sexta-feira, 13 de setembro de 2019


Resultados da pesquisa

Resultado do Mapa de informações

Paula e Bebeto
Milton Nascimento
Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá
Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar
Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira de amor vale me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá
Fonte: Musixmatch
Compositores: Caetano Emmanuel Viana Teles Veloso / Do Nascimento Milton
Letra de Paula e Bebeto © S.I.A.E. Direzione Generale, Uns Producoes Artisticas Ltda, Nascimento Edicoes Musicais Ltda, TERRA ENTERPRISES, INC., EMI APRIL MUSIC INC OBO NASCIMENTO EDICOES MUSICAIS LT
Feedback
Mostrar menos
Milton Nascimento - Paula e Bebeto (Letra e música para ouvir) - Vida vida que amor brincadeira, vera / Eles amaram de qualquer  ...
Caetano Veloso - Paula e Bebeto (Letra e música para ouvir) - É vida, vida, que amor brincadeira, à vera / Eles se amaram de qualquer ...
Bruno Gadiol - Paula e Bebeto (Letra e música para ouvir) - Vida vida que amor brincadeira, vera / Eles amaram de qualquer maneira, ...
Letra e música de Paula e Bebeto de Milton Nascimento - Pena, que pena, que coisa bonita, diga / Qual a palavra que ...
Letra e música de Paula e Bebeto de Gal Costa. ... Encontrou algum erro na letra? Por favor, envie uma correção >.
Paula E Bebeto - Milton Nascimento Letra da música | Vida vida que amor brincadeira, vera Eles amaram de qualquer maneira, vera ...
16 de abr de 2019 · Canção Paula e Bebeto é abertura de Malhação: Toda ... VEJA A LETRA DE PAULA E BEBETO, COMPOSTA EM ...
12 de jun de 2015 · A história do namoro desfeito de Bebeto e Paula fez com que ... Mas não sabia que ela já havia ganho uma letra – e ainda escrita por Caetano Veloso.

Links do rodapé

Brasil
65274-000, Nova Olinda do Maranhão - MA - Do seu dispositivo - Saiba mais

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Existem muitos dispositivos que influenciam na subversão e na contravenção do paradigma. A leitura, realmente, parece mesmo ser um deles, quando inclusive olhamos para nossas próprias experiências de vida. Ainda assim, fico sempre me perguntando - na vivência em uma cidade do interior do nordeste do Brasil - como existe a transgressão ainda que em ambientes sem o costume da leitura, sem a cultura proveniente do letramento intelectualizado. E existe.
 Nesse contexto, eu me vejo diante de uma provocação freireana acerca da leitura de mundo, posto que Freire deixa claro que "A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto".  Uma visão dialética em que a representação do mundo forja até mesmo os sentidos encontrados através da leitura.
Então, como é constante no materialismo dialético de Freire, se encontra o ato de ler, o trabalho da leitura que se inscreve na historicidade das narrativas, desvelando subjetividades e subjetivações. A nossa leitura nos desvela, nos desnuda e nos narra. De modo que as representações provenientes das leituras sobre Marx hoje jamais poderão ser confundidas com as originadas na contemporaneidade do próprio autor, portanto, nem mesmo Marx se leria hoje, como o fez anteriormente. O mundo da leitura, assim, me parece uma impressão da leitura que o mundo tem de si.
 Eu gosto das provocações freireanas sobre a experiência subjetiva de inteligir a realidade através do espelho de si. Afinal, o mundo não é nada a mais do que se pode ver dele por si. Como diria Wittgenstein "os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo", e aos que desejam a subversão nenhuma leitura é dona dos sentidos porque estes podem ser selvagens.

domingo, 8 de setembro de 2019

Quanto mais reprimidos sexualmente, mais pensam em sexo e possuem a sexualidade doentia. Estupradores, abusadores, assediadores, maníacos, psicopatas e serial killeres que se fortalecem em demandas sexuais reprimidas de si mesmos ou da sociedade em que vivem, demonstram o quanto é adoecedor dizer que sexo é proibido ou que é pecado. Estamos em um mundo doente e doentio que está nos tornando verdadeiros insanos sexuais. Está mais do que na hora de levarmos a sério a ideia de conversar sobre sexualidade de modo saudável e educativo. A solução é dialogar, abrir o verbo sobre isso e ser muito feliz. Uma sexualidade educada e curada de suas doenças como preconceito e tabus pode mudar o mundo.
Aos meus amigos que são pais e que têm total legitimidade de quererem cuidar dos seus filhos e de protegê-los, eu gostaria que vcs pensassem muito sobre o que eu vou relatar.
Sou filha de uma mãe solteira, que teve em seu redor apenas casais heterossexuais (dos tios, dos vizinhos, dos amigos da família e de outras pessoas ao meu redor). Eu nunca convivi com casais homossexuais, jamais vi um beijo entre pessoais do mesmo sexo na minha infância e nem na minha adolescência. Portanto, não fui influenciada pelo meio em que convivi a ser bissexual. Porém, fui invadida na minha memória familiar por inúmeras experiências terríveis nas relações entre marido e mulher que convivi.
Desde os 8 anos, meu tio agredia verbal, psicologica e fisicamente minha tia. Moramos com eles por três anos seguidos de terror e muita violência psicológica. Convivi com inúmeros casais, tios e tias que já não se gostavam e mantinham relações de tortura, difamação e muita indiferença com os filhos. Convivi com pessoas que não se abraçavam e não se beijavam mas se odiavam para qualquer um ver. E tive muitos vizinhos que eram espancadores de suas mulheres.
Convivi com muitas famílias destruídas por álcool (droga legalizada), cigarro que levou tios e vizinhos (droga legalizada), com formas de assédio sexual até em família (um primo que era o assediador mais asqueroso das primas com menos de 15 anos, um tipo de pedofilia aceita porque isso era coisa de homem). Eu convivi com o que nenhuma criança, nem um adolescente deveria conviver. Eu não tive escolha.
Em compensação, eu quero ter filhos que convivam com a história mais diferente disso o possível. Se eu tiver uma mulher do meu lado, eu quero ser uma mãe que respeita a mãe dos meus filhos. Se eu tiver um homem do meu lado, eu quero ser a mãe que respeita e é respeitada pelo pai dos meus filhos. Eu quero que meus filhos vejam beijos, abraços e muito amor entre duas mulheres ou entre um homem e uma mulher. Eu quero que eles saibam que amor não tem que gerar vergonha e nem constrangimento.
Eu vou cuidar para que meus filhos saibam que sexualidade não é doença e nem proibido, não é pecado e nem sacrifício. Eu quero que eles sejam saudáveis em amar. E que amem. Amem muito. Que amem para além do gênero e da sexualidade, da etnia e da religião. Que amem com muito orgulho porque amar não é doença e nem um problema, é - no mundo de hoje - a solução. Amar cura.
 Que sejamos amantes e amados sem medo de que alguém nos condene ao inferno ou à morte. Amar cura.
 Curem seus filhos da doença do preconceito.😘♥

sábado, 7 de setembro de 2019

Em alguns momentos na vida, estive de frente para pessoas que queriam convencer os outros do que era bom, do que era melhor, do que era perfeito. Essas foram as minhas impressões: essas pessoas queriam ser boas, melhores e perfeitas em relação aos outros. O comparativo ficou constrangedor e me fez não conseguir mais olhar para aquelas pessoas sem enxergar o ego inflado. Nesse dia, tão importante para nosso país, onde gregos e troianos estarão nas ruas - por causa do cavalo de Tróia que se tornou presidente - haverá quem seja assim defendendo o que acha melhor do que tudo. Não importa a cor da sua camisa, nem qual palavra de ordem irá ser gritada, haverá entre uns e outros os que querem ser melhores do que os outros. Isso me entristece. O diálogo acabou. Ninguém mais senta e ouve sem pré-julgamento. Quase ninguém de fato ouve os porquês de se querer uma coisa ou outra. E quando o diálogo falha quem vence é a guerra. Há uma ética nacional a ser defendida: todos somos brasileiros. Eu respeito o seu posicionamento e desejo que o meu seja respeitado. Precisamos vencer o egoísmo que está inflado em nosso país. É hora de vencer a guerra e ganhar a paz entre nós. E a luta deveria acontecer de mãos dadas e sem armas ou destruição. #NinguémSoltaAMãoDeNinguém

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Histórias que ajudam a consolidar o mito da família patriarcal são assim: uma mulher fábrica de gente, um homem "perpetuador da espécie" e filhos que são produtos para o "mercado" da família tradicional. Vamos engolir até quando essa porcaria nas prateleiras limitadas do "mercado da felicidade"? Honestamente, o problema jamais é a escolha individual em ter ou não uma família aos moldes heteronormativos. O problema é o obrigar a humanidade a ser fruto disso. Estamos querendo limitar a ideia de origem humana em meros reprodutores que sequer compreendem o lugar que ocupam na sociedade, sendo sociedade sinônimo de civilização. Majoritários exemplos de famílias destruídas e destruidoras da sanidade humana estão a nos assombrar TODO DIA e a todo momento. Estupro, incesto culminando em estupro, tortura, suicídios por falta de afeto familiar, drogas por falta de acolhimento familiar, transtornos socioafetivos por causa de abandono familiar e tanto maldade proveniente desse modelo LIMITADO de família...e ainda assim querem que compremos!?!?! Por favor, nos poupem! Estou cansada dessas histórias de conto de fadas que mais parecem esconder crueldade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Sabe aquela música Hallelujah?
Se você não está em uma caverna nas últimas décadas, você com certeza já ouviu ela em alguma série ou filme.
Aquela mesmo que fica "aleluuuuiaaa, aleeluuuiaaa", sabe?

