terça-feira, 17 de março de 2020

Pessoal, eu nunca gosto de me pronunciar em situações polêmicas, mas não se trata de polêmica. É uma questão inquestionável de saúde pública. Eu tenho uma mãe de 67 anos, que possui plano de saúde na Hapvida e eu, honestamente, não acredito que em caso de epidemia será realmente eficiente o serviço. Saúde pública é coisa séria e jamais pode ser levada a questões estritamente particulares. Idosos e bebês, tenho o meu afilhado de 1 ano e 8 meses, são grupo de risco de morte, não de risco de infecção. Somos professores, eu tenho 32 anos, posso entrar em contato e ser assintomática e mesmo assim levar a morte para a minha casa. Em geral, a quarentena tem o efeito de controle epidemiológico. É para que não se alastre de maneira tão desastrosa. É apenas o ano letivo em comparação com vidas. E nada pode ser comparado com vida. Nada. Ao menos, é essa a opinião que eu defendo.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Eu não sou ninguém para vir defender ou condenar, mas estou muito perplexa com os comentários transfóbicos que se espalham por causa dessa situação. Não tem como não assemelhar o tratamento discursivo de muitas pessoas (mulheres, homens, feministas ou não) com fascismo. É muito óbvio o critério seletivo. Não quero defender nenhum tipo de crime. Sou absolutamente contra a cultura do estupro e qualquer forma de apologia a esse crime irreparável. Me solidarizo com as vítimas, pessoas que já sofreram e com qualquer situação nesse universo de abuso sexual. Porém, não consigo enxergar na condenação compulsória dos discursos contra Susy nada de bom. A transfobia é um crime, mas também uma ideologia de purismo genético, biológico, sem qualquer benefício humanitário. Fazer justiça com as próprias palavras em um canal como o Facebook é discurso de ódio e não surpreendentemente foi iniciado nos porões do fascismo. Hannah Arendt quando foi analisar o caso de um fascista chamado Eichmann identificou uma semente (origem) fascista em uma pessoa comum. Ela chamou de "banalização do mal". Qualquer humano sem priorizar a ética humanitária tende ao extremismo e ao ódio gratuito que estimula genocídio. Eu sou contra isso. Também, consigo ver nitidamente o racismo que se escancara no caso de Susy, muitas pessoas condenam ela e toda a população negra trans ou não  que está em sua maioria povoando as nossas cadeias, que parecem um apartheid legalizado. Susanne Von Richthofen está sendo cotada para ser protagonista de um filme e foi abraçada por uma comunidade evangélica. Sem querer equiparar crime bom e crime ruim, não tem como não perceber que a condenação fatal é transfóbica e racista. Se a justiça está para a democracia como uma garantia dos direitos de qualquer pessoa, não posso discordar de que ela está pagando por sua pena, como poderia acontecer comigo, mas em condições indiscutivelmente piores. Eu sou branca, eu sou cis, eu tive oportunidade de fazer universidade. Então, o que eu percebo é que precisamos tomar cuidado para não fortalecermos nosso maior inimigo, o patriarcado, branco, misógino e fascista.
Cuidado para que a notícia, aparentemente, inocente não seja estimuladora de transfobia. A transfobia é um crime e não pode haver por parte de uma notícia veiculada por um portal tão sério e popular esse tipo de mensagem. Não estou dizendo que há transfobia direta ou intencional na informação porém é visível o número alarmante de pessoas comentando de modo transfóbico. Notem que não era a intenção da série do fantástico promover conteúdo transfóbico, ao contrário era COMBATER A TRANSFOBIA que mata milhares de pessoas no Brasil todos OS DIAS. NINGUÉM mandou escreverem carta, quem fez, fez porque quis. Se Suzy recebeu cartas de crianças escritas dentro de uma escola, significa diretamente que a educação está promovendo a harmonia, a solidariedade e a humanidade entre as pessoas. Talvez essa seja a principal necessidade não só de Suzy mas de muitas pessoas que foram parar na cadeia por causa da desigualdade social NOJENTA que temos em nosso país. Há racismo também nesse ódio todo. Suzy não é branquinha, não vão fazer um filme sobre ela como já há cotação para acontecer com Suzane Von Richthofen. Pois é Dol, cuidado para não caírem no hall de veículo de comunicação abrigador do discurso do ódio e do fascismo. Onde não há dignidade possível para QUALQUER pessoa, nem que seja sobre sua história, sobre sua menção, NÃO HÁ DEMOCRACIA. Onde não há democracia impera a lei do holocausto. Quem vai jogar a próxima pedra? Eu gostaria de não ter visto tamanha desumanidade como presenciei nessa lastimável reportagem anti-humanitária. Cuidado com seus próprios leitores, entre eles há os que disseminam genocídio em pele de "justiça verbal".
De onde menos se imagina, brota o fascismo. São comentários indiscutivelmente transfóbicos, sutilmente racistas, naturalizadores da discriminação, mantenedores de discurso  que julga existir uma gente mais "natural" e outra "anormal". É a banalização do mal nas rodas mais "progressistas". Onde se lê há gente mais natural, leia-se também um discurso antigo sobre uma tal raça ariana "mais pura". São contra a humanidade e sua diversidade e dizem que são a favor da humanidade. Eu estou triste demais. Há tanta transfobia naturalizando genocídio na minha timeline de modo que eu penso: o fascismo está vencendo. A banalização do mal (fascismo) naturaliza discurso que segrega, banaliza a violência simbólica através do discurso sutil das redes sociais que prega a "justiça verbal". São os justiceiros/justiceiras da web destilando ódio, vingança e desumanidade. O que não se assemelha ou seria se aproxima mais do fascismo do que a condenação do diferente? O fracasso da humanidade me assusta.

domingo, 8 de março de 2020

O dia começa com a poesia dela
Com a poesia de lá
Com um dia do lado de cá
Uma vida inteira
Esperando um toque
De palavras
Que são teus
Que são esses
E agora meus.

Eu não sei o que fiz ao mundo
Pra te ganhar assim
Do nada
De um jeito inexplicável
Incrível
Inusitado
Feita exata
Descrita no meu desejo
Nos meus pedidos
Nos sonhos acordados
Em tardes de domingo.

Como és isso?
Como és tudo?
Como pode Ser
Como existe assim?
Como sustenta essa tua marca
Tão perfeita
Tão viva
Tão tua
E as vezes minha.

Como tu vive
Mexendo comigo
Entrando na minha vida
Sem pedir
E para.
E vive.
Tú é uma poesia inteira.
Infindável.
Versos inesgotáveis.
Poemas imensuráveis.
Tu é uma poesia toda.
Tem teus inícios e meios
Mas não me apresenta teus fins.
Me confunde os olhos
As certezas
Entre cigarros e cervejas
Minhas verdades escorrem
No chão da tua palavra
Da tua voz.
E na didática, dialética
Meio certa
Enquanto o coração aperta
Meu peito enche
Minha respiração se cansa
De todo esforço pra viver
No teu mundo
Naquele infinito segundo inteiro de ti.

Eu jurei não te querer
Jurei não te amar
Jurei não desejar o teu eu inteiro
Em mim.
Jurei todo dia te afastar
Me afastar
Não me permitir
Não aceitar querer
E mesmo não querendo
Eu quero.
E mesmo não te vendo
Eu peco.
Mesmo sem pedir
Eu peço.

Só vejo teu corpo
Tuas mãos
Teus dedos
Tua boca
Teu cabelo
Teu mundo
Entrando no meu
Ali
Em qualquer lugar do mundo
Te ter nas mãos
E segurar
Beijar
E engolir tua poesia
Sobreviver da tua energia
Respirar tuas narrativas
Tua história inscrita em mãos
Nas tuas
Que queira Deus, sejam minhas.

Tu me escreve
E mexe tudo aqui dentro
Não respiro
E sigo.

L.A.N.A.
Cuidado para que a notícia, aparentemente, inocente não seja estimuladora de transfobia. A transfobia é um crime e não pode haver por parte de uma notícia veiculada por um portal tão sério e popular esse tipo de mensagem. Não estou dizendo que há transfobia direta ou intencional na informação porém é visível o número alarmante de pessoas comentando de modo transfóbico. Notem que não era a intenção da série do fantástico promover conteúdo transfóbico, ao contrário era COMBATER A TRANSFOBIA que mata milhares de pessoas no Brasil todos OS DIAS. NINGUÉM mandou escreverem carta, quem fez, fez porque quis. Se Suzy recebeu cartas de crianças escritas dentro de uma escola, significa diretamente que a educação está promovendo a harmonia, a solidariedade e a humanidade entre as pessoas. Talvez essa seja a principal necessidade não só de Suzy mas de muitas pessoas que foram parar na cadeia por causa da desigualdade social NOJENTA que temos em nosso país. Há racismo também nesse ódio todo. Suzy não é branquinha, não vão fazer um filme sobre ela como já há cotação para acontecer com Suzane Von Richthofen. Pois é Dol, cuidado para não caírem no hall de veículo de comunicação abrigador do discurso do ódio e do fascismo. Onde não há dignidade possível para QUALQUER pessoa, nem que seja sobre sua história, sobre sua menção, NÃO HÁ DEMOCRACIA. Onde não há democracia impera a lei do holocausto. Quem vai jogar a próxima pedra? Eu gostaria de não ter visto tamanha desumanidade como presenciei nessa lastimável reportagem anti-humanitária. Cuidado com seus próprios leitores, entre eles há os que disseminam genocídio em pele de "justiça verbal".
Conselhos para uma mulher forte

Se és uma mulher forte
protege-te das feras que quererão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, oportunidades, preços a pagar.
Fuçam tua alma, metem o ferrão de seus olhares e prantos
até o mais profundo magma da tua essência
não para iluminarem-se com teu fogo
mas para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.
Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
também traz consigo parasitas, moscões,
pequenos insetos que buscarão alojar-se no teu sangue
e alimentar-se do que é sólido e grande em ti.
Não percas a compaixão, mas teme-a quando ela te conduzir
a negar a palavra, a esconder quem és,
e te obrigue a amaciar-te
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.
Se és uma mulher forte
prepara-te:
aprenda a estar só
a dormir na mais absoluta escuridão sem sentir medo,
e que ninguém te jogue cordas quando rugir o temporal,
a nadar contra a corrente.
Aprende os ofícios da reflexão e do intelecto
Lê, ame a si mesma, constrói teu castelo
circunda-o com fossas profundas
mas deixa grandes as portas e janelas.
É imprescindível que cultives enormes amizades
para que os que te rodeiem saibam quem tu és
que tu faças um círculo com fogueiras e que o acendas no meio do teu quarto
uma lareira sempre ardente na qual se mantenha o fervor dos teus sonhos.
Se és uma mulher forte
protege-te com palavras e árvores
e invoca a memória das mulheres antigas.
Tens que saber que és um campo magnético
para onde viajarão gritando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas ampara-te primeiro.
Guarda distâncias.
Constrói-te. Cuida-te.
Entesoura teu poder.
Defende-o.
Faça-o por ti.
Te peço em nome de todas nós.
(Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)

sábado, 7 de março de 2020

Realmente o tema "amor romântico" precisa ser muito mais debatido. As relações supostamente romantizadas apresentam muitos sintomas da nossa cultura. O machismo, a misoginia, a disputa de egos, o narcisismo, a idolatria de um mito (feminino ou masculino), as sagradas escrituras sobre as relações interpessoais, a homofobia, a transfobia, o racismo, o preconceito de classe e o capacitismo... são estes algumas das marcas que parecem definir romances regados a violências (simbólica, psicológica, física e patrimonial). Há dilemas também importantes dentro dessa lógica viciada em tornar os humanos dependentes entre si, sufocando a autonomia e com ela a oportunidade de conhecer mais sobre a real necessidade de afeto. A criatividade humana para o enlaçamento afetivo é ameaçada por essa ideia deturpada de amar. Como se fosse essa a única maneira possível. A monogamia é o alicerce desse mal e sustenta junto a submissão do amante em função de um ser amado inalcançável. Talvez a humanidade deva nutrir dentro das suas mais caras revoluções uma guerra frontal ao amor romântico, pai da cela "casamento" e do cadeado "procriação". Deve haver outras formas de ser realizado por estar em um relacionamento afetivo entre pares. O amor romântico, realmente, parece uma droga de efeito moral.

