quinta-feira, 18 de agosto de 2022

religião

Sabe o que é pior, na minha visão,  é a generalização.  É a fala da branquitude nele que faz do homem, no caso o padre, um ser universal.  Não há personalidade,  não se respeita a identidade étnica,  não existe princípio de ser humano em dignidade e diversidade. A catequese colonial que explorava, violava e impunha a "concepção " autoritária do mundo eurocêntrico está ofensivamente expressa nesse discurso,  que demonstra o racismo agudo e naturaliza a desumanização.  Não está na responsabilidade individual deste padre essa moral opressora. Está na fala histórica desse ser humano o princípio da manutenção do próprio aprisionamento,  sem a indignação emancipatória,  o que para mim é resultado direto de uma pedagogia da opressão,  em que um oprimido demonstra a lógica violenta do próprio opressor.  Para que uma humanidade seja comunalmente autônoma, ela precisa de uma busca incessante do questionamento da própria opressão,  o que é muitas vezes enlouquecedor. Dessa prática "religiosa ", eu também me abstenho. Dissido na contramão do que se pensa ser senhor.


Amanda Rocha eu me considero uma católica,  cheia de minhas próprias visões sobre o mundo. Então,  quando ouço uma homilia fecho os olhos e tento enxergar nas palavras o abraço de comunhão,  tipo Deus entre nós.  Nem só pra mim, nem só pros meus, nem adiante ou atrás,  sabe...no centro, do nosso lado.  É,  assim,  que sinto a minha expressão de espiritualidade,  sabe. Ser católica é uma escolha afetiva,  nunca me deixei achar missão ou obrigação.  Eu sinto a louvação em relação à Maria,  como um legado que tenho entre eu e minha própria mãe- que já foi mais de década presidente na Legião de Maria na paróquia do bairro. Portanto,  me considero de dentro. E não tenho como identificar quem possa estar mais de fora, senão quem não compreende o amor como o melhor meio de praticar essa ou qualquer outra religião.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

não sirvo a quem se quer fazer senhor de mim

Sabe o que é pior, na minha visão,  é a generalização.  É a fala da branquitude nele que faz do homem, no caso o padre, um ser universal.  Não há personalidade,  não se respeita a identidade étnica,  não existe princípio de ser humano em dignidade e diversidade. A catequese colonial que explorava, violava e impunha a "concepção " autoritária do mundo eurocêntrico está ofensivamente expressa nesse discurso,  que demonstra o racismo agudo e naturaliza a desumanização.  Não está na responsabilidade individual deste padre essa moral opressora. Está na fala histórica desse ser humano o princípio da manutenção do próprio aprisionamento,  sem a indignação emancipatória,  o que para mim é resultado direto de uma pedagogia da opressão,  em que um oprimido demonstra a lógica violenta do próprio opressor.  Para que uma humanidade seja comunalmente autônoma, ela precisa de uma busca incessante do questionamento da própria opressão,  o que é muitas vezes enlouquecedor. Dessa prática "religiosa ", eu também me abstenho. Dissido na contramão do que se pensa ser senhor.

domingo, 14 de agosto de 2022

entre ricos entre pobres entre sis

Ricos × pobres ?????
Não!
exploradores × trabalhadores = infelizmente,  não. 
exploradores + explorados × trabalhadores + pessoas desumanizadas = sim. E não "tá,  tudo bem"!

Onde o explorador, o opressor e o tirano se conjugam; nenhuma forma de humanidade permanece definida.
Hoje o trabalhador de ontem pode estar desumanizado. 
Entre os opressores, eles apenas mudam entre si de cargos.
Ser hoje trabalhador e querer, desejar meeeeeesmo, até idolatrar a "oportunidade" de virar mais um explorador não é "sonho", infelizmente é autoextermínio. Amanhã quem sabe onde esse sonho pode parar? O troféu não alimenta,  os aplausos não matam a sede de um tigre faminto, indomável. A história de "se tornar melhor" vira dogma, religião,  vício. Não existe um freio que impeça o próprio desamor.
Há quem chame de "delírio ", "loucura", "mal-estar", amargura...
Eu considero um perigo uma gente vivendo com seu próprio inimigo por dentro.
Muitas histórias nessa tragédia anunciada ouvimos, ouço e será ouvida.
É triste desistir de ser quem se é por delírio por causa do opressor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

quem eu sou? eu dissido

Quem eu sou?
Eu sou quem não foi, quem não irá e quem não fez trato algum.
Eu sou os meus "NÃOS ", os sins não em mim são senão outros, impostores, invasores, eu NÃOS. 
Eu sou se eu estava firme, se eu gritei, briguei e disse "me respeite".
Eu sou quando não peço "me aceite". Eu repito em meu peito um silencioso "NÃO ".
Se eu ri sem jeito, não estava ali.
Se eu morri de medo, eu sobrevivi.
Se eu caí e permaneci, eu estive. Não estou mais. Não me sabem lama, areia, pedra e ademais.
Não me suponha, é perda de tempo, se enxergue.
Não me imponha. Crie em si a vergonha de querer um controle remoto.
Não me procure. Quem me achou, nem sabe. 
Ao me olhar, cale.
Ao me tratar, desvie.
Ao me receber, estive.
Eu fui. E você passagem.
Eu caminho. O outro, em mim, miragem.
Deserto. (Desertar, não desistir, abandonar, partir)
Dissido. (Do verbo dissidir, do vocábulo dissidente, por essência dissidência)
Não me compare.
Não sou descritível.
Se achar que me conhece, repare.
Repare em si, eu - no seu espelho - sou invisível. 
Não busquei, não fui, nem falei.
Não me importei.
Não perguntei.
Não me enquadro.
Eu não caibo. 
E não pedi sua opinião. 
Em mim, quem eu não sou é dispensável. 
Imagina, em si.
Para que se quer sobre o outro o que não é nada nem a si?

domingo, 10 de julho de 2022

Há algo que você nunca poderá comprar em um relacionamento: Intimidade.
A intimidade de mesmo sem roupa sentir-se bem ao lado de alguém. A intimidade de se olhar no espelho e mesmo se sentindo feia ainda assim voltar para a cama e deitar ao lado de quem você gosta como se esse fosse o lugar mais seguro do mundo.

Vai dizer que já não aconteceu com você de sair com alguém que parece incrível e aí na hora de tirar a roupa veio toda aquela insegurança. Pois é, porque não importa o quanto a outra pessoa pareça incrível, a intimidade só vem quando você tem certeza que aquela pessoa consegue ver dentro de você.

Intimidade expõe os defeitos... e se o outro fica quando esses defeitos surgem isso significa o quanto essa pessoa realmente gosta de você.

Intimidade é o que torna o sexo incrível, é o que faz o tesão atingir seu máximo. Intimidade é o que faz você encostar a cabeça no peito da pessoa e sem precisar falar nada se sentir protegida.

Eu tenho pena de quem nunca sentiu isso e mais pena ainda de quem desperdiça isso. Sentir-se seguro com alguém e, mais do que isso, sentir que alguém se sente seguro com você... é a sensação mais incrível que existe quando se trata de relacionamento.

Intimidade traz cor aos dias cinzas, traz força para quando o mundo parece desabar, traz conforto quando a vida é dura demais com a gente.

Mas a intimidade você não pode comprar, não pode subornar com beleza, dinheiro, perfume e charme. Não, a intimidade é nua, ela é o que você é, não o que você quer parecer ser.

Intimidade. O elo mais forte de um casal. É quando baixamos o escudo e deixamos o coração exposto. Um golpe aí nos destrói, mas quando acontece a cumplicidade é a certeza de que aquelas duas pessoas finalmente se conhecem e amam.

sábado, 9 de julho de 2022

Depoimento a Lia Hama - Revista Piauí

Beatriz Matos

Conheci meu marido, Bruno Pereira, em 2010, quando ele era o coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Atalaia do Norte, no Amazonas, responsável pela Terra Indígena Vale do Javari. Eu já trabalhava no Vale do Javari desde 2005, mas naquela época morava no Rio de Janeiro, fazia doutorado e estava em viagem de campo a uma aldeia matsés da região. Conversamos rapidamente e gostei do sotaque pernambucano e do jeito debochado dele. Anos depois nos reencontramos e vivemos uma paixão avassaladora. Deixei para trás minha vida carioca e fui morar com ele num sítio perto do município de Atalaia do Norte.

Em 2016, nos mudamos para Belém do Pará porque eu havia passado no concurso para me tornar professora de Antropologia e Etnologia Indígena da Universidade Federal do Pará (UFPA). Fizemos a união estável e tivemos dois filhos: Pedro Uaqui, hoje prestes a completar 4 anos, e Luis Vissá, de 2. Enquanto eu dava aulas na universidade, Bruno realizava expedições periódicas para terras indígenas em Rondônia, Maranhão e Amazonas.

Foi um período intenso de formação dele com grandes sertanistas, como Rieli Franciscato e Altair Algayer. A floresta era o lugar onde Bruno se sentia mais à vontade. Ele queria aprender a fundo como monitorar a movimentação dos indígenas isolados, entender por onde eles andavam e de que forma os territórios deles estavam sendo invadidos. Aprendeu a falar a língua dos Matis, dos Matsés e um pouco da dos Kanamari. 

Sua dedicação à causa indígena era enorme. Era um comprometimento existencial dele. Bruno tinha uma personalidade forte, era bastante intransigente, o que muitas vezes causava atritos com colegas de trabalho. Para ele, a proteção do território indígena era algo inegociável, não havia concessões, e por isso às vezes acusava outros funcionários da Funai de serem “pelegos”. 

Mudamos para Brasília em 2018, quando ele assumiu a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai. Pedro tinha apenas 2 meses. Poucos indigenistas dessa geração conseguem fazer o que ele fazia: conjugar a experiência de mato dos sertanistas mais velhos com a habilidade administrativa de conhecer a máquina do Estado. À frente do CGIIRC, Bruno coordenou ações importantes junto com a Polícia Federal para desarticular a atividade de garimpo em terras indígenas. Foi quando ele começou a chamar a atenção dos garimpeiros ilegais. 

Quando conheci Bruno, ele já recebia ameaças de morte, mas houve uma escalada na violência após a entrada do governo do presidente Jair Bolsonaro. O recado do governo federal aos garimpeiros, madeireiros, pescadores e caçadores ilegais é claro: “Podem tocar o terror porque não vai acontecer nada com vocês.” Esses pescadores ilegais que confessaram a participação no assassinato do Bruno e do jornalista Dom Phillips são conhecidos há muito tempo na região. Não é de hoje que têm conflitos com os indígenas e a Funai. A novidade é a coragem para cometerem o crime em plena luz do dia, com várias testemunhas. Provavelmente acharam que seria mais um assassinato a ser esquecido. 

Em 2019, um parceiro do Bruno no combate à invasão das terras indígenas do Vale do Javari, o indigenista Maxciel Pereira do Santos, foi morto com dois tiros na cabeça. Ele estava com a filha na garupa da moto quando foi alvejado na avenida principal de Tabatinga (AM). A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) denunciou essa mesma turma do Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado [principal suspeito de ser o responsável pelas mortes de Bruno e Dom], ao Ministério Público Federal do Amazonas e nada aconteceu. 