Então, ela é de um cantor chamado Leonard Cohen e teve uma história bizarra pra chegar até a gente.

Começa que o Cohen tem aquela criatividade perfeccionista. Coisa de doente mesmo.
Não tá bom, não tá legal, vamos melhorar.
Lá se vão 80 versões.
Imagina Cohen de cueca batendo a cabeça no chão do hotel para que ela ficasse pronta. Oitenta vezes.
Aí ele foi lá mostrar pra gravadora.

Certeza que iam amar, né?

Odiaram.

Acabou que o Cohen apelou pra uma gravadora independente lançar a música.
(Sério. A primeira versão não era boa mesmo.)
Lançou. Ninguém ouviu. Cagaram pra ele.
Falei que não era boa.

Mas o Cohen não desistiu.
Continuou melhorando a música e tocando uma versão diferente em cada show.
Mudava letra, mudava melodia, dava um jeitinho.
Depois vocês acham que eu sou perfeccionista.

Num desses shows, Hallelujah deu sorte de ser ouvida pelo John Cale.
John Cale é um dos caras do Velvet Underground junto do Lou Reed e tal. Um famoso do mundo da música.
Cale adorou a música e decidiu criar sua própria versão.
Bem diferente da do Cohen.

Agora vai!
Vai nada.
A música só saiu no CD – é, CD – I'm Your Fan, em tributo ao Cohen.
Que ninguém comprou.
Que ninguém ouviu.

Quase ninguém, na verdade.
Uma das pessoas que comprou o álbum foi a Janine.
Nem adianta googlar que ela não é famosa.
Quem ficou famoso foi o amigo que cuidava da casa dela às vezes:
Jeff Buckley

Jeff era um zé ninguém na época.
Tava lá, ajudando a amiga e achou o álbum pegando poeira.
Colocou pra tocar.
Adorou Hallelujah na versão do John Cale.
Resolveu criar sua própria versão.

Jeff tocava em bares.
Numa dessas, quem ouve é um cara de uma grande gravadora.
Que se apaixona pela música.
Ele assina com o Jeff Buckley pra gravar um álbum por causa dessa música.
Azarada desse jeito, não é surpresa que foi o único álbum do Jeff.

Agora muita gente conhece o Jeff Buckley.
Na época que lançou, seu álbum também não fez muito sucesso.
É um daqueles coitados que só ficou famoso depois que morreu.
Afogado, nadando de roupa e coturno no Rio Mississipi enquanto cantava Whole Lotta Love. Sóbrio.
A imprensa falou bastante disso.
E, assim, todo mundo começou a ouvir Hallelujah.

Hoje todo mundo conhece a música na voz do Jeff Buckley.
Só a versão dele já tocou em The OC, House, Criminal Minds, ER, Cold Case e Senhor das Armas.
A lista é imensa.
Até nessa nova série, Justiça, ela toca.
Na versão do Rufus Wainwright, a mesma do Shrek.

E lá se vão os infinitos covers de Hallelujah.
Normalmente, covers da versão do Jeff Buckley.
Que é cover da versão do John Cale.
Que é cover da original do Cohen.

O que quero dizer com isso?
Que essa música foi feita para não ser ouvida.
Se o Cohen não tivesse batido a cabeça no chão do hotel e criado um milhão de versões dessa música.
Se não tivesse lançado um álbum falido com uma gravadora independente.
Se não tivesse tocado várias versões em seus shows.
Se a Janine não tivesse comprado o CD.
Se o Jeff Buckley não fizesse house sitting.
Se ele não resolvesse colocar o CD pra tocar.
Se Jeff não tocasse nos barzinhos.
Se o executivo da gravadora não tivesse ouvido o Jeff tocar.
Se o Jeff não tivesse morrido de uma forma tão bizarra.
Hallelujah talvez nunca teria sido ouvida por você.

(e você não choraria com ela tocando na morte da Marissa)

Pra você ver que:
- você deve continuar tentando
- você pode criar de cueca
- você deve continuar melhorando
- você deve botar pro mundo
- você não deve nadar no rio de roupa e coturno
- contar um pouquinho com a sorte é sempre bom


https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10154397374596390&id=815791389

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Um dia descobri que cantava
O meu filho mais velho João Carlos estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um.
Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros Nota 5, estava com o prêmio acumulado. Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio!
Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu ne? Ajustei com alfinetes. Tudo bem que agora é moda ne? Hoje até a Madonna usa, mas essa moda aí fui eu que comecei viu? Alfinetes na roupa é muito meu, é coisa de Elza!
No pé coloquei uma sandália que a gente chamava de “mamãe tô na merda”, e fui!
Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim
Seu Ary me chamou e perguntou:
_ O que você veio fazer aqui?
_ Eu vim Cantar!
_ Me diz uma coisa, de que planeta você veio?
_ Do mesmo planeta seu Seu Ary.
_ E qual é o meu planeta?
_ PLANETA FOME!
Alí, todo mundo que estava rindo viu que a coisa era séria e sentaram bem quietinhos.
Cantei a música Lama.
O Gongo não soou e eu ganhei, levei o prêmio e meu filho está vivo até hoje, graças a Deus!
De lá pra cá, sempre levo comigo um Alfinete.
Naquela época eu achava que se tivesse alimentos pros meus filhos, não teria mais fome. O tempo passou e eu continuei com fome, fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais, percebo que a fome só muda de cara, mas não tem fim.
Há sempre um vazio que a gente não consegue preencher e talvez seja essa mesma a razão da nossa existência.
E é disso que se trata "PLANETA FOME", é essa a história que os talentosos Alexandre Linhares e Thifany F conseguiram contar nesse figurino.
Está MARAVILHOSO, não está?

Fotos:
1 @marcoshermes
2 @opedroloureiro
3 e 4 @amarelourca

Figurino:
Produção Executiva: @ojulianoalmeida
Direção Criativa: @opedroloureiro
Execução: Alexandre Linhares e Thifany F assinam juntos pela @halartetextil
Cabelo e Maquiagem: @pachu
Um dia descobri que cantava
O meu filho mais velho João Carlos estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um.
Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros Nota 5, estava com o prêmio acumulado. Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio!
Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu ne? Ajustei com alfinetes. Tudo bem que agora é moda ne? Hoje até a Madonna usa, mas essa moda aí fui eu que comecei viu? Alfinetes na roupa é muito meu, é coisa de Elza!
No pé coloquei uma sandália que a gente chamava de “mamãe tô na merda”, e fui!
Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim
Seu Ary me chamou e perguntou:
_ O que você veio fazer aqui?
_ Eu vim Cantar!
_ Me diz uma coisa, de que planeta você veio?
_ Do mesmo planeta seu Seu Ary.
_ E qual é o meu planeta?
_ PLANETA FOME!
Alí, todo mundo que estava rindo viu que a coisa era séria e sentaram bem quietinhos.
Cantei a música Lama.
O Gongo não soou e eu ganhei, levei o prêmio e meu filho está vivo até hoje, graças a Deus!
De lá pra cá, sempre levo comigo um Alfinete.
Naquela época eu achava que se tivesse alimentos pros meus filhos, não teria mais fome. O tempo passou e eu continuei com fome, fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais, percebo que a fome só muda de cara, mas não tem fim.
Há sempre um vazio que a gente não consegue preencher e talvez seja essa mesma a razão da nossa existência.
E é disso que se trata "PLANETA FOME", é essa a história que os talentosos Alexandre Linhares e Thifany F conseguiram contar nesse figurino.
Está MARAVILHOSO, não está?

Fotos:
1 @marcoshermes
2 @opedroloureiro
3 e 4 @amarelourca

Figurino:
Produção Executiva: @ojulianoalmeida
Direção Criativa: @opedroloureiro
Execução: Alexandre Linhares e Thifany F assinam juntos pela @halartetextil
Cabelo e Maquiagem: @pachu

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

E ninguém se pergunta o que o boso quer da Amazônia...para o seu fã clube zumbi, o interesse e a ganância são apenas do resto mundo... Mas ninguém se questiona sobre o que o próprio bobonazi queria dizer afirmando que os Estados Unidos poderiam "ajudar" o Brasil a gerenciar melhor os recursos da Amazônia...quer dizer que ele escolhe quem vai explorar e saquear mais... será? Acho que não...ele é a favor do meio ambiente, lembremos o que já disse "a Amazônia é como uma virgem que é desejada pelos tarados"...ele disse isso achando que elogiava ao capital estrangeiro SEDENTO POR NOSSA VIRGEM... Que ele gostaria de oferecer de bandeja aos amigos...Pouco cavalheiresco, pouco diplomático, pouco soberanista, pouco inteligente. Agora não se pode dizer que é pouco claro. Ele foi rigorosamente explícito ao dizer que quer ver a Amazônia ESTUPRADA para seu deleite... misoginia metaforizada em sifrão...
O mito da ressocialização no Brasil é uma afronta à democracia antiga. Nenhum governo nas esferas municipais, estaduais e federais GARANTIU ESSE DIREITO à nossa população. Aqui o massacre legalizado (judicialista) é o que mais derruba a republiqueta, infame e escória que temos no parlamento. Um falar de autoridades que ASSASSINAM e CONDENAM AO LIMBO milhares de cidadãos com um único fim perverso: EUGENIA. Nossa "justiça" é uma falácia imunda!
Texto que será publicado no Jornal O Globo no dia de amanhã.
Por Fernanda Young.

