar dos outros é um papel social das mulheres imposto pela sociedade patriarcal" Concordo. É sim, e eu sei que é. Mas eu GOSTO de cuidar das pessoas (já disse isso?)
Eu gosto de sentar aqui quando posso e ler os relatos de vocês. Eu gosto de poder oferecer uma palavra de conforto quando há palavras que confortam. Eu gosto de cozinhar para meu filho, para minha família, para meus amigos. Eu gosto de ouvir os problemas das minhas amigas e procurar, junto com elas, as soluções. Eu gosto de dar lembrancinhas pra quem eu amo. Eu gosto. Eu gosto de gente. Gosto de bicho. Gosto de existir e sou grata pela honra de poder ofertar um pouco de acolhimento e afeto num mundo tão, tão tremendamente esquisito.
E como diz um outro trecho do texto/poema de Matilde Campilho :
" eu acredito que exista, agora, alguém profundamente acordado. Alguém que esteja vivendo entre o intervalo tênue entre o sonho e a agilidade. Suponho que ele saiba perfeitamente que este começo de século será nosso batismo do voo para nossa persistência no amor."
Eu acho que cuidar (e receber cuidado) é uma forma bonita de persistir no amor.
Cuidem de vocês, como se vocês valessem ouro (na verdade vocês valem MESMO!) E se puderem e quiserem, cuidem, na medida do possível, de quem vocês amam. Seja bicho ou gente.
O mundo tá ruim, esquisito, doido e doído. Mas a gente pode e deve persistir no amor.
SUGESTÕES DE LEITURA, ENQUANTO ELES COMEMORAM O ANIVERSÁRIO DO INFAME GOLPE DE 1964:

A expedição Montaigne (1982), de Antonio Callado
A festa (1976), de Ivan Ângelo
Ainda estou aqui (2015), de Marcelo Rubens Paiva.
Amores exilados (1997), de Godofredo de Oliveira Neto
A noite da espera (2017), de Milton Hatoum
Antes do passado: o silêncio que vem do Araguaia (2012), de Liniane Haag Brum
A resistência (2015), de Julián Fuks
As meninas (1973), de Lygia Fagundes Telles
Avalovara (1973), de Osman Lins
A voz submersa (1984), de Salim Miguel
Azul corvo (2010), de Adriana Lisboa
Bar Don Juan (1971), de Antonio Callado
Cabo de guerra (2016), de Ivone Benedetti
Em câmara lenta (1977), de Renato Tapajós
Em liberdade (1981), de Silviano Santiago
Feliz ano velho (1982), de Marcelo Rubens Paiva
Felizes poucos (2016), de Maria José Silveira
História natural da ditadura (2006), de Teixeira Coelho
Incidente em Antares (1971), de Érico Veríssimo
K.: relato de uma busca (2011), de Bernardo Kucisnki
Lobos (1997), de Rubem Mauro Machado
Mulheres que mordem (2015), de Beatriz Leal
Não falei (2004), de Beatriz Bracher
Não verás país nenhum (1981), de Ignacio Loyola de Brandão
Nem tudo é silêncio (2010), de Sônia Regina Bischain
Nos idos de março (2014), org. de Luiz Ruffato
O indizível sentido do amor (2017), de Rosângela Vieira Rocha
O fantasma de Buñuel (2004), de Maria José Silveira
O que é isso companheiro? (1979), de Fernando Gabeira
O torturador em romaria (1986), de Heloneida Studart
Os carbonários (1980), de Alfredo Sirkis
Os pecados da tribo (1976), de José J. Veiga
Os que bebem como os cães (1975), de Assis Brasil
Os tambores silenciosos (1977), de Josué Guimarães
Os visitantes (2016), de Bernardo Kucinski
Outros cantos (2016), de Maria Valéria Rezende
Palavras cruzadas (2015), de Guiomar de Grammont
Paris – Rio – Paris (2017), de Luciana Hidalgo
Poemas do povo da noite (2017), de Pedro Tierra
Primeiro de abril (1994), de Salim Miguel
Quarup (1967), de Antonio Callado
Reflexos do baile (1977), de Antonio Callado
Retrato calado (1988), de Luiz Roberto Salinas Fortes
Silêncio na cidade (2017), de Roberto Seabra
Sombras de reis barbudos (1972), de José J. Veiga
Um romance de geração (1980), de Sérgio Sant’Anna
Volto semana que vem (2015), de Maria Pilla
Zero (1975), de Ignacio Loyola de Brandão

segunda-feira, 25 de março de 2019

Ela me surta

Não quero ser sua ex
É um preço alto demais
Apagar seus eles
do meu ouvido
Eu não aceito
Eu não me permito
Nao quero ser sua ex
Tenho duas escolhas
Duas estradas avessas
Não ser seu lamento ou
Ser sua o resto da vida
Não quero entrar na sua lista
No seu caderninho de ex
Escrito na sua memória reprimida
Tenho outros planos pra nós
Escolha se eu serei sua
Ou se serei uma webamiga
Não quero ser sua ex
Andar de mãos dadas
Pra toda vida
Ou nunca sentir o calor
Das suas mãos nas minhas ânsias
A minha insônia tem seu nome
No meu nick do chat
No meu link do WhatsApp
E se você me surta
O meu suéter
É teu abraço à noite
Quando o sono me vence
Depois de muita luta
Me diz que eu nao vou ser sua ex
E nem mais uma garota chata
Que fica "dodói" e sem graça
Com o nome da Lila toda hora
E da Lili dizendo que é
Uma super heroína da sua vida
Eu não quero ser mais uma ex sua
Me deixa fazer parte da sua eternidade
Ou me deixe fazer amor com você
Numa tarde, sem saber seu gemido
Sem saber se seu sorriso
Foi eu quem fez...
Eu não quero ser sua próxima ex
Me dá uma chance de dizer
Isso outra vez...

sábado, 23 de março de 2019

Doutora Júlia Rocha direto do Facebook

O MEU CORPO PADRÃO

Minha aparência me agrada, mas não foi sempre assim. Dois anos já se passaram desde o meu parto e nesse caminho eu já achei que minha vida havia sido estragada pela gravidez. Já tive raiva, vergonha e muita insegurança. Eu não sei o que me fez mudar. Talvez tenha sido um tanto de feminismo com mais um tanto de amor próprio conseguido a duras penas em frente ao espelho.

Hoje eu consigo admirar coisas que já odiei. Manchas de sol na pele do rosto, manchas de espinhas, olheiras,rugas. A pele que começou a aceitar o tempo. Dentes nem tão brancos, lábios grandes e grossos, nariz largo. Orelhas pequenas, testa grande. Cabelo entre o crespo e o cacheado, alguns fios quebrados, outros tantos fios bem lindos.

Meu corpo cumpre sua função de me levar ao encontro das pessoas que amo e me dar prazer. Prazer sexual, prazer no trabalho, prazer no convívio, prazer de comer, de cantar, de ser.

Peitos que amamentam não são duros nem empinados e, mesmo assim, eu os amo. Amo o prazer que me proporcionam no sexo, na amamentação e ao contemplá-los diante do espelho.

A barriga tem mais pele que antes e essa pele tem as marcas de um dos momentos mais doces e deliciosos que minhas lembranças guardam. A espera por minha filha. As estrias, a flacidez, o umbigo que ficou diferente. Tenho amor, respeito e gratidão especiais por minha barriga.

Minhas coxas não estão mais duras. Pretendo fortalecê-las em busca de mais saúde para os meus joelhos. Minhas pernas me levam e eu as agradeço diariamente por suportarem meu desejo intenso de experimentar o mundo.

Não há quem me convença a me anestesiar e me submeter a uma cirurgia para consertar o que está perfeito. Meu corpo está perfeito e nele eu carrego a minha história.

Cremes caros, tratamentos doloridos... desculpem, tenho preguiça. (Mas maquiagem eu adoro!)

Eu me sinto triste às vezes. Em alguns momentos, me sinto terrivelmente triste. Chega a doer. Vez ou outra me sinto absurdamente feliz e eufórica. Na maior parte do tempo, estou bem. Sinto-me serena, tranquila.

Não preciso medicar minhas tristezas. Elas fazem parte de mim. É também por elas que eu me amo e que outras pessoas me amam. Não quero normalizar meus sentimentos. Quero ser eu e poder sentí-los todos.

Há um enorme mercado a vender normalidade. Sem crítica, acabamos aniquilando as nossas características mais únicas e especiais para entrarmos dentro de um padrão. O peito duro e empinado, a barriga reta e sem gordura, a vulva de tal jeito, a pele, o cabelo, os pelos, as unhas, o humor, o sono, o tamanho do pênis, a grossura dos lábios... não tem fim.

Aliás, tem. O ponto final, eu coloquei. Hoje me sinto bem como sou, tranquila com a minha aparência, com meus desejos e amores. Um dia nos disseram que precisávamos refazer nosso corpo. Consertá-lo! Caso contrário, o marido iria embora! Um dia nos disseram que ele olharia para a outra mulher mais jovem na rua. E nós acreditamos! Eu mesma acreditei até ver casais se desfazendo e maridos indo embora depois da abdominoplastia e da mamoplastia que deixaram o peito empinado, a barriga reta e o corpo “correto” denovo.