domingo, 1 de março de 2020

Pedro Vieira Neto eu escolheria não mentir para ele sobre o que de fato foi ruim. Ser criança em um mundo onde se concebe o padrão imediatista como cultura para as relações afetivas, assim como para as vontades consumistas, não deve ser mais fácil do que fora antigamente... O imediatismo é ilusório,  é necessário diferenciar o tempo de cada coisa. O vídeo propõe afeta na relação familiar, o que é legal, mas não deve ser superficial. Afeto é mais do que um acolhimento imediato, é a capacidade de interação real entre mãe e filho sem artifícios. Acho estranha essa proposta de trazer os "métodos" de ser uma boa mãe ou um bom cuidador afetivo por meio de instrumentos lúdicos pré-estabelecidos. Daqui a pouco haverá uma "escola de como ser pai e mãe com sucesso"? É isso. Resolver os problemas naturais de uma relação intrafamiliar não pode ser assim. Talvez o filho se encontre angustiado por testar esse lugar, por intuição. Crianças são muito mais sábias do que se pode imaginar, muito mais elas ensinam do que aprendem com os adultos porque são naturais e referenciadas pela meio em que circulam, pelo lugar onde são e onde os pais também estão. Então, não gosto dessa abordagem lúdica que a mãe propõe, ela se esqueceu de mostrar ao filho o que ele realmente precisava saber ali. Ele queria atenção para esse querer. Ela deu um sossego a si mesma, como qualquer adulto faria. Eu não vejo uma diferença significativa senão ao fato que ela estará acomodada por efeitos especiais, talvez achando que está certa em "dar afeto" pré-fabricado. Sem esse subterfúgio, o que ela faria? O que foi feito antes dos livros de "como criar seus filhos com sucesso"? Eu não sei. As histórias parece que estarão iguais nas prateleiras e nas telas de cinema. Mas onde estarão as narrativas? Os divãs dirão com mais certeza. Os filhos são frutos das histórias contadas pelos pais ou são as lacunas entre "fui eu" e o "ser perfeito" bem à minha frente?
Pedro Vieira Neto eu escolheria não mentir para ele sobre o que de fato foi ruim. Ser criança em um mundo onde se concebe o padrão imediatista como cultura para as relações afetivas, assim como para as vontades consumistas, é necessário diferenciar o tempo de cada coisa. O vídeo propõe afeta na relação familiar, o que é legal, mas não deve ser superficial. Afeto é mais do que um acolhimento imediato, é a capacidade de interação real entre mãe e filho sem artifícios. Acho estranha essa proposta de trazer os "métodos" de ser uma boa mãe ou um bom cuidador afetivo por meio de instrumentos lúdicos pré-estabelecidos. Daqui a pouco haverá uma "escola de como ser pai e mãe com sucesso"? É isso. Resolver os problemas naturais de uma relação intrafamiliar não pode ser assim. Talvez o filho se encontre angustiado por testar esse lugar, por intuição. Crianças são muito mais sábias do que se pode imaginar, muito mais elas ensinam do que aprendem com os adultos porque são naturais e referenciadas pela meio em que circulam, pelo lugar onde são e onde os pais também estão. Então, não gosto dessa abordagem lúdica que a mãe propõe, ela se esqueceu de mostrar ao filho o que ele realmente precisava saber ali. Ele queria atenção para esse querer. Ela deu um sossego a si mesma, como qualquer adulto faria. Eu não vejo uma diferença significativa senão ao fato que ela estará acomodada por efeitos especiais, talvez achando que está certa em "dar afeto" pré-fabricado. Sem esse subterfúgio, o que ela faria? O que foi feito antes dos livros de "como criar seus filhos com sucesso"? Eu não sei. As histórias parece que estarão iguais nas prateleiras e nas telas de cinema. Mas onde estarão as narrativas? Os divãs dirão com mais certeza. Os filhos são frutos das histórias contadas pelos pais ou são as lacunas entre "fui eu" e o "ser perfeito" bem à minha frente?
Pedro Vieira Neto eu não estou fazendo uma pesquisa histórica sobre a evolução de problemas psicológicos na juventude. A minha referência foi a juventude de hoje em relação ao menino de hoje. Muitas crianças da década de 90 e dos anos 2000 em diante já demonstram esses transtornos de modo mais expressivo, se analisamos o número de diagnóstico e de receituário médico psiquiátrico em nossas escolas. O que para mim não representa necessariamente um aumento no número de doentes simplesmente, mas sim uma busca maior por diagnóstico médico. O que se pode entender como medicalização, sem que isso indique tratamento psicopatológico também. Por isso, as famílias atualmente necessitam reverter o padrão de relação interparental focado no acolhimento de  prováveis danos patológicos emocionais e devem começar a se relacionar de modo natural e, principalmente, direto, sem mediação com tecnologias "comunicacionais" por exemplo. E esse método "lúdico" na relação entre mãe e filho me preocupa porque foi muito defendido nos comentários como sendo um super exemplo de como se deve acalmar uma criança, o que para mim é apenas efeito imediato e não corresponderá ao sucesso defendido por tanta gente de maneira direta. Por isso, eu acho que as loucuras não mudam, as vontades, como dizia o grande poeta, sim! As vontades mudam e mudam o mundo. Os jovens de antigamente não eram melhores nem mais saudáveis, nem os de hoje são assim. Mas devemos atentar para as nossas vontades, principalmente os pais que criam seus filhos de um jeito que parecem querer remediar suas próprias angústias. As crianças devem viver suas próprias experiências e a partir delas errarem e aprenderem de modo saudável e, se possível, afetuoso. O afeto infelizmente depende ainda de fatores socioculturais impossíveis de serem discutidos em uma postagem de rede social, sem uma perda reflexivo-metodológica grande. Abraço
Quando os chamados pais helicópteros (que não à toa ganham o apelido) ficam o tempo todo em cima dos filhos, prontos para qualquer intervenção, o resultado são crianças mimadas, com pouca inteligência emocional e menos habilidades para lidar com o novo. “A criança superprotegida deixa muitas vezes de entrar em contato com emoções que serão fundamentais para seu desempenho psíquico satisfatório, como raiva, angústia e decepção. Assim, suas habilidades sociais serão rígidas e sua capacidade de adaptação insuficiente em vários âmbitos”, afirma a psicóloga Fabiana Cury, do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), de São Paulo.