Bando de cafonas

A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê?
Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. Não exatamente nas roupas que vestimos ou nas músicas que escutamos — a pessoa quer falar do mau gosto existencial. Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias.

O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas.
O cafona manda cimentar o quintal e ladrilhar o jardim. Quer todo mundo igual, cantando o hino. Gosta de frases de efeito e piadas de bicha. Chuta o cachorro, chicoteia o cavalo e mata passarinho. Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele. É rude na língua e flatulento por todos os seus orifícios. Recorre à religião para ser hipócrita e à brutalidade para ser respeitado.
A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara.
O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer vencer, para ver o outro perder. Quer ser convidado, para cuspir no prato. Quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado. Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem como ratos.
Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país.

sábado, 24 de agosto de 2019

Defender Bolsonazi é estar anestesiado e contaminado pela desumanidade. Um mal que se naturaliza no corpo frio e sem qualquer capacidade de saber. O saber é do corpo, o conhecimento - infelizmente - é do papel (que acaba com o mundo hoje). Eu quero simbolizar aqui o que penso sobre a Ciência ter chegado nesse lugar tão distante da gente que contribui por meio de tecnologias midiática e de dispositivos legalistas e teóricos com o fim de ser instrumento do capital tirano. O saber precisa voltar para o corpo humano e para a humanização. Esse deve ser sua ética!

domingo, 18 de agosto de 2019

Ainda assim eu me levanto
Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.
Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.
Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.
Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A confusão entre liberalismo e liberdade é proposital e inescrupulosa. Os conceitos mais fortes no atual neoliberalismo tirano  são: "liberdade de expressão", "liberdade de escolha", "liberdade de consumo", "liberdade individual", etc. Bases do que se vende como "felicidade". Duas palavras intoxicadas pelos discursos extremistas "liberdade" e "felicidade", porque fazem parte da angústia primária do ser humano que possui a ambiguidade de ser individual e social e tudo converge ainda para o sentido destruído de "solidão" que virou uma baboseira chamada "solitude" individualista (olha a redundância aí, gente!). Mas andamos comprando esses sonhos embalados pro nosso presente que "será melhor amanhã", eles sempre garantem. Por isso, tratar das questões íntimas se tornou tão indispensável. Porque a autonomia precisa ser URGENTEMENTE valorizada, pois a alienação das massas já é o mal do século XXI, que parecia querer um apelido carinhoso como o século das liberdades e se mostra uma cápsula de volta a passados de correntes. Uma ironia cruel na narrativa histórica do homem pós-moderno.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A gente se esquece
                          ...num canto
 Se esquece
                         ...de se descobrir
E se esconde
                         ... até de si mesmo

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

- Nunca apareceu algum fantasma por aqui?
- Fantasma? Ahahah. Claro que não.
- Ninguém da sua equipe nunca viu nada sobrenatural? Pode contar, sempre há histórias sinistras nos cemitérios...
- Nos cemitérios há histórias tristes, não sinistras…
- Conta para nós como é o trabalho?
- A equipe de coveiros prepara a cova no lugar certo e no tempo certo para o enterro. Enquanto a família faz o velório, nós preparamos tudo aqui para não haver imprevistos ou inconvenientes na hora do enterro.
- Mas sempre pode haver imprevistos, não é mesmo?
- Nosso trabalho é muito profissional. Há toda uma técnica envolvida. Precisamos ser quase invisíveis. Até o modo de recolocação da terra com a pá possui uma técnica especial, para que a terra não faça barulho quando é jogada para cobrir o caixão.
- Pensando bem, realmente, em todos os enterros que já fui, nunca reparei no trabalho dos coveiros, embora sejam eles que façam tudo. Incrível mesmo.
- Essas técnicas são importantes porque precisamos ter muito respeito ao corpo e à família do falecido, que está passando por um momento de muita dor. Nunca é só preparar a cova para depois enterrar o caixão. Há toda uma infra-estrutura para proporcionar à família uma despedida digna.
- Mas acontecem coisas alegres também? Nunca aconteceu algo ou uma situação que vocês se seguraram para não rir?
- Às vezes acontecem coisas engraçadas. Lembro uma vez que entrou um bêbado no enterro, que devia ser amigo do falecido, e começou a discursar em voz alta... Isso acontece às vezes. Às vezes até a família ri.
- E situações tristes?
- Sempre é triste. Nós lidamos com momentos de profunda tristeza das famílias. Por isso precisamos ser muito profissionais. Mas há situações que nos tocam também. Há momentos em que até nós, que estamos acostumados com o trabalho, ficamos sensibilizados. Já aconteceu de um colega nosso fazer o enterro de um parente. E já aconteceu de um colega enterrar a própria mãe.
- Puxa, nunca tinha pensado nisso…
- Mas no trabalho aprendemos a separar a emoção. Fazemos o que precisamos fazer com muito respeito. E nos preparamos muito para o que o pode acontecer.
- Como assim?
- Um enterro de um parente que há anos estava doente é um momento triste para a família, claro. Mas um enterro de uma criança é algo muito, mas muito mais dolorido. As pessoas passam mal. Desmaiam. Precisam ser socorridas. Deixamos corredores abertos para socorro.
- Realmente… Pensava que o trabalho de coveiro era só cavar e enterrar. Mas isso é só uma pequena parte mesmo.
- Sim, enterrar, exumar… Não há no Brasil estudos ou ensino dessas técnicas. É uma pena, porque precisava. A gente estuda por conta própria e compartilha as experiências. Eu leio muito sobre os cemitérios do mundo inteiro. Como são enterrados os corpos em Portugal, no Egito, na Inglaterra… A gente estuda muito.
Sônia Guajajaras é uma das maiores mulheres latino-americanas do século XXI. E eu pergunto: quem IGNOROU ela nesse título? Os mesmos que ponderam quando o assunto é direitos étnicos e identitários para as comunidades tradicionais, tais como Quilombolas, Indígenas, Ribeirinhos e MUITOS outros em vários territórios em todo o Brasil. São os mesmos que NÃO ENXERGAM a necessidade de BERRAR pelo direito dos povos indígenas ANTES até de falarem dos seus. Bolsonazi é o pior de todos os demônios exterminadores que já apareceu na história dos ameríndios. Um dos mais PERVERSOS governantes da história curta desse país ingênuo cheio de ignóbeis. Somos infantis quanto aos direitos que temos e quanto aos direitos de nossas populações tradicionais! É uma indignação atrás da outra. Honestamente ser brasileira é uma VERGONHA!

domingo, 11 de agosto de 2019

Marcelo Totipah poesia e cicloviagem


O Marcelo Totipah é um cicloviajnte inspirador que nos faz sair do chão cinzento e sem vida. Ele nos convida a apreciar a vida com os olhos de uma criança amada. Ele nos mostra que ser amado é olhar para o mundo, para a natureza, para os seres com amor e em reciprocidade amado ser.
Eu só consigo enxergar alma nas palavras do Marcelo. A poesia nele permanece.

https://www.facebook.com/marcelototipah/

A NOITE MAIS LINDA

Estava quase dormindo quando minha gata bateu a porta da barraca. Abri pensando que ela queria entrar, mas ela queria que eu saísse. A Lua crescente tinha acabado de se pôr e a visão da noite era delírio.

O céu gritava estrelas. Júpiter destoava de tão clara, exuberante. Na beira da lagoa entre as algas, insetos brilhavam fixos, sutis como as estrelas. Vagalumes riscavam galhos piscantes. Noite sem lua e sem nenhuma luz criada pelo homem, tudo brilhava.

A lagoa espelhava céu. Estrelas se embaraçavam brilhos tímidos verdes que vinham das algas.

Latidos de cachorro longe, sinos de vacas descompassadas, vindas do vento anunciado nas palmeiras farfalhadas. E os grilos ali, contínuos, presentes, orquestrados.

Antes que o frio e o sono me convidassem para a barraca, contei seis estrelas cadentes. Estrelas que viraram vagalumes. Ou vagalumes que fingiam estrelas.

A companhia da natureza é a melhor solidão que existe.

Marcelo Totipah

sábado, 10 de agosto de 2019

CONTRA O LUGAR DE FALA

1. "Lugar de fala" é o novo fundamentalismo político. Refúgio de dogmáticos e intolerantes, que, da forma mais autoindulgente possível, concedem-se prerrogativas de superioridade moral.