Esses crimes bárbaros estão acontecendo em várias terras indígenas espalhadas pelo país. Todos os colegas que atuam nas regiões têm algum caso escabroso para contar. Em novembro de 2019, assassinaram Paulo Paulino Guajajara, uma das lideranças dos Guardiões da Floresta, grupo de indígenas que fazem a vigilância do território de etnias Guajajara, Kaapor e Awa-Guajá, no Maranhão. 

Bruno estava incomodando muita gente. No final de 2019, ele foi exonerado do cargo de coordenador dos povos isolados após uma grande operação junto à Polícia Federal que detonou balsas de garimpo ilegal no Vale do Javari. Ele então pediu uma licença não remunerada da Funai e passou a atuar como assessor da Univaja , pois avaliava ser inviável fazer um trabalho sério na Funai sob a gestão de Bolsonaro. Voltamos a morar em Belém. 

Fiquei com muita raiva quando disseram que Bruno estava numa “aventura” quando sofreu a emboscada. Ele não era nada irresponsável, pelo contrário, sempre foi muito cauteloso. Tinha porte de arma pelo menos desde 2015 por causa das ameaças. Dom estava escrevendo um livro sobre a Amazônia e Bruno foi levá-lo para entrevistar os ribeirinhos. Ele estava conversando com o pessoal das comunidades sobre as alternativas de manejo do pirarucu. Muitos pescadores mantêm diálogo com a Funai e os indígenas. É uma tarefa difícil porque a pesca ilegal e o tráfico de drogas rendem muito mais dinheiro do que o manejo. Minha impressão é de que, insuflada pelos discursos desse governo federal, a turma do Pelado quis impor outro regime: “Não vamos mais negociar. Agora quem manda aqui somos nós.” 

Eu estava com meus filhos em Belém quando recebi a notícia do desaparecimento de Bruno. No domingo (5/06) à noite, o Beto Marubo, da Univaja, me ligou: “Bia, o Bruno estava retornando de uma reunião, era para ter chegado a Atalaia por volta das nove da manhã e não chegou. Estamos com nossas equipes de busca atrás dele.” Levei um susto na hora, mas não fiquei desesperada porque conheço a região. Pode acontecer de a canoa alagar e a pessoa ficar pendurada numa árvore esperando por ajuda. Achei que fosse o caso do Bruno. 

A agonia foi crescendo conforme os dias foram passando e não havia sinal dos dois. Eu combinei com uma amiga que ela poderia ficar comigo e meus filhos em casa, caso acontecesse alguma coisa grave. Sou de Belo Horizonte e o Bruno era de Recife, então minha rede de apoio em Belém é formada apenas por amigos.

Mantive a esperança de encontrá-lo vivo até o último minuto, mas é claro que, à medida que os dias passavam, as chances diminuíam. Eu me apegava às histórias de outros sertanistas e lembrei do caso de um grupo que sobreviveu a uma queda de avião no Vale do Javari. A aeronave caiu na água e, dois dias depois do acidente, quando todos haviam sido dados como mortos, os indígenas encontraram os sobreviventes. Entre eles, havia uma grávida que deu à luz uma menina.

Fiquei em contato permanente com o Beto Marubo, da Univaja, e com o pessoal da OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), uma organização não governamental que o Bruno, eu e outros colegas fundamos em 2020. Quatro pessoas da OPI estavam acompanhando as buscas no local. Quando encontraram as mochilas com os objetos deles amarrados no fundo do rio ficou claro que o pior podia ter acontecido. Mandaram uma foto e reconheci a bermuda do Bruno e a carteirinha do plano de saúde dele. Foi avassalador. 

Esses dias de buscas foram uma loucura. Eu passava o tempo todo acompanhando o Twitter, as mensagens no WhatsApp, atualizando as páginas de notícias. Não dormi quase nada porque estava ansiosa demais. Na segunda-feira (13/6), li no Twitter que a embaixada brasileira em Londres havia avisado a família do Dom de que os corpos tinham sido encontrados. Senti taquicardia na hora, mas logo raciocinei: “Calma, pode ser que seja fake news.”

Eu estava certa de que receberia as notícias em primeira mão do pessoal da OPI e da Univaja. Liguei para a Carolina Santana, do OPI, e ela me falou: “Não é verdade, o pessoal continua com as buscas, não encontraram corpo nenhum.” Demoraram algumas horas até voltarem atrás e desmentirem a informação. 

Vivi uma montanha russa de emoções: do desespero à esperança, da tristeza à alegria, até que a notícia que eu mais temia chegou. Na quarta-feira (15/6), a Carolina Santana, do OPI, me ligou e disse: “Bia, recebi a notícia lá do pessoal no campo: encontraram os corpos.” A palavra corpos, na verdade, era um eufemismo, porque eles foram esquartejados e queimados. Encontraram os restos mortais deles. Mas a única coisa que eu conseguia pensar na hora era: “Tomara que o Bruno não tenha sofrido.” Fiquei aliviada quando soube que primeiro ele levou um tiro e já não estava vivo quando o resto da barbárie aconteceu. 

Não sei de onde tirei forças para enfrentar esse horror. Ao mesmo tempo em que eu tinha que lidar com os detalhes devastadores da tragédia, precisava tomar providências práticas, como ir ao dentista buscar a radiografia da arcada dentária do Bruno para comprovar que os restos mortais eram mesmo dele.  

A questão mais delicada era dar a notícia aos nossos filhos. Recebi uma orientação da minha psicanalista. Quando o Bruno não voltou, falei: “Papai teve um problema muito grande no trabalho, vamos ter que esperar porque ele está com dificuldade.” Eles perguntaram: “Mas o papai vai voltar?” Falei: “Não sei, mas temos que torcer para que sim. A mamãe está chateada, mas o papai é forte.” Quando recebi a confirmação da morte, expliquei: “O papai estava defendendo os indígenas e tinha um pessoal que queria invadir a terra deles. Aí teve uma briga e o papai não vai mais conseguir voltar.” Pedro, o mais velho, perguntou: “Mataram o papai?” Respondi: “Sim.” Luis, o caçula, questionou: “Mas atiraram nele?” Tive que contar a verdade. 

Elaborei então a parte espiritual: “Mas, olha, o papai vai estar sempre aqui com a gente, ele vai viver nos nossos corações.” Os dois ainda estão digerindo o que aconteceu. Em muitos momentos falam do pai, lembram do que fazia. Levei os dois para minha cidade natal, onde se distraem com as primas. Estou tentando preservá-los ao máximo do assédio de jornalistas. Não deixei que fossem ao velório do pai porque seriam alvo fácil das câmeras. 

Fiquei impressionada como povos indígenas de diferentes etnias tomaram para si a morte do Bruno. Recebi vídeos dos Matsés raspando o cabelo, algo que eles só fazem quando os parentes deles morrem. Vi homenagens dos Kanamari, dos Guarani e dos Kayapó. É como se dissessem: “Estão matando a gente e estão matando os nossos aliados.” Apesar de nunca terem atuado ao lado de Bruno, os Pankararu e os Xukuru foram homenageá-lo cantando suas músicas no velório em Recife. Foi emocionante ver esse reconhecimento porque ficou claro que a importância do Bruno extrapolou as fronteiras do Vale do Javari. 

Trabalho com os indígenas há anos e é muito raro receber esse tipo de reconhecimento. O mais comum é eles ficarem desconfiados: “Vocês são brancos e vieram roubar a nossa cultura. Querem ganhar dinheiro às nossas custas.” Para mim, a parte espiritual do Bruno está muito bem encaminhada. Eu realmente acredito que ele está comigo e com os meninos. Posso ouvi-lo dizer no meu ouvido: “Ô, Beatriz, se liga, para de chorar. Vai em frente, que você é forte.” 

Bruno seguia os rituais xamânicos e tomava ayahuasca com os indígenas. No vídeo que viralizou, ele canta uma música que é de iniciação dos pajés Kanamari. Fala sobre a árvore da ayahuasca que dá sua seiva aos pajés, assim como a arara dá comida na boca dos filhotes. Bruno cantava essa música para os meninos dormirem. Quando os Kanamari explicaram a canção à imprensa, eles fizeram uma metáfora com o Bruno: “Assim como a arara alimenta os filhotes, o Bruno também nos alimentava.” Os indígenas dizem que ele virou um encantado, um espírito protetor da floresta. 

Quando a morte foi confirmada, o ex-presidente Lula me ligou para prestar condolências. Disse que quer se encontrar comigo quando for a Belém. Já de Bolsonaro não recebi ligação nenhuma. Pelo contrário: ele realizou uma motociata em Belém dois dias depois de encontrarem os corpos de Bruno e Dom. No velório em Recife havia representantes dos governos estadual e municipal, mas ninguém da esfera federal.  

Eu desejo que os assassinos sejam presos e paguem pelo que fizeram, mas, mais fundamental do que isso, é evitar que crimes como esses se repitam. O mais importante é que seja possível voltar a transitar com segurança pelos rios do Vale do Javari, que os servidores da Funai tenham condições de trabalhar de verdade na região, que os povos indígenas possam viver sem a ameaça de invasão e destruição de seus territórios. Ali é o meu local de trabalho e quero poder voltar lá com meus filhos para que conheçam o local onde o pai deles atuava. 

Eu comparo a morte de Bruno ao assassinato do seringueiro e sindicalista Chico Mendes e da missionária americana Dorothy Stang. Ambos foram assassinados por defenderem a preservação da floresta amazônica e dos povos que vivem nela. Que a comoção provocada pelas mortes de Bruno e Dom sirva para melhorar as condições de vida dessas pessoas e de seus aliados. Nada trará o Bruno de volta, mas espero que sua morte não tenha sido em vão.

terça-feira, 17 de maio de 2022

abstinência - livro de Marina Félix

Ele não vai te entender, desiste.
Não vai te abraçar domingo pela manhã 
Ficar com você na cama...
Não. Ele não sabe nada de você. 
Não te enxergou todo esse tempo. 
Não gosta do sabor do seu beijo
Nem dos seus vícios...
Ele não vai te entender, desiste. 
Ele amou todas elas, menos você.
Sua mania de mexer no cabelo quando está com sono, ele não sabe. 
Não te levou pra passeios no parque 
Não perguntou como foi seu dia
Então por que você fica? 
Ele não sabe sua cor favorita 
Ele nunca te escreveu uma poesia. 
Ele te acha louca, desequilibrada 
Pensa que você além de gostar dele, gosta só de cachaça
Ele não vai te entender, desiste.
Ele nada sabe do seu sofrimento 
Nunca perguntou dos seus arrependimentos 
Ele não liga para suas histórias
Por que você não deixa logo ele ir embora? 
Não chora.
Ele não vai te abraçar quando você sentir medo 
Ele não sabe como você se olha no espelho
Ele não vai te entender, desiste.
Ele nunca viu constelações inteiras nas suas pintas do pescoço
Nunca viu o amor que você transborda na hora do gozo
Nunca sequer te viu, mesmo te olhando no olho.
Não chora! 
Seja forte! Deixa ele ir embora.
Se despede!
Ele nunca vai cuidar quando você estiver com febre
Esquece.  
Ele nunca te deu um livro 
Nunca foi de verdade seu amigo
Ele não vai te entender, desiste.
Não insiste.
Deixa uns recados pela casa 
Que quando ele fala das outras isso te mata 
E que ele diz que você é ingrata.
Ele não sabe de nada.
Não reparou que você mudou o cabelo
Não te elogia nem nos seus dias mais vermelhos 
Ele te nega beijo. 
Ele não liga que você chora
Não pensa duas vezes antes de ir embora 
Mas ele sempre volta. 
Por que? 
Não ajuda não ele a responder. 
Você nunca vai se entender. 
Mas pelo menos, insiste! 
Dele? Desiste. 
(aliás...minha cor favorita é verde).