Minhas descobertas se tornaram doces quando eu descobri que meu corpo despertava desejo e amor e encantamento mesmo flácido, marcado e “errado”. O medo da dor de transar depois do parto foi substituído por deliciosas experiências regadas de zelo, afeto e desejo!

Hoje eu sei e sinto que o meu corpo só deve e precisa servir a mim. Quem quiser ir embora que vá. Eu fico. Inteira. Eu não me abandono nunca mais. ❤️

terça-feira, 19 de março de 2019

Para mim, existe uma lógica de consumo na educação "bancária", como já definia Paulo Freire. Ela submete o fazer escolar ao clientelismo de satisfazer aos pais e aos alunos, o que de fato é uma inversão de valores em relação à escolarização adequada e digna. Em favor dessa clientelização, há realmente algumas tendências de escolas que "prometem" criar os filhos para os pais, que "prometem" satisfazer a fome e a sede dos alunos por sucesso e realização pessoal, que "prometem" através de profissionais multiespecializados ( "psicólogos coaching", neuropsicopedagogo em constelação familiar, etc) cuidar da saúde emocional dos filhos desses país que terceirizam a responsabilidade familiar para as escolas. Isso é realmente preocupante pelo absurdo que se promove e que possui rastros em outras práticas, por exemplo, o ensino integral no qual a escola coloca os professores para ficarem com os alunos 40hrs por semana (sendo escola integral em horário para o professor e para o aluno), a fim de retirar esses alunos das ruas, do assédio à violência do entorno de suas casas e comunidades - o que também é um absurdo. Veja que não há nessas escolas chamadas "integrais" o objetivo de compor um currículo transversal, com estímulo às artes, ao esporte e ao desenvolvimento tecnológico, por exemplo. O que há é a ocupação do tempo de professores e de seus alunos com mais aulas, mais horários de conteúdo (seja teoria e exercício) e não uma busca pela integralidade humana. O integral humano não é formado, trabalhado, explorado e pensado. É apenas uma terceirização da responsabilidade familiar ao que a escola bancária sempre se prestou, ser uma prestadora de serviço (do serviço que está sendo superficialmente demandado pelo mercado). Eu acredito que repensar o propósito da escolarização é a melhor maneira de avançar enquanto humanidade.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Psiu, gostosa
Vem aqui
Ô linda
Foge não
Vadia
Nojenta
Vagabunda
Piranha
Bruxa
Lixo

Ô mocinha
Toma um banho
Limpa teu sangue
Eu prefiro limpa, assim
Limpa esse chão
Limpa essa louça aqui
Quero teu corpo limpo

Ô querida
Tão nervosa
Não precisa
É louca
É neurótica
Fica quietinha
Fecha a perninha
Sente como menininha

É tão frágil
É cristal
Mimo meu
Na minha estante
Calada
Muda
Silenciada

Ei, mulher
Eu tenho uma flor
Feliz dia
Sorria
Eu salvei o dia

Toma, boneca
Uma promoção de perfume
Maquiagem mais em conta
Lingerie na promoção
É teu dia, bonita!

Tá com frescura, gatinha?
Volta aqui
Vamos conversar
Eu não queria ter de te machucar
Vai dar jogo pro azar?
Bruxa
Vagabunda
Filha da puta

Eita, coitadinha
Tão novinha
Quis dar
Não soube se cuidar
Agora nada de abortar
Engula essa tua culpa
Mamãe
Trancada
Forçada
Quem mandou?

Ah, mas isso é fase
Hoje não quer ser mãe
Quando encontrar homem bom
Espera só, querida
Toda mulher nasce pra isso
É vocação
Questão de tempo
Espera só
Só

Dupla jornada
Balela de louca
Eu sou um fofo
Estou aqui com sua pensão
Sua vocação
Não minha

Olha, putinha
Quer abortar?
Teu nome tá em sangue
Lá no chão da favela
1 milhão por ano
Clandestinas
É Gabriela?
Cravo ou Canela?
Não tem chá
Não tem pai
Não tem saúde
Não tem
Não

Não pode descuidar
Tem que tomar
A pílula
Engula
Um pouquinho a cada dia
Trombofílica
Hipertensa
Cancerígena
Mas descuidar não pode
Pode suas asas

Olha ali, tá gordinha
Desleixou
Tá descuidada
Desse jeito acaba sozinha
Mas tem rosto tão bonito
Não se cuida
Questão de saúde, sabe?
Me preocupo
Juro que não é padrão

Filme de terror
É rua escura
Passo próximo
Respiração ritmada
Pensou era demônio
Era homem
Ali
Sozinha
Suja
Pintando a sarjeta de sangue
Por hora são onze

Vocês querem falar sobre flores? Eu não quero nem vê-las. A bizarrice poética desse dia é fruto da dor das nossas mulheres: estupradas, silenciadas, subestimadas, impedidas, mutiladas, espancadas, violentadas, exploradas, forçadas.
Todos. Os. Dias.

8 de março é dia de luta.

Texto: Luiza passarin

domingo, 3 de março de 2019

Nenhuma pressa

Nem me alcança esse ritmo da vida
Esse imediatismo sem jeito
Essa falta de tudo
Que nada basta e nunca ta satisfeito
Eu não quero apressar nada
Nem me perdoaria que o adeus fosse antes da hora
Um dia tudo acaba
E com vc eu quero experimentar o eterno
Um infinito de tempo
Que não tem nome
Não vou correr com o relógio
Ter você é um presente
Sem mesmo você imaginar
Que eu já te tenho nas minhas horas
Nas minhas ansias de amar
Nos sonhos de acalanto
E eu em seus furtivos pesadelos
Então, o tempo e a hora vão precisar dizer
O que for preciso vai acontecer
Nao será de outra maneira
Que seja sem pressa
Essa é a minha prece
De tanto te amar

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Já notaram como a gente se sabota um montão de vezes?
Vou contar o "causo" de uma ex-aluna :
Quando ela começou a fazer as aulas de dança, me disse a seguinte frase : "Desde pequena eu sonhava dançar. Nunca pude. Agora posso. Era meu sonho e agora to realizando".
Ela frequentava as aulas regularmente, quase nunca faltava. Super dedicada, talentosa. Fez sua primeira apresentação. Arrasou! Tava linda, dançou lindamente. 1 mês depois, me comunicou que pararia de vir nas aulas. Fiquei sem saber o que dizer. Perguntei se havia algum problema, se eu tinha errado com ela, se poderia melhorar em algum ponto, se era falta de grana, ofereci bolsa de estudo e tudo mais. Ela foi taxativa "Não foi nada que você fez e não é falta de grana. Eu amo suas aulas e amo dançar. Mas to passando uma fase difícil e preciso focar em mim". Não fazia sentido, sob o meu ponto de vista! "Focar em si", era algo que eu entendia como o oposto de abandonar algo que ela sonhou a vida inteira! Ela estava tão feliz na dança, tão realizada! Porque abandonar justamente o que lhe fazia bem? Fiquei triste por perder uma aluna tão querida, mas busquei entender e deixar claro que quando ela quisesse voltar, as portas do estúdio e do meu coração estariam abertas.
Dois anos depois eu a reencontrei por acaso na rua. Ela me deu um longo abraço. Disse que tinha saudades de mim, da dança, das aulas, das colegas. E completou com os olhos cheios de lágrimas "não entendo porque fiz aquilo comigo! Você sempre disse que a dança era das poucas coisas que a gente faz só pra gente mesma. Eu não dançava por ninguém, dançava por mim e pra mim. Você estava certa! Parei de dançar, mas continuei fazendo um monte de coisas que me faziam mal. Larguei só o que me fazia bem." Perguntei porque ela não voltava a dançar, mesmo que fosse com outra professora ou em outra modalidade (às vezes a pessoa se cansa de uma só didática ou de um só estilo, né?) E ela respondeu que não achava mais espaço pra dança. Que tava trabalhando muito, que foi fazer natação, que não gostava, que era mais caro,  mas ela tinha se "acostumado a fazer".
Se despediu dizendo "Mas um dia eu volto, Ana! Foram os meses mais felizes da minha vida! Um dia eu volto."
E lá se foi ela, dizendo para o próprio sonho (mas achando que tava dizendo pra mim) "Um dia eu volto"
Eu sei que nem tudo que sonhamos "cabe" na nossa rotina, que às vezes o sonho é diferente da realidade, que cada uma tem um tempo, que ela pode sim voltar ou não voltar nunca mais... mas uma pergunta me martela a cabeça quando coisas assim acontecem :
Porque a gente deixa de lado o que nos faz bem e muitas vezes segue insistindo em coisas que não nos fazem nada bem?
"Um dia eu volto". Quantas de nós (eu mesma, muitas vezes!) já dissemos isso para nossos sonhos, para nossas expectativas, para aquilo que nos faz felizes?
É só uma reflexão. Sem a intenção de trazer "verdades absolutas". Mas se eu pudesse pedir algo a vocês (e a mim mesma) seria : se PUDER escolher, escolha abandonar o que te faz mal.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