Fonte: REVISTA CRESCER
Pedro Vieira Neto Pedro Vieira Neto eu não chamaria de método, mas de abordagem mesmo. O método parece uma receita pré-fabricada de como ensinar um filho e isso é ingenuidade. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", cantaria Camões. Nós somos frutos do nosso tempo, pais, mães, filhos e demais parentes. Cada casa é um caso, cada criança pede um olhar específico e cada cuidador precisa ter uma ação pertinente ao seu modo de enxergar a vida. Pontuado isso, eu acredito, que vale a pena analisar a abordagem dessa mãe que enfoca o acolhimento e a consequência é a criança estar visivelmente satisfeita ao final do vídeo, tanto que ele ri juntamente com ela por fim. O que não é um problema, mas gera lacunas sobre o que de fato é impressionantemente defensável aos olhos adultos que vemos nessa publicação. O que é tão inestimável nesse vídeo que não possa receber uma ressalva, necessária aos nossos tempos, de meninos em desequilíbrio emocional, de pais em ausência de autoridade e de famílias em desconexão. Claro, que não é o caso de desconexão nesse vídeo, mas é nítida a falta de autoridade dela para dizer que ele mentiu e está errado. Ela se exime de tratar do que constrange e frustra o menininho. Por que? Por que ela só fala que não era para ele abrir ? Será que ele realmente só compreenderia até essa parte? Por algum motivo, no comportamento dele, parece que ele quer saber sobre essa vontade forte que teve em abrir antes do combinado. Parece que no ato mesmo de correr e dizer para ela "alguém abriu o presente", o que ele quer é saber por que abriu o presente. Ela diz que o Natal é legal e que eles gostam de abrir o presente lá no final, quando ele já está chorando ao ser colocado a dizer que foi quem abriu. Mas isso era o que ele queria, ou o que ela queria ouvir? Quando a correção sobre o fato é lógica e simples, incide no ato que se fez, no caso abrir o presente antes do prazo, e não por abrir o presente. Abrir o presente é super legal, gerou uma ansiedade enorme nessa criança que sequer poderia esperar. Até então nada de diferente de qualquer criança querendo muito ver um presente que fora mostrado antes e fora colocado como o maior barato de tudo. Mas ele abre antes e se desgaste com isso. O choro dele é de frustração por não ter conseguido esperar. E onde há a correção disso? Onde ocorre a verbalização que nutre o menino do que ele realmente precisa saber? O que fez ele errar? Por que ele abriu e "tudo bem", mesmo assim por que??? Porque ele é ansioso. Porque os tempos nos tornam ansiosos. Porque há famílias que lidam com crianças como se fossem robôs de afago e práticas de livros de autoajuda. Mas cadê o que o menino precisa? Ele pediu pra mãe algo. E eu te pergunto... O método final do "cheirar e assoprar" é uma recentinha linda pra "acalmar a ansiedade precoce e previnir transtornos" que não cabe e não sossega a criança de fato em sua pergunta essencial. Por que abriu o presente antes e não conseguiu esperar???? Ela faz o "método" bonito e "lúdico", mas se isso o acalmasse e o ensinasse sobre esperar ele não teria agido dessa forma. Eu acho que é a hora de mudar de expectativas sobre a criança. Será que ele queria ser acolhido em sua angústia ou queria ser remediado em sua infantilidade natural. Quer uma criança menos ansiosa? Olhe para ela e veja o que ela pede, e não o que os livros de educação familiar modernos recitam só para acalmar pais que pouco olham demorado para os seus filhos, pois estão quase sempre a pensar em si (em como queriam e querem ser tratados, em suas angústias e não nas da criança). Corrigir essa criança agora, com afeto e paciência, levaria ao autoexame mais tarde. Eu erro, eu tenho defeitos, eu tenho limites e vou lidar com eles sem mascarar sempre. Porque usar todo dia a máscara do foi um pequeno deslize, não resolve as perguntas fundamentais. Pais são as referências de limites que nos tornam humanos e iguais e não diferentões cheios de perguntas existenciais.
Shi Anizio espero sinceramente que vc tenha êxito nessa criação. Educar é bastante difícil e constantemente buscar laços de confiança realmente é uma luta muito importante e dura. Sobre o vídeo, eu acredito que não se trata de tratar o menininho com agressividade ou humilhação a solução para o que eu ressalvo, que é o fato dela não ter tocado no assunto dele ter descumprido o trato. Eu acho que ao invés de rir e distrair ele em relação às frustração de se sentir errado, ela deveria ter verbalizado que o erro dele foi não esperar, for descumprir o trato, foi gostar de ter descumprido e depois não assumir o seu erro. Não acho que devesse haver punição, muito menos agressão. Acho que a confiança está na atitude honesta da mãe dizer, da maneira que ela se sentir mais segura e afetuosa, que ele mentiu e que deve assumir sua culpa e não jogar para outra pessoa ou outra coisa. Em ultimo caso, acho ainda que ela poderia ter aproveitado pra dizer que vale muito mais a pena abrir e ser surpreendido junto com todos do que ser o primeiro a ver. Só isso
Bárbara Vieira de Castro entendo o seu ponto de vista e discordo, não dele, mas de como isso se aplica ao vídeo. Note que ela quer que ele assuma a mentira, não por isso, mas porque faz parte desse lugar de "eu vou te acolher". No caso de um erro, se exige correção. Acolhimento é para os momentos de sofrimento, dor, desajustes emocionais e situações até fora do alcance da criança. Ele ter aberto a embalagem do presente realmente não é um erro desproporcional. Não é esse o erro que eu vejo na atitude da criança. O erro é ter descumprido o trato, a confiança que ele deve aprender a desenvolver não pode estar pautada somente em acolhimento e afago, porque senão perde o valor de referência social e passa a ser um álibi reforçador de carências morais e interpessoais importantes. Ele não assume a mentira, é somente levado a não ter como discordar, isso é diferente. Mesmo quando ele diz pra ela que não fará novamente, ele mente e logo se percebe rindo porque ela riu do acontecimento também. Ele está reproduzindo uma atitude confortável para ele. Isso não é no mínimo algo para se ver com cautela? Ele faz o que lhe agrada e para o seu próprio agrado não só por ser infantil, um menino ainda, mas faz por ser "acomodado" nesse tipo de relação que só promete bonificação em qualquer situação. Veja que ele já sabe o que há no presente, nem mais o presente lhe importa tanto. Se é bonito ver o presente na hora da surpresa compartilhada, por que privá-lo disso??? Qual o benefício real que ele tem ao descumprir o trato? A mãe lhe deu um afago que pode não ser o suficiente nos próximos desejos e que não será o suficiente para tudo. Então, por certo haverá frustrações maiores mais cedo ou mais tarde. Será nessas horas a mãe o lugar de aconchego??? Haverá esse lugar de aconchego sempre? Ele é criança e por isso deve ser acalentado pela fantasia de que vai sempre haver esse aconchego sobre frustrações e principalmente sobre erros e inconsequências da parte dele? Estou aqui pensando...eu considero uma ressalva pertinente nesses tempos de desejos inalcançáveis
Françoise Dolto (No Jogo do Desejo): "Quando o adulto não deposita confiança nas expressões que a criança dá de sua vitalidade, e confiança a ponto de falar com ela, por mais doente e pequenina que seja, a ponto de autorizar as manifestações de alegria ou sofrimento próprias da criança, sem reprimi-las; quando o adulto não entra em contato afetivo e verbal com a criança, independentemente das manipulações necessárias de seu corpo, que não incluem forçosamente uma comunicação interpsíquica,
a criança fica impossibilitada de adquirir confiança em si como um ser da linguagem e do desejo, essencialmente distinto de seu corpo, na medida em que este a constitui apenas como um ser das necessidades".  A psicanálise explica sobre relação de afeto pautada na realidade da experiência de uma criança sem precisar fingir que ela está certa (só por ser criança) mesmo quando está errada.
Rose Bernardo a minha preocupação é que a maioria dos comentários está demonstrando aprovação com o que é praticado pela criança. O que deve ser sim discutido porque ele vive em sociedade e não há por que para outro ser humano tratá-lo com a benevolência que a mãe dele manifesta. Para além disso, sabe-se que é enquanto criança que se aprende os direitos e deveres sociais, então, se ele age dessa forma com a mãe e ela retribui de modo cúmplice, provavelmente não está mostrando a realidade de que ele errou e deve se corrigir, não deve fazer mais, ou deve entender que erra e precisa ser corrigido. Sou professora e lido todos os dias com adolescentes que não são educados para viver em sociedade, cobram da postura de um professor essa amabilidade/passividade que a mãe demonstra, mas que não condiz com a necessidade de corrigir determinados hábitos errados, principalmente em relação à mentira, ao cinismo, à agressividade por ser descoberto, à tentativa de esconder sua culpa, colocando-a em outro, e até a vantagem de ser tratado como alguém que não sabia (mas estava ciente sim) do que fazia. Algumas crianças podem se frustrar de modo relativamente rápido por causa da falta de correção adequada dos próprios pais e causar mais tarde tragédias (anunciadas pela falta de correção na infância).
Eu acho linda a relação de honestidade que a mãe está ensinando ao filho, coisa difícil de vermos atualmente. Mas eu queira lembrar uma coisa... Incômoda... Quando o vídeo era do Desmond, o menino incrível e criativo, com linda peruca azul, foi uma chuva de desrespeito, de indiferença pela sua condição de criança, um monte de brutalidade. Agora, que vemos um menininho também fofo mentir, ser bastante relutante em dizer o que fez, ser relativamente agressivo ao perceber que é "desmascarado", ninguém tem nenhuma ressalva. Eu tenho. Uma criança, independentemente do sexo e do gênero, deve ser repreendida quando burla regras pré-estabelecidas, afinal a mãe tinha lhe advertido sobre não abrir o presente. Alguém me questionaria "é só a embalagem do Natal!"...eu respondo: hoje é só a embalagem do Natal, amanhã quem sabe o que será? E ele conseguirá admitir? E ele aprenderá que também é errado e deve se enxergar como alguém que precisa aprender melhor o conceito de "pode" e "não pode'? No mais, o vídeo é bonito mesmo. Há uma mãe ensinando o filho e um filhinho que precisa ainda muito aprender sobre viver em sociedade. Só isso.

Um link sobre pesquisas divulgadas nessa reportagem da Revista CRESCER sobre o tema que eu gostaria de colocar em relação a esse vídeo, que parece bobo, mas não é

https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Seguranca/noticia/2018/11/superprotecao-em-vez-de-evitar-que-seu-filho-sofra-ela-pode-gerar-mais-frustracao.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Susanne Marques se eu puder te dizer uma coisa muito verdadeira é isto: NÃO SE CULPE! Essa culpa se chama MACHISMO. Ela vai te prender muito mais. Vc está se culpando porque acredita que seu filho estará melhor quanto mais de vc ele tiver. Mas ele não precisa do seu sacrifício, isso é invenção da religião patriarcal. Ele não precisa da sua saúde mental, isso é invenção da cultural que privilegia os homens. Ele não precisa da sua restrição profissional, isso é um mito que o mundo machista coloca a fim de colocar os homens em superioridade no mercado de trabalho. E pode acreditar eles sempre conseguem vencer! Quanto mais as mulheres se culpam e deixam eles "sossegados" fazendo o que é "direito [sic] do homem" mais elas ficam submissas. Sabe por que tantas mulheres brasileiras morrem dentro de casa assassinadas? Porque homens e também MULHERES (infelizmente) acreditaram e defenderam o direito dos homens, mas colocaram as mulheres em desvantagem. Nós estamos sempre em desvantagem! Não decidimos sobre o país, mulheres não devem ser presidentes elas têm pouca testosterona (eles dizem). Testosterona nós temos. Estrogênio SÓ NÓS TEMOS. NÓS TEMOS MAIS, MUUUUUUUUUITO MAIS. Bora parar de si prender, se bloquear, se inibir, se limitar por causa das nossas crenças limitantes feitas por homens para privilegiar homens! Mana❤️, por favor, acredita em vc! Se vc quer cuidar mais do sei filho, tudo bem! Faz o que vc quiser de verdade! Porém, se vc quiser terminar essa faculdade, partir pro mercado de trabalho, ser mais independente financeiramente, ser mais autônoma emocionalmente, se o que vc precisa é ser mais livre para viver seus próprios planos, por favor, não deixa ninguém e nem nada te impedirem. Carrega esse filho contigo pelos infinitos horizontes do mundo que o UNIVERSO TODINHO É TEU. ACREDITA!

  • Dani G. Fraga qual o seu objetivo com esse comentário? Invalidar a história de luta dessa mulher? Quer vir me provar que sua disputa psicossocial (rivalidade entre mulheres na cultura patriarcal) está em dia? Que essa rivalidade te cega a ponto de vc não conseguir enxergar outros modos de ser mulher além da sua própria concepção? Quer dizer que ela está aqui para fazer uma propaganda enganosa e colocar outras mulheres em um paradigma de inferioridade? Desculpe mas não é sobre seu psicológico abalado que se está tratando. Eu sei que não é fácil ser quem eu ou você ou ela é. Porém, isso não nos dá o direito de soterrar a história de MUITA luta de outras mulheres que não têm o mesmo modo de vida que nós. Há problemas psicológicos que afetam a nossa história? Sim! Inclusive afetam o nosso olhar sobre a vida. O nosso jeito de ver o mundo está no modo como a nossa psiquê estrutura os sentimentos, os sentidos e as coisas não subjetivas (exteriores). Deslegitimar essa luta vitoriosa, de mulher-mãe-filha-profissional diz mais sobre vc do que sobre a história dela. Me desculpe. É um alerta. Se cuidar é indispensável. Se amar é um aprendizado para a nossa sobrevivência. Somos mulheres e merecemos autorrespeito, autocuidado e autoamor. 🙋♀️❤️
Ana Paula Malimpensa se vc não consegue isso é impossível? Quer dizer que seu parâmetro é quem vc é? Vc é a medida para todas as outras pessoas? Olha, me perdoe o questionamento direto, mas não acredito que esse comentário é sobre disputa de quem é a melhor do que a outra porque não é essa a colocação óbvia do que a Elika está dizendo. Ela deixa claro que está rompendo com uma fala inibidora e bloqueadora (como um muro) feita por um homem. Esse cara tem os paradigmas masculinos para se mirar. Homens são educados para a articulação pública e mulheres para a prisão domiciliar. Desculpa a analogia abrupta, mas existem mulheres em verdadeiras celas. As casas são a pena que pagam por terem nascido MULHERES. A única coisa que Elika está exemplificando é que não devemos pensar que mulheres nasceram para o ambiente doméstico enquanto o político e o social é destinados somente aos homens. Poxa! Que exemplo lindo ela nos coloca. Deixando claro a quebra do próprio paradigma já que ela também nasceu em uma sociedade patriarcal. Ela faz tudo isso sim! Ela pode tudo isso sim! Nenhum ser humano pode vir aqui dizer que ela é mentirosa porque ela sabe de si. Não deslegitimem as falas de outras mulheres, nós já fomos silenciadas demais!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Eu fico insone
esperando a hora que ela vai chegar
 e me ninar...
Eu durmo pra sempre
 em seu leito, em seu colo e em si
Eu durmo nela
Ela é meu modo mudo
Eu mudo o mundo
E mudo o rumo de tudo
Por ela dormindo em mim.
Estou soterrada em uma maré de insatisfação. O patriarcado tirando minha saúde, minha alegria familiar, meu bem-estar no trabalho, minha esperança de uma possibilidade de reverter questões práticas de modo saudável para todos. E o capitalismo me roubando o chão. Não quero ir trabalhar, tô putassa com a escola onde estou por causa da forma como a educação e os professores estão sendo tratados pelos alunos...o capitalismo quer me roubar de mim. Quero ir a um especialista tomar umas drogas legalizadas e recomendadas por médicos e suas alianças mórbidas com a indústria da morte do tesão e do corpo. Mas sua publicação me diz que há outra possibilidade. Eu vou olhar bem dentro dessa minha cólera por tanta injustiça. Eu quero mais de mim. Tô cansada de ser tolida por esses grilhões do medo. Eu quero guerra! E uma mulher com a revolução tatuada é difícil de ser parada.
Saúde mental deveria ser um objetivo de produtividade, só assim o mercado de trabalho estaria humanizado, menos irracional. Há certas metas de eficiência que costumam ser como drogas alucinógenas. Elas iludem a mente já enfraquecida pelos problemas condicionados pelo sistema injusto no qual vivemos. Elas viciam porque trazem certo devaneio de vitória, uma espécie de torpor, como do álcool, que apenas mascara um sofrimento escondido que só crescerá e se tornará um monstro chamado: fracasso. E fracasso não existe. Ele é um bicho papão da gente adulta que vive para lustrar os índices insanos da produtividade mercadológica, que foi feita para robôs e não para gentes. Amanhã pode demorar a chegar, mas a conta vem. A gente paga caro por acreditar em tanta porcaria. No final das contas, ser feliz é viver um dia por vez. É não se medir pelos outros e se possível não ter ninguém como ídolo. O troféu não vem trazendo sucesso. Cada vez mais, vencer é ter paz. Vencer talvez seja para muitos apenas continuar vivo. Lute por sua própria vida e escreva em silêncio a sua própria história fantástica. Ser humano e ter inteligência são dois lados de um dilema: saber que se é e não saber mais nada além disso.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Quero pele e paixão, na realidade, quero muito mais.....quero coração e conexão, alma e vibração!!!