Poema do meu livro Abstinência 
Para comprar meus livros no site 
www.marianafelix.com.br

sábado, 14 de maio de 2022

dinâmica de espelho

Quando eu olho pro meu desejo, desvio o sentido 
Eu não quero vê-lo assim tão cru, tão nu, tão bruto
Revesto o que não domino
Eu busco ao revesti-lo distrair o motivo
Traio meu próprio desejo
Fantasio o meu objeto de medo
Me assusto
Me afasto
Me largo
Eu lhe deixo... pai
Eu queria o que não vejo
Queria o que não tenho
Não é meu
Não posso prendê-lo
Ele se foi, eu não o vejo mais 
Debaixo do revestimento, o que jaz?
Pra onde foi?
Eu estou atrás? 
As respostas que persigo
São velozes e vou no outro sentido 
Lento
Leio
Tiro a roupa
Apareço 
Olho
No espelho 
O nu do espelho 
Eu me fecho
Não posso ver
Mas quero ser
Eu mesma no espelho que atravesso
Por desejo
Por sentir tanto
Por querer mesmo
Por mim

terça-feira, 10 de maio de 2022

Vaca profana, a democracia cambaleante, o brasil minúsculo e o contraditório pedagógico em ano eleitoral

Meu posicionamento sobre o conflito entre os discursos mais inconciliáveis e o atual programa de lançamento da pré-candidatura de Lula para presidente é muito favorável à crítica cirúrgica e URGENTE proposta por Rita Von Hunty - como símbolo de uma frente crescente na esquerda brasileira: muuuuuitos, que vemos com um pé  e mais atrás o chuchu,  vulgo alckmin (minúsculo que é para mim).
Não cancelo Rita, nem Jones Manuel, nem muitos companheiros do lado esquerdo da força porque fui eleitora do PSTU desde o meu primeiro voto aos 17 anos, era 2004. Meu primeiro voto em Lula foi no 2° turno, pois no 1° turno daquele 2006 Heloisa Helena chegava com o PSOl. MEU 1° VOTO FOI EM UMA CANDIDATA À PRESIDENTA. Não tenho arrependimento sobre aquele momento. 
Sigo compreendendo a necessidade do DEBATE DEMOCRÁTICO  mais periférico o possível,  mais das minorias, mais ABOLICIONISTA,  mais ANTIRRACISTA, mais FEMINISTA, mais muuuuito mais mesmo em favor da vida dos povos originários e das comunidades tradicionais,  mais ao NORTE, mais da gente...eu sei que parece utópico, mas eu realmente aposto em se MOTIVAR A ANÁLISE CRÍTICA para melhorar e muito o que for de educacional na campanha eleitoral de 2022.
Apesar de tudo o mais...e - SOBRETUDO - quero poder votar em LULA, logo no 1° turno, porque o fascismo anda escancarado e nenhuma humanidade está ilesa.
Apenas, não tiro o direito de quem quiser criticar o que for para melhorar esse projeto de um novo mandato de Luis Inácio Lula da Silva como presidente para o Brasil mais uma vez. É um pedido mesmo de socorro pela democracia e pela soberania do nosso país. 
"Mas eu também sei ser careta.
De perto ninguém é normal. 
Às vezes,  segue em linha reta
A vida, que é 'meu bem, meu mal' 
(...)
Deusa de assombrosas tetas,  
Gotas de leite bom na minha cara,
Chuva do mesmo bom sobre os caretas" - Vaca profana, Caetano Veloso
Pra não esquecer do contraditório,  sem ser blef,  afinal os non sense é que seguem o som de um homem só.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

família patriarcal e a exploração do trabalho executado em casa POR MULHER

Geralmente,  as mulheres da família tradicional,  família patriarcal (dispositivo de violência simbólica de gênero) , SÃO OBRIGADAS A FAZER AS TAREFAS DOMÉSTICAS, o que é UMA PRISÃO violenta para uma vida.
Não se trata de dizer que as tarefas domésticas sejam por si mesmas escravizantes, violentadores ou sacrificantes. Não é isso! Mesmo porque QUALQUER ADULTO FUNCIONAL, ou jovem, ou adolescente (até mesmo crianças e idosos) podem fazer isso de acordo com uma distribuição equitativa e bem distribuída a fim de que uma casa seja o lugar de DESCANSO, SOSSEGO, AFETO e ACONCHEGO para os moradores.
Entretanto,  são,  SOBRETUDO,  as mulheres obrigadas, isto é,  COMPULSORIAMENTE incumbidas desse FARDO - que se torna até a escravização,  a exploração,  o aprisionamento dessa subjetividade e dessa pessoa. Esse trabalho se torna INVISÍVEL,  ou melhor dizendo, se faz invisibilizado para que a exploração possa ser perpétua. Muitas são as mulheres que se tornam subalternizadas, submissas, escravizadas e prisioneiras de um cotidiano exaustivo, exauridor e potentemente patológico. Essa violência patriarcal gera sofrimento contínuo,  dores, angústias e prostração. 
A família patriarcal é o meio pelo qual essa violência de gênero FUNCIONA. É, em casa, no seio da família que essa forma de exploração acontece.  Não tem repercussão pública,  por se tratar de um padrão de exploração de mulheres NATURALIZADO. Por exemplo, quando a mãe cuida de TUDO dentro de casa enquanto marido e filhos podem ter seus planos, sonhos, projeto e objetivos traçados,  executados e vivenciados.  Nesse mesmo momento,  a vida dessa mulher está PRESA nos tentáculos de um "amor" em forma de trabalho doméstico NÃO REMUNERADO,  NÃO RECONHECIDO,  NÃO MOSTRADO E MUUUUUUUITO MENOS VALORIZADO,  isso porque a demonstração pública dessa violência deixaria a família fragilizada enquanto "lugar de amor", "lar" e "refúgio", sendo na realidade lugar de exploração,  subalternização, submissão,  escravização  e subordinação de mulher.
Muitas vezes, a mentalidade (aparentemente ingênuo) de que uma mãe TEM QUE CUIDAR DA FAMÍLIA,  DA CASA, DOS FILHOS, DE TODOS E DE TUDO é o motor, a principal engrenagem, o dispositivo VIOLENTO e colonizador contra as mulheres. Consequentemente,  a mulher que é OBRIGADA  a ficar com o "trabalho doméstico" se torna esvaziada de sua VONTADE, de seus próprios planos, de seus objetivos e de sua própria vida que passa a ser ALIENADA e dolorosamente dependente do que os outros querem, precisam, exigem e demandam. Ela deixa de ser mais uma pessoa da casa e se torna COISA DE TODOS, como uma máquina mantenedora da rotina para que as outras pessoas da casa possam ter suas vidas funcionando socialmente.  Essas mulheres deixam de existir no espaço público e político,  passando a serem enclausuradas e até prisioneiras de um patriarcado SENHOR, SEVERO e DONO da própria vivência delas.
A família tradicional é o patriarcado mais CRUEL que uma mulher conhece, pois seus mando e desmandos são TIRÂNICOS, como em uma ditadura silenciosa a esmagar a liberdade de ser, de estar e de viver dela. Essa violação apelidada de "amor incondicional", de "cuidado materno", é uma violação brutal da própria dignidade e da existência da pessoa, sobretudo, da mulher doméstica ou "mãe " a "rainha" ou seria melhor definir "escrava do lar", a "serva da família ". Todo cuidado é pouco quando se mexe no centro substancial da falácia do "amor familiar".

segunda-feira, 4 de abril de 2022

minimalista desde que me reconheci

Eu tenho um excesso de mim...é como me sinto. Então,  desde criança - vinda de uma família ribeirinha (interior do Pará) - convivi com as mínimas certezas, com simplicidade e muitos valores de espírito.  Era preciso ser de dentro pra fora... e na busca de esvaziar-me dos excessos de mim mesma, procuro limpar os outros sentidos: visão menos cheia de estímulos,  paladar mais sensato, olfato limpo e orientado paraba natureza, audição afinada e econômica, por fim, um tato que não anseia mais do que equilíbrio na temperatura,  nos apegos e no que se referir. Eu sou de fato assim e hoje me lapido tanto mais aos 34 anos completos.

domingo, 20 de março de 2022

não há uma só verdade feminista...a branquitude não consegue se governar

Eu não gosto da interpretação que fazem dos livros da Clarissa. Gosto demais do estilo poético dela. Sou professora de Língua Portuguesa, Literatura, Arte, Redação. Estudo um pouco de antropologia, filosofia, historigrafia (feminista), feminismos, psicanálise e literatura feminista, marxista, negra e dissidente. Aprendi muito que os comentários, as leituras mesmo, as interpretações (às vezes um tanto equivocadas mesmo) são fruto de uma falta de leitura própria sobre os livros sabe. Sobre como quando falam de Freire, só por falar, só para descredibilizar mesmo. Eu acho ruim isso. A Clarissa é de origem russa e por isso se tornou pesquisadora das narrativas ancestrais da sua ascendência familiar. A família dela foi morar nos Estados Unidos e, mesmo assim, havia quem se opusesse ao agressivo processo de aculturação tão caro aos supremacistas do racismo estadunidense, a maioria até dos intelectuais (até Zygmunt Bauman e Chommysk). Então, li "Ciranda das mulheres sábias" como quem sentava ao lado de uma irmã mais velha ou uma vizinha mais velha e seguia ao alento do tempo. É um bálsamo, sabe. Tenho muitas leituras duras, aflitivas e cheias de dororidade. Ler Clarissa me colocou em um colo e me ninou. Eu sosseguei. Há quem distorça, por exemplo, "Mulheres que correm com os lobos". O que para mim é uma agressividade desleal de leitor ruim mesmo. Dizer por exemplo que ali se tem "arquétipos universais" ou tipos generalizantes de gente é de uma superficialidade que parece um resumo ruim de internet. É uma pesquisa tão autobiográfica, porque se trata de narrativas genealógicas de uma ascendência quase siberiana. Por isso os lobos, por isso os fantasmas azuis, por isso a selvagem mulher ser em si uma mulher de um lugar primitivo, mítico mesmo e elementar para a própria autora. Chega a ser parecido com ler narrativas lendárias ameríndios e amazônicas. Ou ouvir minha mãe (ribeirinha, população tradicional no Pará) falar das histórias que ela ouvia quando criança. Me vejo olhar as margens de rios de águas escuras e serenas, cheias de verdades escondidas sobre a mulher tão profunda que me habita em algum lugar clandestino da mente perdida. Então, me desculpe se eu estou sendo chata ou inconveniente, não se pode culpar a autora pelo uso distorcido, pela interpretação apressada e pela justificativa injusta de quem leu para se alienar.

o Brasil que anda de sandália.