2. "Lugar de fala" é um espaço privilegiado de exigência de que os outros calem a boca. É o lugar do "cale-se" aplicado a todos que não são como eu. Lugar de falar é ao mesmo tempo um lugar de calar - eu falo, você cala.

3. "Lugar de fala" é o álibi perfeito para reivindicações de monopólio de fala. Só eu e os meus temos a fala autorizada e os direitos de explorá-la.

4. Como em todo sistema monopolista, o "lugar de fala" provê ao falante certificado um modelo de negócios. Como somos poucos os que têm direito de exploração desse produto, a raridade agrega enorme valor aos biscoitos finos que eu forneço e a, mim, naturalmente, seu fabricante autorizado. Encontrado um bom nicho, pode-se ganhar dinheiro, prestígio ou celebridade com o monopólio da fala autorizada. Há muitos faturando com isso.

5. A artimanha principal das reivindicações do "lugar de fala" consiste em punir ou recompensar indivíduos singulares em virtude da classe de indivíduos em que eles se situam. O seu direito de falar é transferido para mim, porque o coletivo onde você se situa deve historicamente ao coletivo onde me situo. A sua classe oprime a minha, mas quem deve pagar é você, independentemente do que você fale ou seja. A reivindicação de que você deve calar a boca, porque as pessoas da sua espécie já falaram demais, e me deixar falar sozinho, porque as pessoas da minha espécie não tiveram chances históricas de falar, é um truque para disfarçar o meu autoritarismo e a minha intolerância.

6. O argumento em defesa do pluralismo e da consideração pelas diferenças de identidades e pontos de vista não precisa do conceito de "lugar de fala" para ser defendido. Ao contrário, a reivindicação de "lugar de fala" serve hoje principalmente para que os patrulheiros da identidade verifiquem se o seu monopólio está sendo respeitado. Os "fiscais de atendimento às normas sobre monopólio do lugar de fala" são a nova moda universitária. A ideologia do "lugar de fala" virou adversário do pluralismo, das diferenças e da tolerância.

7.  Alimenta os direitos de reivindicação de "lugar de fala" a ideia de que expressar ideias, fazer pesquisa ou discutir problemas sociais são atividades direta e inextrincavelmente ligadas à "representação" de uma espécie ou de um coletivo. Propriedades individuais relacionadas a conhecimento, competência, domínio do assunto, inteligência ou boa fé são secundárias em face do que realmente importa, que é a que gênero ou espécie identitária você pertence e cujo direito de representar você pode reivindicar. Então, não se trata apenas de representação, mas de autorrepresentação. Só está habilitado a falar quem está autorizado a representar, ficando cancelado todas as outras formas tradicionais de competência.

8. A esquerda criou e alimentou as teses fundamentais do "lugar de fala" e ainda cerca os reivindicadores do monopólio do falar e do mandar calar com extrema complacência. Normalmente o "lugar de fala" é usado de forma eficiente apenas contra a esquerda. A extrema-direita, que agora a sitia política e socialmente, é imune aos constrangimento das reivindicações do lugar de falar e, antes, usam tais reivindicações para as ridicularizar e para reforçar o próprio ponto de vista.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Precisamos conversar seriamente sobre isso. E precisamos evitar dar outros nomes para aquilo que não passa de censura, afinal.

Por Luis Felipe Miguel

“Quando meu filho era pequeno, foi alimentado com o melhor da literatura infantil disponível em português - uma das vantagens de ter nascido com mãe e avó especialistas no tema. Enquanto lia para ele aqueles livros, eu me perguntava como ele processava os contos de fadas, já que tinha muito mais familiaridade com paródias e reinterpretações do que com os originais.

Mal comparando, penso que está acontecendo algo semelhante com a ideia de “lugar de fala”. Quando a preocupação com lugar de fala ganhou corpo, nas últimas décadas do século passado, ela se apresentava como uma crítica ao discurso - científico, político, artístico - que se acredita capaz de englobar a universalidade. Afirmava, assim, que todo discurso é socialmente situado e que, portanto, entender de onde ele parte é sempre importante para avaliá-lo.

Levar em conta a perspectiva social não é o mesmo que rechaçar de antemão como impróprios ou inaceitáveis discursos que porventura não partam do lugar “correto”. É entender que as marcas da particularidade sempre estarão presentes, para o bem ou para o mal.

Hoje, “lugar de fala“ é usado nas disputas políticas sem lembrança desse pano de fundo. Com isso, muitas vezes seu sentido parece invertido: parece que se trata de denunciar a universalidade falsa de antes para colocar em seu lugar uma nova universalidade, autêntica, “subalterna“. Perdemos, nessa mudança, o que havia de mais radical, que era a denúncia da própria universalidade.

Nos combates políticos, “lugar de fala“ surge casado com a percepção extrema de um privilégio epistêmico dos dominados. Como se a posição de dominado promovesse acesso garantido e imediato a uma compreensão fiel da realidade. Joga-se no lixo tudo o que produziu sobre ideologia, dominação simbólica, produção da doxa, imposição de representações do mundo social pelos grupos dotados de maiores recursos.

Joga-se no lixo igualmente a necessidade da teoria, do estudo, do debate. O acesso à verdade depende da posição social e de nada mais.

É também como se um olhar externo não pudesse dizer nada sobre nossa situação - confundindo o esforço de produção de conhecimento com a liderança de movimentos políticos que, essa sim, deve permanecer coletivamente nas mãos dos integrantes daquele grupo social.

Como consequência, em vez de ser um alerta para que todos os discursos sejam avaliados levando em conta o local social de onde partem, o “lugar de fala“ serve para se defender a produção de espaços isolados, em que a posição social conta como único critério de validade, independente do que se diz.
Se, na sua origem, a ideia de lugar de fala podia ser entendida como um chamamento à abertura do debate para a integração de múltiplas vozes silenciadas, agora o “lugar de fala“ muitas vezes serve como ferramenta de censura e exclusão.

Da maneira como eu a entendo, a velha discussão sobre lugar de fala, apesar de toda a sua denúncia da universalidade ilusória, não implica abandonar a busca de discursos capazes de compreender o mundo de forma mais ampla e plural. Saber que a universalidade nunca será plenamente alcançada não significa abraçar um particularismo míope e auto-indulgente. Pelo contrário, pode ser um meio de nos tornar mais exigentes na busca nunca concluída de uma visão para além dos particularismos.

No momento em que o retrocesso se alastra pelo mundo afora, prejudicando tantos grupos de pessoas em tantas dimensões, e em que é tarefa urgente construir uma resistência também pluridimensional, o particularismo estreito e estridente dessa percepção rasa do “lugar de fala” torna-se, sem dúvida, um aliado da permanência da dominação.”

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Uma mensagem que se atribuiu ao "conselho tutelar" que mais parece ser uma secretaria do inferno, um lugar onde tudo que se quer é isentar o Estado da sua responsabilidade  em relação às garantias de direitos fundamentais das crianças brasileiras. Isso aqui é uma fraude (segue a falácia abaixo):

*O CONSELHO TUTELAR ADVERTE!!!!!*

Pare de deixar seus filhos com o noivo que mal conhece, pare de deixar com o vizinho, pare de deixar  com pessoas também que você mal conhece, porque é de graça
 [1- olhem essa loucura! Sugerir que os pais "não querem pagar" para pessoas de boa intenção fiquem com seus filhos. Como se um estuprador ou um/uma potencial agressora não pudesse ser bem paga???!?!].
Alerta também com os nossos conhecidos, olho vivo!! O abuso de menores, o estupro, o sequestro, o maltrato, etc, é real e é uma ferida que nunca vai sarar. [2- Como se as pessoas não soubessem da triste realidade e do sofrimento que é o abandono, a negligência e a violação física, psíquica e afetiva de uma criança]

• As crianças *não* devem ir para a loja/escola sozinhos. [3- vão andar com quem... Um guarda-costas?????]

• As crianças *não* devem  ficar no carro sozinhas porque você vai descer rapidinho para fazer algo. [4- até esquecem os filhos no carro, imagina uma crueldade dessas!]

• As crianças *não* devem acostumar a andar com qualquer pessoa. [5- tenha tempo de SOBRA pra "selecionar com quem seu filho andará O DIA INTEIRO... #IRONIA]

• As crianças *não* devem sair para jogar sem supervisão. [6- JOGAR O QUÊ??? Jogar é para ricos... Pobres ficam nas ruas perambulando! NÓS SABEMOS OU FINGIMOS QUE NÃO VEMOS!?!?!]

• O irmão mais velho não deve cuidar dos seus irmãozinhos. Não é sua responsabilidade.[7- CADÊ A CRECHE que já vem com um estoque de calcinha?????]

