Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
quarta-feira, 24 de março de 2021
domingo, 21 de março de 2021
Uma história evangélica
quinta-feira, 18 de março de 2021
sensível demais...demasiado humanamente sensível
Professor x Educador... uma distância ainda incorrigível
domingo, 14 de março de 2021
eugenia à brasileira????
terça-feira, 9 de março de 2021
álcool, cerveja, mulher, violência doméstica e feminicídio ...uma perspectiva histórica
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
carta à Audre lorde
https://diariosincendiarios.wordpress.com/2018/09/25/carta-a-audre-lorde/amp/
(em resposta ao texto A Transformação do silêncio em linguagem e ação)
“Eu estou aqui como poeta Negra lésbica e sobre o significado de tudo isso repousa o fato de eu ainda estar viva, coisa que poderia não ter sido.”
Audre, em minhas muitas tentativas de romper os silêncios que atravessam meu corpo, eu aprendi que o lugar onde ele se instala é justamente onde mais faz ruídos. E o ruído rasga cada sopro de voz, por dentro, muito antes de se tornar vento.
Desde muito cedo eu fui ensinada a calar, a catar todas as palavras que me vinham à boca e amassar, amordaçar, frear. Aprendi a silenciar todos aqueles rasgos a mim direcionados. Os olhares que me lançavam, como navalhas, reafirmavam cortantes, o peso de tudo.
Eu ainda era menina quando todas essas dores me alcançaram. E não sabia ao certo porque doía, mas sabia o quanto doía. Não conseguia falar, não tinha com quem falar, eu estava diante de mim mesma e sem saber o que fazer com aquela imagem que ecoava dolorosa frente aos meus olhos e sentidos. Fui durante muito tempo o espelho daquilo que me diziam ser errado, feio, sujo. Tentei ser diferente e a cada tentativa frustrada um pouco de mim se esvaia. E você sabe, Audre, o quão é doloroso passar pelas violências que a lesbofobia atrelada ao racismo impõe sobre nossos corpos.
Desde a minha infância fui muito introspectiva, muito silenciosa, muito para dentro. O meu primeiro impulso para fora do silêncio, foi quando, ainda na escola, numa aula de português, sem querer, tropecei em um poema num livro didático e algo em mim se movimentou de uma forma diferente e me impulsionou à escrita. Pensei: talvez pôr as dores no papel as façam menos doloridas.
Logo quando comecei a escrever não tinha uma consciência exata do que eu pretendia com aquilo e tampouco enxergava a escrita como uma forma de resistência – embora fosse -, só queria um pouco de alívio. O intuído era aliviar tudo aquilo que insistentemente latejava em meu corpo. Busquei nas palavras uma maneira de ressignificar e transformar essas dores em alguma coisa que não me desse um soco dentro da boca. Não foi fácil e ainda não é. Ainda estou nesse exercício de transformar o silêncio em linguagem e ação. Pergunto: um dia deixaremos de ter silêncios a romper? E, certamente, a resposta será não. Porque entre os ruídos e os não-ditos há tantas outras coisas.
Uma vez enquanto conversava com uma amiga sobre toda essa minha dificuldade em romper o silêncio, ela me disse algo que me fez parar por alguns minutos e logo após esse breve momento de paralisia, aquela fala me deslocou. Ela me disse: “As coisas só começam a existir quando você fala sobre elas. Você só vai começar a existir enquanto uma poeta negra e lésbica quando você começar a se enxergar (e se enxergar é estabelecer um diálogo consigo e com os outros) e a falar sobre quem você é e sobre o que é estar nesse lugar”. E isso me causou um imenso estranhamento e espanto logo quando ouvi. Porque, pela segunda vez, eu saí do seio do silêncio, porque eu queria e precisava existir, e foi como se eu tivesse ouvindo: “Fala para elas de como nunca se é uma pessoa inteira se guardas silêncio, porque esse pedacinho fica sempre dentro de ti e quer sair, e se segues ignorando-o, ele se torna cada vez mais irritado e furioso, e se nunca o deixa sair um dia diz: basta! E te dá um soco dentro da boca.”
Esse sentimento de possível inexistência misturado à necessidade de existir ecoou em mim durante alguns dias. A sensação foi de imersão em mim mesma e nos meus medos. Afinal, o que me paralisava? Após dias em uma conversa muito íntima com o silêncio, cheguei à conclusão de que o que me emudecia era o medo. O medo da visibilidade e do seu enlace mais profundo: a vulnerabilidade. Ao tomar uma assustadora consciência de meus próprios abismos, adentrei uma percepção ainda mais funda: meu corpo sempre foi o alvo e a vulnerabilidade nunca esteve distante de tudo que represento. Continuar cultivando o silêncio se configura como uma autopreservação forjada e agora o meu corpo já tinha consciência disso.
E foi nessa de conversar com o silêncio e apalpar as suas minucias que o atravessei.
Em alguns momentos, trocamos: fui silêncio e ele música, fui nota e ele ficou calado, no escuro. Repare, eu disse, nota. Fui nota, notada, acordes e música. Fui ouvida e falada. Fui a palavra cantada nos meus próprios ouvidos.