Enquanto a cenoura estava R$15kg no Preço Baixo (atacado), decidi ir à feira. Andei mais, sorri mais e até planejei mais. Chegando nas barracas, os preços mais em conta, as falas mais sensatas, comprei fruta, carne e goma pro cafezinho. Disse muitos "muito obrigada" e pensei: dessa gente, como eu, em que trabalho é compulsório e não tem o respeito do governo elitizado e predatório, é daqui que vou comer, daqui que vou tirar forças. Estava entre os meus, sabe. Entre gente como eu. Sandálias, vento, chuvisco e trabalho no rosto e sangue. E uma vontade imensa de não desistir de si. É um desabafo sobre a vida cotidiana que deveria retribuir aos verdadeiros construtores do hoje, de ontens e de sempres. Sem a nossa humanidade, nem um Brasil seria possível. É do chão de trabalho no asfalto que precisa sair o governo. O Brasil precisa saber quem de fato ergue o amanhã no peito.

segunda-feira, 7 de março de 2022

dissidência 8M

Poema “Dissidência ou a arte de dissidiar”, de Mauro Iasi

Dissidência ou a arte de dissidiar

“Há hora de somar

E hora de dividir.

Há tempo de esperar

E tempo de decidir.

Tempos de resistir.

Tempos de explodir.

Tempo de criar asas, romper as cascas

Porque é tempo de partir.

Partir partido,

Parir futuros,

Partilhar amanheceres

Há tanto tempo esquecidos.

Lá no passado tínhamos um futuro

Lá no futuro tem um presente

Pronto pra nascer

Só esperando você se decidir.

Porque são tempos de decidir,

Dissidiar, dissuadir,

Tempos de dizer

Que não são tempos de esperar

Tempos de dizer:

Não mais em nosso nome!

Se não pode se vestir com nossos sonhos

Não fale em nosso nome.

Não mais construir casas

Para que os ricos morem.

Não mais fazer o pão

Que o explorador come.

Não mais em nosso nome!

Não mais nosso suor, o teu descanso.

Não mais nosso sangue, tua vida.

Não mais nossa miséria, tua riqueza.

Tempos de dizer

Que não são tempos de calar

Diante da injustiça e da mentira.

É tempo de lutar

É tempo de festa, tempo de cantar

As velhas canções e as que ainda vamos inventar.

Tempos de criar, tempos de escolher.

Tempos de plantar os tempos que iremos colher.

É tempo de dar nome aos bois,

De levantar a cabeça

Acima da boiada,

Porque é tempo de tudo ou nada.

É tempo de rebeldia.

São tempos de rebelião.

É tempo de dissidência.

Já é tempo dos corações pularem fora do peito

Em passeata, em multidão

Porque é tempo de dissidência

É tempo de revolução.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

democracia é o que em 2022... infortúnio

Fazer de Putin um Sanddam Hussein é o velho modus operandi de uma agressiva guerra contra soberanias antiamericanas (leia-se contra a política brutal características dos E.U.A.).
Golpes na América do Sul, patrocínio de exploração brutal contras diversas populações na África, incluindo a situação etnocida na Palestina...entre tantas outras ações diretas da "maior democracia" do mundo.
 E eu pergunto: o que é democracia nessa cultura?
Por que essa mesma história de "América salvadora" contra os ditadores do Oriente continua fazendo sentido?
Depois que a Ucrânia estiver arrasada, a pátria salvadora vai lá "reconstruir" as ruínas???? Mais uma vez isso????
O território de uma nação é a sua soberania. Nem a Ucrânia, nem a Rússia e nem um outro país no mundo parece estar com a sua SOBERANIA, seu território, realmente garantido e devidamente protegido porque existe um país que sempre quer anexar mais e mais países ao seu domínio...e isso é colonialismo. Colonialismo desde o século XVI até hoje destruindo a humanidade de quem for somente a fim de demonstrar poder.
Em resumo: a humanidade da gente não tem qualquer valor para os governos coloniais que esmagam comunidades como se fossem papéis em suas mãos e jogam no lixo.
A guerra demonstra que a humanidade é frágil demais diante da luta por domínio. Infelizmente, essa também não é nenhuma verdade nova. Qualquer registro histórico nos mostra que muitos morrem para que poucos se sintam superiores.
Nenhuma guerra deveria existir, mas a luta contra o colonialismo tardio (necropolítico) é suficientemente necessária e o motivo é a própria humanidade a resistir.

O caso Ucrânia e o complexo industrial-prisional

Esclarecendo a determinante ação do governo de Biden no GENOCÍDIO que se verá a partir dos "conflitos" na Ucrânia:
A nossa impressa apóia o complexo industrial de encarceramento - mais conhecido como Complexo Industrial-prisional G4S a multinacional mais ativa pelo mundo nesse contexto- (indústria de armas e de fabricação de prisões privadas pelo mundo) que é a base dos conflitos, que é uma organização genuinamente americana e que faz vítimas no mundo inteiro com guerras televisionadas ou não, eu fiz questão de destacar Biden, pois ele será escondido nas narrativas da mídia COMPRADA PRA FAZER UM VILÃO - quando a morte e a prisão de milhares pelo mundo é LUCRATIVA em especial para governos como o de Biden, o genocida sujo e covarde.

A proposta de um governo cunhado de "democrático", proveniente de um partido que responde pelo pseudônimo de "democrata", me fez focar tudo no nome desse genocida. Biden é de uma branquitude mortal. Ele e seu governo com uma equipe feroz fizeram questão de provocar a Rússia espremendo a Ucrânia dentro da OTAN com um único objetivo: guerra. 

Ele quer demonstrar que tem armas, que tem muito "poder" sobre o mundo a fim de buscar "melhorar" a opinião mundial sobre o seu governo - desde a saída brutal do Afeganistão, deixando a terra arrasada. Por isso, o papel de Biden nesse caso é o mais grave. E ele vai dar declarações se dizendo contrário ao conflito porque ser um mentiroso miserável sequer arranha a "imagem de bom branco" que ele vai querer vender por aí, enquanto a imprensa brasileira SUJA irá comprar.

Se chamam Putin de ditador, beligerante e intransigente...ao Biden deve-se a identidade histórica de genocida. Sequer eu preciso falar de Putin, porque a indústria bélica que patrocina a imprensa instrumento esclarecido de necropolítica e da morte, vai fazer isso. Eu quero deixar claro quem é o assassino que está escondido na propagação da palavra "Putin" e da nacionalidade russa. Biden além de covarde é protegido. 

Biden merece um tribunal para investigar quais foram as suas reais investidas institucionais para esse genocídio. 

Por isso, fiz questão de deixar essa única narrativa fora total da curva mesmo... Biden é um genocida protegido atrás de uma fantasia suja de "democrata". Um verme para a democracia ocidental, tal qual Bush. Merece retornar para a escória de onde nunca deveria ter saído.


Biden, atual presidente dos EUA, é o assassino da população ucraniana, acreditem. Assume o GENOCÍDIO da população na Ucrânia a fim de tentar "melhorar" a autoestima do seu governo que só demonstra quão desastrosa é a dominação imposta aos povos por parte de países financiados pelo complexo industrial de encarceramento.
Saibam, existem muitas indústrias de armas francamente lucrando com prisões em massa, com guerras aleatórias, com a motivação de armar a população civil (ou seria civícola?).
Biden hoje acorda com sangue de mais inocentes em sua cara branca lavada...
Uma branquitude acostumada a ver mortes e dizimação como naturais.
Biden é o culpado direto pela morte da população ucraniana, acreditem.
O motivo: recuperar alguma opinião eleitoral no seu curral mascarado de democracia sendo apenas a América da morte.
O mundo deveria banir esses covardes para sempre.
#bidenassassino
#BidenGenocida

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

luto por causa de macho e outras baboseiras do romantismo tardio (séc 19) que insiste em permanecer na fantasia do heteropatriarcado escroto

A tristeza é sempre legítima, ao que não sequer precisamos salientar, afinal a sua MARAVILHOSA POSTAGEM É EXATAMENTE SOBRE AUTONOMIA AFETIVA DE MULHER, o que tanto me orgulha, mana. Saiba que aquelas pessoas "preocupadas" com sua alegria ou desprazer precisam mesmo É DE IR ATÉ SEUS PRÓPRIOS ESPELHOS, como você disse de modo tão autêntico, tão genuíno: você tem mais o que FAZER. Mulher é sinônimo de projeto, propósito, carreira e estudos. Mulher é sinônimo de TRABALHO, SIM! REMUNERADO SIM! Mulher não é "sentimentalismo" burguês, romantizado desde o século XIX no romantismo tardio que vive "ressentido" de ser fantasia de macho pra nós. Rasgue, mana. Destrua essa fantasia de cólera investida em ti. Esse dispositivo amoroso só quer te ver PARAR. Quer te distrair. Olha por si mesma e por tantas que nem voz, nem vez possuem. Caíram ontem, vão cair hoje e cairão amanhã mortas em estatísticas dos feminicídios tão característicos desse país, que nos mata DENTRO DE CASA. REAGE MESMO. Com ou sem croped, lança-se. Choca essa gente medíocre. Se mulher, está perdida no oceano heteronormativo. Se não, está espreitando seu caminho nesse hostil deserto de afeto real do heteropatriarcado. Deixa as mulheres na frente do fronte te inspirarem. Puxa a Angela Davis, a Grada Quilomba, a Djamila, a Gerda, a Federici, a Virgínia Woolf, a Hilda Hilst, a Lélia Gonzalez, a Conceição Evaristo e vai pelo mundo amada. Se ama. Se cuida. Se defende. No mais, é isso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

um ponto sísmico na fala do patriarcado que se propõe "democracia"...mas é violência contra um mundo de humanidade real

Nem acredito que seja uma radicalidade (no sentido ético mesmo) comunista que seja essencial para a revolução que o Brasil precisa, sabe. Não sou historiadora, nem estudiosa política, apenas uma pessoa com uma opinião, que considero analítica inclusive do ponto de vista feminista, como me proponho. Defendo que seja necessária uma formação contínua na própria instrução política básica que é a dos movimentos sociais. Isto é, que os movimentos com suas mais diversas propulsões sociais se invistam de popularidade para capilarizar emancipação. Para mim, como nas Américas se percebe -  através das formas de representações políticas institucionais que são fatos nesses 50 anos, do fim do século XX para a nossa atual situação - representação tecnocrática com mofo, rinite e distanciamento da população, em especial periférica e mais subrepresentada, não pode ser nem referência de "social democracia" - ao menos, não vejo assim para a América no hemisfério Sul, ou que ascende significativamente da África e de ameríndios, entre outras POPULAÇÕES originárias. Não há representação democrática que ignore as demandas antropológicas históricas e, por isso, reais. Ciro não tem nenhuma cara na democracia fluente da gente. Então, se pensarmos em uma "social democracia" que apelide movimento social de "identitarismo", saímos da democracia para a taxiologia política instrumental da tecnocracia aos moldes do início do século XX... pré-Guerra Fria. Honestamente, o discurso que Ciro inflama é a voz distante da gente que ele defende, com o distanciamento evidente de interesses públicos que surgem com ele, por ele e na objetividade e concisão clássicas de quem apenas discursa sem essência de diálogo. Uma péssima mistura de "voz grossa" e "testosterona", exalando tudo que se indispõe ao democrático no cenário mundial.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

de blef em blef o dispositivo de gênero mata mais mulher do que supõe a vã história do sexo famosinha

Dividir a conta do motel NÃO TEM NAAAAAAADA A VER COM A EMANCIPAÇÃO FEMININA, querida pesquisadora... Seus anos de intencionalidade na pesquisa sobre história da sexualidade AINDA NÃO LHE MOSTRARAM QUE A CONTA DA paternidade quem paga são as mães? A conta da pressão estética quem paga NÃO É A CLIENTELA mas a imensidão de mulheres NAS FARMÁCIAS em busca de psicofármacos? A conta da maternidade QUE É A PRÓPRIA VIDA DA MULHER QUEM PAGA É A EXPLORAÇÃO DO TRABALHO que é funcionamento das mulheres na sociedade e do controle de seus corpos!!!! Sabe o que está lhe faltando são OUTRAS LEITURAS, sugiro NA ORDEM:
- GERDA LERNER, a criação do patriarcado
- VIRGÍNIA WOOLF, Um teto todo seu
- SILVIA FEDERICI, Calibã e a bruxa
- AUDRE LORDE, Irmã outsider
- ANGELA DAVIS, A liberdade é uma luta contínua
- GRADA KILOMBA, Memórias de plantação...

