(...) Nada, você não entende nada. Dama da noite. todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro. Não suporto: luz, também nunca tenho nada pra fazer - o quê? Umas rendas aí. É, macetes. Não dou detalhe, adianta insistir. Mutreta, trambique, muamba. Já falei: não adianta insistir, boy . Aprendi que, se eu der detalhe, você vai sacar que tenho grana e se eu tenho grana você vai querer foder comigo só porque eu tenho grana. E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor. Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara. Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo. Se eu tô tesuda e você anda duro e eu precisar de cacete, compro o teu, pago o teu. Quanto custa? Me dil que eu pago. Pago bebida, comida, dormida. E pago foda também, se for preciso. (...)
Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
sábado, 4 de janeiro de 2020
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
— Você me ama? Perguntou Alice.
— Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco.
Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.
—Vês? Retorquiu o Coelho Branco.
Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.
Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.
Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.
Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão.
A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"
— Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco.
Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.
—Vês? Retorquiu o Coelho Branco.
Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.
Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.
Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.
Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão.
A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
É exatamente o que eu estou estranhando... A narrativa propagandeada para se inventar a bonança é clara. Existe uma agenda no jornalismo brasileiro que está impondo essa fachada de respiração econômica. Como se a população pobre realmente estivesse sentindo algum alívio com essa história de governo neoliberal austero e fascistoide. Eles querem nos enganar dizendo que existe uma melhoria econômica, mas não há. Não há melhoria econômica com excesso de informalidade (ausência de direitos e garantias trabalhistas) ou com subssalários aceitos a custo de sacrifícios. Se há uma população que compra e que consume a revelia de sua própria condição financeira real, isso é ALIENAÇÃO capitalista que só alimenta os bolsos do capital e endivida o pobre trabalhador já explorado e que por isso se deixa manipular e degradar mais. Tudo nessa situação é caos e vergonha para o Estado democrático de direito.
Jonathan Lopes eu não estranho uma "verdade" inventada em que se traduz a realidade pelo olhar do grande capital. Sinceramente, onde isso é estranho? Cadê a novidade? A imprensa brasileira é movida ao capitalismo irracional e desumano. Não há informação, mas alienação das massas. Isso é a indústria cultural produzindo o efeito de inércia consumista. Se se consome, mesmo sem ter o suporte, pagando em parcelas infinitas e a juros selvagens, não há melhoria, há endividamento das massas a fim de sustentar a libido desse mercado PERVERSO. Isso é óbvio, irmão!
Jonathan Lopes eu não estranho uma "verdade" inventada em que se traduz a realidade pelo olhar do grande capital. Sinceramente, onde isso é estranho? Cadê a novidade? A imprensa brasileira é movida ao capitalismo irracional e desumano. Não há informação, mas alienação das massas. Isso é a indústria cultural produzindo o efeito de inércia consumista. Se se consome, mesmo sem ter o suporte, pagando em parcelas infinitas e a juros selvagens, não há melhoria, há endividamento das massas a fim de sustentar a libido desse mercado PERVERSO. Isso é óbvio, irmão!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
O que eu fico CHOCADA é com a IGNORÂNCIA violenta que uma ministra (com m minúsculo de VEEGONHA!) não saber absolutamente NADA do que era a sua área de atuação ANTES DELE SER ENCARREGADA. Demonstra na sua fala, aparentemente ingênua e impressionada, que não era nada interessada no assunto antes, que não sabe o que foi feito antes, que não estudava sequer sobre o assunto antes e que temos UMA COMPLETA ABOBALHADA como ministra da pasta RADICALMENTE mais indispensável, porque vivemos uma tirania neoliberal! Vergonha de perceber no editorial uma tendência a "limpar" a péssima postura antiética que essa inescrupulosa mantém. Tudo que ela fala como "agora estão sendo vistos" faz parte dessa pasta antes até dela nascer! Uma vergonha ter que ler como se ela fosse um amenizador do ódio e da devastadora violência que o governo em que ela faz parte propagada e disseminou em nosso país! Como aguentar a falácia de que "só agora" haja qualquer visibilização de ribeirinhos explorados e abusados pelo Estado e por forças neoliberais e patriarcais (perdoem a redundância), afinal a CPI da Pedofilia já tratava por exemplo da lenda do boto como subterfúgio para esconder os casos de abuso sexual interparental. Eu tenho vergonha de ler que essa hipócrita usa terminologias abusadas pelo capitalismo como refúgio de um protótipo de feminismo "libefeminismo neopetencostal" que pelo nome mais parece o que é uma droga produzia a fim de destruir a luta real de mulheres históricas, tal como as feministas estupradas durante a ditadura no Brasil. Nada do que ela diz é prático, portanto, há falácia e hipocrisia em tudo. Triste matéria que poderia ser realista e me parece romantizar a imagem de uma anti-humana! Essa é contra a humanidade. Vocês se iludiram ou querem nos fazer de otários?