No fundo todos procuram o mesmo sentimento. Partilhar momentos onde perdemos a noção do tempo, intensidade, transparência, carinho, intimidade, conversas bobas entre "filosofadas" profundas, rir até doer a barriga, compartilhar silêncio.

Sim..... compartilhar silêncio sem se sentir incomodando por não estar APARENTEMENTE compartilhando. E por um momento que não cabe no tempo ficamos ali, presentes e livres da necessidade de estar falando.

Já ficou assim com alguém?

Na idade que for, se sentir um adolescente, com maturidade suficiente para viver intensamente, e compreender com profundidade que liberdade envolve responsabilidade.

Ser inteiro e presente, amigo e paciente, para compreender as dificuldades que todos temos diante de tamanha liberdade.

Todos queremos liberdade e afetividade!!!

Sim.... somos livres, e sentir isso é muito grande, tão grande quanto nossa capacidade de imaginar. Por isso que além de pele e paixão, eu quero eternidade, amizade, e simplicidade.

Fique sabendo que quando eu encontrar você, vou transpassar tua carne, entrar em seu coração........e te amar com  c-alma!!!!

Ananda Xela..........✍🌹
eu tenho que melhorar minha vivência entre feministas porque muitas vezes fico precisando de explicações extras para o que é dito, sabe? Sempre que você puder explicar um pouco mais, quando alguma mulher se sentir mal apontada, explica, mana☺️❤️. Às vezes a gente só não conseguiu chegar aonde sua fala queria nos levar...de verdade, eu preciso sempre de mais explicações em algumas situações. E, por isso, concordo muito com vc de que é realmente uma cultura patriarcal a idealização e a romantização heteronormativa. Não sei se foi bem isso que vc quis dizer, mas foi como entendi. Precisar enxergar no outro um herói que vai nos salvar, por exemplo, ou uma fera que vai se transformar em príncipe, realmente só tem justificativa no mundo em que homens são privilegiados e mulheres subservientes. É preciso destruir essas correntes sempre! Levantar nossas irmãs todo dia por nossas mãos é dizer sigamos juntas, somos tão fortes quanto qualquer ser humano e merecemos a liberdade de escolher, até mesmo, andar só. Entretanto, é necessário estar ciente de que muitas mulheres, às vezes do nosso lado, vão cair, vão morrer e vão ser condenadas às prisões da romantização uma vida inteira. Estar atenta nos torna vencedoras porque é na maior dor que a gente se encontra. A dor nos enlaça e a gente um dia vai conseguir andar junta! Um dia o feminismo vai alcançar aquela mulher que se posicionou do lado de lá. Esse vai ser o dia da nossa maior vitória. E todo dia a gente segura na mão de mais uma. Sigamos juntas!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Eu sou mulher e não preciso de salvação!

Tu acha que são homens que vão libertar mulheres?
Meus pêsames!
Todos os dias caem mais mulheres. Caem suas vestes. Caem seus dizeres.
Jamais no entanto cairá o seu legado!
Enquanto eles nos derrubam, uma levanta a outra.
Enquanto eles nos destinam como se fossemos seus objetos fabricados para seus desejos e ilusões, uma revela o poder que a outra possui.
Uma segura a mão da outra enquanto eles nos enganam através da idealização do afeto na relações interpessoais.
Não é sobre solidão, é sobre duvidar!
Não é sobre a salvação lésbica, que também não existe. É sobre duvidar das relações entre pares também.
Não é sobre ser uma mulher incapaz de se relacionar heterossexual mente, é sobre questionar a forma e os padrões da heteronormatividade que se impõe.
Não são homens que irão nos salvar... NÃO EXISTE SUPER HERÓI.
A era do SUPER-HOMEM ACABOU.
O SUPER-HOMEM NÃO EXISTE.
Existe o ser em transição. A gente é humana e sua formação não é binária, não se forma pela diferença direta entre a e não-a, mas pela referência em rede entre a, b, c, d, e seus múltiplos inconscientes.
O feminismo, no entanto, deve incluir homens na roda? Claro que sim! Jamais para que falem de suas experiências, mas para quem OUÇAM e OUÇAM e TRANSMITAM entre seus pares (leia-se HOMENS) as vozes, as dores, as lutas e os legados das mulheres. Só há feminismo possível assim!
Quem irá salvar as mulheres?
MULHERES NÃO PRECISAM DE SALVAÇÃO!
MULHERES NÃO PRECISAM DE SUPER-HERÓIS!
MULHERES NÃO PRECISAM DE SUPER-HOMENS!
SER MULHER é a força bruta do universo em expansão!
Nada vai nos parar! Não tentem nós queimar caladas! Vamos morrer GRITANDO E SEMEANDO FORÇA DE MULHER!
VAMOS BRIGAR COM TUDO E COM TODOS para nossa emancipação!
Empoderamento é o caralho!
O que eu tenho não vai ser nomeado pelo patriarcado!
Eu sou MULHER, meu poder é minha luta.
A guerra não vai acabar se não houver igualdade!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

SEXO LENTO E A CURA DA VAGINA

Não é necessária uma violação para que uma vagina fique traumatizada. Quando tratada de uma forma bruta e violenta, mesmo que dentro de um relacionamento estável e aparentemente saudável, os tecidos da vagina, extremamente sensíveis podem perder a sua altíssima sensibilidade.

No ocidente homens e mulheres aprendem a arte de fazer amor com a pornografia, indústria que trabalha com a intenção de atrair majoritariamente um publico masculino desde tenra idade, estimulando o abuso da integridade e do corpo feminino. Neste tipo de produção, não são raras as vezes em que o homem “consome” e abusa do corpo da mulher como um animal, batendo-lhe com força e brutalidade, humilhando-a e diminuindo o seu valor.

Este tipo de mensagem é depois replicada pelo homem, nas suas relações intimas.

Ignorante da verdadeira arte de fazer amor, a maioria dos homens ocidentais desconhece a fisionomia feminina bem como a altíssima sensibilidade da vagina, a somar o fato de que muitas mulheres se submetem este tipo de comportamento, por muitas variáveis constituidas por um sistema mundo patriarcal.

Dessa forma a mulher vai sofrendo uma diminuição gradual das suas qualidades receptivas.

No Ocidente o homem penetra a mulher muito antes de que a temperatura sexual dela esteja suficientemente alta para convidá-lo a entrar.

Em segundo lugar, após a entrada do homem, produz-se uma série de fricções do pênis contra as sensíveis e suaves paredes vaginais que causam outro efeito negativo:

A vagina deixa de ser um canal altamente sensível e receptivo, para ser um canal endurecido e “couraçado”.

Em terceiro lugar, os movimentos mecânicos da pélvis, próprios do sexo convencional contribuem, ainda mais, para aumentar a crescente insensibilidade do interior da vagina.

O Sexo lento é a cura da vagina.

Um exemplo concreto da conexão entre os seios e vagina-útero, é o fato de que a sucção do recém-nascido ativa a expulsão da placenta e que as mães quando amamentam, geram oxitocina que atua ao nível do colo do útero.

Então será suficiente uma boa estimulação dos seios para chegar ao orgasmo?

Existem muitas mulheres que não necessitam deste passo para atingir o clímax, mas para a maioria este é um passo precioso, que se fosse respeitado e bem conduzido possivelmente não existiriam tantas mulheres, frigidas ou com dificuldades para atingir o orgasmo.

Quando bem estimulados, os seios promovem um tipo de energia que inunda e acende a vagina.

Numa relação heterossexual, a vagina, como polo passivo, deve estar totalmente preparada para receber o máximo de impacto da energia masculina.

É importante reconciliarmos a natureza receptiva da sexualidade feminina.

Na Sexualidade Sagrada, a mulher recebe no seu corpo a energia masculina e é por isso que se diz que é o polo receptivo: o seu movimento não é para a frente e para fora, como no caso da energia masculina, mas sim para dentro e para cima.

Quando a vagina da mulher vibra como resposta magnética às carícias dos seus seios, torna-se receptiva e ativa em si a energia sexual, criativa e prazerosa

Este é o momento em que a mulher percebe que está pronta para o coito.

É um acontecimento energético completamente espontâneo: um "Sim" absoluto à penetração que parte das profundezas. Então pode abrir-se a entrada da energia dinâmica do pênis criando um circuito eletromagnético vivo.

A vagina "derrete" à volta do pênis e bebe a energia que irradia dele.

A mulher, como força receptiva feminina, possui a capacidade de arrastar a energia masculina para cima através da sua vagina, levando-a ao coração e elevando-a a uma freqüência mais alta.

O sexo é um ato sublime de comunicação sutil e poderosa e como em toda dinâmica de comunicação, o receptor deve estar disposto e aberto para receber o que o emissor tem para expressar.

Se o emissor e o receptor estão bem sintonizados, então a comunicação flui, da mesma forma também a energia sexual flui através desta dinâmica de receptividade e abertura de um ao outro. Se não, por muito que o emissor queira dar a sua energia / informação, o receptor não pode absorver ou integrá-la.

... amor, escuta, lentidão, silêncio, interiorização, presença...

Estas são as chaves para despertar o poder sexual feminino no coito.
Um poder que deve ser aquecido em lume brando e quando chega à fervura tem uma energia tal que pode levar a mulher a estados alterados de consciência inimaginados capaz de fazer derreter o maior iceberg. E até mesmo apaziguar ou curar, algumas feridas emocionais sexuais.

O caminho da cura está nas nossas mãos ...

O primeiro passo deverá ser olharmos para a nossa sexualidade com vontade de a aperfeiçoar, só assim teremos a possibilidade de mudar a nossa energia alquímica e isto terá uma conseqüência imediata em toda a nossa vida.

A região genital do homem e da mulher precisa ser melhor explorada, elas possuem diferentes pontos de energias se assemelhando á pontos de acupuntura que podem ser ativados. Há milhares de pontos, e não um único e inatingível ponto G criado para nos manter ainda mais desconectados de nossa verdadeira sexualidade. Essa ativação tem muito pouco a ver com a penetração genital que estamos acostumados no ocidente. O movimento intenso para frente e para trás está carregado de uma energia masculina de força e violência representada pelo patriarcado. É preciso curar a vagina com a energia contrária á do patriarcado, explorando novos pontos de excitação. Quando um olha nos olhos do outro, há uma troca de fitas de DNA, que são lidas na íris do olho. Está é a conexão do coração para os olhos da alma. É possível trabalhar com os chakras um do outro, Colocando a mão sobre o chakra do coração do parceiro e mantendo o próprio coração aberto. Conforme se estimulam com os olhos, usam os chakras e ativam os pontos de acupressão na área genital, esses locais tornam-se vivos. De forma lenta e ritmada sem muito esforço, as genitais se encostam, e promovem uma reação química que nos leva a um orgasmo, que se move para fora, para todos os vários corpos que possuímos. Isso nos permite subir a escada para o conhecimento e chegar à própria divindade do sexo que não tem a ver com o nosso desempenho. O corpo será capaz de relembrar e sustentar essa freqüência naturalmente. A velha energia da violência associada ao sexo a qual fomos acostumados será substituída pela integridade, parceria e respeito. Esse processo de cura se torna possível com o equilíbrio da energia feminina em ambos os sexos. Os homens irão verificar que precisam atrair para si mesmos aquelas que irão integrá-los nessas mudanças. As mulheres quando aceitarem a si mesma e a seu próprio corpo, criaram um padrão para si do tipo de homem para o qual estarão disponíveis. Ela irá atrair esse tipo de homem, porque ele estará disposto a aprender e a mudar com ela. Quanto mais as mulheres estiverem estabilizadas em seu amor pelos próprios corpos e em sua vontade de saber o que desejam e quais são as próprias intenções, mais fácil será para os homens.