• As crianças *não devem estar em um ambiente onde se consuma álcool* (mesmo que esteja tranquilo) nunca. [8- tira ela do Brasil ou fica sossegado porque não é maconha... Olha como seria mil vezes pior, né?!? #ironiaaltaaqui]

• As crianças *não devem estar perto de pessoas instáveis* ou com maus costumes. [9- se o pai ou a mãe ou o cuidador direto for um "problemático" é só dar pro "conselho tutelar" cuidar MUUUUUUUUUITO MELHOR, NÉ? #IRONIA]

• As crianças *não devem dormir fora de casa,* você não conhece as pessoas.... [10- Se uma criança de 17 anos dorme fora isso é realmente grave!!!]

• As crianças não devem conviver com todos os amigos do pai ou da mãe, não é necessário; *nem todos são boas pessoas.* [ 11- inclusive, padres, pastores, professores, enfermeiros, ginecologistas e todo ou qualquer ser desumano que acredite que machismo é uma balela]

• Eles não tem a decisão em suas mãos. [12- depende de que cultura ele nasceu, porque se for periférico, indígena,pobre e vulnerável em geral, vai ter que se virar pra sobreviver cedo cedo INFELIZMENTE O BRASIL É ESSA MERDA MACHISTA SIM!]

• Eles não sabem de perigo. [13- E quando avisam que tem algo de errado no "tio fulano" a mamãe manda logo ir procurar o que fazer porque fica inventando história]

• Eles não sabem de maldade. [14- e quando a maldade é do coleguinha do colégio que estupra ou faz bullying, o que é que tem né?]

• Eles não sabem de ódio. [15- se for uma questão de ser o extremista e filho de uma família fascista, duvido muito que não saiba exatamente como o ódio se propaga e se efetiva!]

• Eles não sabem que existem pessoas com más intenções. [16- e se desconfiam do professor, do padre, do pastor e de quem quer que seja, tipo do vovô, está ficando louca!]

• As crianças são inocentes, são ingênuos. São apenas crianças! [17- essa é a maior vergonha de TODAS AS DECLARAÇÕES IDIOTAS DESSA MENSAGEM DE TEXTO estilo que o presidente vigarista do Brasil adora junto com seus fascistinhas]


Nossa responsabilidade é protegê-los de tudo e de todos [18- ATÉ DE NÓS MESMOS!] , mesmo que não sejam nossos próprios filhos. [19- ATÉ QUE EM FIM CHEGA A ÚNICA REFERÊNCIA AO ECA E À CONSTITUIÇÃO FEDERAL]


"Cuidemos das nossas crianças"

SOBRETUDO, garantir os direitos BÁSICOS de uma criança e de uma adolescente no Brasil É UM DEVER DE TODOS, DA COMUNIDADE, DA ESCOLA, DA FAMÍLIA, DO ESTADO E DE TOOOOOOOOODO!
 EU ESTOU MUITO INDGNADA!
Por isso que admitir que existe uma cultura do estupro e que ela está diretamente relacionado ao machismo e as demandas de uma sociedade moralista  é tão importante! Não há realmente como se prevenir! Não há como garantir que sua família não será atingida, afinal de contas nas escolas os professores também assediam alunas! Padres, pastores, avós, amigos, PAIS e cuidadores de crianças abusam delas! Não há como se prevenir a não ser através de uma campanha efetiva de mudança de mentalidade na qual as mulheres não sejam culpabilizadas pelo "fracasso familiar", nem por serem culpadas por serem abusadas, por exemplo. Essa conscientização precisa estar no currículo oficial escolar do Brasil. É obrigatório combater o machismo e as suas doenças tal como o estupro. A inferiorização das mulheres, a sobrecarga de trabalho que as escraviza, a responsabilidade absoluta pela "educação" e pelos cuidados com a família é uma escravidão e uma forma de não responsabilizar e de deixar impunes a esmagadora maioria dos agressores. Não posso dizer que não haja caso de violência sexual contra crianças provenientes de mulheres, existem embora sejam muito menores, mas eles são reprodução pura da dominação sexual patriarcal. Minha preocupação é com minha aluna de 16 anos grávida e "casada" com um rapaz de 21 anos que ano passado ameaçou matar ela na escola. Entre outros tantos casos. Por isso eu duvido que seja uma medida realmente determinante tranferir a responsabilidade para os pais quando o Estado brasileiro é negligente e não é questionado de fato, ao contrário atualmente é apoiado nas suas irresponsabilidades. Eu fico preocupada demais com o rumo que a cultura no Brasil está tomando. Somos cada vez mais um país de desumanidade e individualismo radical o que afeta diretamente às crianças e qualquer segmento social mais vulnerável. Será um desastre humanitário, eu sinceramente não consigo não ser realista sobre isso.
Eu queria saber quem é que tem o poder de escolher entre trabalhar e colocar alimento dentro de casa e "selecionar" quem vai cuidar do filho? Me desculpem a saia justa do questionamento, mas eu realmente quero entender como se coloca tão facilmente a responsabilidade em pais e cuidadores de crianças em relação aos crimes provenientes da violência e da negligência contra crianças, mas não se enxerga o tamanho da CULPA e do DOLO que o Estado brasileiro possui nesse tipo vergonhoso de crime?! Onde estão as creches? Onde estão as escolas de tempo integral? Onde estão as remunerações adequadas? Onde está a transferência de renda que não pareça uma esmola? Onde está a dignidade da família brasileira? Quais são os programas efetivos de responsabilidade estatal em relação a essa temática (que não seja jogadinha barata de marketing tal como o programa "criança [IN]feliz)?! Cadê a responsabilidade do Estado brasileiro em relação a exploração sexual infantil e dos abusos por puro abandono, sem falar por favor em discurso deplorável sobre "falta de calcinha"?!?!? Eu fico preocupada com o país de semianalfabetos em direitos humanitários que o Brasil tem se mostrado! É uma lástima!

sábado, 3 de agosto de 2019

Talvez eu não seja namorável.

Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…

Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?

Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…

Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…

Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?

Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…

Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.

Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.

E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.

Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…

Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.

Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:

– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.

Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.

Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.

E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..

Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.

Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”

Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…

Texto escrito por Akasha Lincourt
A palavra procrastinação está cada vez mais cheia de significados que remetem a coisas que fazem mal, tipo: atraso, falta de compromisso com o outro, deixar para amanhã o que ia fazer hoje, não resolver um problema... Mas eu discordo! Eu protesto! Isso não é verdade porque PROCRASTINAR É VIVER! Dentro do capitalismo, tempo é uma coisa controlada pelos donos do poder, então, ele é dinheiro! Mas isso também é mentira! Por isso os capitalistas colocaram a palavra procrastinação como algo ruim, para que a gente seja produtiva e dê lucro para eles! Eu odeio o capitalismo porque ele nos roubou nossos maiores tesouros, entre eles a liberdade de viver como se quer e o tempo de fazer o que se quer e não o que dá lucro!

terça-feira, 23 de julho de 2019

Enquanto a metáfora do anticristo for vista como uma filosofia contra a religião, não avançaremos na epistemologia nietzscheniana. Se há uma epistemologia proposta por Nietzsche, essa é um viés filosófico da ruptura com os dogmas e doutrinas em qualquer forma de pensamento, inclusive a ciência e a filosofia clássica - como já sabemos. Reconhecer o questionamento sobre a autoridade absoluta da religião na existência humana, realmente foi um dos maiores embates culturais propostos por Nietzsche, mas não é o único. Encontrar nesse questionamento essencialista o núcleo do existencialismo e da fenomenologia é uma possibilidade catalisadora nas questões nietzschenianas. Desculpem a chatice do argumento que se reitera e se ratifica, mas é necessário enfatizar: não se trata de ir contra a Igreja enquanto instituição religiosa, mas sim de questionar o seu poder absoluto em relação à política, à ciência e à cultura. A igreja não é, para Nietzsche, uma entidade social ou somente religiosa, ela é o pensamento dogmatizador, desumanizador, deturpador da consciência. Para ele, há o aparelhamento simbólico através da naturalidade de resolução por meio do mítico. É isso que precisamos focar, pois o fascismo é um dispositivo dentro desse sistema.

