Por isso que admitir que existe uma cultura do estupro e que ela está diretamente relacionado ao machismo e as demandas de uma sociedade moralista é tão importante! Não há realmente como se prevenir! Não há como garantir que sua família não será atingida, afinal de contas nas escolas os professores também assediam alunas! Padres, pastores, avós, amigos, PAIS e cuidadores de crianças abusam delas! Não há como se prevenir a não ser através de uma campanha efetiva de mudança de mentalidade na qual as mulheres não sejam culpabilizadas pelo "fracasso familiar", nem por serem culpadas por serem abusadas, por exemplo. Essa conscientização precisa estar no currículo oficial escolar do Brasil. É obrigatório combater o machismo e as suas doenças tal como o estupro. A inferiorização das mulheres, a sobrecarga de trabalho que as escraviza, a responsabilidade absoluta pela "educação" e pelos cuidados com a família é uma escravidão e uma forma de não responsabilizar e de deixar impunes a esmagadora maioria dos agressores. Não posso dizer que não haja caso de violência sexual contra crianças provenientes de mulheres, existem embora sejam muito menores, mas eles são reprodução pura da dominação sexual patriarcal. Minha preocupação é com minha aluna de 16 anos grávida e "casada" com um rapaz de 21 anos que ano passado ameaçou matar ela na escola. Entre outros tantos casos. Por isso eu duvido que seja uma medida realmente determinante tranferir a responsabilidade para os pais quando o Estado brasileiro é negligente e não é questionado de fato, ao contrário atualmente é apoiado nas suas irresponsabilidades. Eu fico preocupada demais com o rumo que a cultura no Brasil está tomando. Somos cada vez mais um país de desumanidade e individualismo radical o que afeta diretamente às crianças e qualquer segmento social mais vulnerável. Será um desastre humanitário, eu sinceramente não consigo não ser realista sobre isso.
Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
terça-feira, 6 de agosto de 2019
Eu queria saber quem é que tem o poder de escolher entre trabalhar e colocar alimento dentro de casa e "selecionar" quem vai cuidar do filho? Me desculpem a saia justa do questionamento, mas eu realmente quero entender como se coloca tão facilmente a responsabilidade em pais e cuidadores de crianças em relação aos crimes provenientes da violência e da negligência contra crianças, mas não se enxerga o tamanho da CULPA e do DOLO que o Estado brasileiro possui nesse tipo vergonhoso de crime?! Onde estão as creches? Onde estão as escolas de tempo integral? Onde estão as remunerações adequadas? Onde está a transferência de renda que não pareça uma esmola? Onde está a dignidade da família brasileira? Quais são os programas efetivos de responsabilidade estatal em relação a essa temática (que não seja jogadinha barata de marketing tal como o programa "criança [IN]feliz)?! Cadê a responsabilidade do Estado brasileiro em relação a exploração sexual infantil e dos abusos por puro abandono, sem falar por favor em discurso deplorável sobre "falta de calcinha"?!?!? Eu fico preocupada com o país de semianalfabetos em direitos humanitários que o Brasil tem se mostrado! É uma lástima!
sábado, 3 de agosto de 2019
Talvez eu não seja namorável.
Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…
Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?
Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…
Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…
Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.
E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…
Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.
Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:
– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.
Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.
Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.
E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..
Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.
Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…
Texto escrito por Akasha Lincourt
Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…
Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?
Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…
Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…
Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.
E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…
Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.
Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:
– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.
Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.
Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.
E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..
Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.
Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…
Texto escrito por Akasha Lincourt
A palavra procrastinação está cada vez mais cheia de significados que remetem a coisas que fazem mal, tipo: atraso, falta de compromisso com o outro, deixar para amanhã o que ia fazer hoje, não resolver um problema... Mas eu discordo! Eu protesto! Isso não é verdade porque PROCRASTINAR É VIVER! Dentro do capitalismo, tempo é uma coisa controlada pelos donos do poder, então, ele é dinheiro! Mas isso também é mentira! Por isso os capitalistas colocaram a palavra procrastinação como algo ruim, para que a gente seja produtiva e dê lucro para eles! Eu odeio o capitalismo porque ele nos roubou nossos maiores tesouros, entre eles a liberdade de viver como se quer e o tempo de fazer o que se quer e não o que dá lucro!