Mas, o medo de falar ainda rasga a segurança que cuidadosamente vem sendo construída.
A boca do silêncio ainda arranha as tantas possibilidades de sopro.
Concordo com você, Audre, quando diz que: “Podemos aprender a trabalhar e a falar apesar do medo, da mesma forma que aprendemos a trabalhar e a falar apesar de cansadas.”
E acredito que o silêncio pode ser configurado de duas maneiras: como uma potência significativa ou sendo capaz de produzir a própria noção de silenciamento, que para muito além de estar em silêncio, configura-se como pôr um sujeito em silêncio.
Eu quero poder tocar o silêncio, poder estar em silêncio por escolha, não por medo. Claro, é sim necessário e importante romper o eixo onde o silêncio aprisiona, mas podendo preservar o ponto onde ele é conforto.
O silêncio não é só o que está visível, ou seja, aquilo que está além da boca, ele pode estar também fazendo sentido e significando em outros lugares – às vezes como conforto, noutras vezes, como prisão – e produzindo nas próprias palavras os ecos desses trânsitos internos. Podermos escolher o momento de falar e o momento de estar em silêncio é um ato de autopreservação, reconhecimento dos nossos limites e respeito aos nossos cansaços.
Eu quero poder me libertar do medo de pôr o meu corpo em evidência, mas ainda restam tantos silêncios para romper.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
monopólio, monogamia, Foucault, Gerda Lerner e muita história pra contar
segunda-feira, 11 de janeiro de 2021
domingo, 10 de janeiro de 2021
Para minha amora dia e noite,
mensagem que cura...massagem, ciências, humanidade e corpos que cuidam
mulheres que MATAM os lobos
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
manifesto educAÇÃO
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
atualidades de neofascismo
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
delírio de um romance a céu aberto
Numa casa a beira de um rio parado, ouça
Que me observava crescer às margens de tamanha água
Eu nadava em meus braços o rio em volta o rio me levava
Até que o sol se pôs
As estrelas são penduricalhos de um romance
A beira do rio inundou minha casa margaridas espalhadas
E o rio se mostrou fálico
Romance às margens
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Delírios de um romance a céu aberto
Delírios de um romance a céu aberto
Até que o sol se pôs
As estrelas são penduricalhos de um romance
A beira do rio inundou minha casa margaridas espalhadas
E o rio se mostrou fálico
Romance às margens
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Delírios de um romance a céu aberto
Delírios de um romance a céu aberto
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
mulher do fim do mundo
sábado, 26 de dezembro de 2020
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
a uma alma irmã que me fez dizer antes de feliz Natal...feliz renascer em nós
quinta-feira, 24 de dezembro de 2020
domingo, 13 de dezembro de 2020
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
terça-feira, 3 de novembro de 2020
terça-feira, 27 de outubro de 2020
domingo, 25 de outubro de 2020
terça-feira, 20 de outubro de 2020
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
fraternidade?
sobre mitos, tragédias...narciso, zeus...sobre viver na era do hedonismo radical e outros vícios
heteronormatividade
domingo, 18 de outubro de 2020
sábado, 17 de outubro de 2020
mulher, mãe, a Deusa-Mãe e o movimento childrens free... aiai
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
Nietzsche o andarilho
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
laços invisíveis que havia
sábado, 26 de setembro de 2020
pixo
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
Resenha: o patriarcado NAO ME DEFINE
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
rede de afeto
fome
terça-feira, 15 de setembro de 2020
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
vai pro caralho
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
terça-feira, 2 de junho de 2020
sábado, 23 de maio de 2020
Fascismo na América do Sul
segunda-feira, 18 de maio de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Nenhuma novidade. Nas crises domésticas TODOS SABEM QUE É ASSIM. Somos adestradas para "dar conta" das coisas enquanto os homens se lançam em maravilhosas aventuras. Os heróis não são só invenção, são em certa medida mentira, ao menos os das telonas. As mulheres vencem guerras constantes e aprendem a comunicar medo e cuidado desde cedo. Elas sabem ser porta-vozes de gente comum, já os super homens estão a mercê do mito, que lhes fez o que são, protagonistas de uma cultura de hipocrisia.
terça-feira, 5 de maio de 2020
sexta-feira, 1 de maio de 2020
#FiqueEmCasa ❤️
quarta-feira, 29 de abril de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
terça-feira, 21 de abril de 2020
Eu tenho um drama em mim
Uma questão profunda
Bem dentro
Nada na margem
É um prazer intenso e escondido
Mas para mim
Segue como uma miragem
Desgasto por conter
Sigo exausta por impedir
Bloquear minhas entregas
Sou inibição e censura
Por quê?
Quem me condenou?
O que eu fiz de tão errado?
Parece que eu nunca fiz nada
De fato, eu nada fiz até hoje de meu
Não tem minha assinatura
Em nenhuma cena da vida
Eu não ajudei, fui comandada
Me sinto uma marionete
Sem alma até
Nunca me perguntei por que não posso
Por que é errado desaguar
É errado beber e jorrar?
Não pode fumar? Mas eu fumo, eu quero
Não pode beber? Mas eu amo, eu deliro
Meu delito é querer?