Muitas mulheres, durante muitos anos, mantiveram as bocas fechadas e ficavam felizes simplesmente por ter um parceiro. Elas não criavam nenhum padrão para os homens alcançarem. Com a ativação da energia da Deusa e a compreensão da forma feminina completa, como ela foi projetada para ser, irá se criar um novo padrão. As mulheres precisam aprender a falar sobre seus sentimentos e desejos, para que esse novo padrão de experiência seja criado. Então, será mais fácil para os homens abrirem seus próprios centros do sentimento, experimentarem as próprias emoções, levar a energia sexual através dos chakras e confortavelmente experimentarem uma intimidade maior do que jamais imaginaram ser possível. Essas coisas levam tempo. As mulheres foram levadas a não falar por tanto tempo, assim como os homens a não sentir, que tais mudanças não ocorrerão da noite para o dia.

É através da experiência orgásmica que enviamos energias de cura e rejuvenescimento para o corpo e essa energia precisa ser honrada.

(Este escrito foi adaptado de um texto de Ollin Mazatzin Emekauko por Rute Alegria)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Eu sou uma escorpiana muito inibida sexualmente... Sei lá são bloqueios mesmo... Faço terapia porque minha libido é muito baixa também...  Em geral, consigo fluir sexualmente quando rola muita cumplicidade porque a intimidade comigo não é fácil...eu sou muito travada, por mais que eu seja comunicativa, isso não quer dizer que eu consiga me entregar, sabe... Fui heterossexual por muito tempo e quando me percebi bissexual foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida... É uma realização imensa. Fico pouquíssimo com homens, cada vez menos...e a proporção em relação às mulheres é 15 elas a 1 eles...coisa assim... Transar com elas é incomparavelmente mais excitante, embora eu me trave bastante. Então, transar com homens acaba sendo mais fácil porque eles se lançam e eu fico muito passiva, embora essa não seja a forma que eu mais curta...de fato eu gostaria que fosse um processo misto entre dar e receber e pronto. Com lésbicas é sempre mais intenso porque elas foram mais convictas e eu pude fluir por onde me sentia espontaneamente levada até... Muito bom mesmo. Com bi já é mais travado porque sinto que uma espera da outra. E com héteros já é lento.. e no meu caso...quase parando...eu travo às vezes mais do que a menina. Tenho minhas iniciativas e atitudes, mas não é nada assim espetacular...eu sou muito sutil...sabe? Então, transar se tornou um momento muito cheio dessas experiências antigas...estou precisando muito ter novas experiências mais libertadoras.... é isso😘♀️🙋❤️

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Eu fumo e bebo sim

Eu fumo quando estou com raiva de mim
Não me proíba disso
Não tenha pena também
É assim
Sou menos desespero quando bebo
Não resisto ao marasmo dentro de mim
Tenho a influência dessas energias
Dessas fontes revezes de dor em dor
Tenho anseios que não alcanço
Me derramo em sombras quase sempre
Fumo quando me desprendo das redes
De afeto e solidão calmas que cultivo
Entrego-me a sal, o suor e severos
Desafetos que me guardam
Que me assegaram dos sons
Dos meus meios e dos meus fins
São tudo eu
Eu bebo e mergulho
Sou também afastamento
Os mais improváveis medos
Nos goles de cada cerveja que invento
Para não dizer o que entala
Engulo cada palavra velha
Cada sentido adormecido
Adoecido já meu coração
Reparte em efeitos doses
Eu bebo para me vencer
Desculpa se isso é veneno
Isso é minha própria aposta
Versos e reversos meus em mim
Um marido já pode ser como cultivar um câncer oculto por anos...imagina o que seria ter dois? Ter dois filhos adultos, idosos e bem mais velhos para se empatar na vida? Ter duas bestas imprestáveis que sequer lavam a cueca direito? Ter dois empecilhos que te enchem o saco demandando mais atenção do que um bebê de colo? Ter dois patrões enjoados te dizendo que "o jantar ainda não tá pronto"???? Gente, vamos desejar outras coisas produtivas e libertadoras para as mulheres, por favor! Já inventaram universidade, viagens, novas amizades, yoga, natação, fisioterapia pélvica, massagem tântrica, feminismo, psicanálise, crochê, teatro, ciclismo, representação parlamentar, etc. Por favor, chega de nos  aprisionarem em relações heteronormativas e patriarcais... Bem-vindas ao século XXI, a era das mulheres que têm direitos humanos e lutam por eles! Beijos♀️🙋
Por favor, não desistam de ser livres! Sejam independentes desde hoje...agora... já...se possível. Não é sobre dinheiro, é sobre VIDA. Não é sobre "poder fazer o que quer", é sobre FELICIDADE. Há muitas de nós que se encontram "dependentes" economicamente porque foram ensinadas a pensar que são inferiores e fracas e não conseguem as coisas sozinhas, ISSO É MENTIRA! VCS PODEM TUDO! Eu sou a prova disso. Minha mãe criou gêmeas, trabalhando no comércio por 15 anos e depois fazendo bicos. Somos duas mulheres de 32 anos formadas, eu sou concursada, minha irmã tem duas graduações e hoje é mãe de um menininho lindo. Vencemos o primeiro desafio e, então, vieram os demais. Eu sou separada e saí deixando TUDO para trás e desempregada. Por ser uma mulher forte, fui encontrando forças, valentia e muita fé em Deus e em mim para não desanimar. Já faz quase 7 anos e estou em paz comigo. Deu muito certo me libertar das correntes que eu tinha colocado em mim. Muitas vezes, eu quem me coloquei acorrentada sem nem ver que a chave ESTÁ SEMPRE COMIGO. ABRAM ESSA PRISÃO, amigas! Só vcs podem se libertar. Minha irmã está passando pelo seu maior desafio. Irá criar o filho praticamente sozinha porque hoje em dia é separada. Isso não é ruim, é uma dádiva! Ela poderá se amar, se respeitar e se cuidar COMO NUNCA FEZ ANTES. Não Importa se demorará um pouco. Nenhum tempo a mais na prisão do patriarcado é como respirar depois de se sentir afogada. É respirar fundo e sair pela primeira vez vendo suas próprias asas. Mulher, o mundo é seu. O mundo é TODINHO SEU! Por favor, acredite em vc! Acredite em outras mulheres! Não procure mais os pensamentos que te mantém aí presa e morta em vida. Viva! Haverá quem te ajude e será de onde vc menos imagina. Outras mulheres vão te dar as mãos! Nós somos muitas! Liberte-se HOJE!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

A tática do fascista é se espalhar... não há meios intransponíveis para o discurso...mas há uma forma de apagamento: invisibilização

Me desculpa, minha querida e aguerrida professora, eu não consigo compartilhar essas histórias plantadas pelo governo neofascista brasileiro porque há uma ambivalência na mensagem. Essa ambiguidade proposital não é compreendida por todos os que terão contato com a postagem. A ambivalência consiste na aparente solidariedade, que de fato é a maquiagem do populista fascista a fim de se colocar como "bom para a família brasileira". O que a mim, não me pega, não me faz nenhuma ilusão e sei que somos muitos. Sua crítica é clara. Porém, há os que estão vendados por alienação, os que estão subalternizados por "oportunidades" disponibilizadas (na pior feição do vender a alma ao diabo) e, ainda, há quem se filie. Os últimos costumam gozar de fama e prestígio quando, mesmo que para criticar, nosso compartilhamento se faz. É devastador. O seu papel é politicamente indispensável. O meu, por não querer dar nenhuma mídia ao desvario, é uma forma em teste também para fazer, na frente dos que vão desprezar, uma oportunidade de apagamento desse discurso ao menos em relação ao meu lugar de fala. É o que estou tentando fazer, por isso lhe justifico. Fico feliz por nos mostrar a face miserável dessa fascista, mas não compartilho para não aumentar a mídia dessa criatura que só de existir hoje nos feeds já causa gatilhos e mais adeptos, tal como descreveu Hannah Arendt. É a banalização do mal em engrenagem.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O fascismo é uma fronteira intransponível para mim

o que é inacreditável é ele ser pastor evangélico em um momento em que a designação neopentecostal é pró-fascismo. Isso é, no mínimo, impactante. O fascismo é uma ideologia brutalmente misógina, além de genocida em todos os sentidos. A anti-hmanidade dessa frente ideológica que deveria ter sido SUCUMBIDA pela inteligência e pela evolução humana, nos garante que somos além de tudo monstros. Monstros contra mulheres e pessoas que se diferem das nossas causas. Então, não há uma retórica histórica de "ressocialização", há um aprofundamento vergonhoso ao qual esse FEMINICIDA se atrela por ser igual a ele.
manter ele preso, como se em prisão perpétua, realmente não há possibilidade. Porém, não se indignar frontalmente eu não consigo. Se pareço antidemocrática nessa forma de defender a posição contrária à hipocrisia, ainda acho mais empático da minha parte por eu ser feminista, por ter vivido em violência doméstica por grande parte da infância e da adolescência e por ter sofrido um atentado misógino traumático. Então, prefiro a aparente antítese democrática e me coloco do lado contrário ao fascismo...para mim, há limite para tudo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Já está mais do que na hora de pessoas heteronormativas encararem sua máscara PATRIARCAL. Seja homem ou mulher cis, seja machista ou feminista radical (que não acolhe a identidade de gênero), seja quem quer que seja já está passando do tempo de se explodir o binarismo opressor menino e menina. Todos ficam chateados quando a boza damaris (com letras minúsculas porque é uma fascista e instrumento de fascismo) diz que menina veste rosa e menino veste azul...porque não querem ser "reduzidas" a isto ou àquilo. Mas na hora de compreender que aumentar a lista não muda nada, ou seja, que incluir isso ou aquilo em ser "verdadeiramente" mulher não muda a opressão só a mantém...ISSO NINGUÉM QUER, né bonita? Vamos melhorar! Vamos dar conta! Gênero é uma categoria social que merece ser discutida senão a nossa tão amada Simone de Beauvoir estaria errada em dizer afirmar um "segundo sexo", ou seja, uma hierarquia social OPRESSORA que diz que há os melhores (privilegiados) e há os outros relegados. Vamos parar de reproduzir machismo, misoginia e força do patriarcado no nosso heteronormativismo enrustido, inconsciente e igualmente opressor. Só para finalizar em par e em paz com o meu feminismo que amo tanto e defendo demais, vou terminar com as palavra da própria Simone "o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos". É isso.