terça-feira, 23 de julho de 2019
Enquanto a metáfora do anticristo for vista como uma filosofia contra a religião, não avançaremos na epistemologia nietzscheniana. Se há uma epistemologia proposta por Nietzsche, essa é um viés filosófico da ruptura com os dogmas e doutrinas em qualquer forma de pensamento, inclusive a ciência e a filosofia clássica - como já sabemos. Reconhecer o questionamento sobre a autoridade absoluta da religião na existência humana, realmente foi um dos maiores embates culturais propostos por Nietzsche, mas não é o único. Encontrar nesse questionamento essencialista o núcleo do existencialismo e da fenomenologia é uma possibilidade catalisadora nas questões nietzschenianas. Desculpem a chatice do argumento que se reitera e se ratifica, mas é necessário enfatizar: não se trata de ir contra a Igreja enquanto instituição religiosa, mas sim de questionar o seu poder absoluto em relação à política, à ciência e à cultura. A igreja não é, para Nietzsche, uma entidade social ou somente religiosa, ela é o pensamento dogmatizador, desumanizador, deturpador da consciência. Para ele, há o aparelhamento simbólico através da naturalidade de resolução por meio do mítico. É isso que precisamos focar, pois o fascismo é um dispositivo dentro desse sistema.
sábado, 20 de julho de 2019
Sou professora no interior do Maranhão e vejo os olhos humanos com fome todos os dias na escola. Quando estamos sem merenda, a fome que faz desmaiar em sala. Quando estamos com uma merenda fraca, a fome que desconcentra e desatenta para o conteúdo - aliás, desde que sou professora de escola pública (há 3 anos) o conteúdo já não é mais o meu foco, me foco em meus alunos e em seus olhos vulneráveis. Quando é período de férias e meus alunos não comerão sempre, eu sei, isso me arde por dentro porque eu sinto a fome deles na minha alma. Eu já tive fome, eu já quis comer e não havia o que eu queria, mas eu nunca dormi sem uma refeição ao menos. Apesar da minha ignorância, não há como não sentir a fome dos meus, da minha comunidade e da minha gente que luta, que cai e que morre bem do meu lado. A fome está do meu lado e, se eu não a visse, a desumanidade já havia me cegado. Sou muito descrente nas falácias interpretativas que encontro sobre a narrativa literária de Jesus, mas gosto de me lembrar de parte de suas andanças em que encontrou a fome e não cegou. Talvez, Jesus de Nazaré (aquele interiorano pobre) tenha enxergado na fome dos seus a sua própria miséria. É miserável ser humano e não poder acabar com a fome de toda gente. Ser humano e ser impotente diante da fome é uma miséria com a qual devemos conviver por derrota, por fracasso mesmo de humanidade que se acha tão superior aos outros animais e não é. A fome é a miséria da humanidade e nossa maior derrota. O que fez Jesus então? Repartir o pouco que tinha, o pouco que era com todos, diz-se que multiplicou pães e peixes. Eu, por outro lado, acredito que tenha multiplicado a humanidade entre os homens e fez com que os que tinham repartissem o seu pouco e assim fizeram o milagre de ser igual. Ser igual é uma virtude rara. Ser igual a quem tem fome, mesmo sem nunca ter sentido essa dor de fato, é um milagre. Ser humano hoje em dia é fazer todo dia em si um pequeno milagre. Que o fascismo não nos tire a humanidade.