José Luiz Ferreira eu fico sempre muito chocada com algumas situações causadas pelo poder da informação em rede. Isso é muito complexo e ao mesmo tempo perigoso mesmo. É complexo porque estamos ainda vivendo e dentro do processo que está em andamento, o que dificulta qualquer constatação efetiva. Mas, ainda assim, acredito que é possível pensarmos em certos limites necessários para o uso e influência da rede mundial nas nossas vidas e na nossa espécie. O segundo ponto, sobre ser perigoso é o que mais me deixa aflita. Eu fico perplexa de ver a proporção que uma informação propagada, seja ela minimamente verdadeira ou extraordinariamente falsa, consegue chegar. Vidas estão sendo destruídas e a nossa civilização está passando por uma revolução. Haverá um mundo antes e o mundo depois desses tempos. Não duvide! Nisso tudo, eu finco a minha racionalidade em um princípio que não acho que perca o valor: a humanidade. Se humanizar vai ser cada vez mais vital e difícil. Vigilância à própria humanidade, prudência e observância. Com certeza, são as virtudes dos que sobreviverão ao caos. Sem mensagem apocalíptica, sendo dedutiva mesmo. A guerra já começou e nem é possível saber quem é o próximo inimigo. Vencer é não se tornar um deles. Eu penso assim.
"Nossos segredos são os mesmos.
Desde o princípio.
Desde que o mundo é mundo.
Não se iluda.
Somos feitas da mesma matéria e das mesmas dores.
Nenhum deles está aqui para nos salvar.
Só você pode se salvar.
Acredite.
Em você.
Não dobre seus joelhos, não beije seus pés.
São tão impuros quanto os teus e os meus.
Que a semente de amor que você tem dentro, floresça através dos tempos.
Até o final.
Não... não existe final.
É outra ilusão.
Não existe separação.

Eu te sinto em mim.
Nossos segredos são os mesmos.
Os teus ainda estão guardados?
Por que você os protege?
Deixe-os voar.
Deixe o vento levar.
A tempestade lavar.
Não tenha medo.

Eles são covardes.
Não vão entrar mais no seu quarto, pequena.
O seu silêncio os fortalece.
O seu segredo os fortalece.

Se todas contássemos nossos segredos... o seu poder acabaria.
Todas juntas!"

Por Sabrina Bittencourt

(quando começou a saga contra líderes espirituais abusadores, em 28.08.2018 - EQUIPE COAME. www.coamebr.tk)

#SABRINAPRESENTE
#OCORPOÉMEUVAISEFUDER
#EuSouSobrevivente

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Quando vejo as polêmicas jogadas estrategicamente em nossas rodas de conversas, já sei que se trata de aparelhamento ideológico. Primeiro eles jogam a fala solta e controversa, depois eles a retomam em contexto favorável, ainda que ambíguo, e saem como os cordeiros enquanto os lobos são seus opositores. Eles estão fazendo a capa de população amável e familiaresca, já seus desiguais seriam os odiosos e degenerados. Por outro lado, são sempre notícia dentro e fora de seus nichos discursivos (ideológicos). São sempre as mesmas posições, do mesmo lado e de forma clara. Poderemos nos acostumar com esse discurso de tal modo que ele seja ainda mais naturalizado? Sem dúvida! Ignorar de forma estratégica, não reagir de forma cautelosa, silenciar em suas próprias sessões discursivas, não ouvir em suas rodas mais caras pode ser o maior trunfo. Não digo que devemos fingir que não estamos vendo, mas precisamos sufocar a audiência, apagar as luzes do espetáculo deles para não inflá-los. O caminho é complexo mais necessário porque tudo que eles querem é se espalhar na mídia de tal sorte que dominem todos os espaços de discussão sem qualquer esforço de violência aparente, mas através da violação simbólica que produzem ao garantir força aos seus preceitos cruéis. Meu medo é que esse mal se banalize em nós que estamos do lado daqui, em nós que nos afastamos deles por hora. O mal se banaliza mais rápido do que imaginamos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Vc não foi, vc foi levada. Vc não sentiu prazer, vc foi estimulada para além da sua compreensão, da sua permissão, da sua vontade e da sua capacidade de lutar contra. Não há nenhuma forma de remédio para curar suas lembranças, te fazer esquecer ou te fazer ao menos diminuir a dor. Não há. Eu não posso te dizer o que não existe. Mas existe um meio de vc amar tanto a si mesma que esse fantasma se afaste da sua cabeça, não como quem esquece MAS SIM COMO QUEM SE PERDOA. Por favor, perdoe a si mesma! Vc não fez nada, nada veio de vc, nenhuma característica sua ou qualquer que fosse sua postura, nada freiaria esse monstro. Homens quando desejam oprimir, violentar, destruir e assujeitar mulheres NÃO PARAM POR NADA. O que ele fez foi por pura perversidade, maldade e má índole. Ele se aproveitou da sua inocência, da sua inexperiência, da sua falta de força, da sua incapacidade biológica, da sua ingenuidade racional. Não há como uma criança de 12 anos lutar contra um monstro, contra seu maior inimigo. Vc foi vítima de um monstro. Não há sequer uma dúvida disso. Infelizmente existem meninas que se tornam dependentes emocionalmente desses abusadores e depois levam essa forma de abuso como relacionamento afetivo, quando é puro ato de dominação e de deformação. Se um monstro desse pudesse te matava fisicamente, mas como não pode um pedacinho de vc ele destruiu por um tempo: a sua paz. No entanto, eu não duvido que vc consegue RECONSTRUIR-SE, REENCONTRAR ESSA PAZ É POSSÍVEL. Encontre grupos de apoio, rodas de mulheres abusadas, conversas em grupos de mulheres feministas e qualquer apoio coletivo. Não guarde mais a maldade desse monstro dentro de vc. Ela não é sua. É totalmente dele.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Se eu pudesse agora
Eu te sonhava
Em minha noite
Em minha cama
Dentro da minha coberta
E te enrolava
Entre meus dedos
E te sentia
Chegar bem felina
Cheirando meu pescoço
E te pedia
Me nina
Me mima
Menina,
Me ensina
A te mimar
A te amar
A te sonhar
E te ninar
E te ouvia
Respirar de olhos apertados
E te sentia
Subir na minha vida
Dominar minha mente
Ferver minha pele
Deixar meu corpo
Todo refém de ti
Se eu pudesse
Agora mesmo te pegava
Te sonhava em cima de mim
E te enlaçava firmemente
Apesar do medo
Tenho em mente
Teu suor
Teu sussurro
Tenho teu gemer
E sinto um cheiro quente
Vindo das narinas ofegantes
Do teu peito saltitante
Delirante teu quadril
Tudo em ti treme
E faz um frio
Sou eu soprando
Eu te amo
Atrás dos teus ouvidos
Na tua nuca
Nos teus cabelos
Tão meus e tão negros
Vontade de ranger os dentes
E te soltar
Livre levemente
Cheirando teu pescoço
Suavemente
Tudo na gente
Nesse sonho
É quente
Ardente
Vivo
E encandescente
Sonho um dia
De noite
A gente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