O FEMINICIDA sempre arruma um jeito de culpar a vítima e consegue! Ele é um monstro e deve ir pra cadeia

Notem que essa é a velha história do sujeito "passional" que se sente no direito de finalizar uma vida que ele acredita ser o dono. Ele pensa que é o dono dessa mulher, que ela é sua propriedade. Mulher não é propriedade de ninguém, muito menos de um ex cônjuge. Tanto esse tipo de caso se tornou comum dentro da visão machista doente, quanto a misoginia só foi sendo legitimada já que há muitas pessoas que há décadas acreditam que esse "sentimento" que o ASSASSINO FEMINICIDA tem é "amor doentio". A coisa doentia que essa VERME tem é a misoginia sustentação do machismo que só quer explorar, sugar, expor e violentar mulheres. Ele porque está vivo deve ter um final comum aos feminicidas como ele: ir a uma igreja arrumar outra VÍTIMA sob a tutela de gente "de bem", que acha normal matar mulheres por causa do desejo monstruoso de um homem assassino. Querem outro final comum para a história? Mulheres condenarem a memória de uma vítima à lama porque ela "ousou" se libertar de um potencial assassino. Ela sabia. Ela intuia. Ela estava sendo levada à morte e por alguns momentos acho que conseguiria se libertar sozinha, mas NINGUÉM A PROTEGEU, ninguém esteve REALMENTE DO LADO DELA e o "ÓDIO" A FÚRIA DESSE DEMÔNIO ASSASSINO DE MULHERES só aumentou. Todas as mulheres que morrem em esquinas do Brasil e do mundo TÊM SEUS SANGUES condenando a alma de muitas pessoas porque AJUDARAM A MATÁ-LAS. Quem ao invés de olhar para essa mulher como uma vítima decide lhe matar junto com o monstro misógino é tanto quanto ele ASSASSINO DE MULHERES. Essa foi mais uma vítima do machismo, da sua misoginia indispensável. Quanto à masculinidade "tóxica", EU NÃO LHE RECONHEÇO. Não há um homem adoecido, há uma sociedade adoecida em que as VÍTIMAS SOMOS NÓS. Infelizmente muitas que aqui vêm julgar e condenar a memória dessa vítima, serão antes do que pensem condenadas por um homem e seus mantenedores, seus patrocinadores, seus cúmplices. Cuidado. Agora mesmo outra mulher caiu na sua esquina, na sua casa, na rua perto de onde vc mora ou trabalha e A CULPA É SUA TAMBÉM por nunca lhe ter escutado. Esse ASSASSINO FEMINICIDA merece o inferno!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Conheça a maior obra distópica da história da literatura do Século XX

"Admirável Mundo Novo" é um deleite literário que , de tão clássico, transforma o mundo ficcional do livro em previsões assustadoramente atuais.

No prefácio escrito para uma edição lançada em 1946, Aldous Huxley diz que “Admirável Mundo Novo” é um livro sobre o futuro, não é um livro sobre o “avanço da ciência em si”, mas sobre em que medida esse avanço científico afeta os seres humanos.
Considerado um dos mais importantes romances distópicos já produzidos, “Admirável Mundo Novo” foi publicado em 1932 e apresenta uma série de discussões que são impossíveis de serem abordadas em poucas linhas, mas que geram fascinação em seus leitores.
Em seu primeiro parágrafo já somos inseridos em um mundo regido pelo controle, pelo desenvolvimento científico e pelo totalitarismo: “Um edifício cinzento e atarracado, de trinta e quatro andares apenas. Acima da entrada principal, as palavras Centro de Incubação e Condicionamento de Londres Central, e, num escudo, o lema do Estado Mundial: comunidade, identidade, estabilidade”, e nos damos conta de que para garantir que esse lema seja cumprido, os seres humanos são criados em laboratório, divididos em castas (Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Ipsilons), conforme as funções sociais que desempenham, e tudo é rigidamente controlado. Não há a menor possibilidade de mobilidade de uma casta para outra e todos exercem fielmente o papel que cabe ao grupo ao qual pertencem.
Nesse mundo, as relações familiares não existem, o sexo é livre e naturalizado desde a infância, criando-se uma ideia de que “todos são de todos”, não existem compromissos ou vínculos afetivos entre parceiros, também não há doenças ou medo da morte, tudo é criado em laboratório em um processo que remete à linha de montagem fordista e Ford é justamente o grande “deus” que marcou esse modo de viver em sociedade.
A história se passa em “Londres Central”, no ano 632 depois de Ford, e tudo pertence ao Estado Mundial, o qual é responsável pela criação dos seres humanos em laboratório, pelo condicionamento desses novos seres através de um processo chamado hipnopedia, no qual as crianças aprendem preceitos morais através do sono e são submetidas a choques e traumas para que se mantenham afastadas daquilo de que não devem gostar.
Para o Estado Mundial, todos devem ser felizes, pois é isso que garante a estabilidade social. Não há mais guerras, fome, dor, todos sorriem o tempo todo e têm seus desejos de consumo satisfeitos e seus momentos de melancolia preenchidos pelo Soma, uma droga sem efeitos colaterais.
Ao longo do livro, no entanto, fica claro que esse mundo aparentemente perfeito era uma grande ilusão, a felicidade pregada pelo Estado Mundial era falsa, induzida, os sentimentos realmente humanos eram reprimidos e quem não se encaixava nesse sistema padronizado era considerado um Selvagem e vivia em uma Reserva distante de Londres Central.
E será através do que acontece nessa Reserva e do destino dos personagens Bernard Marx, Linda e John, que veremos que aquele mundo perfeito não era tão admirável quanto o Estado queria fazer acreditar. Aquela sociedade sustentável só existia porque era extremamente artificial e controlada, as pessoas eram condicionadas desde o nascimento de acordo com a casta à qual pertenciam e, assim, deveriam permanecer ao longo de toda a sua vida, sujeitando-se ao Estado e tendo seus instintos e emoções reprimidos desde o momento de sua concepção em laboratório.
Com “Admirável Mundo Novo”, Huxley nos mostra que viver em um mundo marcado pela manipulação genética, por intensa propaganda ideológica, pela proibição da literatura, da individualidade e do afeto, produz seres vazios, alienados e passivos, que só aceitam essa ordem social justamente porque foram manipulados de modo a acreditar que ela era a única estrutura social possível.

Texto - Adriana de Paula / Joel Paviotti

Ilustração - Anna Kaveh


  • Referências - nos comentários
Aproveitando o gancho do outro post: parem de dizer para as meninas que elas TÊM QUE ir ao ginecologista médico antes ou logo após iniciarem suas vidas sexuais, por motivos de:

1) ninguém leva os meninos no urologista (apesar de serem os ómis que precisam de campanha para lavar adequadamente suas partes).
2) converse com mulheres de 20-30 anos com acesso a serviços de saúde e você ficará impressionada com a quantidade de meninas que foram levadas com idades entre 5-15 anos no GO para investigar "corrimentos" que nada mais eram que fluidos normais ou para investigar cólicas ou alterações menstruais que nada mais eram do que esperadas para a fase e saíram de lá com pedidos de exames invasivos e prescrição de anticoncepcionais hormonais e tratamentos desnecessários e constrangedores.
3) discutir anticoncepcional com um GO mediano no mundo atual significa sair do consultório com prescrição de hormônios (levanta a mão quem tomou D*ane na mais tenra idade e permaneceu com ele às vezes por décadas) sem ter qualquer orientação sobre outras alternativas.
4) Vida sexual não é problema médico, não é doença, não requer aval profissional, salvo existam queixas ou questões de fato médicas envolvidas.
5) Se for levar uma menina ou adolescente ao médico por essas razões, investigue antes qual a abordagem do profissional sobre o tema, que tipo de orientação dá, como trata as questões envolvendo sexualidade, se sabe lidar com as diferentes nuances da sexualidade e do gênero e assim por diante. Algumas sandices frequentemente ditas em consultórios médicos podem gerar marcas profundas na vida de mulheres e meninas.
6) Saiba que muitas vezes uma enfermeira ou parteira (obstetriz ou enfermeira obstetra) e também uma médica de família têm muito mais condições de dar orientações e prestar cuidado não medicalizante sobre esses temas do que a maioria dos ginecos.

Sexo não é doença.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Sabe, querida, a simplicidade da lógica da vida. Nada na vida é por acaso. A vida tem sua gramática que transmite o sentido exato. Possui a matemática perfeita que garante a cada equação específica um resultado preciso. A vida tem nas leis da física seus mandamentos inequívocos, não há onda que se desfaça antes de chegar ao cume. Da mesma sorte, a vida tem arte. A arte da vida é a nossa maior aliada, a partir dela vivemos e somos em plenitude. Te vejo tão plena sendo quem és. Nenhum fio de cabelo está fora do lugar ao te olhar e ver que é humano ser quem se é. Sua deusa.
Melhor fase da vida adulta é quando vc aprende a fazer mesa redonda consigo mesma quando surta.

Senti ciúmes?
Eu: Que isssso Amaaaada? Lhe pertence pra tá surtando desse jeito?

Senti raiva?
Eu: Eeeeei, respira e vai dar uma volta. Falar qualquer coisa dá merda.

Senti carência?
Eu: Você é um mulherão da porra, vai ocupar a mente.

Senti mogoada?
Eu: Esquece essa porra, corta relação e segue o baile. 

Senti rejeitada?
Eu: A pessoa tem todo o direito de sair sem se justificar e não depende de vc. Acalma o coração.

Ressignificar as crises é a melhor coisa do mundo. As vezes a gente não precisa de conselhos externos, basta sentar e se ouvir um pouco ❣️

sábado, 4 de janeiro de 2020

Caio Fernando Abreu e outros vícios e virtudes da literatura. Feliz 2020

(...) Nada, você não entende nada. Dama da noite. todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro. Não suporto: luz, também nunca tenho nada pra fazer - o quê? Umas rendas aí. É, macetes. Não dou detalhe, adianta insistir. Mutreta, trambique, muamba. Já falei: não adianta insistir, boy . Aprendi que, se eu der detalhe, você vai sacar que tenho grana e se eu tenho grana você vai querer foder comigo só porque eu tenho grana. E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor. Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara. Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo. Se eu tô tesuda e você anda duro e eu precisar de cacete, compro o teu, pago o teu. Quanto custa? Me dil que eu pago. Pago bebida, comida, dormida. E pago foda também, se for preciso. (...)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

— Você me ama? Perguntou Alice.
— Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco.
Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.
—Vês? Retorquiu o Coelho Branco.

Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.

Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.

Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.

Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão.

A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

- tô querendo uma experiência... atravessa uma mulher dessa na minha vida...me empurra...que uma mulher dessa só quer humilha 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

É exatamente o que eu estou estranhando... A narrativa propagandeada para se inventar a bonança é clara. Existe uma agenda no jornalismo brasileiro que está impondo essa fachada de respiração econômica. Como se a população pobre realmente estivesse sentindo algum alívio com essa história de governo neoliberal austero e fascistoide. Eles querem nos enganar dizendo que existe uma melhoria econômica, mas não há. Não há melhoria econômica com excesso de informalidade (ausência de direitos e garantias trabalhistas) ou com subssalários aceitos a custo de sacrifícios. Se há uma população que compra e que consume a revelia de sua própria condição financeira real, isso é ALIENAÇÃO capitalista que só alimenta os bolsos do capital e endivida o pobre trabalhador já explorado e que por isso se deixa manipular e degradar mais. Tudo nessa situação é caos e vergonha para o Estado democrático de direito.