Muito obrigada! Precisamos mesmo tornar a inclusão a nossa realidade educacional. Incluir não é integrar, da mesma sorte que intervir não é interferir. Enquanto na integração se coloca o aluno como um atendido pelo sistema educacional, através da inclusão, o aluno é o catalisador da educação. Ele gera o método, ele compartilha com o professor e seus colegas do processo de ensino-aprendizagem e a avaliação deixa de ser um mecanismo de exclusão e "seleção natural" e passa a ser o meio de compreensão e garantia do direito fundamental ao saber comunitário institucionalizado. Precisamos rever URGENTEMENTE as concepções de Educação no nosso país. Meu sonho é um dia conseguir ser professora de uma escola pública em que exista a garantia plena do direito à Educação formal. Esse é o meu sonho.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Toda pessoa gordofóbica é um reprimido. A insegurança pela falta de autoestima, pela ausência de reconhecimento de suas qualidades, por saber de seus indefensáveis defeitos, por se conhecer medíocre para muitas coisas...um indivíduo transtornado psicológica e socialmente é gordofóbico. Apesar disso, não há por que termos pena de um gordofóbico no sentido de querer ajudar, aconselhar, conscientizar. Nada disso terá efeito. Um gordofóbico é como um racista e um homofóbico tem um ódio que pode destruir uma pessoa que ele encontra como alvo. Alvo de destruição. Então, é preciso se afastar, calar, não dar atenção, ignorar e deixar na escuridão de onde saiu. Como disse Nietzsche "de tanto olhar o abismo, o abismo te olha". Os monstros que enxergamos no outro são o espelho da nossa alma. Deixem os demônios sozinhos e eles se autodestruírão, não como suicidas, mas como quem precisa acabar com a maldade que lhe habita sozinho, no seu próprio limbo.
terça-feira, 16 de julho de 2019
Infelizmente nossa realidade impede que muitos dos brasileiros imaginem o que seja uma universidade federal. Com certeza, a esmagadora maioria mal pensa em cursar uma faculdade, muito menor é o número dos que sonham em se pós graduar por uma instituição pública. A população não sabe que possui esse direito, não sabe que é um "sonho" que deveria se tornar realidade, não sabe que pode e deve querer maior qualificação profissional para além de uma simples formação burocrática (comprobatória, só um papel para mostrar na entrevista de emprego por exemplo), entre outras alienações. O povo brasileiro é muito alienável porque não possui instrução formal de qualidade, já que a escola pública em geral vem sendo há séculos um projeto de inserção de mão de obra em um tipo de mercado de trabalho violento, que é contra a qualidade de vida do operário, sendo viciado em produtividade precarizante. São muitos os fatores e o produto é um só: ignorância. Esse é o efeito de um projeto de país que se fez desde a primeira colonização e segue na sua versão mais feroz, o imperialismo neoliberal fascista. É preciso reagir? Óbvio! Mas como se enfrenta uma mídia colonizada, com uma educação precarizada, com professores tornados inimigos e com uma população esmolando direitos elementares como o de se alimentar???? É um desabafo o que eu faço. Me perdoem.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Não tem maior representação do Brasil do que a imagem de um estádio de futebol com a seleção masculina em final de campeonato cuja divisão entre os que vaiam e os que aplaudem demonstra nosso abismo. Enfim, eles conseguiram. Colocaram o povo em guerra, fizeram da nossa gente uma torcida que se estranha e se sabota. Hoje somos um país sabotado de sabotados! Não há mesmo o que comemorar, não há por que comemorar. Sobre o atual (DES)governante do país, não há nem o que se falar, senão que é um ventríloquo, uma besta falante. Também há muito o que se entristecer por isso. Mas nada é maior do que o fracasso democrático, isto é, a derrota do povo brasileiro expressa em sua autorrejeição. Somos um país despedaçado.