 a ciência nas humanidades tem relação com a subjetividade, isso é o que permite o paradigma histórico e dialético. Claro que a gravidade não é uma ciência, ela é uma realidade física. O lugar de fala é uma ciência, ele faz parte de um conceito científico que depende obviamente da subjetividade manifesta histórica e, inclusive, psicologicamente. Não se pode igualar as premissas aritméticas, físicas e químicas com as realidades humanas, apreciáveis nas ciências ditas humanitas. Ninguém irá questionar a princípio de que a gravidade existe, mesmo assim são muitas as discussões científicas sobre os desdobramentos dessa realidade, e nestes casos a historicidade científica se aplica no que é possível compreender e no que ainda não é possível. Nas ciências humanas não lidamos com objetos, com abstrações apartadas do contexto e da subjetividade inclusive que lhe interpreta (como eu disse, é preciso conhecer o livro de professor Japiassú sobre a Ciências Humanas, ele reduziria possíveis lacunas no meu comentário). Quando a palavra fato aparece no seu comentário, ela deixa de ser fato histórico e passa a ser fato absoluto, mas não é sempre assim, principalmente dentro das ciências humanas - exatamente o ambiente acadêmico de onde saiu o artigo em questão. Eu jamais teria a mesma postura analítica diante de um fato físico, químico ou de questões matemáticas, não é está a área do conhecimento a qual estamos examinando especificamente. Quando vc traz a discussão sobre a percepção do real, ou "apreensão do real" eu não pude silenciar em mim a voz de Lacan e a máxima psicanalítica dele sobre a incapacidade da apreensão do real. Para essa ciência humana (psicanálise lacaniana), o real é inatingível mesmo em um esforço teórico.  Então, não concordo com sua afirmação sobre o real, embora a palavra realidade estivesse de alguma forma - talvez - mais adequada ao seu contexto afirmativo. Não considero a ciência humana um relativismo epistemológico, e considero o seu comentário uma anticiência porque desqualifica uma área fundamental e funcional do saber científico. As descobertas de Newton são fatos científicos abstratos e as ciências humanas consistem em fatos históricos e subjetivos (no sentido de relacionados às construções dos sujeitos no mundo, é sobre o estado de coisas e não o estado das coisas, no sentido de Wittgenstein). A historicidade, ao contrário do que vc defende não é um limite, mas um aspecto formador que não pode ser ignorado sob pena de - neste caso, sim - restringir, limitar a capacidade analítica do objeto social, histórico e subjetivo. Se vc se opõe ao que a epistemologia da filosofia contemporânea usa como meio de análise, esse é um viés metodológico seu, não precisa ser radicalizado como a única forma verdadeira de se fazer ciência. Não é mesmo? Descarte é sábio em propor em uma das suas últimas discussões teóricas a premissa científica da dúvida. Duvidar é preciso, inclusive duvidar de si mesmo. Por isso, não tem como negar que a ciência exige o debate dentro da realidade, do contexto ao qual se propõe. Lugar de fala não é um confessionário, não é um microfone na mão, nunca será um artifício comunicacional, pois é a comunicação indispensável para a progressão da narrativa histórica. O discurso da história, a partir do lugar de fala, se torna um meio de debates e conflitos subjetivos enriquecedores e mais autênticos, no sentido de representativos. Quando mais interlocutores são ouvidos, maior possibilidade de versões a história terá. O que enriquece a visão de mundo estabelecida pela interdiscursividade, leia-se Patrick Charaudeau sobre isso (Análise do discurso). Nenhuma subjetividade pode ser encarada como uma pessoa no mundo, isso é olhar para o discurso e não enxergar as vozes que lhe antecedem (leia-se Mikail Bahkitin sobre isso "Marxismo e filosofia da linguagem", "Estética da criação verbal"). Somos uma polifonia reverberada na voz de uma simples mulher (isso foi irônico). A experiência não pode ser transmissível, experiências não se transmitem, são sabidas e escutadas, jamais dadas como um objeto de troca material. Experiências são conhecidas e intermediadas para que sua existência seja validada. Um apagamento de experiência é um silenciamento de existências. Os negros foram apagadas da história do Brasil sobre a definição amordaçadora da palavra "escravo", na qual suas identidades foram omitidas criminosamente. Não se está falando de justiça, aqui, mas de ciências humanas. A ética é um princípio no método de muitas ciências humanas como já argumenta Karl Marx, entre outros tratando do discurso do método. A verdade não é obejto da ciência, ela é uma premissa revogável quando está dentro do debate. Reviga-se a verdade absoluta e coloca-se as verdades possíveis. Mesmo porque nem tudo é possível de ser apreensível para a racionalidade humana, somos limitados pela nossa vivência e historicidade. Essa é a premissa de uma ciência humana que se queira possível no século XXI. Por favor, não trate de nenhuma teoria social, subjetiva, linguística e comunicacional como se ela fosse verdade ou fato absoluto porque não é desse tipo de ciência que se está tratando mas da ciência das humanidades e seu olhar deve ser adequado para tal.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

RABELAIS, obrigado por existir:

"Manguaceiros ilustres! Nobres toscos! Estimados aleijões! Sondas de jarros! Hastes de frascos! Registros rodados! Mordomos de névoas! Discípulos de São Martinho! Irmãos chapados! Irmãos cozidos! Irmãos insaciáveis e arrotadores chumbados! Banqueteiros e toneleiros! Trincadentes e trincalínguas! Vastas gorjas! Panças bombadas! Peidorreiros e trapaceiros! Irmãos doidos e preciosos! Por conclusão, notem bem o seguinte: se quiserem conservar nesta vida saúde e venustade, escutem atentamente estas seis regras:
 Nunca bebam sozinhos. A companhia de manguaceiros é uma corja altamente estimada e sua palavra baritonante tem peso considerável nos círculos de gendarmes. E mais: peguem dois bêbados; se um, empanturrado de névoa, perder o passo, o outro logo o levanta.
 Sigamos: ao despontar o dia, sob o luar virginal da alba, o melhor é brindar com Matusalém; ao meio dia com Baltazar; no crepúsculo choque a caneca com Nabucodonosor.
 Só beba do melhor. Beba do sólido. Plínio convida a distinguir os vinhos imbecis dos vinhos válidos; os bilontras vão preferir a segunda opção. Evitem os mequetrefes e mijos de burro. Evitem vinhos xexelentos.
 Evitem a cerveja. O poeta Basselin chama os manguaceiros de cerveja de bocas mijantes e diz com justeza que esse trago é bom para os flamengos e alemães, porque têm alma comum. E beber cerveja é causa de males: Júlio, o santo pai, bebeu cerveja e, mostrando sua barba, provocou grande indignação. Por isso, Erasmo de Rotterdam também diz que a cerveja seja infligida aos desgarrados e apóstatas, pois que é um castigo rudíssimo, tão pesada fora a falta.
 Porém mais que tudo, evitem a água: de todos os fluidos, é o mais virulento. Grande número de poetas e lansquenetes sucumbiram desafortunadamente por culpa dela. A água prejudica enormemente por causa de seu fedor e pestilência; Aristóteles, na História dos animais, narra como um grande número de gafanhotos, depois de beberem água, se corromperam e, por causa daquela horrível pestilência, abateram oitenta mil pessoas na cidade de Azi. E os membros da congregação da Santa Sé sabem muito bem o que estão fazendo quando vertem um funil de água nas tripas heréticas, porque quem bebe água tem sempre algo por esconder e dissimula alguma obscenidade.
 Vamos! Tomem exemplo no ensinamento de Jesus Cristo em Caná, do adorável milagre do Cordeiro.
 Evitem também o sangue. O sangue é pernicioso para o corpo humano, como testemunho diversos escritos e opúsculos medicinais e o camarada Avicena, também ele, recomenda a prática abundante da sangria. Reconhecemos que o sangue é um fluido gravemente nocivo porque esguicha e escorre só de furar alguém com um punhal; porque o corpo humano aproveita a mais ínfima oportunidade para se livrar desse veneno; e Marnardi de Ferrara nos ensina que devemos escutar o que o corpo nos ordena, pois através dele fala o Espírito Santo. Eis por que, erguendo o cálice, o Salvador disse: “Isto é o meu sangue”, o que prescreve que troquemos todo nosso sangue por vinho,  que nem uma cunha empurra a outra; e nós ficaremos saudáveis e adoraremos a Deus com fervor. ἄγιος κ᾽ἀθάνατος ὁ Θεός  [Santo Deus imortal].
 Ah! saibam também o seguinte: vocês têm a vida inteira para gargalhar e toda a morte para repousar."

[Trecho tirado do "Tratado do bom uso de vinho", cujo original francês se perdeu. A pintura é de Adriaen Brouwer, séc. XVII].

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Ela simplesmente não vai acontecer
Eu tô indo embora mais um vez
A hora de chegar foi tão natural
Mas a de partir não vai ser
Não queria dizer adeus
Mas ela foi dizendo antes
E eu nem li
Nem notei
nos meus devaneios
Nas minhas burrices
Espantei ela da janela do mundo
Ela fugiu mesmo 
Como disse desde sempre
Mas algo dela ainda persiste
Mas sua sombra, sua vagueza
Sua imagem na minha tela
Não são ela
São minha mente
Impondo um presente
Que não existe
Eu conheço suas armadilhas
Querida razão doente,
Não me derrube de novo
Os voos estão proibidos
Mas eu tenho que prosseguir
Uma queda deliberada 
No olhar dela sobre a gente
No falar dela sobre o mundo
E eu caminho incoerente
Cega mente tenho 
Busco uma inspiração
Encontro um muro
Em minha frente, enfrentar
Não tem por quê
Eu sou um passarinho no ar
Nem sei como pude sobreviver
Vou dizendo muito obrigada
Por mais uma chance
Vida, sua boba
Eu compreendi
  • Adeus, agora
Sem ela
nem uma poesia faz sentido
Meus olhos percorrem
 por todo lugar
Ela quem querem
 em todas as letras
e as formas abstratas vistas
 à distância dela
Sem ela
 nenhuma música
 encaixa com a rima
e os poemas de amor
perderam a cor
Não tem melodia
Onde ela foi ?
meus sentidos perguntam
Minha boca sente
o perfume do seu corpo
Ela não é minha
Minha mente repete
A alma sozinha
Cria o gosto da sua pele
E eu sou inteira vazio
Sem ela
Achei muito interessante a tua visão sobre o esse falastrão, desculpa eu não consigo concordar com a comparação com o Marx, porque realmente diferentemente deste, aquele nunca será um filósofo mesmo. Vc está muito certa de colocar a palavra filósofo entre aspas. Enquanto Marx , muito além de lutar pelo fim do liberalismo tirânico, era um consagrado leitor e um dos mais importantes analistas da filosofia clássica (socrática); o jornalista e comentarista de cotidiano brasileiro nunca terá nenhum reconhecimento acadêmico. Marx é estudado por universidades das maiores potências capitalista, que possuem filósofos neoliberais que refizeram a leitura de seus clássicos sobre os problemas e os vícios que a geração de capital poderia criar para o próprio capitalismo. E no séc XXI é estudado como um dos maiores analistas sobre os problemas do liberalismo radical. Por exemplo, existem análises dele que antecipam as crises do capital, tais como a Crack de 1929 (bolsa de valores de NY) às implicações diplomáticas entre conservadorismo e democracia liberal do nosso século. Eu concordo plenamente com a sua visão sobre a retórica viciada do pequeno brasileiro que está amando a popularidade, mesmo ruim, que estão lhe dando. Ele é um cidadão da "sociedade do espetáculo", como analisa o filósofo alemão Guy Debord (1931), no capítulo "A negação e o consumo da cultura". No livro "A sociedade do espetáculo", trata exatamente dessa forma de "intelectualidade" falsa, que não se apoia em conceitos científicos, mas em análises pessoais, verdadeiras opiniões. Ter opinião e expressá-la não pode ser considerado errado, mas querer que essa opinião seja ciência ou teoria é, antes de tudo, uma enganação. Eu considero qualquer palpitero que possui livro publicado como um palpitero de livro e somente isso. Mesmo tendo graduação e pós-graduação, não podemos considerar as opiniões deste ou daquele ciência. Se tem livro, não significa ser um homem das ciências e das filosofias. Ao contrário, acho que algumas obras desse comentarista espetacularista está muito mais para ficção, para não dizer fantasia, do que para análise crítica. Não aceitar contraditório realmente é um dos piores indícios para alguém que se queira científico. É necessário, principalmente dentro da filosofia, a consideração e a inclusão das críticas para que o debate, a tese e a proposta de análise seja ciência ou filosofia. Platão é um dos teóricos mais importantes sobre o método da filosofia clássica, e elege a dialética como o princípio da filosofia. Marx, na sua releitura sobre os métodos da filosofia moderna, elege a dialética histórico-cultural como o princípio ético para qualquer ciência, incluindo a filosofia. Para Marx, a práxis é o única forma de garantir uma ciência ética, isto é, a capacidade de uma teoria ser praticada e transformar realidades ruins para a humanidade em boas formas de viver em sociedade. Eu acredito plenamente, que esses princípios filosóficos são no mínimo ignorados pelo palpitero brasileiro. Infelizmente, ele sabe apenas espalhar opinião e sequer se preocupa com aqueles que não concordam com o que ele determina. Também, não está preocupado com o bem comum, esse é um princípio da dialética marxista, consagrada como origem da filosofia moderna. Antes de tudo, Marx era um filósofo perseguido cruelmente por ser judeu e considerado, juntamente com seu parceiro de filosofia, Engels, pessoa não grata pelo império da Prússia (tirano imperador Frederico Guilherme V, um republicano liberal), porque lutava através da filosofia pela igualdade de classes. Já, o brasileiro em questão, é autor de livros sobre opiniões de cunho "científico" bastante duvidoso, por ser ensaísta, por não aceitar debate dentro da academia sobre suas opiniões, sobre suas ideias, que por ter condições financeiras consegue publicar. Infelizmente, eu considero um atraso vergonhoso pro Brasil considerar esse homem uma pessoa digna de opinar sobre qualquer assunto da nossa realidade histórica.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