Jonathan Lopes eu não estranho uma "verdade" inventada em que se traduz a realidade pelo olhar do grande capital. Sinceramente, onde isso é estranho? Cadê a novidade? A imprensa brasileira é movida ao capitalismo irracional e desumano. Não há informação, mas alienação das massas. Isso é a indústria cultural produzindo o efeito de inércia consumista. Se se consome, mesmo sem ter o suporte, pagando em parcelas infinitas e a juros selvagens, não há melhoria, há endividamento das massas a fim de sustentar a libido desse mercado PERVERSO. Isso é óbvio, irmão!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O que eu fico CHOCADA é com a IGNORÂNCIA violenta que uma ministra (com m minúsculo de VEEGONHA!) não saber absolutamente NADA do que era a sua área de atuação ANTES DELE SER ENCARREGADA. Demonstra na sua fala, aparentemente ingênua e impressionada, que não era nada interessada no assunto antes, que não sabe o que foi feito antes, que não estudava sequer sobre o assunto antes e que temos UMA COMPLETA ABOBALHADA como ministra da pasta RADICALMENTE mais indispensável, porque vivemos uma tirania neoliberal! Vergonha de perceber no editorial uma tendência a "limpar" a péssima postura antiética que essa inescrupulosa mantém. Tudo que ela fala como "agora estão sendo vistos" faz parte dessa pasta antes até dela nascer! Uma vergonha ter que ler como se ela fosse um amenizador do ódio e da devastadora violência que o governo em que ela faz parte propagada e disseminou em nosso país! Como aguentar a falácia de que "só agora" haja qualquer visibilização de ribeirinhos explorados e abusados pelo Estado e por forças neoliberais e patriarcais (perdoem a redundância), afinal a CPI da Pedofilia já tratava por exemplo da lenda do boto como subterfúgio para esconder os casos de abuso sexual interparental. Eu tenho vergonha de ler que essa hipócrita usa terminologias abusadas pelo capitalismo como refúgio de um protótipo de feminismo "libefeminismo neopetencostal" que pelo nome mais parece o que é uma droga produzia a fim de destruir a luta real de mulheres históricas, tal como as feministas estupradas durante a ditadura no Brasil. Nada do que ela diz é prático, portanto, há falácia e hipocrisia em tudo. Triste matéria que poderia ser realista e me parece romantizar a imagem de uma anti-humana! Essa é contra a humanidade. Vocês se iludiram ou querem nos fazer de otários?

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

É bem verdade que sobre alimentação o papo é sempre muito sério e humanitário mesmo. Isso porque, infelizmente, nunca é sobre fazer piada com a comida, mas com o faminto...eu te entendo. Acho ainda louvável que se faça mesmo campanhas por uma alimentação digna e não capitalizada. É sempre importante lembrar que há assuntos indispensáveis na era do desperdício e da fome. Vivemos os paradoxos desumanizadores. Mas voltando a uva-passas... é sempre engraçado ver que ela realmente assombra o prato de uns e lustra o de outros. Ainda há uma questão ética nessa situação bem cômica, não é... Quem pode ou não comer o que escolhe? Ou é justo se escolher o que se come ou ser escolhido para passar fome? E mesmo assim posso dizer que há na tragédia da injustiça social a comédia do humano. Afinal, desde os gregos, a comédia era um jeito risível de enxergar problemas realmente sérios e indiscutivelmente relevantes. A fome não é brincadeira e deve gerar polêmicas. Como já diz o rock, afinal, "você tem fome de quê?". E a pergunta é crucial para a nossa empatia.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Nossa! Essas palavras estão precisando de um cuidado muito mais de perto. Não se pode achar que se curar sozinha é sempre a única solução, porque efetivamente não é! É possível sair desse poço escuro, desse abismo confuso que mais parecem um labirinto em si mesma. Ela pode sair desse lugar e não precisa fazer isso sozinha. Claro que quem for cuidar dela, precisará contar com as mãos dela apertando às suas. Quem for cuidar dela vai precisar que ela acredite um pouquinho em si mesma para depois transbordar em um mar de autocuidado e respeito por suas dores e dúvidas. Não pode ser que se viva em paz achando que se pode ser assim sozinha a vida inteira. Veja bem, não é sobre acreditar em amor que cura tudo, ou em um príncipe que chega no cavalo branco e muda toda a vida dela. Não é sobre acreditar que amor é somente uma pessoa que vai te cuidar e vai melhorar a sua vida para você. Não é sobre ilusão de amor que é perfeito e derruba todas as barreiras. É sobre saber que gente precisa de gente para se curar. Somente quando voltarmos a atender que ajudar e cuidar do outro com verdadeira amorosidade é obrigatório para que a humanidade resista aos tempos de terror nos quais vivemos! A humanidade é um ato recíproco, não acontece se não for estimulado e quando sai de modo pode ser o fim de muitos mundos, muitos universos. Há pessoas que necessitam mais em alguns tempos e outras que precisam com menor frequência. Isso não torna um menos vulnerável do que o outro. Nossa humanidade nós fragiliza na necessidade dos outros humanos para vivermos melhor, para sarar certas feridas da alma e para vencer a própria angústia primeira (o saber-se só no nascer e no morrer e em muitas outras horas cruciais de nossas vidas). Mas não somos condenados à solidão. Também não é a solidão a solução para todas as dores do mundo. Curar é um processo que se faz na troca, na convivência, de modo interpessoal. A cura precisa ser um propósito mútuo e coletivo, senão a dureza do egoísmo vai matar nossa humanização. É preciso aprender a ser cuidado, assim como aprender a cuidar de quem precisa da gente.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Odiei a legenda, mas amei o vídeo! Crianças não tem que aprender a música que este ou aquele acham "boas" por rótulos. Elas devem sentir a estética autêntica de uma melodia. Melodia não é o seu padrão sonoro favorito ou o meu som mais conformativo. Não! Estética autêntica de uma melodia é sensibilidade para os poros, é o que arrepia a mente e os pelinhos do braço, é a nossa música universal. Não se trata de "libertar" crianças através do preconceito de rotular está ou aquela como a melhor ou a pior música, mas de ser a ponte entre o mundo sem a melodia estética e o universo das canções que atravessam eras. A música conta história, canta a narrativa cultural e também encanta a alma. Não restrinjamos o que nasceu para ser infinito.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Sobre viver em tempos de cegos e cegueiras inventadas. Não adianta nada negar sua visão à realidade em si. O corpo ouve, sente e reclama alto a si mesmo. É hora de se corresponder sem medo do que pode ouvir de dentro de si. Sobreviver muitas vezes é um ato de coragem sob medo de si. Vamos tirar o medo das nossas pálpebras cansadas e olhar de verdade. O que for visto é para ser encarado e não encarcerado pelo porteiro (moralmente pago pela mediocridade da gente). Somos aqueles que abrem as portas e fecham as janelas. Está na hora de abrir nossas casas para que o vento leve a poeira embora. Não tenha medo de deixar a sujeira da alma sair.
Bom dia, gente!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

O que fez mulheres serem exemplarmente assassinadas em praça pública é o que faz hoje muitas de nós sermos condenadas às variadas mortes e torturas públicas atualmente. Ainda há caça às bruxas e, não se engane, elas estão do nosso lado. Marielle é UMA delas, Agatha outra. Por isso continuamos bruxas. Não devemos cair  nessa mitificação de bruxas porque ela muitas vezes deixa glamouroso o que é ainda hoje MORTE NO MEIO DA RUA. Por favor, vamos acordando para essa ideologia que acha bonitinha a fantasia de que houve bruxas quando de fato nós nunca deixamos de ser mortas pelo que fazemos contrariando o sistema de poder de homens. O patriarcado é o tribunal de muitas mortes de mulheres, muitas vezes do nosso lado. Então, vamos enxergar nossa realidade que nunca teve uma mudança total a ponto de não tornar mulheres bruxas. Devemos ainda tomar cuidado para não sermos as mulheres que ajudam nesse tribunal.

sábado, 26 de outubro de 2019

Exatamente sobre isso será um encontro, uma roda de mulheres da qual participarei hoje. E vou te dizer "empoderamento" é uma palavra que eu peguei até ranço. Não sei se é pela minha falta de conhecimento sobre a importância do termo, ou porque realmente estou enojada com o sequestro dela pelo neoliberalismo do demônio, mesmo. Dá um ódio ouvir mulheres dizendo que são empoderadas porque trabalham e ganham sua própria renda cujo usufruto vai para uma casa inteira. Dá uma encaralhação de ouvir as manas dizendo que são "empoderadas" quando transam com qualquer mané, mas eu conheço a vida e a história delas e sei de todas às vezes que ela chorava pelo embuste e sei que ela está fazendo isso para se punir por não estar "à altura" dele - afinal ele é um bosta, mas ela não percebe derrotada que é pelos filmes idiotas que lhe fizeram acreditar na merda da romantização heteronormativa. Eu tô MUITO PUTA com isso. Empoderamento é o caralho, sabe! Eu não consigo nem mais ouvir. Queria uma outra palavra para nutrir meu direito e minha fome por dignidade para nós mulheres, para TODAS AS MULHERES. Mas só vejo essa derrota com um nome vindo do estrangeirismo marketeiro "empowerment" dos infernos!🤦😣😔

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

É hora de mandar empregos à merda. Sem direitos, pra quê ter patrão? Pra quê aturar cobranças, chefias, horários, ameaças, exploração e desprezo? Trabalho não é emprego, essa é só mais uma das grandes mentiras sociais implantadas como "verdades inegáveis". Agora é hora de criatividade, atitude, iniciativa e coragem. Hora de cooperação, de trabalhar por conta própria, de exercer habilidades, de inventar e reinventar. Quando faltarem empregados, voltam os direitos. E se demorar, aparecem regalias. Os patrões não existem sem os empregados. Os empregados, quando despedidos, dão seu jeito sem patrão. O patrão sem empregados se mata. O empregado sem patrão se vira. O forte se sente fraco e o fraco se sente forte. É preciso perceber que é o contrário, essas aparências foram construídas pra enganar. E enganam já há tempo demais a gente demais. As exceções se multiplicam.
Eduardo Marinho
Thais Duarte com certeza! Por isso eu deixo bem claro que o capitalismo para mim é uma tirania. Nunca foi e nunca poderá ser o meio para se chegar a uma democracia, muito menos em um tipo de universalismo social em que realmente todos fossem considerados humanos na mesma proporção. Quando tratamos, por exemplo, do de mulheres que se denominam feministas, mas não concordam com a necessidade de rever a pressão estética sobre as mulheres, estão diante de bode expiatórios do nosso movimento. Um tipo de autodestruição, comum em mulheres profundamente alienadas no campo do outro (do patriarcado estruturante). Elas estão submersas em estruturas sociais, em violências simbólicas, que aprisionam seus corpos e suas mentes. O que isso significa na prática. Elas ajudam seus próprios algozes, o que não é simplesmente demérito, é sofrimento. Muitas mulheres que defendem o padrão cisnormativo, que resume a "feminilidade" autorizada pelo patriarcado, estão em sofrimento inconsciente grave. São, ao mesmo tempo, as guardiãs dos seus "machos alfas" quanto as que mantêm os cadeados de suas correntes. Vc está certa por ter feito o alerta que pelo tom ficou forte e retumbante, como exige a urgência da escravização de nossas irmãs. Porém, elas sentem como uma afronta às suas próprias estruturas, aos seus "privilégios", às histórias. De fato, podem ter medo de perder o sentido da vida no qual sempre acreditaram. No fundo, romper com determinadas estruturas requer tanta força, coragem e luta na qual partes da gente morrem. Partes importantes da nossa vida, da nossa história e daquilo que consideramos verdade morrem. O feminismo é o lugar de cura para dores inalcançáveis de modo solitário. Múltiplas vozes de dor juntas cuidam de nossas feridas históricas. Feminismo é uma mulher cuidando da outra. Muito obrigada por lutar do mesmo lado que o nosso, mana🙋♀️💜
Eu fico muito triste em perceber que o zumbis da alienação estão cada vez mais proliferados e isso é consequência da velocidade em rede. A internet é muito positiva por vários motivos, mas é desastrosa quando não dominada pelo conhecimento científico, político e governamental. Ainda há muita ignorância, falta de regulamentação e regulação, ausência de pesquisas mais profundas sobre o assunto porque não há vontade política e iniciativa privada sérias nesse contexto. Para mim, os discursos repetitivos que reproduzem e mantêm ideologias anti-humanas são a arma do capitalismo tirânico que temos atualmente. É um aparelhamento ideológico claro e está conseguindo manipular a população de modo mais abrangente e mais eficaz por causa da realidade virtual. Essa fantasia de mundo, criada em rede, é uma oportunidade para o pensamento zumbi dessas pessoas se aflorar. As falas zumbisoides se aproveitam do ambiente virtual para aparecerem e ganham realidade sim. A realidade que se faz é a precarização da vida e da saúde emocional de muitas pessoas. Devemos ser alertas quanto ao problema que a internet se tornou porque não está devidamente regulada em nosso país, o que se percebe na América inteira. Triste realidade. Deveríamos lutar por uma regulamentação da Internet no nosso país.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Eu queria entender melhor essa questão mesmo. O Freud tem um livro chamado "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade", cujas teorias são embrionárias para a psicossexualidade infantil. Nele, há uma afirmação a qual tenho muita simpatia, porque foi postulada por um judeu no início do século XX (que tinha tudo para ser conservadorista). A afirmação é de que para Freud o ser humano nasce bissexual, sendo assim para todos. O que é uma verdadeira revolução para a teoria da sexualidade dentro da cultura ocidental. Eu acredito que é bem por aí mesmo, sendo que - segundo essa visão freudiana - a diferença sexual se estabeleceria mais tarde por meio das vivências dentro do sistema cultural. Então, eu acredito muito na visão de que a identidade sexual é uma importante autoafirmação subjetiva, sendo responsável pela saúde emocional e cognitiva. Por isso, nessa situação específica da heterossexualidade compulsória eu ainda tenho muitas incertezas e algumas inseguras em relação ao fato de que me parece ser uma afirmação de que apenas homossexualidade seria a determinação saudável, o que também não pode ser desta forma. Gosto da influência da Judite Butler nas discussões sobre o gênero e a heteronormatividade. Acredito que esse sim seria um padrão compulsório em determinadas culturas dominantes, como a ocidental eurocêntrica. Sobre heteronormatividade e cisnormatividade eu me sinto muito mais confortável em falar por perceber no dia a dia. E como sempre adorei essa abertura na tua página❤️