O que a senhora diz nesse blef não é opinião e nem atitude... é uma vergonha sem qualquer endosso CIENTÍFICO... que o ano novo lhe traga mais vergonha na cara...e mande o Freud ir pro inferno

domingo, 5 de dezembro de 2021

os caras vagabundos que sentam na costa das mulheres

Eu conheço 3 mulheres com esta mesmíssima história:
Conheceram um cara maravilhoso e foram morar com eles (há variações que não mudam o enredo: um já tinha 2 filhos, um de cada ex; uma das minas foi morar junto sem casar, outra noivou e casou no papel antes). O fato é que: os caras nunca curtiram muito trabalhar. 
Todas essas minas tiveram ume filhe com seus respectivos caras maravilhosos. Invariavelmente todas acharam que eles iriam tomar jeito, arrumar empregos, dar um jeito na vida, e que isto não tinha acontecido antes porque as ex deles eram loucas ou porque eles AINDA não tinham amadurecido, o que iria acontecer agora. Pois bem, invariavelmente nenhum arrumou emprego ou renda fixa. Invarialmente todas sustentaram estes sujeitos por muitos anos (uma por 5 anos, outra por 7 e outra por 4), além de sustentarem sues própries filhes e trabalhar e enlouquecer. E bem, todas finalmente e felizmente deixaram os caras.
Adivinha o que acontece depois? Sim, todos eles arrumaram outras mulheres, que provavelmente vão sustentá-los por alguns anos antes de entenderem que são uns embustes e que nenhuma carência vale ser preenchida com alguém que vai sugar seus recursos financeiros, emocionais ou materiais (às vezes todos estes juntos). 

Daí que uma amiga já na casa dos 30 e tantos desabafou comigo um problema: o pai dela, já bem idoso, que estava casado com a madrasta dela foi chutado de casa e não tinha onde ficar, ela estava com medo de ter que sustentar o cara. Motivo: nunca trabalhou e estava velho e folgado demais. Enfim, direito da madrasta se cansar, certo? Eu diria que ela aguentou bastante: 20 anos sustentando o cara. E ele ainda disse "não sei o que eu fiz pra merecer isso". Oras, não foi o que fez, foi o que NÃO fez: trabalhar. Resultado: ele foi morar num dos imóveis cedidos pela irmã, que também passou a dar uma mesada pra ele. A última vez que tive notícias soube que ele estava reclamando que a irmã não pagava uma empregada doméstica.

Entenderam a moral da história, mulheres do meu face? São várias: 1) Eles são vagabundos, irresponsáveis, parasitas e sanguessugas e nunca vão mudar porque sempre vai ter uma mulher estável e carente ou com culpa cristã suficiente para carregá-los nas costas;
2) Parem de minimizar ou passar pano! "Ah, coitados, precisam de terapia." "Ah, coitados a ex era louca, eles vão encontrar o rumo." "Ah, coitados, é o desemprego no Brasil". Não, não são coitados, são parasitas; escolheram um estilo de vida: se pendurar nas mulheres com quem se relacionam;
3) Golpe da barriga deveria se chamar Golpe do "sou vasectomizado", Golpe do "eu broxo com camisinha" (insira um golpe MASCULINO aqui). Nunca que uma mulher ganha nada tendo filho. Nunca;
4) Quanto antes desconstruir a ideia de família tradicional, melhor. Não te falta nada se não tiver um homem, mulher! Bora aprender a dar vazão às nossas carências sem precisar de homem. Mesmo que você seja hétero! Tem gente que passa a vida toda com pouco acesso a dinheiro, à água, por que você acha que não vai viver sem homem? Não deixa a carência te meter numa furada!
5) Pra parar por aqui: identificou o perfil no teu boy? Ele tá passando mais tempo na tua casa que na casa dele sem pagar no mínimo metade das contas? Tem um perfil dependente, cachorro que caiu da mudança? Um dia esqueceu uma escova e agora já tem uma gaveta só pra ele sem definirem os termos? PULA FORA enquanto é tempo e pára de ser trouxa, porra! Se você está namorando um cara e ele não tem emprego, não tem casa, não se sinta na obrigação de ajudar! Ele não é seu filho, você não tem que adotá-lo. Tem muitas formas de uma relação ser abusiva: não é só traição ou violência. Se a relação tá pesando nas tuas costas precisa refletir!

Tô editando porque lembrei de mais duas morais pra essa história:

6)Eles NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA irão mudar. Não se iluda.

7) Esse tipo de embuste está tanto na direita quanto na esquerda. Nada mais parecido com um machista de direita que um machista de esquerda. ok? PEGA ESSA VISÃO.

MISOGINIA como forma de subjetivação

E não é heterossexualidade isso, não... é a heteronormatividade compulsória que todo dia prega na cabeça de tantas mulheres (através de toda a indústria cultural do patriarcado) que ela é um vazio sem macho. Te digo porque sei que, veja a LOUCURA, até mesmo algumas análises psicológicas são fundamentadas 🤦🤦🤧🤧🤦🤦😤😤😤😤 na ideia VIOLENTA de que a mulher seria um vazio preenchido por homens... Uma bruteza de estupro cerebral que faz a MISOGINIA ser a subjetivação mais forte na heterossexualidade compulsória, sabe. Mulher que odeia a mãe por causa de macho. Que disputa com a mãe a vida inteira por causa de macho, que nem ela e nem a mãe merecem ...disputam não no sentido sexual biológico e material, mas no sentido PSÍQUICO. Não é uma verdade esse tipo de "interpretação da psiquê" humana , mas no mundo da MISOGINIA faz mais sentido do que COLABORAR entre mulheres. Faz mais sentido do que amar a própria mãe, a própria vida e os próprios propósitos. Tudo atrás sempre do homem...do eu que é além...daquele que provê...daquilo que será o redentor...menina, é uma lástima saber e conviver com mulheres tão misóginas que violentam a si e às outras mulheres a sua volta, como por exemplo a própria mãe. Cruel, olha ...cruel.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Cansada de ser chamada de "agressiva", "doida", "histérica", "amargurada"...
Eu APENAS sinto raiva, ódio e FUUUUUURIA...
AH, MEU AMOR, e a FÚRIA não controlo não...
Não me peça para ser bebezinha, meiguinha e delicadinha.. eu me ENCARALHO também ..
Por favor, me deixe ser gente...e me poupe se poupe...e NÃO MEXA COM A MINHA VIDA...que eu posso ser pequena, mas sou onça.
Eu também sei ser REVOLUÇÃO antes do que seus olhos possam até imaginar...
ME ERRA, senão aguenta.

eu-leitora

Quando eu era criança, os livros eram uma cabana para minha infância...um abrigo, sabem como é?
Era onde eu guardava a fantasia de poder explorar um mundo incrível e cheio de coisas inimagináveis. Era além de cabana, além de abrigo, além de tudo...um baú. Os livros eram meus tesouros de pequenina pirata. Eu sonhava porque lia. Eu não sonhava às noites. Eu sonhava enquanto lia. 
Na adolescência, descobri que os livros eram amigos também. Eles ouviram além de falarem. Antes de tudo, os livros gostavam de me escutar. Eu nem abria a boca, mas os livros escutavam meus pensamentos. Só eles para compreenderem tantas invenções de menininha ainda que eu sempre tinha. Eu carregava a minha bolsa imaginária, invisível. Nela eu guardava tesouros...eram os livros que eu já carregava desde a infância na minha bagagem de vida.
Lia, lia, lia. Talvez eu já falasse demais assim como vocês me conhecem...mas muito mais do falar...eu lia. E eu escutava o mundo da biblioteca que minha vida já carregava. Eu leio desde que nem falava. Eu lia quando era bebê e mamãe me carregava, vovó me embalava na rede estendida na sala, papai me acompanhava com olhos risonhos, todos viam o quanto eu lia sem sequer compreender UMA PALAVRA. É que ler é maior que o alfabeto das letras, fonemas e frases. Ler o alfabeto da vida foi-me ensinado ainda quando mamãe me gestação, do ladinho da minha irmã gêmea. A gente nasceu leitora de mundos. Meninas que lêem mais do que papel carrega, a gente lê mais do que a visão das coisas indicava.
Cresci somente como leitora, afinal eu sou baixinha e braba. Sim, mesmo sendo uma mulher pequenina e aparentemente meiga, eu sou braba. Quem me conhece sabe quando as palavras me escorrem feito cataratas...eu trovejo também. Eu sou pequena mulher onça. Onça urbana e domesticada, que lê (se me permitem a autometáfora).
Cresci leitora. Alcei voos de águia das palavras, mas escuto ainda os livros da infância, escuta ainda as vozes da adolescência. Eu sou tão amada por meus amigos da leitura. Nos conhecemos desde que nascemos juntos. Espero que nosso fim não seja senão repleto dessa leitura inteira de vida que me acompanha nas lutas, nas manhas e na garra. Enfim, ser uma mulher da leitura, ela é meu sobrenome, trouxe-me até aqui, nessa última linha, até o ponto que nunca acaba.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

qual seu lado favorito da cama?