terça-feira, 2 de julho de 2019
Um pouco por preguiça, um pouco por pão-durismo, tenho muita dificuldade em abrir mão de pertences de uso cotidiano. Fui proprietário, até o final de março, de um moletom que era o meu favorito e me acompanhava desde 2005. A estampa estava toda descascada e o zíper foi quebrando em várias partes até que se soltou completamente. Uma pena, porque tenho saudades desse moletom. Lembro também de um par de tênis brancos que dei como aposentados após quase uma década de uso. Passou um ano ou dois e os reabilitei para um fim de carreira que se estendeu por mais um biênio. Meu computador teve carreira semelhante: nascido em 2009, entrou em coma em abril do ano passado e, desenganado pelos técnicos, passou três meses vegetando até que retornou um dia sem aviso, lento mas robusto, e aqui está, é nele que vou escrevendo estas bobagens. O mais recente episódio começou em fevereiro, quando meu telefone deixou de carregar. Não demorei a perceber que bastava dar uma leve calçada na extremidade do cabo que ele voltava a carregar, assim de viés, mas carregava. Tinha que tomar muito cuidado, na hora de digitar, para não fazer ruir o calço que eu edificava com a carteira e um livro de crônicas. Segui assim por mais três meses, até que numa quinta-feira ele morreu por completo. Ou pensava eu que tinha morrido, porque o levei até uma loja e tiraram do buraco do carregador uma bolinha de tecido, que era o que estava atrapalhando tudo. E redivivo ele seguiu por mais seis ou sete semanas, até que a tomada ao lado da cama – mistérios da tecnologia – deixou de funcionar. Tive que mudar para a tomada perto da porta, o que era incômodo, porque eu esquecia de acionar o alarme e tinha que sair de baixo das cobertas para garantir que ele tocasse de manhã. Mas a tomada da porta também parou de funcionar – e eu tentei sugar com a boca uma nova bolinha de tecido, mas agora o problema parece que não era mais com o buraco do carregador, era mesmo com a tomada. Atrás da estante de livros fui encontrar uma terceira tomada, esquecida, que me serviu por mais alguns dias, mas como as outras morreu, vai entender. De maneira que, nesta noite de segunda, estou respondendo mensagens de pé, no banheiro, na tomada que me restou, apenas sete por cento de bateria. Em noites frias, meu celular salta do oitenta e dois para o nove por cento, sem aviso. Outras vezes fica estacionado no cinquenta e um por horas, até que num instante vai a zero e morre. Por essas e outras, tem tudo para continuar a meu lado por mais alguns anos.
Daniel Serrano - crônica de Facebook
Daniel Serrano - crônica de Facebook
domingo, 2 de junho de 2019
Aproveita as coisas boas, tá
"até a próxima vez" alguém saberia tecer os laços no invisível caminho dos afetos. Eu não sei. Então, lhe disse o que havia ali e segui. Não há nenhuma rota de encontro agora.
Eu sou assim
Eu sou assim
É gol do patriarcado! Mais uma mulher vai ser julgada sem ter como se defender!
eu queria pontuar uma coisa fundamental na situação do print da conversa, ele por si já acarretaria danos morais ao referido acusado porque usa de coação moral (assédio na exposição pública) a fim de obstruir a acusação. A única coisa que não se está discutindo é o que de fato importa, a suposta vítima estar sendo coagida em público e ainda haver quem lhe constranja. Se fôssemos um país digno, esse tipo de procedimento já estaria claramente tipificado como agravante em casos de assédio sexual, moral, violência psicológica e até mesmo em casos de tentativa de feminicídio. Sobre o fato de os juízes, sem magistratura, estarem supondo a prévia condenação da vítima por falso crime, eu ainda tenho uma última observação: um país com a cultura entranhada pelo futebol, que chega a ser confundido com a identidade do nosso povo de modo até superficial, jamais colocará o ídolo (fabricado) nessa berlinda, quem será a apedrejada publicamente...adivinha? Ele fez isso conscientemente! Não esqueçamos, por fim, o caso emblemático de Elisa Samúdio que declarou se sentir ameaçada, foi brutalmente assassinada, teve os assassinos "presos" por um tempo insignificante perto do tamanho do crime e tem hoje, SEU MAIOR CONDENADOR E FEMINICIDA, de novo de volta aos gramados... É gol do patriarcado! E para nós, insignificantes mulheres, é MORTE (da nossa dignidade ou do nosso corpo). Eu não desejo isso a nenhuma de nós! E gostaria que essa doença chamada MACHISMO que fomenta a cultura do estupro ACABASSE! Independentemente do desenrolar desse caso, tenho uma certeza incontestável em mim: ser mulher é estar em constante perigo sempre, até entre as iguais.