JULIANA

Cavalgando com suavidade
Lentamente,
umedecida,
olhos fechados
e os cabelos no rosto
Deslizando com vontade
Subindo,
descendo
ao ritmo da nossa respiração

Ela descansa a cabeça
no meu ombro
Mas logo se ergue,
se empina
e continua
Suas mãos se apoiam
no meu peito
Ganha força,
ritmo,
intensidade

Feito uma águia selvagem
ela parece voar
por cima da cama,
por cima de mim
É uma fera incontrolável
que me doma,
me engole
E eu, totalmente entregue,
sou a sua presa.

( Cleydson Ramones )

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Ps: Fique à vontade para COMPARTILHAR ou MARCAR o seu namorado(a), crush, amigo, amiga. 

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Eduardo Bolsonaro: “Eu começo a ‘entender’ a importância da figura masculina na vida de uma mulher quando minha ex-namorada que já se declara feminista é vista em uma balada LGBT acompanhada de um médico cubano, usando uma roupa vulgar e, como se não bastasse, rebolando até o chão. E ainda posta isso na internet, como se fosse uma atitude louvável. Lembrando que antes do feminismo ela andava com roupas discretas, não rebolava até o chão, e namorava comigo. ;) #FeminismoÉDoença”

Patrícia Lélis: “Eu comecei a entender a importância do feminismo quando fui abusada por seu amigo de partido e você me pediu para ficar calada, mesmo sabendo que era verdade e me vendo machucada fisicamente e psicologicamente. Foi daquele dia em diante que eu comecei a entender o feminismo. Até então eu aceitava as suas grosserias, abusos e traições. Foram 3 anos e 8 meses em um relacionamento abusivo. Eu estou percebendo que tudo na vida evolui, menos você. Falta de elegância ficar pedindo para terceiros te passarem informações sobre onde e com quem estou. Você consegue desrespeitar até mesmo pessoas que você nunca viu na vida, menosprezando e desvalorizando o próximo. Sabe qual foi o principal motivo que nos levou ao término? Eu descobrir que eu sou dona de mim, descobrir que sou um ‘mulherão da porra’, e quando descobri isso, você ficou com medo. Moleques não aguentam mulheres fortes. Só para terminar esse post: esse médico cubano que você tentou menosprezar nesse post, além de ser um baita ‘homão da porra’, me leva pra balada, não reclama das minhas roupas e maquiagem, dança comigo, e cá entre nós: tem uma ‘pegada’ que você nunca teve na vida. Beijo, Eduardo. E vê se para de me ligar e mandar mensagens dizendo que tá com saudades, tá chato já!”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Incondicionalmente amar de novo

A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo. Duvidar é acreditar no próprio eu do presente perdoando os erros que se foram, almejando alento no porvir.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata. São dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar. São as nossas desculpas esfarrapadas livres, leves e soltas.
Enfim, restam solenes as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar". Vida que segue que chama, né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina liberta, livre para re(a)mar. Em uma rota de tempestades no mar, tememos continuar. Amar é persistir mar adentro, em mar aberto,  amar e pronto.
 Não, amar não é de erro, não há equívoco. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar no amar da vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para reaprender, reinventar. Reamar é amar quantas vezes for indispensável por ser de amor movido.
A inspiração para que possamos recomeçar não está colocada onde queríamos. Ao contrário disso, ela sempre nos pega de surpresa, nos toma para si feito uma chuva repentina acalmando o ardor de tantas incertezas da vida.
Recomeçar, então, é encarar as dúvidas, as dívidas e as reticências. Não há como não ter perguntas e anseios sobre o futuro, não há como esquecer que já errou tanto por ser ingênuo, duvidar é acreditar no próprio eu do presente.
As promessas vão sendo deixadas de lado e ficamos devendo algumas explicações incoerentes e outras reflexões que chegarão na hora exata; são dívidas que ficaram de ser pagas e nós deixamos de cobrar por pura vontade de seguir pra nunca mais voltar.
Enfim, restam as continuidades soberanas. Sim, a vida continua mesmo que quiséssemos estagná-la! Não, não há como remediar os três pingos de vida que seguem sem nos deixar pedir "licença pode me esperar"... Vida que segue que diz né?
É! A vida não deixa de ser companheira do tempo, passando por entre os dedos divinos e escapando feito menina livre, liberta para de re(a)mar. Amar não deve ser um erro. Se errar por isso, perdoe-se imediatamente, e jamais se arrependa de recomeçar a acreditar na vida. Não há como viver sem recomeçar quantas vezes for preciso para aprender a amar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Até um dia desses éramos os que ajudavam a construir o futuro da nação, agora somos os maiores inimigos. Somos "inimigos" da família de bem; "opositores" do governo de bem; "adversários" da empresa de bem; "rebeldes" contra a ideologia de bem; "revoltados" contra a igreja de bem. Somos do mal, do contra e do lado avesso. Até um dia desses éramos os que deveriam ser respeitados, os que deveriam ser abraçados pelo tamanho da responsabilidade que temos maior do que cuidar da nossa própria família. Agora somos os que devem se calar ou repetir o que o livro escolhido por eles disser. Seremos papagaios de estimação????? Querem uma legião de pessoas sem criticidade andando pelo mundo a esmo??? Querem sucumbir a alma de um povo???? A alma é a capacidade de sentir, de se indignar e de se contrapor ao que considera injusto. Se a educação não desenvolver a criticidade, QUEM FARÁ? A TV? A INTERNET? AS FAKENEWS??? A SUA TIA APOSENTADA QUE JÁ NÃO LÊ NEM MAIS PALAVRAS CRUZADAS SÓ olhando bobagem no wtsp??? Fomos largados. Eu já sinto o peso. Irei resistir. E mesmo que me tirem os livros, não conseguiram tirar o conhecimento tatuado no meu corpo e na minha mente. Educarei independentemente de tudo. A luta é por uma nação de gente e não de zumbis!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O que eles querem é bloquear qualquer forma de liberdade garantida. A única "liberdade" que eles aceitam é a liberalidade, isto é, o princípio liberal tal qual os clássicos desse pensamento preconizavam,  Smith, Locke, Stuart Mill. Nada de liberalismo soa como liberdade, nem mesmo quando garante os direitos individuais. Por isso que devemos nos cuidar bastante. O liberalismo estipula o que e como é ser "livre" e garante que seja de fato apenas "liberado". Quem regula essa lei? O pensamento dos donos do meio de produção. E está liberado apenas aquilo que pode ser consumido. Daí o princípio falho do senso comum "o dinheiro traz a felicidade".