O teu

invisível belo ser

Um belo na frente do invisível
Deitei 
Fechei olhos. Ouvidos. Consensos.
Abri os pulmões.
Queria ser invisível e ver.
Ver a beleza indizível...apenas ver
Não queria decifrar nada.
Não queria compreender nada.
Vão
Vazio
Não
Talvez
Incerto
Decerto eu não seria
Sentia
Tocando o mundo em mim
Mente?
Mente muito o que explica
Mente pra dentro: vultos
Mundo a fora: mundos
Mudo o tempo
Muda a certeza
O tudo caiu
O que veio depois 
É o que quero ver.

pequenina maria Elis...histórias de maria

Dani Batista acho lindo ouvir histórias de mães sobre suas crianças. São tão criativas, tão inteligentes, cheias de brincadeiras imaginárias. Eu sei que por acreditarmos em várias "justificativas", por darmos muitas "respostas para tudo", porque somos adultos, costumamos querer entender e decifrar, ou pior definir o que as crianças pensam, fazem e inventam. Porém, não é preciso. Leve a Maria Elis SEMPRE MUUUUUUUUUUUUITO A SÉRIO. Ela será uma mulher tão falante, tão inteligente, tão criativa que você tende a ser SURPREENDIDA pelos feitos dela, mas não precisa se preocupar. Abrace a criatividade dela sempre que puder. Brinque com ela. ESCUTE SEMPRE O QUE ELA DISSER. Escutar sua menina pode ajudar a resolver situações de assédio, abuso e demais violências que podem fazer com que ela seja vítima ou sofra efeitos perigosos, simplesmente por ser uma pequenina mulher. Então, abrace sua menina. Escute ela. Converse com ela. Não quero lhe dizer o que ou como fazer. Você é A MÃE mais maravilhosa eu tenho certeza que essa bonequinha pode ter. Que sorte, que benção, que felicidade ela tem em ser sua filha, viu. Busque mesmo no abraço dela o sossego para as perguntas de adulto bobo do seu coração viciado em explicar. Abrace ela e deixa que ela te conte o mundo inteiro dela. Conte o seu. Conte sobre seu trabalho. Conte a vida. Conte a mulher tão maravilhosa que você se tornou ao longo dessa jornada. Conte sobre as mulheres extraordinárias da sua família. Mulheres que desde dona Conceição são RESISTENTES, PERSISTENTES, FALANTES, CORAJOSAS E MUITO INTELIGENTES. Ah você vai amar ouvir essa vozinha de criadora, de narradora, de inteligente que ela tem pra te presentear a alma, os ouvidos e o dia inteiro. A Maria Elis é mais verdadeira do que tanta gente. Ouça ela. Brinquem. E sobre o Miguel, não esqueça, é o priminho dela... Um príncipe. Deve ser um bebê na mente linda dela. E ela deve gostar tanto dele e de tudo que ele, o irmão e a família (da Manu) representam para você e para ela que brinca com o nome dele assim tão espontaneamente, tão naturalmente. Ela é pura criatividade. Escute essa menina linda SEMPRE. E abrace a sua filha com os braços, os ouvidos e os olhos. E se aconchegue nesse amor infinito.

pesquisa moderna...aos moldes do século XIX..ranço das vozes do passado fantasmas de um machocentrismo PATÉTICO, DÉSPOTA e COLONIZADOR

Lélia Gonzalez também é importantíssima para a psicologia no Brasil. Antropologia deveria ser também básica nesse currículo. Fontes latino-americanas  são essenciais, em especial de mulheres que traduzam dores simbólicas de uma América que nasce do estupro de ancestrais de comunidades originárias. Eu concordo plenamente com você, professora. Não sou psicóloga, sou apenas professora de português; porém, acredito que o currículo das universidades (em especialmente as públicas) DEVE URGENTEMENTE se ATUALIZAR, parar de ser tão branco cêntrico, europeu e colonial. O século XIX enfim já acabou faz tanto tempo...mas parece que o romantismo "moderno" é um ranço de um passado viciado em uma mesma voz sempre ecoando nos ditames da academia clássica (do séc 19 🤦).

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Pri Marques ...um desabafo a céu aberto na rede social

Tá certo, vamos lá.
Criei esse perfil pra falar o que eu quiseeeeer! Expor o quanto quiseeeer!
Não tô conversando muito, não tá dando pra ficar falando e ouvindo. Meu modo desistência tá ativado. Sabe como é isso?
2021 é o ano da desgraça pra um monte de gente. Principalmente para não privilegiadas, como eu.
Tenho um prazo pra sair do lugar que estou. Aí me falaram assim: “Vai pro seu pai.” Vocês não sabem o esforço que faço desde que lembrei que meu pai foi cúmplice de dois abusos que sofri na infância. Eu ainda FALO com ele, eu já VIVI por alguns meses com ele. Mas não dá mais!!!! Prefiro a morte. Tirando o fato de ter sido torturada pela minha progenitora de tantas formas (já contei) e ele também foi cúmplice. Então não venham dizer: “eles são sua família”. Pois não são! Estou quase com 35 anos, desde os 18 me virando como dava, como deu, como dá. Como davaaaaa meeesmo! Já passei fome, já passei frio, já fui estuprada até perder as contas!! Eu, que fui rejeitada por eles por ser sapatão. 
Já morei em mais de 40 lugares, mas já vivi bem também. 
O que eu fiz? Fingi que era outra pessoa por 4 anos, pra ver se as coisas amenizavam para o meu lado. Mas não, elas pioraram. E hoje acho que tô chegando mesmo na fase final.
NÃO, NÃO TEM UM JEITO.
Você quer que tenha um jeito porque você tem um coração. Eu também. Que está em frangalhos como todo o resto do meu corpo, incluindo mente.
Eu tenho dois gatos tão maravilhosos que dependem de mim e tô dando total prioridade pra eles em termos de comida e etc. Mas alguém vai ter que cuidar depois que eu for embora.
Não, eu não tô desesperada ou chorando. Não tô tendo uma crise ou um surto. Me encontro num estado bem racional, inclusive.
Eu trabalho, mas ganho pouco.
Amigos são nossa família? Sim. Mas eles tem a família deles também!
Eu não construí a minha. Eu não tenho uma parceira de vida e dia a dia.
Eu não tenho mãe e pai pra voltar.
Eles estão vivos. Mas vocês acham mesmo que mereço viver com quem fez atrocidades comigo? Quem tirou minha dignidade das formas mais repugnantes imagináveis.
O cerco tá apertando. Por isso disse que sinto que não tem espaço pra mim. Falei de verdade. Não tem! 
Vai ter em algum lugar com alma caridosa por dois ou três meses e depois por quem sabe outro por mais dois ou três meses. Longe de mim fazer pouco caso. Estas pessoas estão marcadas como importantíssimas na história da minha vida. Mas é que elas realmente não tem culpa do que fizeram comigo. 
Nem estas pessoas, nem meus outros amigos. Não é por falta de consideração ou amor. 
É porque não dá pra remediar o que foi feito lá atrás. Me causando os traumas resultantes em depressão grave e ansiedade. Essas coisas que às vezes me paralisam e me fazem parecer procrastinadora ou relaxada. 
Eu nunca fui perfeita, mas eu tinha brilho. Sempre fui realista, deus e religião não me pegam, mas havia alguma esperança em mim mesma, por esforço e mérito. Mas a gente vive numa sociedade que ainda não entendeu nada disso que tô tentando dizer. Até porque eu tô cansada de ver tanta romantização do sofrimento e da mulher guerreira infeliz pra caralhooooo! Eu não tô aqui pra inspirar ninguém. Só fiquei tentando sobreviver. E não, não é bonito. É podre, é injusto!
Eu vou desaparecer. Não tem hora marcada. Mas o processo já começou.
NÃO, eu não quero conversar. Desabafar? Gente, eu tô cansada de falar, de viver, de acordar, de ouvir...
Tenho psicóloga? SIM! Ela tá tentando tirar leite de pedra, que mulher admirável e generosa!
Então não tem conselho, não tem solução, não tem palavra bonita e nem boa intenção. Eu acredito que boas intenções existam em muita gente ainda. Só que às vezes é melhor você guardar para casos reversíveis, tipo, se fosse comigo há uns 3 anos atrás.
Percebam as pessoas enquanto há tempo. Mas não deixem de se cuidar.
Isso não é uma carta de despedida hoje. Um dia por ser.
Tudo tem um fim. A gente tem que parar de querer prolongar tudo até só restar olhos e ossos.
É apenas um resumo enorme de uma justificativa sobre eu não estar respondendo. 
E minha revolta por ter nascido mulher neste mundo e naquela família.
Cansei de lutar bravamente.
Eu sou HUMANA, porra!

sábado, 30 de outubro de 2021

caleidoscópio do sexo biforme (a ironia está na própria imagem visível em um caleidoscópio)

O casamento é um instrumento de controle do patriarcado, em que mulheres são submetidas e homens são ensinados a serem patriarcas, ou seja, os detentores das leis e os mantenedores da ordem ... Imagina só quando uma mulher percebe que um homem é seu "dono" nessa visão de mundo e que sem "dono" ela poderia ser "só". Só mulher... só ser...apenas ser humano...igual a outro qualquer...e nem homens seriam mais diferentes dela...e outras mulheres seriam iguais...que loucura de mundo é esse em que toda gente é gente... é a gente como a gente é, sabe. Essa realidade (o real na real)... deixa a cabeça da gente tão livre que a gente tem medo de nunca mais voltar a ser controlada, ou de nunca mais querer ser propriedade (privada de liberdade?). Essa concepção de existir se chama FEMINISMO e é uma alternativa ao patriarcado que parece ser tão natural, mesmo sendo IMPOSIÇÃO violenta para qualquer humanidade desde os primórdios do hommo sapiens (homem sabedor) até no nome em latim (língua judaico-cristã patriarcalizante) já demonstra a manipulação na representação de tudo que existe a partir desse caleidoscópio do sexo binário, biológico e biforme - mas distorcido, porque tudo que existe começa no acontecimento irremediável do existir em si.

domingo, 17 de outubro de 2021

morada ribeirinha, Belém do Pará

Conheço pouquíssimos lugares, porque morei apenas em três estados fora daqui. Amei o Rio, mesmo assim não troco a visão do pôr do sol da Bahia do Guajará pelo Arpoador (de coração). Conheci desse estado lindão, zona da Mata, Serra, zona Norte, Oeste, Niterói, Região Litorânea, Região dos Lagos, muitas e muitas cidades, paisagens belíssimas, cada uma a sua maneira. Gostei bastante de tantas cidades que conheci no estado de São Paulo onde também morei, paisagens peculiares e lindas; mas a nossa natureza, por exemplo, hoje morando em Ananindeua (região metropolitana daqui) me deixam tão mansa, pela "verduuuuura" (desculpe usar de modo poético aqui essa palavra) tão intensa, parece uma Amazônia mesmo em cada Samaumeira, nas lindezas dos igarapés a se derramar. Morei no interior do Maranhão, conheço algumas cidades do nordeste (lindo), apesar disso, eu não trocaria a nossa identidade, a nossa etnicidade por nenhuma comida ou bebida de caatinga à zona dos Cocais. Conheço outros lugares do Brasil que fui a passeio, também não os vejo melhores do que aqui. Eu acho linda a nossa imensidão de enseada cor de manto argila, cor de mãe d'água, Nanã, Iara, boto, sucuri e onça pintada. São tantas encantarias, tanto a descobrir de infinidade de alma que essa terra ribeirinha simboliza, que honestamente, tem gente que pode vê concreto, cinza e marrom. Mas eu vejo um horizonte de infinito que quero mais ainda poder desvendar. (É apenas uma visão muito íntima e cheia de razões que talvez nem eu consiga deixar claro ainda).

sábado, 25 de setembro de 2021

h[á mar]

"minha amada, quando mira as estrelas... há tanto brilho, tanta beleza...que não nos cabe em certezas...que só tem alegria, água e amor" Lençóis - Luedje Luna

Ao som dessa música que me leva pra amar


E se a gente não tiver tanto tempo assim, rainha♀️💜? Será que o amor da nossa vida é uma coisa só? Será que tem mesmo uma saída do labirinto onde a gente se encontra com isso? Não é que O AMOR não exista... é que muitos, vários, variados, múltiplos e PLURAIS amores estão ao nosso redor só que por causa desse tal "amor da vida" não se enxerga mais nada...que fantasia sem sentido, eu penso. Talvez, normalizar que amar é verbo infinitivo, sem se segurar no imperativo (impositivo). Talvez, assim, seja mais fácil topar com uma história pela qual vale a pena viver o hoje. (Ps. Eu gostaria de ler isso várias e várias vezes para não perder tempo mais de vida e simplesmente viver).

https://youtu.be/v7tFYCT_GMU

estupro

Estou CANSADA de passar pano pra estupro, pra homens que SE APROVEITAM da debilidade de mulheres PARA "tirar uma casquinha"... "vamos relembrar os velhos tempos..."
O quê?
Velhos tempos é esse teu machismo, essa cultura do estupro que te faz "pegar a coleguinha" quando ela está VULNERÁVEL, CARAAAAAAAAAALHO.
ELA NÃO QUER NEM SABER SE TU TENS OU NÃO TENS algo entre as pernas...
ELA PRECISA DOOOOOOOOOORMIR!
ELA PRECISA estar em segurança, sabe!
Eu não tenho 1 RELATO DE ESTUPRO de amiguinho, não... Eu tenho MUUUUUUUUUUUUUUUITOS.
CHEGA!
BASTA!
PAREM DE ESTUPRAR!
MULHERES NÃO SÃO VULVA, VAGINA, DEPÓSITO PARA A TUA VIOLÊNCIA.