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Ser escravo da profissão é uma ideologia aprisionadora
é francamente uma ideologia exploradora essa que defende o "amor" pela profissão. Desde que li Paulo Freire, no livro "Professora sim, tia não! Cartas a quem ousa ensinar", eu sempre questiono essa mentalidade que faz dos professores profissionais que se doam como a um sacerdócio, como a um matrimônio com a sociedade ( o que é absurdamente equivocado). Em primeiro lugar, o profissional deve ter a postura ética de ser tecnicamente regrado e formado. Em segundo lugar, a experiência com a realidade escolar deve ser seu maior meio de inspiração didática, metodológica e teórica. Em terceiro lugar, a sua personalidade (a subjetividade natural humana) deve ser respeitada para que o seu ofício tenha uma possibilidade de execução real e não ideal (em outras palavras, impossível). Em quarto lugar, nenhum profissional deve ter que colocar a sua vida no trabalho prioritariamente em relação a sua demanda emocional e pessoal de forma geral. Em ultimo lugar, só pra não ser mais chata, "amar a profissão" não é nem de longe uma premissa de felicidade humana, nem de realização, é sim um condicionamento cultural que nos aprisiona a situações insalubres, humilhantes, estagnadoras e assujeitadas. Por tudo isso, eu sou ABSOLUTAMENTE contra qualquer ideologia superficial que imponha o "amor ao trabalho", fato este que considero uma escravização mental contemporânea. Ninguém é um professor, apenas está. E pode deixar de ser profissional de tal área a hora que bem entender, se for para a sua satisfação pessoal. É isso.
terça-feira, 30 de abril de 2019
Coloca ela de quatro, ela adora. Mas não começa fazendo isso na cama. Primeiro coloca ela de quatro nos sentimentos.
Sabe aqueles erros de outros caras que elas comenta? Escute e não erre igual.
Sabe aquele cara que quebrou o coração dela? Mostre ser diferente.
Sabe a falta de fé dela em relacionamentos e caras fiéis? Prove todos os dias que ela está errada e que você é um presente que ela muito merecia.
Coloque ela de quatro pelo seu jeito de tratá-la. Deixe ela vulnerável através da sua sinceridade, das suas palavras carinhosas, das suas atitudes que provam ser suas palavras verdadeiras.
Ela está louca para ficar de quatro na cama, louca para realizar e ser realizada, mas ela não fará isso sem antes ter certeza que o cara atrás dela, o cara para quem ela dá as costas, será o cara que também irá acima de tudo protegê-la.
Antes de querer ela vulnerável tenha certeza que você se garante para ser a proteção dela, o confidente, o melhor amigo. Antes de por ela de quatro na cama tenha certeza que você está pronto para os dias em que ela não estiver legal, para os dias que ela só quiser deitar no seu peito e desabar.
Fique de quatro por ela, sem medo, sem competir ou querer ser melhor. Fique de quatro por ela com sua sinceridade. Fale a verdade mesmo que possa doer. Não esconda seu passado, mas mais do que isso olhe nos olhos dela quando for falar sobre o futuro que quer para vocês dois.
Coloca ela de quatro com a confiança, a verdade que você transmite. Te garanto que ela será incrível na cama e na sua vida quando ela tiver certeza que você é mais do que o presente, que você pode ser o futuro dela.
Texto: @Felipe_sandrin
Sabe aqueles erros de outros caras que elas comenta? Escute e não erre igual.
Sabe aquele cara que quebrou o coração dela? Mostre ser diferente.
Sabe a falta de fé dela em relacionamentos e caras fiéis? Prove todos os dias que ela está errada e que você é um presente que ela muito merecia.
Coloque ela de quatro pelo seu jeito de tratá-la. Deixe ela vulnerável através da sua sinceridade, das suas palavras carinhosas, das suas atitudes que provam ser suas palavras verdadeiras.
Ela está louca para ficar de quatro na cama, louca para realizar e ser realizada, mas ela não fará isso sem antes ter certeza que o cara atrás dela, o cara para quem ela dá as costas, será o cara que também irá acima de tudo protegê-la.
Antes de querer ela vulnerável tenha certeza que você se garante para ser a proteção dela, o confidente, o melhor amigo. Antes de por ela de quatro na cama tenha certeza que você está pronto para os dias em que ela não estiver legal, para os dias que ela só quiser deitar no seu peito e desabar.
Fique de quatro por ela, sem medo, sem competir ou querer ser melhor. Fique de quatro por ela com sua sinceridade. Fale a verdade mesmo que possa doer. Não esconda seu passado, mas mais do que isso olhe nos olhos dela quando for falar sobre o futuro que quer para vocês dois.
Coloca ela de quatro com a confiança, a verdade que você transmite. Te garanto que ela será incrível na cama e na sua vida quando ela tiver certeza que você é mais do que o presente, que você pode ser o futuro dela.