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Eu li uma vez em artigo de um historiador, desses que estão fora de moda no Brasil, que o nosso país é das contradições gigantescas. Monarquia que faz  independência  ao império; Império que faz golpe e instaura a república; república que faz golpe militarista; operário que faz modernização do sistema liberal ultrapassado para a democracia neoliberal mais contemporânea possível. Aqui a surpresa não acaba. Mas fico feliz da vida de ver, essa radicalidade da nossa esquerda sendo jovial e contemporânea! Boulos representa a nossa diversidade faraônica. Somos contraditoriamente um país de surpresas! Enquanto todos esperaram de Ciro a luta democrática, mesmo que fosse apenas por uma reverência ao criador do partido que lhe acolhe Brizola; somos surpreendidos por um radical de esquerda fazendo o aceno livre pela democracia plena! Meu presidente seria Boulos, votei sem medo de ser feliz e livre!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Esse caos é o efeito mesmo que eles querem. Quanto maior a dor, o sofrimento e a angústia gerada mais eles crescem. Eles se alimentam da nossa dor e nós jamais somos culpados por de certa forma sermos suas presas. Ao contrário, sonos na mesma medida o veneno. Uma pessoa que sofre ao ver tanto horror e desumanidade, só pode ser totalmente contra essa forma de poder e por isso é sua oposição. O que enfraquece esse mal é quando nós o DESPREZAMOS. DEVEMOS DESPREZAR ESSE IMPRESTÁVEL! A luta agora é para apagar ele da mente das pessoas e só faremos isso falando, fazendo e reverberando outras coisas e outras energias. Tire ele da sua vida. Se purifique . Purifique a sua família. Pense, fale e reverbere outra coisa . Não se deixe dominar por esse mal, que eles querem exatamente é serem os senhores das nossas mentes. E não serão!

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Um trecho do sensacional e fundamental "Introdução à vida não fascista" do Foucault:

Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, estejam elas já instaladas ou próximas de sê-lo, é acompanhada de certo número de princípios essenciais, que resumirei como segue, se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana:
 • Liberem a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante.
• Façam crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, e não por subdivisão e hierarquização piramidal.
 • Livrem-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas. Considerem que o que é produtivo não é sedentário, mas nômade.
 • Não imaginem que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo se o que se combate é abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga nas formas da representação) que possui uma força revolucionária.
 • Não utilizem o pensamento para dar a uma prática política um valor de Verdade; nem a ação política para desacreditar um pensamento, como se ele não passasse de pura especulação. Utilizem a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política.
 • Não exijam da política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação e o deslocamento, o agenciamento de combinações diferentes. O grupo não deve ser o liame orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”.
 • Não se apaixonem pelo poder.
Minha amiga, o silêncio do corpo é a dormência da mente. Os antigos gregos diriam "mente sã, corpo são", em igual proporcionalidade. Nem uma medida de consequência será deixada para trás. Os que apoiam com medo e pensam "estamos seguros", se enganam. Uma cadela raivosa e faminta não escolhe sua comida. Quem de longe enxerga o cheiro de sangue e se afasta - está em perigo, mas se protege. Quem de perto cheira e consome os restos, não sabe a hora que os olhos que lhe enxergam são a bocarra que lhe dilacera.
Reduzir a maioridade penal é dar a autorização institucional do Estado matar os pobres e negros ainda mais cedo. O extermínio da nossa juventude negra é um péssimo sinal de que, o que o Estado não dá conta, ele elimina. Elimina jogando para baixo do tapete, para 7 palmos do chão. Um Estado sádico, tirano e desumano. Esse é o Estado neoliberal. O mesmo que "deu certo" em vários lugares do mundo é só fazer um "comparação espontânea" com o socialismo radical  "pra vc ver". Eric Hobsbawm não seria tão radical: "Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de 'capitalismo' e 'socialismo' faliram". E nós ainda buscando agulha no palheiro. Esse Estado tirano é o que não combina humano e produção porque só pensa na lucratividade e na produtividade. Ser um estado democrático antes e tudo no século XXI será superar a tensão entre gente e suas criaturas. Superar o desequilíbrio entre ter e ser. Conduzir o bem comum em direção ao bem das pessoas e não das suas criaturas, como o mercado. As pessoas, enfim, devem estar acima de qualquer outro "bem" social. Quando pensamos mais no celular roubado do que no menor que o roubou, não pensamos como pessoas. Pensamos como parentes de objetos pelos quais vivemos, trabalhamos condenadamente e por quem morremos ou matamos. E essa humanidade é triste.

sábado, 20 de outubro de 2018

O legado do patriarcado é a psicopatia! Sério, além de ver gente se fingindo de "contra a corrupção", mas declarando que queria ver morte ...de leve...ainda temos que ver gente alucinada reverberando suas fantasias. O que querem os loucos? Eu diria que mais sanidade aos "doutos". Ironicamente, a loucura é mais sã em tempos extremos e a "sanidade" aparente é só um jeito falho de esconder a irracionalidade dos sentidos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Falem-nos sobre remediar. Nós queremos muito ouvir! Qual é o remédio e, antes de tudo, qual a doença? Sintomas estão esparsos. Efeitos se espraiam. Nesse caos democrático, vivenciando por todo o mundo em que esse sistema é vigente, há problemas difusos. Tudo o que fazemos é lançar mão de mecanismos operantes na teoria contemporânea. E eu pergunto: como vc se aparelha para analisar essa problemática? Quais seus preceitos? A metodologia é a alma da resposta científica.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Quando a filosofia, as artes, a ciência, a racionalidade e a humanidade são consideradas erradas, não há mais referências. O obscurantismo se baseia na demonização de tudo isso.
Devemos tomar muito cuidado com os senhores em quem nos apoiamos. Newton já dizia "enxerguei mais longe porque me apoiei em ombros de gigantes". Os saberes são gigantes, não há um homem sequer que possa se autonomear gigante, senão já perdeu sua sabedoria. A maior virtude de quem é sábio é a humildade.
Quando olhar no espelho, se questione sobre os gigantes em que você está apoiado. Pode ser que a baixeza de sua humanidade lhe garanta poucos andares de escadas inseguras. Os gigantes estão na pequenez daquele que reconhece sua necessidade de saber. Se veja. Se mova. Se deixe saber. Logo seus olhos poderão alcançar um mundo que era improvável até o instante anterior. O saber nos mostra sua gigantesca força quando nos faz enxergar de longe a humanidade que nos identifica e nos unifica. Não há espaço para o saber onde não há humanidade de ser.
A idolatria que desde Moisés é temida consiste nesse sistema. Idolatrar um ser ou ideia como fosse a única possibilidade de verdade. A ciência sempre combateu essa forma de expressão cultural, foi a luta do renascentismo e o mote do iluminismo. Tudo quanto foi criado durante a era medieval sofreu com as sombras da adoração à monarquia aparelhada pela igreja. O absolutismo foi a tirania, o fascismo dessas eras. Nenhuma ciência vigorava, apenas o obscurantismo. Foram tempos difíceis para as mentes. Ainda são tempos difíceis para as mentes. Onde há idolatria, há demência e dormência da mente. Em geral, a arte foi sempre o refúgio da humanidade, do próprio humanismo. Ela será o nosso suporte, eu não duvido.

sábado, 13 de outubro de 2018

É depressor esse sistema! Fico impressionada como pessoas que conheço desde a infância, que sempre foram educadas para aniquilar outras; que sempre foram adeptas do dar porrada para calar a boca do fulano; que embora tivesse boas notas na escola era sempre fã da pancadaria generalizada e das piores práticas como aluno em escolas "militaristas"; acho incrível como essas pessoas dizem que "só vão votar no coiso porque odeio o PT". Eu vejo de longe a covardia dessa gente. Quero ver maninho correndo quando enfrentar o sistema que ele pensa que o protegerá. A covardia dessa gente é farejada a léguas. Há uma cadela raivosa e faminta na espreita. Se eu sou contra ela, eu reconheço suas pegadas. Se alguém for um covarde/comensal que se esconde atrás dela para ver o sangue jorrar, eu te pergunto: quem ela vai matar primeiro? É uma simples lógica.
Está escrito não idolatrarás outros deuses, e mesmo assim o pastor, o candidato à presidência parecem verdadeiros deuses defendidos e idolatrados, louvados e adorados por seus fiéis seguidores. O segundo mandamento é claro sobre quem idolatrar outros deuses. Jesus como é um fiel a lei de Moisés diz na porta do grande templo em Jerusalém aos fariseus "dai a César o que é de Cesar e dai a Deus o que é de Deus". Além do mais, nunca houve uma "abolição" do furto na "lei" de Jesus, como fiel aos eternos ensinamentos antigos, ele garante a lei quando condena um ladrão ruim, embora perdoe o outro, o ladrão bom. O que salva o ladrão bom, segundo padre Antônio Vieira, é a restituição dos bens. Aquele que restituir o que furtar em sua totalidade será digno de perdão, conforme manda a lei de Moisés. É preciso ler e interpretar, porque só decorar trechos da bíblia não salva ninguém!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada

 Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

 Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

 Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?

 Pois bem, vou contar uma história.

 O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

 Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

 Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

  A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

 Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

 Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

 Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

 Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

 Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos  “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.

 Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

 Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

 Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

 Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

 Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

 Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

 Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

 Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

 Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

 Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

 Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

 Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

 Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

 Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

 Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

 Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

 Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

  P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

A arte é o nosso maior sentido. O corpo humano só existe enquanto se sente pela arte.