sábado, 20 de julho de 2019

Sou professora no interior do Maranhão e vejo os olhos humanos com fome todos os dias na escola. Quando estamos sem merenda, a fome que faz desmaiar em sala. Quando estamos com uma merenda fraca, a fome que desconcentra e desatenta para o conteúdo - aliás, desde que sou professora de escola pública (há 3 anos) o conteúdo já não é mais o meu foco, me foco em meus alunos e em seus olhos vulneráveis. Quando é período de férias e meus alunos não comerão sempre, eu sei, isso me arde por dentro porque eu sinto a fome deles na minha alma. Eu já tive fome, eu já quis comer e não havia o que eu queria, mas eu nunca dormi sem uma refeição ao menos. Apesar da minha ignorância, não há como não sentir a fome dos meus, da minha comunidade e da minha gente que luta, que cai e que morre bem do meu lado. A fome está do meu lado e, se eu não a visse, a desumanidade já havia me cegado. Sou muito descrente nas falácias interpretativas que encontro sobre a narrativa literária de Jesus, mas gosto de me lembrar de parte de suas andanças em que encontrou a fome e não cegou. Talvez, Jesus de Nazaré (aquele interiorano pobre) tenha enxergado na fome dos seus a sua própria miséria. É miserável ser humano e não poder acabar com a fome de toda gente. Ser humano e ser impotente diante da fome é uma miséria com a qual devemos conviver por derrota, por fracasso mesmo de humanidade que se acha tão superior aos outros animais e não é. A fome é a miséria da humanidade e nossa maior derrota. O que fez Jesus então? Repartir o pouco que tinha, o pouco que era com todos, diz-se que multiplicou pães e peixes. Eu, por outro lado, acredito que tenha multiplicado a humanidade entre os homens e fez com que os que tinham repartissem o seu pouco e assim fizeram o milagre de ser igual. Ser igual é uma virtude rara. Ser igual a quem tem fome, mesmo sem nunca ter sentido essa dor de fato, é um milagre. Ser humano hoje em dia é fazer todo dia em si um pequeno milagre. Que o fascismo não nos tire a humanidade.
Muito obrigada! Precisamos mesmo tornar a inclusão a nossa realidade educacional. Incluir não é integrar, da mesma sorte que intervir não é interferir. Enquanto na integração se coloca o aluno como um atendido pelo sistema educacional, através da inclusão, o aluno é o catalisador da educação. Ele gera o método, ele compartilha com o professor e seus colegas do processo de ensino-aprendizagem e a avaliação deixa de ser um mecanismo de exclusão e "seleção natural" e passa a ser o meio de compreensão e garantia do direito fundamental ao saber comunitário institucionalizado. Precisamos rever URGENTEMENTE as concepções de Educação no nosso país. Meu sonho é um dia conseguir ser professora de uma escola pública em que exista a garantia plena do direito à Educação formal. Esse é o meu sonho.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Toda pessoa gordofóbica é um reprimido. A insegurança pela falta de autoestima, pela ausência de reconhecimento de suas qualidades, por saber de seus indefensáveis defeitos, por se conhecer medíocre para muitas coisas...um indivíduo transtornado psicológica e socialmente é gordofóbico. Apesar disso, não há por que termos pena de um gordofóbico no sentido de querer ajudar, aconselhar, conscientizar. Nada disso terá efeito. Um gordofóbico é como um racista e um homofóbico tem um ódio que pode destruir uma pessoa que ele encontra como alvo. Alvo de destruição. Então, é preciso se afastar, calar, não dar atenção, ignorar e deixar na escuridão de onde saiu. Como disse Nietzsche "de tanto olhar o abismo, o abismo te olha". Os monstros que enxergamos no outro são o espelho da nossa alma. Deixem os demônios sozinhos e eles se autodestruírão, não como suicidas, mas como quem precisa acabar com a maldade que lhe habita sozinho, no seu próprio limbo.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Infelizmente nossa realidade impede que muitos dos brasileiros imaginem o que seja uma universidade federal. Com certeza, a esmagadora maioria mal pensa em cursar uma faculdade, muito menor é o número dos que sonham em se pós graduar por uma instituição pública. A população não sabe que possui esse direito, não sabe que é um "sonho" que deveria se tornar realidade, não sabe que pode e deve querer maior qualificação profissional para além de uma simples formação burocrática (comprobatória, só um papel para mostrar na entrevista de emprego por exemplo), entre outras alienações. O povo brasileiro é muito alienável porque não possui instrução formal de qualidade, já que a escola pública em geral vem sendo há séculos um projeto de inserção de mão de obra em um tipo de mercado de trabalho violento, que é contra a qualidade de vida do operário, sendo viciado em produtividade precarizante. São muitos os fatores e o produto é um só: ignorância. Esse é o efeito de um projeto de país que se fez desde a primeira colonização e segue na sua versão mais feroz, o imperialismo neoliberal fascista. É preciso reagir? Óbvio! Mas como se enfrenta uma mídia colonizada, com uma educação precarizada, com professores tornados inimigos e com uma população esmolando direitos elementares como o de se alimentar???? É um desabafo o que eu faço. Me perdoem.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Não tem maior representação do Brasil do que a imagem de um estádio de futebol com a seleção masculina em final de campeonato cuja divisão entre os que vaiam e os que aplaudem demonstra nosso abismo. Enfim, eles conseguiram. Colocaram o povo em guerra, fizeram da nossa gente uma torcida que se estranha e se sabota. Hoje somos um país sabotado de sabotados! Não há mesmo o que comemorar, não há por que comemorar. Sobre o atual (DES)governante do país, não há nem o que se falar, senão que é um ventríloquo, uma besta falante. Também há muito o que se entristecer por isso. Mas nada é maior do que o fracasso democrático, isto é, a derrota do povo brasileiro expressa em sua autorrejeição. Somos um país despedaçado.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Um pouco por preguiça, um pouco por pão-durismo, tenho muita dificuldade em abrir mão de pertences de uso cotidiano. Fui proprietário, até o final de março, de um moletom que era o meu favorito e me acompanhava desde 2005. A estampa estava toda descascada e o zíper foi quebrando em várias partes até que se soltou completamente. Uma pena, porque tenho saudades desse moletom. Lembro também de um par de tênis brancos que dei como aposentados após quase uma década de uso. Passou um ano ou dois e os reabilitei para um fim de carreira que se estendeu por mais um biênio. Meu computador teve carreira semelhante: nascido em 2009, entrou em coma em abril do ano passado e, desenganado pelos técnicos, passou três meses vegetando até que retornou um dia sem aviso, lento mas robusto, e aqui está, é nele que vou escrevendo estas bobagens. O mais recente episódio começou em fevereiro, quando meu telefone deixou de carregar. Não demorei a perceber que bastava dar uma leve calçada na extremidade do cabo que ele voltava a carregar, assim de viés, mas carregava. Tinha que tomar muito cuidado, na hora de digitar, para não fazer ruir o calço que eu edificava com a carteira e um livro de crônicas. Segui assim por mais três meses, até que numa quinta-feira ele morreu por completo. Ou pensava eu que tinha morrido, porque o levei até uma loja e tiraram do buraco do carregador uma bolinha de tecido, que era o que estava atrapalhando tudo. E redivivo ele seguiu por mais seis ou sete semanas, até que a tomada ao lado da cama – mistérios da tecnologia – deixou de funcionar. Tive que mudar para a tomada perto da porta, o que era incômodo, porque eu esquecia de acionar o alarme e tinha que sair de baixo das cobertas para garantir que ele tocasse de manhã. Mas a tomada da porta também parou de funcionar – e eu tentei sugar com a boca uma nova bolinha de tecido, mas agora o problema parece que não era mais com o buraco do carregador, era mesmo com a tomada. Atrás da estante de livros fui encontrar uma terceira tomada, esquecida, que me serviu por mais alguns dias, mas como as outras morreu, vai entender. De maneira que, nesta noite de segunda, estou respondendo mensagens de pé, no banheiro, na tomada que me restou, apenas sete por cento de bateria. Em noites frias, meu celular salta do oitenta e dois para o nove por cento, sem aviso. Outras vezes fica estacionado no cinquenta e um por horas, até que num instante vai a zero e morre. Por essas e outras, tem tudo para continuar a meu lado por mais alguns anos.
Daniel Serrano - crônica de Facebook

domingo, 2 de junho de 2019

Aproveita as coisas boas, tá

"até a próxima vez" alguém saberia tecer os laços no invisível caminho dos afetos. Eu não sei. Então, lhe disse o que havia ali e segui. Não há nenhuma rota de encontro agora.
Eu sou assim

É gol do patriarcado! Mais uma mulher vai ser julgada sem ter como se defender!

eu queria pontuar uma coisa fundamental na situação do print da conversa, ele por si já acarretaria danos morais ao referido acusado porque usa de coação moral (assédio na exposição pública) a fim de obstruir a acusação. A única coisa que não se está discutindo é o que de fato importa, a suposta vítima estar sendo coagida em público e ainda haver quem lhe constranja. Se fôssemos um país digno, esse tipo de procedimento já estaria claramente tipificado como agravante em casos de assédio sexual, moral, violência psicológica e até mesmo em casos de tentativa de feminicídio. Sobre o fato de os juízes, sem magistratura, estarem supondo a prévia condenação da vítima por falso crime, eu ainda tenho uma última observação: um país com a cultura entranhada pelo futebol, que chega a ser confundido com a identidade do nosso povo de modo até superficial, jamais colocará o ídolo (fabricado) nessa berlinda, quem será a apedrejada publicamente...adivinha? Ele fez isso conscientemente! Não esqueçamos, por fim, o caso emblemático de Elisa Samúdio que declarou se sentir ameaçada, foi brutalmente assassinada, teve os assassinos "presos" por um tempo insignificante perto do tamanho do crime e tem hoje, SEU MAIOR CONDENADOR E FEMINICIDA, de novo de volta aos gramados... É gol do patriarcado! E para nós, insignificantes mulheres, é MORTE (da nossa dignidade ou do nosso corpo). Eu não desejo isso a nenhuma de nós! E gostaria que essa doença chamada MACHISMO que fomenta a cultura do estupro ACABASSE! Independentemente do desenrolar desse caso, tenho uma certeza incontestável em mim: ser mulher é estar em constante perigo sempre, até entre as iguais.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ser escravo da profissão é uma ideologia aprisionadora