Texto: @Felipe_sandrin
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Intertexto - Bertolt Brecht
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
domingo, 21 de abril de 2019
Toque Sutil
(Sociólogo de Botequim)
Em seu corpo meu toque sutil
Faz sua alma tremer
Sua pele sentindo o desejo no gosto do beijo que te faz gemer
Das pernas subo devagar
E vou te levando ao céu
Te sinto suando, querendo, em chamas ardendo implorando meu mel
No pescoço meus lábios repousam
Teu corpo a se contorcer
Teu cheiro em meu cheiro na dança que traz a esperança de não fenecer
Minha língua no ponto sagrado
Enfim gera uma explosão
Do gozo eu já sinto o gosto mas não deixo o posto até a sua exaustão
Então vejo o seu sorriso e é o que eu preciso pra compreender
Que suas pernas já não se aguentam e os lábios desejam me ter em você
Com a força que sobra te ergo, seguro te envergo, te lanço pro ar
E pra explodir de desejo te envolvo num beijo para em ti penetrar
(Sociólogo de Botequim)
Em seu corpo meu toque sutil
Faz sua alma tremer
Sua pele sentindo o desejo no gosto do beijo que te faz gemer
Das pernas subo devagar
E vou te levando ao céu
Te sinto suando, querendo, em chamas ardendo implorando meu mel
No pescoço meus lábios repousam
Teu corpo a se contorcer
Teu cheiro em meu cheiro na dança que traz a esperança de não fenecer
Minha língua no ponto sagrado
Enfim gera uma explosão
Do gozo eu já sinto o gosto mas não deixo o posto até a sua exaustão
Então vejo o seu sorriso e é o que eu preciso pra compreender
Que suas pernas já não se aguentam e os lábios desejam me ter em você
Com a força que sobra te ergo, seguro te envergo, te lanço pro ar
E pra explodir de desejo te envolvo num beijo para em ti penetrar
sábado, 20 de abril de 2019
Sem lhe conhecer
Senti uma vontade louca de querer você
Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você.
Senti uma vontade louca de querer você
Nem sempre se entende as loucuras de uma paixão
Tem jeito não
Olha pra mim
Faz tempo que meu coração não bate assim
Não faz assim, me diz seu nome
Não me negue a vontade de sonhar
De sonhar os meus sonhos com você
Despertando pro seu adormecer
Seria bom demais
Que bem me faz, você.
terça-feira, 16 de abril de 2019
PARTE 2
O olhar parecia de uma santa,
mas o corpo se movia bestialmente
ela sabia o que queria
sabia o que fazia
Suas pernas se abriam
feito uma bailarina,
as mãos me tocavam
quase que a alma
Como pode tanto aos 20 e poucos anos?
O olhar parece inocente,
mas sua boca é tão libertina:
molhada, quente, sagaz,
desliza por todo o meu corpo,
sussurra de maneira depravada
– me come na mesa
Enfio minha cabeça
entre suas coxas carnudas,
chupo a sua flor
que parece uma brasa
quente e avermelhada
Enquanto isso,
ela recita palavras obscenas
me puxando para dentro de si
pelos cabelos
Debruço ela na mesa
e meto com vontade,
latejando brutalmente
até o nosso suor estampar
a marca do nosso pecado
por toda a madeira da mesa
O olhar parecia de uma aluna,
mas o seu corpo ensinou
mais do que eu poderia imaginar.
( Cleydson Ramones )
O olhar parecia de uma santa,
mas o corpo se movia bestialmente
ela sabia o que queria
sabia o que fazia
Suas pernas se abriam
feito uma bailarina,
as mãos me tocavam
quase que a alma
Como pode tanto aos 20 e poucos anos?
O olhar parece inocente,
mas sua boca é tão libertina:
molhada, quente, sagaz,
desliza por todo o meu corpo,
sussurra de maneira depravada
– me come na mesa
Enfio minha cabeça
entre suas coxas carnudas,
chupo a sua flor
que parece uma brasa
quente e avermelhada
Enquanto isso,
ela recita palavras obscenas
me puxando para dentro de si
pelos cabelos
Debruço ela na mesa
e meto com vontade,
latejando brutalmente
até o nosso suor estampar
a marca do nosso pecado
por toda a madeira da mesa
O olhar parecia de uma aluna,
mas o seu corpo ensinou
mais do que eu poderia imaginar.