domingo, 20 de outubro de 2019

Ler é ouvir; ouvir leitura não é ler.

Em meus cursos de literatura, sobre prosa ou poesia, não abro mão de ler os textos em voz alta. Tenho a convicção de que, ao escrever, o autor aciona também sua fala, e conta não apenas com os olhos, mas com os ouvidos do leitor,  que devem captar o ritmo, os timbres, as inflexões, as pausas, as tonalidades afetivas dos textos. Esses textos são todos indicados no programa do  curso, já na primeira aula: quero que sejam lidos, ouvidos e estudados ANTES da minha leitura em voz alta. Esta será apresentada como uma INTERPRETAÇÃO, e é nessa forçosa condição que deve ser debatida. Ainda quando interpretado por um grande ator ou atriz,  por quem seja capaz de revelar e realçar muitas potencialidades expressivas da linguagem, um texto literário não dispensa o acolhimento inicial do leitor que lhe dará a forma de sua própria captação pessoal. O impacto da primeira leitura que cada um faz de um texto, marcada pelas naturais limitações de um contato ainda pouco refletido, não pode ser substituído pelo impacto de quem já o leu e agora pronuncia sua recepção pessoal. Se eu ouvir a gravação de um conto do Guimarães Rosa lido por Lima Duarte, estarei, obviamente,  ouvindo a leitura que faz Lima Duarte de Guimarães Rosa. Pode, evidentemente, ser belíssima e inspiradora. Ainda assim, não substitui aquela multiplicação virtual das leituras que brotam da voz de um autor que reconheço quando o leio e o ouço em meu momento de concentração. Não um momento solitário: um momento carregado da humanidade que o escritor estende a cada um que o leia,  adensando o que Adorno, tratando da recepção da poesia lírica, chamou de “corrente coletiva subterrânea”.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

"Um professor sempre será melhor do que o Google.
Porque um professor não dá uma informação, conta histórias.
Porque um professor funciona mesmo sem wi-fi, mesmo sem luz, mesmo no temporal.
Porque o professor não facilita a busca, exercita a memória.
Porque o professor não cria dependência, mas possibilita amizades.
Porque o professor pode mudar o destino de um assunto, voltar atrás, recomeçar de novo, dependendo das necessidades da turma.
Porque o professor não realiza só o que você deseja, vai além com detalhes e comparações.
Porque o professor lê a sua alma quando levanta o dedo para a pergunta, não apenas recebe uma dúvida.
Porque o professor também se importa com aquilo que não entendeu mais do que aquilo que quis perguntar.
Porque o professor escolhe falar do que ama. Você não está apenas tendo uma aula de um conteúdo, e sim testemunhando uma história de amor."

Carpinejar

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Homem aleatório entendo muito bem o lado que vc propôs que seja analisado, realmente se trata de uma tendência não capacitista, isto é, que não se compare  a capacidade mental de um ser humano através de outros parâmetros a não ser os seus próprios. Acho justo. Para além disso, existe a realidade que nos condiciona. O condicionamento cultural meritocrático, lei fantasiosa e capacitista do capitalismo, é uma realidade destrutiva principalmente para as pessoas que estão à margem do poder de representatividade. O que isso implica na prática? Mulheres se sentem diminuídas e inferiores porque não encontram parâmetros entre seus pares. Não veem outras mulheres em livros, não estudam sobre mulheres importantes, não conhecem a própria importância para a civilização e para o racionalismo científico, não sabem do seu papel indispensável para o nascimento da filosofia. Talvez seja difícil para vc compreender o nosso lugar porque vc não é mulher. Suas questões são outras, não melhores, nem mais avançadas ou atualizadas, eu repito: são outras. Entendo a sua pertinência, mesmo eu não sendo um homem, porque sou obrigada pela minha cultura etnocêntrica patriarcal e misógina a racionalizar o mundo através dela. Mas eu não concordo que seja essa a principal questão. Não se trata de encontrar o fulano que foi o primeiro a pilotar, eu chamei atenção claramente no meu comentário sobre a NECESSIDADE de se comparar mulheres a partir de um paradigma entre mulheres. Inclusive aposto que a idealização da matéria não é feita por uma mulher, porque mulheres não veem o mundo pelo seu próprio paradigma senão são provocadas pelo seu próprio senso. Não se trata de empoderamento, veja bem. Se trata de uma inquietação íntima, no caso uma mulher indignada buscando uma revolução históricocultural em si é que se posiciona de modo diferente. Não vi isso na proposta da matéria. Então, vamos ao que de fato interessa em última análise? As mulheres não devem ser comparadas a homens para que se sintam melhores do que de fato já são por si mesmas, dentro de suas próprias narrativas. Elas devem ser estimuladas pelas mídias afins a quebrarem o paradigma que lhes obriga a pensar que somente homens são capazes ou suficientes. Elas devem olhar em um espelho subjetivo proposto pela cultura que lhes considere referência. Imagina o tamanho dessa luta? Talvez não! Fora o chinesinho que desde pequenino é estimulado a ser inventor, temos mulheres pelo mundo inteiro querendo ao menos ir à escola sem levar um tiro na cabeça, como aconteceu como uma anônima afegã, Malala. Hoje eu estou aqui para levantar a bandeira de mulheres que lutam para que outras mulheres sejam no mínimo escolarizadas o que de fato é um problema para além de qualquer outra luta moral, no caso o capacitismo. Que é pertinente sim, mas que não tem referência através dessa matéria, senão alguém querendo apagar e silenciar a luta de mulheres. Faz isso, esse silenciamento ou esse apagamento comparando-nos com um homem (genial?) ou elegendo outra luta "mais importante"! Quem diz o que é importante para uma mulher é ela mesma. Obrigada

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A lição de casa que sempre volta com o professor é o famigerado legado. O que se ensina não é para si, nem para hoje, nem para agora, nem sequer para amanhã imediatamente. Se ensina como verbo intransitivo, não há complemento que seja suficiente. Em geral, o que foi aprendido talvez nem o professor imagina que ensinou. O que foi aprendido talvez nem o aluno sabe ao certo quem foi que colaborou para acontecer. É o tempo um fator determinante para que o ensinamento aconteça, mas ele muitas vezes apaga o endereço de onde o feito se originou. Ao professor, resta aprender todo dia a arte de esquecer de se questionar sobre o que de fato foi sua obra. Um dia ele encontrará ela diante de olhos humildes e serenos. Ser professor talvez seja a arte de esquecer de se colocar como o ensinador e conseguir enxergar no mundo um pouquinho de esperança. Esperança de que haverá frutos mesmo que não se possa provar seu gosto.
"Tudo dói.
Dói antes, durante e depois de sangrar.
Dói amar e ser amada por homens.
Dói na primeira vez e quando somos forçadas.
Dói pra parir, pra abortar e pra decidir entre os dois.
Dói sair na rua e ser um pedaço de carne.
Dói ficar em casa e se sentir sozinha no mundo.
Dói aos 18, aos 30 e aos 50.
Dói cada pêlo arrancado, cada quilo a mais, cada minuto na frente do espelho.
Dói ser gentil e engolir sapos.
Dói o soco, o insulto e a piada.
Dói a plástica, a academia e a dieta.
Dói ser 2, 3, 4 ou mais coisas ao mesmo tempo.
Dói no bolso, em casa, na rua e a vida inteira.
Dói ser bela, recatada e do lar.

Não dói ser mulher.

Dói tentar se encaixar nesse padrão impossível criado pelo machismo.
Dói tentar ser um mulher que nem sequer existe.

Mas tu não precisa sentir mais essa dor.
Tu é livre, mina.
Abrace suas irmãs e entenda a magnitude do ser feminino.
O nosso amor veio pra curar."

(Yasmin Bendito)

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Não havia o que fazer e isso é URGENTE de ser dito. Não há mesmo o que ser feito, se for de modo obrigatório. Nenhuma obrigatoriedade existe em cuidado com a sua mental ou com um extremo ato (aborto e suicídio, por exemplo). Podemos ajudar, sim! Há como acolher e cuidar, sim! Mas não é obrigatório, não se trata de uma única pessoa a fazer isso e nem mesmo podemos culpar a nós, ou a profissionais de saúde, muitas vezes em contato com essas pessoas. A psique humana é voluntariosa e compulsória em muitas situações limites. Voluntariosa pois se faz diante de desejo (consciente e inconsciente). Compulsória porque se vincula a uma realidade inacessível aos fatos históricos, muitas vezes. Ela se submete a decisões não racionais, porque fora do alcance lógico comum. Por isso, muitas vezes, o que pode salvar um potencial suicida é a PSICOTERAPIA, o atendimento em um CAPSI, ou uma emergência seguida de um acompanhamento freqüente de um psiquiatra. Não há o que uma conversa faça por si mesma, infelizmente, não é assim. Salvamos vidas quando nos colocamos no lugar real de que podemos cuidar do outro com nossa empatia, mas principalmente aconselhando, levando ou conduzindo de modo adequado a um acompanhamento de saúde. Há suicídios acidentais, sim, sem dúvida. Esses são impedidos através de um ato pontual, SEMPRE. Mas o suicídio programado e inconscientemente desejado PRECISA DE UMA ATENÇÃO DE SAÚDE MENTAL. Nossa sociedade pode fazer algo sobre isso: VALORIZAR A SAÚDE MENTAL, seus profissionais, seus profissionalismo e lutar pelo SUS. Há vários atendimentos especializados gratuitos em nossa cidade. PROCURAR: UNAMA, UFPA, ESAMAZ E FAMAZ que possuem atendimento especializado. Buscar ainda: CRAS (Centro de Referência em Assistência Social), CAPSIS (Centro de Atendimento Psicossocial), Postos de saúde e o Hospital das Clínicas. Toda ajuda especializada é o ÚNICO REMÉDIO e a possibilidade de cura. Vamos seguir em frente, lutando pela valorização e pelo cuidado em Saúde Mental no nossos país. ❤️