Eles não são imbecis, ELES SÃO PERVERSOS. Há muitos perversos fora do armário que se aproveitaram da "onda" para satisfazerem seus desejos irracionais. Não há racionalidade é puro gozo incubado. Eles se aprazem com o esvaziamento do outro, com sua desumanização, com seu pagamento. São muitos sim e derrubam ao chão qualquer esforço humanitário. Claro que há quem seja absolutamente neurótico e medroso por isso. Por pura fraqueza, há os que se filiam por medo achando que podem estar salvos de baixo das asas de um dragão desses. Nosso maior inimigo é o vazio de humanidade, a desumanização pensada por Saramago, por Freud, por Nietzsche e por tantos e tantos outros. Somos uma imitação de máquinas que já não sabe sublimar. A arte não tem mais sentido para muitos porque eles perderam a percepção, a sensibilidade estética profundamente humana. Como revogar esse caos? Sensibilizar! Que trabalho platônico teremos pela frente! Que trabalho titânico! Será um tempo, embora a democracia vença temporariamente, de lutas diárias. Esmorecer, jamais! Mas que a arte nos comova e nos liberte desse mal durante esse tempo. A maior perda sem dúvida é se tornar um deles, como diria Darcy Ribeiro.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

É uma falta tão exagerada de um "pai" que a população se agarra nessas fantasias. É como se esse "super-herói" brabo e resistente representasse a própria fraqueza da população, que assim demonstra se sentir carente de autodefesa. Realmente, não temos uma autoproteção, não sabemos nos cuidar, falta-nos a capacidade de nos defender. Somos uma nação tão carente que se agarra nas pernas desses "salvadores da pátria". Eles sabem da nossa fraqueza, eles quem nos fizeram assim: povo carente, necessitado de si. O engano da nossa visão é a própria ironia no espelho. A gente se olha e não reflete sobre quem de fato somos. A nossa grandeza de povo está esvaziada pelo poder daqueles que nos querem fracos para que eles possam dominar tudo.
 o incrível é que padre Antônio Vieira (séc. XVII) já falava sobre isso. Em um sermão entitulado "Bom ladrão" ele exatamente afirma a lógica da teologia clássica sobre a justiça e é enfático "uma tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: - Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos". Nossa "justiça" se comporta como há muitos séculos a concepção de "direito" se estabelece: ao que mais poder tiver, a segurança; ao que menos puder ter, a sentença. Uma estrutura de poder complexa e destrutiva, como diria Capitão Nascimento (Tropa de Elite) "O sistema é foda!". Foucault não conseguiu ser tão certeiro, em poucas palavras se resume o capitalismo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Hoje estou decidindo, devagarinho, acabar com uma ilusão de estimação que venho cultivando como se fosse algo bom, MAS NÃO É! Não é bom mendigar beijo, implorar abraço, suplicar carinhos. O que nao é espontâneo, nao pode ser fabricado, nem inventado, nem ilusionisticamente vislumbrado, amar tem que ser natural.
Eu ando mendigando, suplicando, inventando amor onde há apenas parceria. A parceria é fundamental para um negócio, para um trabalho em grupo, mas ela não é boa para um relacionamento afetivo. Afeto tem que ter verdadeira vontade, desejo simples e livre. Não há como amar em liberdade condicional. Hora livre para receber, mas aprisionado em si quando é chamado a dar. Está na hora de se levantar da mesa porque o amor não foi servido. Está na hora de seguir em frente e dizer mais uma vez "adeus".
Essa é a boa hora em que a vida se fortalece junto com toda dor abraçada e em seguida colocada em minha pequenina bagagem. Vou levar daqui o jeito gostoso de amar sem nenhuma medida e sem quadratura. É a hora exata de seguir para outra viagem. Quem sabe se encontre amor, mais uma vez, seria a maior benção dessa vida. Mas, se não houver esse encontro, haverá outras dádivas dentre elas a felicidade, a dignidade, a lealdade, a autoestima, o autocuidado, o autoconhecimento, a alegria do saber sobre a experiência sobre existir em demasia. Quero ser feliz e viver cada dia.

sábado, 15 de setembro de 2018

ELEIÇÕES, SABATINAS E ALGUNS PENSAMENTO AÍ...

Fernando Haddad deu um baile hoje (14), no Jornal Nacional!

Seu brilhante desempenho me evocou lembranças. Fiz uma campanha para governador de São Paulo (PSOL), em 2014, que tem residual importância histórica.

Assistindo o petista - em situação mil vezes mais importante e dramática - me voltaram sensações que talvez todo candidato em desafios semelhantes tenha. Digo dos candidatos que não rezam pela cartilha dominante.

Montamos há quatro anos uma pequena e dedicada equipe, com a qual aprendi muito. Entre eles estavam Francisvaldo Mendes de Souza, Denise Simeão , Edson Carneiro Índio e Pedro Ekman. Bia Barbosa e Cláudio Camargo também deram apoio fundamental

A primeira sensação que se tem em debates desse tipo é uma solidão quase absoluta.

A SOLIDÃO - Você está num estúdio, com jornalistas à sua frente que - quase sempre - querem apenas jogar cascas de banana esperando você fazer um papelão. Ao entrar e se sentar, você está só - sozinho! - e com uma responsabilidade monumental nos ombros. Se vacilar ou falar bobagem, dezenas e dezenas de camaradas, candidatas e candidatos que dão o sangue para construir uma ideia, um projeto e um partido podem ser rejeitados nas ruas e nas urnas. Vale uma analogia.

Fui nadador desde a adolescência e participei de centenas de campeonatos. É talvez o esporte mais solitário existente. Quando você é chamado para a borda da piscina, posta-se atrás da baliza e aguarda o apito do juiz para subir. Entre o segundo silvo, para se abaixar, e o tiro de largada, passa-se no máximo um segundo. Nesse microtempo, você olha cinquenta metros de água adiante e a solidão é parecida. É você com você. Uma saída malfeita, uma entrada torta na água ou uma virada ruim, pronto! Está comprometido não apenas seu desempenho, mas a pontuação de toda a equipe.

A OFENSIVA - A segunda sensação nos debates é que você está num jogo de esperteza, muito mais do que numa troca de idéias. Se vacilar, dança. Não pode baixar a guarda em momento algum  É algo extremamente tenso.

Haddad começou nervoso e foi se assenhorando do ambiente. É essencial nunca deixar a bancada tomar a ofensiva. Ou seja, as perguntas não podem lhe pautar. Há que virar o jogo e tentar você definir o ritmo da batalha. Como dizia Brizola, "Estamos numa democracia, você pergunta o que quiser e eu respondo o que quero".

Nesse ponto, eu fazia outra comparação. "Estou numa guerra e ninguém aqui é meu amigo", pensava. E me vinha à mente uma longa conversa mantida há exatas duas décadas com M. Roger Brochet, um francês de 80 anos, casado com Mme. Suzanne, uma extrovertida e divertida professora de francês, dois anos mais velha que ele. Moravam ambos numa casinha com quintal ao fundo, no bairro de Perdizes em São Paulo, desde o final dos anos 1940, quando chegaram ao Brasil.

M. Roger me fascinava. Fora piloto de caça na II Guerra Mundial. Com a França ocupava, integrou-se a uma esquadrilha de Spitfires da RAF, sediada em Nice. Sua história nada tinha de romântica: dos 72 pilotos, apenas ele e outro conterrâneo sobreviveram. Falava com amargor de episódios que eu via como heroicos.

Duas frases grudaram na minha cabeça. A primeira é: "Nunca deixe o inimigo ficar em sua cauda. A possibilidade de ser atingido é de 110%". A segunda era: "Quando você o tiver na alça de mira, não vacile, abra fogo. Em combate não existe segunda chance".

Nos debates, a analogia da solidão se completava com as palavras de M. Roger, que em gestos contidos desenhava no ar manobras realizadas mais de meio século antes.

JUNTO E MISTURADO - Não permita que assumam a ofensiva, quando puder, vá para cima, não os deixe pautá-lo, mentalize o tempo de fala, vá direto ao assunto, não enrole, não demonstre intimidade com quem está no estúdio. Isso repetiam meus camaradas de campanha nas reuniões preparatórias. E sobretudo, lembre-se, diziam eles, você não está conversando com quem está à sua frente. Abstraia-os. Tem de falar com quem está em casa!

Piscina, Spitfires e a paciência dos amigos se fundiam em vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Eu ia com um frio na espinha para as emissoras. Às vezes me saia bem, às vezes malomenos.

A campanha, como disse, foi microscópica. Não quero fazer nenhuma egotrip aqui. Detesto ser cabotino.

Mas ao assistir Haddad hoje - e Boulos e Ciro em outras oportunidades -, eu me admiro com a maestria deles, embora cada um exiba um estilo. Encaram situações muito mais duras e cheias de armadilhas do que as enfrentadas por mim. Tenho enorme orgulho em ver gente do nosso lado dando show de arte e competência!

P. S. Disso tudo, só uma tristeza fica. Nunca mais vi M. Roger. Não havia celulares em profusão há vinte anos. Quando, tempos depois, busquei a casinha em Perdizes, um edifício tinha lhe tomado o lugar.