Cultura do estupro não é só na tv, não!

Todooooooooooooooooooos os dias a gente sofre SÓ POR SER MULHER.

indignação é pouco...EU TENHO ÓDIO, NESSA MERDA!

terça-feira, 14 de setembro de 2021

E eu vou te dizer...essa situação de nenhum interesse nisso ou naquilo também já se torna um pouco idealização, sabe... Uma pessoa que saiba se relacionar respeitando as pessoas para além de qualquer rotulação ou mesmo diferença subjetiva... já é muito muito muito bom. Significa que perto de você te fará bem também. Eu sou uma mulher bissexual (muito mais homoafetiva) que se relaciona com muitas mulheres de maneira respeitosa em todos os sentidos. Tenho irmãs, mulheres admiráveis em meu redor, sabe... Homens que fazem parte da minha história de modo saudável...dentro da medida do possível... Então, vejo por esse lado... heterossexualidade masculina não é a única característica de interação social do ser humano identificado com o gênero masculino, também assim se dá com homens trans por exemplo. Assim como hetero ou homossexualidade não são fins de sujeitos complexos... são alguns de seus meios, absolutamente instáveis, inconstantes e históricos...

terça-feira, 24 de agosto de 2021

feminismo é ruim mesmo para as mulheres...e outras formas de demonizar a luta por dignidade e humanidade feminina no século XXI

Não entendi por que o feminismo é o culpado da péssima atitude dessa mulher?  Feminismo e sororidade são duas importantes ferramentas para encontrarmos vias contra a rivalidade feminina. Sororidade não é o dogma, uma doutrina de FEMINISMOS... é uma possibilidade de lidar com a própria disputa entre mulheres por causa do lugar de "privilégio" no patriarcado. Veja, "disputa por privilégios", sendo que aí começa o problema para um posicionamento que se coloca como feminista. O problema para as mulheres, que o feminismo luta contra esse problema, é disputar por LEGITIMAÇÃO, autorização e fantasia de "privilégios" em um contexto que só privilegia homens (que são privilegiados por fazerem mulheres se autodepreciarem e até se enfraquecerem por causa do privilégio que esse homem parece dispôr). Nenhuma mulher, nunca, se beneficia do patriarcado mas muitas de nós somos privilegiadas de modo condicionado sim, por isso fazemos a manutenção do sistema de mentalidade, de crença e de ESCRAVIZAÇÃO de nossas vidas. Porque acreditamos no privilégio. Um homem vir falar com você porque a mulher falou pra ele é a culpa dela? A culpada foi ela dele ter essa postura? Talvez, não. Talvez ele seja até a fonte dessa alienação dela. Muitas mulheres acham que a felicidade é um macho escroto do seu lado...sem nem pensar nos abusos que sofre...isso é dispositivo amoroso-materno, formas de violência de gênero que estão na cultura há milênios a fim de perpetuar o patriarcado até em mulheres que parecem proteger suas próprias celas. Me desculpe se eu tiver entendido errado. Se quiser e se puder, me explique. Mas não é o feminismo, a ferramenta da sororidade ou a mulher a total culpada dessa situação. Ao contrário, o feminismo existe porque esse tipo de mentalidade (machista e protetora de macho) é uma violência para as mulheres. O feminismo não é paz e amor, não. É luta. E luta com muita dor. Se o feminismo for usado como uma bandeira de "serenidade" e "sossego" para mulheres, ele é liberalismo. Ou seja, ele é capitalismo fantasiado de "liberdade" e "vida zen" o que nunca combinou com a história dessa batalha constante de sobrevivência entre mulheres que lutam por si (isso é muito importante, se cuidar, se amar e se defender mesmo) e também assumem uma postura coletiva de emancipação.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Quando eu era muito pequeno, uns três pra quatro anos, minha tia mais velha, minha amada segunda mãe, me deu uma lição muito clara sobre corpos femininos. Sobre corpos femininos em geral.
Eu tomava banho com ela. Com qualquer tia. Eu era neném. Elas eram minhas pessoas favoritas no mundo. Só minha tia mais nova que era mala. Depois desmalizou e virou minha comadre. 
Eu estava lá, todo trabalhado nas espumas do Francis azul quando fiz minha graça.
- Tia , porque você não tem piupiu?
- Homens tem piupiu e mulheres tem Tutuca. 
- E por que?
- Porque é assim. O corpo da mulher é diferente do corpo do homem. ( Estamos falando de 1978. Não militem, por favor. Tô ocupadíssimo até às 17 horas de quarta feira).
Aí comecei a rir. Criança ri de tudo, né? Eu tinha quatro anos.
Minha tia continuou:
- Tá rindo de que garoto? Lava esse pinto. Puxa essa pele ( fimose, sabe? Corpos equipados com pinto às vezes vem com essa sambaquirinha peniana. Perdão pelo #oversharing). 
- É muito engraçado isso 
- Tem graça nenhuma. Coisa da natureza. Tudo muito normal. Quem não tem uma coisa tem outra, quem não tem morreu. E quando eu ficar bem velhinha você que vai cuidar de mim e vai ter que me dar banho e ver minha Tutuca todo dia. Para de bobeira.
Ela me enxugou.
- Deixa a tia ver se esse suvaco tá cheiroso.
Levantei meu braço. Ela me fungou. Fingiu um espirro.
- Atchim! Que cheiro de inhaca. Vamos passar um talco aí, seu cocô enfeitado. (Ela me chama assim até hoje. Mimoso, né? A beça).
Eu ri. Ela riu.
A vida seguiu.
Tempos depois meu pai ficou internado mais de um ano. Até ficar em um quarto particular ele passou por três enfermarias masculinas que ficavam de frente pras femininas. Meu bem... Só lembrava da lição singela da minha tia. Era senhor chorando que tinha perdido o pinto, era senhora em surto correndo pelada, era ajudar na higiene do meu pai... Era ajudar enfermeiras a tirar o corpo pesado de uma cama e passar pra maca.. Ihhhhhh...

Hoje fico meio astrazênico quando problematizam as amigas ximbicas. Fico com cara de "ué'. Mas meu lugar de fala é lugar de falo. Comento um pouco, mas depois solto no éter porque não quero parecer FEMINISTO (HAHAHAHA A CHAKOTA) e nem me apropriar do protagonismo alheio. Mas pra mim é a coisa mais normal do mundo. E também sou assim com pintos adjacências. Corpo nu, sem o verniz dos ofertórios safados e das seduzências safadificantes ou confeitos fetichistas, é só um corpo nu.

Sou muito simplinho, gente.

Algumas palavras eu acrescentei porque o tempo já roeu o filó das memórias.

#artistasuburbanoreflexivo

o falo não poupa ninguém, nem eu... campanha MISÓGINA no discurso popularizado em favor da presidência de Lula em 2021

Eu tive essa impressão ruim... inclusive, lembrei da pior fala MISÓGINA que o ciro (minúsculo mesmo) teve quando presidenciável em 2018 era preciso ter "mais testosterona" para ser presidente do brasil (minúsculo que está também). Então, a misoginia escondida nesse tipo de discurso passa longe dos debates feministas engajados, sabe... Ninguém diz pra não "magoar" amiguinho. Mancha mesmo. Falar mal do "falo" não pode. Um espelho reverso do bozismo que chegou com o discurso de que não broxaria...coisas assim. O sexual humano à parte, segundo consta, Freud até explicaria...eu ainda vejo um reducionismo no sexual humano, genitalista, binário, tipo guerra de sexos do início do século passado... Precisamos avançar muuuuuuuuuuuuito nessas discussões. Não à toa estupro é até hoje ARMA DE GUERRA. QUEM falaria de "cultura do estupro" por trás disso? Quem colocaria essa repercussão na roda? A gente que é feminista e à esquerda na política... poderíamos? Gosto de pensar que ser feminista não é nada agradável, sabe... Se está agradando...ainda mais à machologia (patriarcado de elite intelectualizada)... Não me agrada. Nem pontuei no meu Facebook porque decidi ignorar. Eu quis fingir que era só uma areia no discurso pobre das redes...mas é tipo uma ervilha que não deixa a mulher dormir no colchão da vida...descansar não dá... "Meu descansa, militante" acaba sendo quetiapina... é um fato triste.

o Afeganistão e o crime chamado de "sonho americano"

Qual o PROBLEMA da visão que o fantástico está expondo sobre o AFEGANISTÃO de hoje?
A omissão, por exemplo, das heranças da União Soviética ANTES DO TALIBÃ SER PATROCINADO E TREINADO PELOS ESTADOS UNIDOS.

Tentar mostrar que a ÚNICA forma de liberdade para o AFEGANISTÃO é a visão neoliberal ocidental e cristianizada não ajuda em nada a DEMOCRACIA para nenhum país que luta por uma real independência política.

As mulheres afegãs estão assustadas e aterrorizadas também porque existe uma visão de mundo (ocidental e xenofóbico) fazendo do país delas o lugar em que o inferno se estabeleceu porque o "super-heroi estados unidos" saiu de lá. Porém, essa é a fantasia capitalista mais INÚTIL e CRUEL para a humanidade pois AJUDA a manter guerras intermináveis em que vidas são menos importantes do que armas.

O Talibã é sim um regime MISÓGINO, FEMINICIDA e radical religioso... porém, as saídas possíveis para esse conflito étnico-econômico precisam ser construídas dentro do país, por seus cidadãos e serem apoiadas e respeitadas - cultural e economicamente - por todas as nações solidárias que RESPEITAM A CONSTRUÇÃO de uma DEMOCRACIA possível.

A visão errada e omissa que o fantástico apresentou não consegue dar conta da realidade porque quer mais uma vez vender o "sonho americano" como o melhor destino possível para a humanidade. Isso é uma mentira, já que quem aparelhou de armas os talibãs foi exatamente os estados unidos. Foi por isso que ele TEVE obrigação de estar por 20 anos tentando amenizar os danos do seu patrocínio bélico para os radicais. 

Foi a "guerra contra o comunismo" - que estava ajudando a população a melhorar mesmo de vida - o que provocou a tragédia que o Afeganistão vive desde meados do século XX.