é francamente uma ideologia exploradora essa que defende o "amor" pela profissão. Desde que li Paulo Freire, no livro "Professora sim, tia não! Cartas a quem ousa ensinar", eu sempre questiono essa mentalidade que faz dos professores profissionais que se doam como a um sacerdócio, como a um matrimônio com a sociedade ( o que é absurdamente equivocado). Em primeiro lugar, o profissional deve ter a postura ética de ser tecnicamente regrado e formado. Em segundo lugar, a experiência com a realidade escolar deve ser seu maior meio de inspiração didática, metodológica e teórica. Em terceiro lugar, a sua personalidade (a subjetividade natural humana) deve ser respeitada para que o seu ofício tenha uma possibilidade de execução real e não ideal (em outras palavras, impossível). Em quarto lugar, nenhum profissional deve ter que colocar a sua vida no trabalho prioritariamente em relação a sua demanda emocional e pessoal de forma geral. Em ultimo lugar, só pra não ser mais chata, "amar a profissão" não é nem de longe uma premissa de felicidade humana, nem de realização, é sim um condicionamento cultural que nos aprisiona a situações insalubres, humilhantes, estagnadoras e assujeitadas. Por tudo isso, eu sou ABSOLUTAMENTE contra qualquer ideologia superficial que imponha o "amor ao trabalho", fato este que considero uma escravização mental contemporânea. Ninguém é um professor, apenas está. E pode deixar de ser profissional de tal área a hora que bem entender, se for para a sua satisfação pessoal. É isso.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Coloca ela de quatro, ela adora. Mas não começa fazendo isso na cama. Primeiro coloca ela de quatro nos sentimentos.
Sabe aqueles erros de outros caras que elas comenta? Escute e não erre igual.
Sabe aquele cara que quebrou o coração dela? Mostre ser diferente.
Sabe a falta de fé dela em relacionamentos e caras fiéis? Prove todos os dias que ela está errada e que você é um presente que ela muito merecia.
Coloque ela de quatro pelo seu jeito de tratá-la. Deixe ela vulnerável através da sua sinceridade, das suas palavras carinhosas, das suas atitudes que provam ser suas palavras verdadeiras.
Ela está louca para ficar de quatro na cama, louca para realizar e ser realizada, mas ela não fará isso sem antes ter certeza que o cara atrás dela, o cara para quem ela dá as costas, será o cara que também irá acima de tudo protegê-la.
Antes de querer ela vulnerável tenha certeza que você se garante para ser a proteção dela, o confidente, o melhor amigo. Antes de por ela de quatro na cama tenha certeza que você está pronto para os dias em que ela não estiver legal, para os dias que ela só quiser deitar no seu peito e desabar.
Fique de quatro por ela, sem medo, sem competir ou querer ser melhor. Fique de quatro por ela com sua sinceridade. Fale a verdade mesmo que possa doer. Não esconda seu passado, mas mais do que isso olhe nos olhos dela quando for falar sobre o futuro que quer para vocês dois.
Coloca ela de quatro com a confiança, a verdade que você transmite. Te garanto que ela será incrível na cama e na sua vida quando ela tiver certeza que você é mais do que o presente, que você pode ser o futuro dela.

Texto: @Felipe_sandrin

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Intertexto - Bertolt Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

domingo, 21 de abril de 2019

Toque Sutil
(Sociólogo de Botequim)

Em seu corpo meu toque sutil
Faz sua alma tremer
Sua pele sentindo o desejo no gosto do beijo que te faz gemer

Das pernas subo devagar
E vou te levando ao céu
Te sinto suando, querendo, em chamas ardendo implorando meu mel

No pescoço meus lábios repousam
Teu corpo a se contorcer
Teu cheiro em meu cheiro na dança que traz a esperança de não fenecer

Minha língua no ponto sagrado
Enfim gera uma explosão
Do gozo eu já sinto o gosto mas não deixo o posto até a sua exaustão

Então vejo o seu sorriso e é o que eu preciso pra compreender
Que suas pernas já não se aguentam e os lábios desejam me ter em você
Com a força que sobra te ergo, seguro te envergo, te lanço pro ar
E pra explodir de desejo te envolvo num beijo para em ti penetrar

sábado, 20 de abril de 2019

Sem lhe conhecer
Senti uma vontade louca de querer você
Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você.

terça-feira, 16 de abril de 2019

PARTE 2

O olhar parecia de uma santa,
mas o corpo se movia bestialmente
ela sabia o que queria
sabia o que fazia
Suas pernas se abriam
feito uma bailarina,
as mãos me tocavam
quase que a alma

Como pode tanto aos 20 e poucos anos?

O olhar parece inocente,
mas sua boca é tão libertina:
molhada, quente, sagaz,
desliza por todo o meu corpo,
sussurra de maneira depravada

– me come na mesa

Enfio minha cabeça
entre suas coxas carnudas,
chupo a sua flor
que parece uma brasa
quente e avermelhada
Enquanto isso,
ela recita palavras obscenas
me puxando para dentro de si
pelos cabelos
Debruço ela na mesa
e meto com vontade,
latejando brutalmente
até o nosso suor estampar
a marca do nosso pecado
por toda a madeira da mesa

O olhar parecia de uma aluna,
mas o seu corpo ensinou
mais do que eu poderia imaginar.

( Cleydson Ramones )

terça-feira, 9 de abril de 2019

20 DICAS PARA ESCREVER BEM:

1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!

2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou  mensag. que vc. escrev.

3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?

4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu  jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!

5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!

6.  Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.

7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!

8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.

9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!

10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.

11.  A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!

12.  Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!

13.  Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”

14.  Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!

15.  Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.

16.  A voz passiva deve ser evitada, para que a frase não seja passada de maneira não destacada junto ao público para o qual ela vai ser transmitida.

17.  Seja específico: deixe o assunto mais ou menos definido, quase sem dúvida e até onde for possível, com umas poucas oscilações de posicionamento.

18.  Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!

19.  Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a

James Michener, escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer de 1948.

domingo, 7 de abril de 2019

OS FILHOS DO QUARTO!

NÃO DEIXE DE LER

Antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares, hoje temos perdido eles dentro do quarto!

Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los,
mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes.

Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos.

Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança.
Quanta imaturidade a nossa.

Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é...

Perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares.

Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar...

Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são.

Você hoje pode ler esse texto e amar, mandar para os amigos.
Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente.

Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço você um convite e, por favor aceite !

Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do celular, do computador, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por no mínimo 2 dias estabelecidos na sua semana a noite (além do sábado e domingo).

E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, "dando trabalho" e que eles aprendam a viver em família, se sintam pertencentes no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal !"

Cassiana Tardivo
Psicopedagoga

Excelente reflexão impossível não compartilhar!

sábado, 6 de abril de 2019

Sobre as voltas que o mundo dá até que uma pessoa receba um diagnóstico e, principalmente, se reconheça como alguém emocionalmente adoecido. Este é o fragmento de um registro em prontuário de um atendimento que fiz recentemente:

“S1- Paciente traz exames que pedi ontem após nossa primeira conversa. Conta que seu quadro inicial era de tosse e dispnéia. Isso ocorreu há 3 anos. Na ocasião, recebeu diagnóstico de asma. Começou a usar s*lb*t*m*l, e uma injeção com doses altas de corticoide mensalmente (😩😳)o que lhe trazia uma “melhora temporária”. Há 2 anos, sentiu uma dor em FIE (abdome inferior) em pontada e no Pronto-atendimento disseram que ela havia tido um "pré-infarto" (palavras da paciente). Há 1 ano e meio iniciou quadro de dor torácica. Era uma dor posterior com irradiação anterior em aperto, não associada ao esforço físico. Paciente nega associação desta dor com sudorese fria ou dispnéia (falta de ar). A dor durava em média 1 dia inteiro e "melhorava sozinha". Fez tomografia de tórax em 18/10/17 que não evidenciou anormalidades.Realizou Teste ergométrico em 06/12/2017 que não evidenciou alterações sugestivas de isquemia miocárdica induzida pelo esforço. (Significa dizer que o exame não mostrou nenhum problema com o coração). Após todos estes exames, ainda foram pedidos Ecocardiograma, Cintilografia miocárdica (repouso e stress), cateterismo. A paciente não fez pois não tinha mais dinheiro pra seguir investigando seus sintomas. Ao mesmo tempo que vivenciava todo esse adoecimento, passava também pelo fim do seu relacionamento. Um casamento de 20 anos, repleto de episódios de violência física. Paciente me mostra fotos de hematomas no rosto e no corpo que guarda no seu celular.”

Ao final da consulta, a paciente me confidenciou que durante os primeiros momentos deste seu adoecimento, o agora ex-marido disse que não queria uma mulher doente do seu lado. Isso me fez entender muita coisa. Foi em uma mulher doente exatamente no que ela se transformou, tamanho era o seu desgosto ao viver na prisão que se tornou sua própria casa.

Ao final da consulta eu decidi perguntar a ela por que, depois de tantos anos indo a tantos profissionais, ela decidiu voltar ao posto pra levar os exames que eu havia pedido.