( Cleydson Ramones )
terça-feira, 9 de abril de 2019
20 DICAS PARA ESCREVER BEM:
1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!
2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou mensag. que vc. escrev.
3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?
4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!
5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!
6. Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.
7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!
8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.
9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!
10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.
11. A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!
12. Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!
13. Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”
14. Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!
15. Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.
16. A voz passiva deve ser evitada, para que a frase não seja passada de maneira não destacada junto ao público para o qual ela vai ser transmitida.
17. Seja específico: deixe o assunto mais ou menos definido, quase sem dúvida e até onde for possível, com umas poucas oscilações de posicionamento.
18. Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!
19. Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a
James Michener, escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer de 1948.
1. Evite repetir a mesma palavra, porque essa palavra vai se tornar uma palavra repetitiva e, assim, a repetição da palavra fará com que a palavra repetida diminua o valor do texto em que a palavra se encontre repetida!
2. Fuja ao máx. da utiliz. de abrev., pq elas tb empobrecem qquer. txt ou mensag. que vc. escrev.
3. Remember: Estrangeirismos never! Eles estão out! Já a palavra da língua portuguesa é very nice! Ok?
4. Você nunca deve estar usando o gerúndio! Porque, assim, vai estar deixando o texto desagradável para quem vai estar lendo o que você vai estar escrevendo. Por isso, deve estar prestando atenção, pois, caso contrário, quem vai estar recebendo a mensagem vai estar comentando que esse seu jeito de estar redigindo vai estar irritando todas as pessoas que vão estar lendo!
5. Não apele pra gíria, mano, ainda que pareça tipo assim, legal, da hora, sacou? Então joia. Valeu!
6. Abstraia-se, peremptoriamente, de grafar terminologias vernaculares classicizantes, pinçadas em alfarrábios de priscas eras e eivadas de preciosismos anacrônicos e esdrúxulos, inconciliáveis com o escopo colimado por qualquer escriba ou amanuense.
7. Jamais abuse de citações. Como alguém já disse: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”. E “Todo aquele que cita os outros não tem ideias próprias”!
8. Lembre-se: o uso de parêntese (ainda que pareça ser necessário) prejudica a compreensão do texto (acaba truncando seu sentido) e (quase sempre) alonga desnecessariamente a frase.
9. Frases lacônicas, com apenas uma palavra? NUNCA!
10. Não use redundâncias, ou pleonasmos ou tautologias na redação. Isso significa que sua redação não precisa dizer a mesmíssima coisa de formas diferentes, ou seja, não deve repetir o mesmo argumento mais de uma vez. Isso que quer dizer, em outras palavras, que não se deve repetir a ideia que já foi transmitida anteriormente por palavras iguais, semelhantes ou equivalentes.
11. A hortografia meresse muinta atensão! Preciza ser corrijida ezatamente para não firir a lingúa portuguêza!
12. Não abuse das exclamações! Nunca!!! Jamais!!! Seu texto ficará intragável!!! Não se esqueça!!!
13. Evitar-se-á sempre a mesóclise. Daqui para frente, pôr-se-á cada dia mais na memória: “Mesóclise: evitá-la-ei”! Exclui-la-ei! Abominá-la-ei!”
14. Muita atenção para evitar a repetição de terminação que dê a sensação de poetização! Rima na prosa não se entrosa: é coisa desastrosa, além de horrorosa!
15. Fuja de todas e quaisquer generalizações. Na totalidade dos casos, todas as pessoas que generalizam, sem absolutamente qualquer exceção, criam situações de confusão total e geral.
16. A voz passiva deve ser evitada, para que a frase não seja passada de maneira não destacada junto ao público para o qual ela vai ser transmitida.
17. Seja específico: deixe o assunto mais ou menos definido, quase sem dúvida e até onde for possível, com umas poucas oscilações de posicionamento.
18. Como já repeti um milhão de vezes: evite o exagero. Ele prejudica a compreensão de todo o mundo!
19. Por fim, Lembre-se sempre: nunca deixe frases incompletas. Elas sempre dão margem a
James Michener, escritor, ganhador do Prêmio Pulitzer de 1948.
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