Então, estar posicionada FRONTALMENTE contra o talibã e a sua VIOLÊNCIA exterminadora de mulheres, crianças e direitos democráticos NÃO SIGNIFICA APOIAR A VISÃO CAPITALISTA genocida do país (Estados Unidos) que massacrou a nação afegã.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

a solidão compulsória da mulher

E quase não se discute a solidão compulsória das mulheres, sabe. Existe um processo ultraviolento relacionado aos esteriótipos de "encalhada", "mal comida", "frígida", etc e tal. Eu estou sem nenhuma paciência para discurso até fantasioso que coloca o perebado, como diz a professora Zanello, no lugar de troféu, sabe. Não é uma mana lésbica ou BI trocada no palco do patriarcado por macho (desconstruído de Taubaté)... E haja pegar mil tapas na cara que a sociedade só sabe dar na nossa cara. É o ranking dos contatinhos vencendo até na roda feminista mais estudada, mana. Cansa, olha. Lendo a Federici, a Audre, Waleska Zanello e a bell, me sinto indigesta ao papo comum heteronormativo...nada me dá tesão nesse sentido. Mulheres são todos os dias consumidas e se colocam de bandeja por migalhas sociais (financeiras, afetivas, culturais e religiosas)... Cansa ter que dizer...cansa
Eveny Da Rocha Teixeira talvez um dos melhores debates a se construir seja a solidão compulsória sabe...existe um glamour na palavra "solitude" que me incomoda...eu vejo lésbicas idosas (tenho amigas de 50+) que vivem sozinhas ou solitárias...dentro de famílias que NUNCA oportunizaram uma conversa acolhedora. Tenho amigas pretas que passaram anos a fio...tipo uma infância inteira escolar...uma adolescência inteira sozinhas...vendo as amigas namorando...tiveram que ficar de "outra secreta" pra macho branco com fetiche, que todo santo ano tinha nova namorada e deixava ela na geladeira tipo ao menos 5 anos a fio... Eu não sei nem o que dizer quando sinto a solidão em mim e em muitas mulheres, mais velhas, mais atarefadas, mais fora do padrão social aceito...sabe..COISA FODA. Mulheres mães solo então...eu tenho minha mãe e minha mãe de prova... solidão compulsória...nada de paz porque eu escolhi... não que não seja bom...tem seu lado perfeito...estar longe do relacionamento opressor heterossexual, mas mesmo assim é só...e não é nada fácil. Eu sinto forte isso

liberalismo sexual e o mercado do "prazer acessível", a falácia que pode gerar ESCRAVIZAÇÃO das sexualidades das mulheres por trás da propaganda

É sobre isso, mana. Muito do discurso que se aproveita do feminismo para vender o liberalismo sexual (falsa "liberdade sexual") em relação às mulheres de fato SOTERRA, APAGA e SILENCIA as outras situações absurdas também produzidas por ELE (patriarcado sempre também leia-se capitalista) contra nós. Por exemplo, tratar da "necessidade" de orgasmos e da oportunidade de relações de múltiplas facetas sem PROBLEMATIZAR a realidade, a cultura, o contexto histórico, a experiência subjetiva, os signos de violência que atravessam as sexualidades das mulheres dentro de um mundo brutalmente MISÓGINO... é muita lista. Eu não digo que não se possa tratar da vivência sexual com espontaneidade, não é sobre a voz de mulheres sendo ouvidas em relação às suas sexualidades plurais...mas sobre a heteronormatividade que coloca o "ranking" do orgasmo, a lista de consumo sexual atualizada, a demanda e a procura como "natureza", as possibilidades de combinações afetivas com limites sobre responsabilidade afetiva flexíveis ao extremo...muito mais de consumo sexual do que de vivências da sexualidade...além de tudo o pior...a alienação do discurso da luta sexual feminista por uma agenda nojenta liberal que mais parece vender a mulher na prateleira do "mercado" (onde o prazer é "acessível"). É isso. Um desabafo aqui

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

a defesa do monopólio heterossexual (o casamento)

A postagem:

Todo casamento que deu certo, tem sempre uma corna que perdoa um traste que não controla seus instintos sexuais.

A defesa que a heteronormatividade FAZ do casamento monopólio heterossexual...

Eu conheço muitos casamentos que estão dando certo e que não houve traição de nenhum dos lados. Casamentos cheios de cumplicidade e companheirismo, com mais momentos felizes do que infelizes. Penso que seu texto é uma realidade para muitos casamentos, mas ainda existem exceções e elas são inspiradoras. Já vi e vivenciei muitas, dentro da minha casa e da minha família. Meu pai, meus irmãos, meu marido entendem que  a fidelidade é para ambos. Não vou dizer que nunca poderão ter um envolvimento fora do casamento, mas em relações que duram mais de uma década, nunca houve suspeita ou comprovação de infidelidade deles.

(...) não vejo como uma defesa da fidelidade masculina. Defendo que há possibilidade de uma mulher ser feliz no casamento. Minha defesa é sempre por relacionamentos respeitosos, equilibrados, justos para ambas as partes.  Ser feliz em qualquer tipo relacionamento dá trabalho e muito.   Penso que  a relação homem-mulher possa ser muito feliz e prazerosa para ambos.  Jamais aceitaria uma relação em que um homem achasse que tem o direito à relacionamentos sexuais fora da minha cama, não apenas porque nesse contexto sou possessiva, mas porque respeito meu corpo e minha saúde e não me sujeitaria a uma DST. Brinco com o meu marido que eu capo ele se eu descobrir algo, rsrs.  Não sou adepta de uma guerra dos sexos. Penso que,  por nossos direitos, muitas vezes temos que brigar, gritar, expor, mas não preciso, sempre, agredir. 

Eu

Essa não é uma postagem CONTRA "felicidade no casamento", mas sobre a VIOLÊNCIA que se perpetua em casamentos - que você vendo, experienciando, vivendo, convivendo, ouvindo ou sabendo OU NÃO - são verdadeiros terrores, onde tortura, estupro, adultério com filhos e doenças sexualmente transmissíveis, dão apenas a ponto do iceberg. Os números, os dados estatísticos, as pesquisas em censos, no Atlas da VIOLÊNCIA (vide IPEA), em tantas e tantas INSTITUIÇÕES nacionais e internacionais COMPROVAM. Me perdoe, honestamente, a resposta direta, mas não é porque na sua vivência não se pode dizer do que o resto CONSTATADO do planeta já sabe que de fato o que é a sua vida compõe o todo. Chega a ser uma porção quase novelesca querer dizer que a realidade, infelizmente esmagadoramente maior, é apenas uma parte do casamento, quando, por exemplo, filósofos (Foucault, Adorno e Simone de Beauvior), escritores (Virgínia Woolf, Machado de Assis séc. XIX, Clarice Lispector), antropólogos (Margareth Meed, Débora Diniz e Roberto da Mata), historiadores (Mari Del Priore, Gerda Lerner, Silvia Federici, Júlia Kristeva) e tantas e tantos demais estudiosos estejam sendo "tendencios" ao tratar da VIOLÊNCIA no casamento (em especial heterossexual). Por favor, leia, se atualize, se coloca pela dor dos outros, sei lá... só não pondere o imponderável, chega a soar cinismo.

Você não foi apontada como "corna mansa" afinal não se afirma desse modo. Não é para nós que a defesa da sua honra como mulher não traída faz a diferença, mas para o seu marido na roda de amigos e nos grupos de whatsapp que ele pode ou não saber da existência, se não participa. Enquanto a sua "necessidade" de colocar a "integridade da sua honra" de não ter chifre - pois você parece dizer que "dá conta do trabalho que é ter uma boa relação afetiva" -, enquanto essa "necessidade" parece até "culpar as mulheres" ou subliminarmente "apontar para elas a falha" , eu lhe digo que seu marido pode até não te trair, mas conhece homens que traem e NADA DIZ, NÃO SE POSICIONA DE MODO ENFÁTICO como você fez aqui. Isso é algo bastante individualista e burguês, me perdoe se soou ofensivo, mas é apenas terminologia sociológica mesmo. Dizer que não acontece com você, mas "e daí" se acontece com sua amiga, sua prima, sua vizinha, sua irmã...é até absurdo. Se seu casamento é "feliz" você pelo visto e seu marido e sua família não estão nada preocupados com o casamento e a felicidade de outros...o que me faz pensar: você veio defender "o casamento feliz" ou a sua "honra" em não ser traída, ou corna... Por que se ofender se não é com você? E por que não fazer uma bandeira justa e ética para que outros casamentos ao seu redor prestem para as mulheres que estão sendo violentadas ao seu redor e você nem está aí para isso.

terça-feira, 29 de junho de 2021

poesia das horas

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Hoje eu tive a necessidade masoquista de ver o criminoso "apresentador" de tv que se faz de "justiceiro" tratando dessa notícia. Não assisto quase nada de tv, mas tenho uma antena que apenas me deixa ver os canais que ela aceita😕. Então, hoje tive esse estômago de assitir bem na hora que o "palhaço" bozista estava falando sobre esse caso. Ele fez um espetáculo de bizarrice, pronto para o bozonazismo rir e se enlamear. Uma situação deprimente, medíocre de ser entendido com algo histórico, sabe. Mas precisei ver para ouvir algo. É inacreditável que ontem assisti ao filme RoboCop 3. E lembro demais de Tropa de Elite...ele é a triste cópia de um personagem abutre como ele. Está claro como a morte desse personagem trágico do brasil foi ENCENADA em cada ato. Uma lastimável midiatização do genocídio e de um assassinato passado a crediário como um Big Brother macabro. Sinceramente, jogos mortos é uma balela perto da tristeza que é o fascismo no nosso país. Esse personagem foi usado para lavar dinheiro e fazer fumaça enquanto o dono do circo  ganha com corrupção. Essa narrativa é totalmente fictícia.

"Lázaro, venha para fora" disse Pilatos sobre a humanidade de Jesus.

*Não comemorem. Está tudo errado.*
*O matador foi contratado.*

Por semanas, aterrorizaram toda uma região, onde pequenos agricultores mantinham suas terrinhas com água perto. 
A TV ajudava o bando a aterrorizar a população, com boatos sobre demônios e sacrifícios. 
Milicianos com foro privilegiado faziam apologia às armas que o matador colecionava a cada assalto executado. 
Fundamentalistas aproveitavam a boataria para invadir terreiros de umbanda. 
Lázaro foi contratado para aterrorizar esse Brasil sem Lei, sem autoridade, sem remédio e sem juízo. 

Sem ordem, nem mandato, policiais ameaçaram os familiares do bandido. O que saberia a mãe, a esposa de Lázaro? Nada que algumas ameaças de morte não as fizesse esquecer. 

Descobrem o bandido na casa de um fazendeiro local. Só depois da desconfiança de um caseiro, invadem a propriedade e apertam o fazendeiro. Ele confessa: era crime de mando. 
Antes que Lázaro delatasse quantos o ajudaram, quantos o contrataram, quem estava com ele na barbárie, fazem do homem menos perigoso que Jair, peneira. Com tantos tiros na cara, nem a mãe vai reconhecer aquele pedaço de corpo que sobrou da queima de arquivo.

Não comemorem. Os serial killers que mandam matar e tacar terror no país, estão livres e sequer serão revelados.  
Pela capacidade de zombar desse país ingênuo e crédulo em crendice, é capaz dos contratantes ainda ressuscitarem seu demônio. 

Não comemorem. A festa é dos assassinos.

Malu Aires