Ela respondeu que as palavras que eu havia dito a ela no nosso primeiro encontro acenderam uma esperança de que ela pudesse enfim dar um nome aquilo que sentia. No dia anterior eu disse a ela assim:

“Querida, não há quem passe intacta, incólume, por um relacionamento violento que dura 20 anos. Você é jovem, aparentemente saudável, trabalha, cuida dos filhos. O nosso corpo e a nossa mente não são entes separados. São um todo. Único. A tristeza adoece o corpo. Preciso, sim, ver estes exames, mas preciso mais ainda saber do que te afeta. O que de fato está te adoecendo.”

Hoje ela voltou e me disse:

“Doutora, eu preciso de uma psicóloga. Eu quase não dormi essa noite por que ontem eu fiquei pensando em mim quando eu ainda era uma menina. Eu via o meu pai bater em minha mãe e isso doía no fundo da minha alma. Eu perdi as contas de quantas vezes eu repeti: nunca vou arrumar um marido assim pra mim. E, o que eu fiz?”

Ela se viu. Se enxergou de dentro pra fora. E eu aprendi com ela a ser uma médica melhor. Pra ela.

Enxergar o outro. Está é a minha profissão.

De fé.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Se vc chorar essa noite, me conte
Não os motivos
Não as lágrimas e suas infinitas gotas
Me conte se é isso que te faz estar vivo
Se isso te alivia no travesseiro
Se é o que vc imagina ou
Mais uma fantasia alucinante
...
E se eu chorar e só a lua
E não há com que se preocupar
Isso é bobagem minha

Numa entrevista concedida em 1994 a José Geraldo Couto, João Cabral de Melo Neto assim falou a respeito da noção de poesia:

“Naquele poema ‘Alguns Toureiros’ eu digo que aprendi com Manolete a não poetizar o poema. Porque esse é o problema de muito poeta: é que ele faz um poema poético. Quer dizer, faz um poema a partir de elementos já convencionalmente poéticos. Ele perfuma a flor. É como se você planta uma rosa e depois acha que a rosa não está cheirando o suficiente e aí põe, em cima da rosa, perfume de rosas para ela cheirar mais (risos). Eles perfumam o poema. Existem toureiros que fazem isso também, floreiam demais o jogo.”

Poetizar o poema significa encher o poema de emoticons, de pequenas sinalizações indicando ao leitor a reação emocional que o poeta espera provocar. Sinalizações que revelam a insegurança do poeta com relação aos meios que emprega.

Ele acha que o que escreveu não é suficiente, acha que o leitor não vai entender, e começa a reescrever aumentando, começa a encher o verso de pequenas redundâncias, como se cochichasse ao leitor, “olha só, isso aqui é triste”, “preste atenção, aqui é para você achar graça”, e assim por diante. Surgem redundâncias como “um sorriso alegre cheio de felicidade”.  (...)

Leia o resto clicando no link abaixo:

https://mundofantasmo.blogspot.com/2015/06/3852-nao-poetize-o-poema-2862015.html
Numa entrevista concedida em 1994 a José Geraldo Couto, João Cabral de Melo Neto assim falou a respeito da noção de poesia:

“Naquele poema ‘Alguns Toureiros’ eu digo que aprendi com Manolete a não poetizar o poema. Porque esse é o problema de muito poeta: é que ele faz um poema poético. Quer dizer, faz um poema a partir de elementos já convencionalmente poéticos. Ele perfuma a flor. É como se você planta uma rosa e depois acha que a rosa não está cheirando o suficiente e aí põe, em cima da rosa, perfume de rosas para ela cheirar mais (risos). Eles perfumam o poema. Existem toureiros que fazem isso também, floreiam demais o jogo.”

Poetizar o poema significa encher o poema de emoticons, de pequenas sinalizações indicando ao leitor a reação emocional que o poeta espera provocar. Sinalizações que revelam a insegurança do poeta com relação aos meios que emprega.

Ele acha que o que escreveu não é suficiente, acha que o leitor não vai entender, e começa a reescrever aumentando, começa a encher o verso de pequenas redundâncias, como se cochichasse ao leitor, “olha só, isso aqui é triste”, “preste atenção, aqui é para você achar graça”, e assim por diante. Surgem redundâncias como “um sorriso alegre cheio de felicidade”.  (...)

Leia o resto clicando no link abaixo:

https://mundofantasmo.blogspot.com/2015/06/3852-nao-poetize-o-poema-2862015.html

sexta-feira, 29 de março de 2019

CEDO OU TARDE EU IA TRADUZIR A ABERTURA DA ODISSEIA.

O homem conta-me, Musa, o multimodal que por muitos
males passou, arrasando a santa muralha de Troia,
vendo e sabendo de muitas cidades e mentes humanas,
muitas dores sofrendo no mar e dentro do peito,
ao proteger seu alento e o retorno de seus companheiros,
sem conseguir salvá-los, por mais que assim desejasse:
pois se perderam pela própria perversidade,
tão pueris que comeram o gado do Sol Hiperônio,
e este por isso então lhes tomou o dia da volta.
Deusa filha de Zeus, começa por um desses pontos.

 Ἄνδρα μοι ἔννεπε, Μοῦσα, πολύτροπον, ὃς μάλα πολλὰ
πλάγχθη, ἐπεὶ Τροίης ἱερὸν πτολίεθρον ἔπερσε·
πολλῶν δ' ἀνθρώπων ἴδεν ἄστεα καὶ νόον ἔγνω,
πολλὰ δ' ὅ γ' ἐν πόντῳ πάθεν ἄλγεα ὃν κατὰ θυμόν,
ἀρνύμενος ἥν τε ψυχὴν καὶ νόστον ἑταίρων.
ἀλλ' οὐδ' ὧς ἑτάρους ἐρρύσατο, ἱέμενός περ·
αὐτῶν γὰρ σφετέρῃσιν ἀτασθαλίῃσιν ὄλοντο,
νήπιοι, οἳ κατὰ βοῦς Ὑπερίονος Ἠελίοιο
ἤσθιον· αὐτὰρ ὁ τοῖσιν ἀφείλετο νόστιμον ἦμαρ.
τῶν ἁμόθεν γε, θεά, θύγατερ Διός, εἰπὲ καὶ ἡμῖν.


Tradução de um trecho da ODISSEIA por professor Guilherme Gontijo Flores 😱😱😱😱😍😍😍💙💜💙💜💖💖💖

quarta-feira, 27 de março de 2019

Um dia eu peguei o que eu não tinha e parti. Ir embora sem nada é mais fácil porque é só seguir. Estou em frente não porque deixei, larguei, abandonei ou sai. Não. Eu desanimei, desistir assim é só colocar um pé na frente e o outro logo depois...
Eu não quero voltar para onde estive. Não quero mais continuar à deriva no mar da vida, um oceano para mergulhar...e eu estava olhando os peixes sequinha. Agora eu vou pular. Quero sentir o mar aberto fazer meus olhos lacrimajarem de verdade. Chorei olhando os peixes de um aquário, podendo nadar com as vidas marinhas mais loucas sem nem saber aonde iremos chegar. Mas vamos juntos, eu e esses seres todos de dentro do meu universo.
Aos que estão no lugar de onde eu segui, deixo a amizade de portas, janelas e braços abertos. Eu sei que ser amor é aprender antes de tudo compartilhar. E vamos partilhar novas histórias, novidades e os amores que se aproximaram de nossas longas conversas agora em horas marcadas. O relógio é um aliado de pessoas descontroladas e controvérsias como eu sou. E vai me dizer o que fazer na hora certa da chegada e da revoada.
Hoje é um dia de fazer a vida valer a pena.
Sou, desde garoto, um sujeito lento. Rápido no pensar, lá isso eu sou, mas muito lento no agir. Quem gosta de mim diz, com benevolência, que eu tenho um tempo próprio de fazeção das coisas. Deve que tenho mesmo. Pelo sim, pelo não, adotei como um dos meus lemas o mineiríssimo "Festina lente" ("Apressa-te lentamente") dos latinos, que me permite viver sem culpa uma vida em que lavar e pôr para secar a roupa, observar o movimento dos calangos no quintal ou o voo das andorinhas sobre a minha morada são etapas do dia tão importantes quanto escrever mais algumas páginas do livro de memórias ou terminar de preparar a oficina que oferecerei neste fim de semana em São Paulo. Junto à lentidão (talvez a marca maior do meu temperamento pessoal) a opção pela frugalidade. Fazer do pouco algo que perdure, quem sabe alguma alegria para sempre: isto é, sim, comigo. Sem pressa nenhuma. Porque, além de já ser lento de nascença, aprendi a valorizar ainda mais a lentidão desde que li pela primeira vez, logo que foi publicado, este primoroso ensaio do geógrafo-pensador Milton Santos que volta e meia eu reposto aqui. "Vos desejo uma excelente viagem" - faço minhas as palavras grafadas por Bispo do Rosário num estandarte - pelo texto do professor Santos. Terei muito gosto em saber, à noite, se quiserem me contar, que o dia de hoje foi para vocês agradavelmente lento.