M. Roger Brochet, herói da luta contra o nazismo, faria cem anos neste 2018. Sei lá, tem tudo a ver com o que vivemos...

Gilberto Maringoni

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Murar o Medo
O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas.

Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.

Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura e do meu território. O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas.

Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável castinginternacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo.

Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência. O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo, cometeram-se as mais indizíveis barbaridades.

Em nome da segurança mundial, foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história. A mais grave dessa longa herança de intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra Fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo: a Oriente e a Ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de intervenção com legitimidade divina.

O que era ideologia passou a ser crença. O que era política, tornou-se religião. O que era religião, passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas, é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos, é imperioso sustentar fantasmas.

A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas, precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais, precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.

Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível.

Vivemos como cidadãos, e como espécie, em permanente situação de emergência. Como em qualquer outro estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas: por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento? Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de dólares em armamento militar? Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça? Se queremos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes.

Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra.

Essa arma chama-se fome.

Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda uma outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi — ou será — vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que, sobre uma grande parte do nosso planeta, pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção.

Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje, no mundo um muro, que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galeano acerca disto, que é o medo global, e dizer:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe.
(Mia Couto)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

você me
de
ses
tru
tu
ra

você me dá aquela sensação
de poder ser eu mesma
sem armaduras
e nossos olhares são capazes
de causar um incêndio
onde tudo era faísca
come on, baby
que eu voltei até a ser clichê
dizendo que sim quando você
me chama pra visitar
todos esses universos
que cê carrega dentro de si

eu sou maravilhosa sozinha
mas com você sou o dia todo
poesia

eu quero conversar contigo
por muitas madrugadas
ouvir sobre o que te faz leve e o que te apavora
ouvir sobre quando você foge
e quando você se demora
quais são os discos que te curam
quais são as músicas que
te recomeçam
por onde você viajou
quais os gostos que cê guarda
nesse sorriso que soltou

eu sei que você também tem vontade
de me ouvir um tanto assim
tem partes de você que se reconhecem em mim
cê não sabe disfarçar não
nossas histórias se esbarraram do nada
ou será que a loucura da vida
já tinha a intenção?

eu to na sua
então pode perguntar
sobre meus livros, minhas constelações
minhas inseguranças
eu te conto sobre todas as minhas revoluções
minhas andanças

se quiser me descobrir com a língua
não tem erro, cê sabe por onde começar
e se você quer me ver dançar
é só escolher o som

cê sabe que se eu te chamar
cê vai querer ficar
não tem jeito
eu sou esse motim
no seu peito
e eu gosto de caminhar
com quem tem coragem
de viver o que sente
e aí, cê vem?

ryane leão

#ondejazzmeucoracao
 Desculpem, mas estou cansada dessw argumento demagógico e falacioso. Ninguém aqui está falando de respeito sobre este ou aquele! Eu estou exatamente demarcando o lugar de fala de quem realmente precisa de cuidado e proteção, veja bem, porque NÃO TEM! Todos os dias morre a nossa gente negra, nós mulheres, crianças, gente absolutamente desfavorecida por diversos fatores e NINGUÉM defende eles antes de acontecer a tragédia. Eu fico muito triste de observar tanta comoção para um político, todo protegido, inclusive para incitar violência contra pessoas vulneráveis (como nós mulheres em caso de estupro) e não vejo a mesma guerra para combater a violência incontrolável contra quem realmente necessita porque - repito - não tem como se defender. Eu não estou dizendo " bem feito", eu não sou quem diz "mereceu isso" (como já ouvi o próprio energúmeno dizer sobre mulheres estupradas e gente torturada), eu não estou no mesmo lugar de fala dele e não tenho porquê para pedir desculpa. Não tenho que pedir desculpa porque não incito a violência. Não tenho que fazer a mea-culpa porque sou ABSOLUTAMENTE CONTRA A FORMA DELE DE ENXERGAR O MUNDO E PRINCIPALMENTE AS MULHERES E  AS MINORIAS. Eu não vou pedir desculpas para ninguém porque eu não faço apologia à agressão de nenhuma forma. Meu argumento sobre mulheres violentadas e mortas é sobre QUEM PRECISA DE MAIS CUIDADO E PROTEÇÃO. E eu te pergunto: quem precisa realmente de cuidado, proteção e defesa???? Deixe a mídia comover a quem ela quer enganar, mas nenhuma demagogia me seduz! Não há demagogia em mim. Defendo as nossas vidas porque elas também importam e inclusive agora morreu mais uma criança, ontem foram centenas de periféricos e hoje são muitas as mulheres estupradas a cada 11 minutos! Eu quero ver a minha gente cuidada, não quero nem saber de gente que tem todo cuidado e apoio e ainda faz pouco da nossa cara.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Sinceramente, não quero NEM SABER DESSE TAL. Para mim, quanto mais vcs ficam com pena mais ele entra na mentalidade fraca da população viciada em novela. É muita chorumela pra pouco velório! Gente, ninguém morreu neste caso específico, ao contrário está super bem trado e vai ganhar flores de boa noite. Mas continua sendo machista, homofóbico, transfóbico, racista, xenófobo!!!! Parem de se preocupar com pouca merda! Tem gente morrendo agora na favela, mais um menino negro, mais uma moça estuprada que estava chegando do trabalho! Só parem! Menos... Beeeeeeeeeeeem menos!!! Bora se preocupar com o que REALMENTE É PRA SE PREOCUPAR!
RESPOSTA A UM ARGUMENTO FALACIOSO...
 desculpe me intrometer no seu comentário, mas é muita demagogia usar o discurso reverso tentando culpar as pessoas que estão claramente destacando onde o ódio pode chegar. Vou tentar te esclarecer sobre o seguinte: quem deixa claro o posicionamento contra violência, não quer a violência em nenhuma hipótese, e - enfatize-se aqui - não irá defender ou estimular ódio e agressão física. Quando uma pessoa é claramente e irrevogavelmente contra a violência (em qualquer das suas instâncias e dos seus espectros), ela jamais incitará a violência, ela ao contrário refuta a violência através de argumentos fatídicos (desta feita, indiscutivelmente cabais). Não aceito a atitude absurdamente demagógica daqueles que se dizem radicalmente contra a violência mesmo em caso de desafetos, mas praticam essa violência simbólica por meio de discurso reverso. Ou seja, dizer que há racismo em discursos de negros "contra brancos", de que as mulheres misândricas são um perigo, ou outras falácias, devem ser evitadas. Não há porquê para se pensar que estamos culpando a vítima, ninguém disse que ele estava pedindo para tomar uma facada. Ninguém disse nesta postagem que ele "mereceu". Note que este é o discurso falacioso do próprio indivíduo sobre vítimas frequentes na sociedade. Aqui ninguém está culpando a vítima, isso é discurso e argumento falacioso. Não recorra à violência simbólica, ela não passa despercebida! Somos mulheres que possuem opinião absolutamente clara sobre a violência! Nenhuma a menos! Queremos reduzir a violência em todas as suas nuances, mesmo quando ela se dá de forma sutil, mas cínica!

domingo, 2 de setembro de 2018

Estamos vivendo tempos extremos no Brasil, onde candidatos extremamente criminosos por suas posturas racistas, homofóbicas, machistas e xenófobas possuem todo apoio da "alta sociedade" a fim de destituir a democracia. Está difícil, desanimador e parece um rolo compressor. Não é sobre um candidato, é sobre a democracia que está vacilante. Creio que iremos enfrentar essa árdua batalha, mas não perderemos a guerra. A guerra aqui é contra o terrorismo neoliberal que está agindo com todo seu aparato bélico, com todo o seu aparelhamento ideológico. Estamos sitiados, não somente por Lula. Mas ele é o exemplo mais claro, sem dúvida. Independente de quem quer ou não votar neste ou naquele candidato, o Brasil está dando uma aula de tirania☹️

Dor de ser mulher

As pessoas não acreditam mesmo que nós mostremos provas. Não adianta, vc é mulher e, por esse único argumento machista, já está errada. Infelizmente, os agressores adoram nos ver amedrontadas, entristecida, julgadas, apedrejadas no lugar deles, destruídas em nossas condições emocionais. Quanto mais eles sabem do nosso sofrimento mais eles se alimentam. Eu fico muito, muito mesmo, mal por ver que isso vai ser carregado por você por anos, assim como será em mim. Existem feridas que nunca deixam de doer, isso é o nosso corpo nos lembrando que devemos sempre e cada vez mais nos defender. Existem dores que nunca saram, mesmo sem nenhuma cicatriz aparente mas elas estão latentes. Como diz Roberto "Eu sei que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci", as palavras silenciam diante de dores irremediáveis. São nossas e de mais ninguém, ninguém sabe o que de fato doeu, como doeu, porque dói ainda e em que lugar essa dor ficou guardada (sendo que nós mesmas não podemos arrancar). Não estou falando de amor, não é romantismo. É a mais dura e cruel realidade. Por isso, saiba que sua dor é só sua, mas somos muitas mulheres doloridas por todo o mundo. E não estamos sós. Enquanto sua dor arder, aqui eu na minha dor sei da sua valentia, da sua persistência em sobreviver, da alegria em se ver mais livre dessa dor a cada dia, para que ela NUNCA TE DOMINE. Você é uma mulher e a sua natureza é de coragem e força. Esse inimigo não te vence mais. Sigamos juntas!