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
É bem verdade que sobre alimentação o papo é sempre muito sério e humanitário mesmo. Isso porque, infelizmente, nunca é sobre fazer piada com a comida, mas com o faminto...eu te entendo. Acho ainda louvável que se faça mesmo campanhas por uma alimentação digna e não capitalizada. É sempre importante lembrar que há assuntos indispensáveis na era do desperdício e da fome. Vivemos os paradoxos desumanizadores. Mas voltando a uva-passas... é sempre engraçado ver que ela realmente assombra o prato de uns e lustra o de outros. Ainda há uma questão ética nessa situação bem cômica, não é... Quem pode ou não comer o que escolhe? Ou é justo se escolher o que se come ou ser escolhido para passar fome? E mesmo assim posso dizer que há na tragédia da injustiça social a comédia do humano. Afinal, desde os gregos, a comédia era um jeito risível de enxergar problemas realmente sérios e indiscutivelmente relevantes. A fome não é brincadeira e deve gerar polêmicas. Como já diz o rock, afinal, "você tem fome de quê?". E a pergunta é crucial para a nossa empatia.
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Nossa! Essas palavras estão precisando de um cuidado muito mais de perto. Não se pode achar que se curar sozinha é sempre a única solução, porque efetivamente não é! É possível sair desse poço escuro, desse abismo confuso que mais parecem um labirinto em si mesma. Ela pode sair desse lugar e não precisa fazer isso sozinha. Claro que quem for cuidar dela, precisará contar com as mãos dela apertando às suas. Quem for cuidar dela vai precisar que ela acredite um pouquinho em si mesma para depois transbordar em um mar de autocuidado e respeito por suas dores e dúvidas. Não pode ser que se viva em paz achando que se pode ser assim sozinha a vida inteira. Veja bem, não é sobre acreditar em amor que cura tudo, ou em um príncipe que chega no cavalo branco e muda toda a vida dela. Não é sobre acreditar que amor é somente uma pessoa que vai te cuidar e vai melhorar a sua vida para você. Não é sobre ilusão de amor que é perfeito e derruba todas as barreiras. É sobre saber que gente precisa de gente para se curar. Somente quando voltarmos a atender que ajudar e cuidar do outro com verdadeira amorosidade é obrigatório para que a humanidade resista aos tempos de terror nos quais vivemos! A humanidade é um ato recíproco, não acontece se não for estimulado e quando sai de modo pode ser o fim de muitos mundos, muitos universos. Há pessoas que necessitam mais em alguns tempos e outras que precisam com menor frequência. Isso não torna um menos vulnerável do que o outro. Nossa humanidade nós fragiliza na necessidade dos outros humanos para vivermos melhor, para sarar certas feridas da alma e para vencer a própria angústia primeira (o saber-se só no nascer e no morrer e em muitas outras horas cruciais de nossas vidas). Mas não somos condenados à solidão. Também não é a solidão a solução para todas as dores do mundo. Curar é um processo que se faz na troca, na convivência, de modo interpessoal. A cura precisa ser um propósito mútuo e coletivo, senão a dureza do egoísmo vai matar nossa humanização. É preciso aprender a ser cuidado, assim como aprender a cuidar de quem precisa da gente.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
Odiei a legenda, mas amei o vídeo! Crianças não tem que aprender a música que este ou aquele acham "boas" por rótulos. Elas devem sentir a estética autêntica de uma melodia. Melodia não é o seu padrão sonoro favorito ou o meu som mais conformativo. Não! Estética autêntica de uma melodia é sensibilidade para os poros, é o que arrepia a mente e os pelinhos do braço, é a nossa música universal. Não se trata de "libertar" crianças através do preconceito de rotular está ou aquela como a melhor ou a pior música, mas de ser a ponte entre o mundo sem a melodia estética e o universo das canções que atravessam eras. A música conta história, canta a narrativa cultural e também encanta a alma. Não restrinjamos o que nasceu para ser infinito.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Sobre viver em tempos de cegos e cegueiras inventadas. Não adianta nada negar sua visão à realidade em si. O corpo ouve, sente e reclama alto a si mesmo. É hora de se corresponder sem medo do que pode ouvir de dentro de si. Sobreviver muitas vezes é um ato de coragem sob medo de si. Vamos tirar o medo das nossas pálpebras cansadas e olhar de verdade. O que for visto é para ser encarado e não encarcerado pelo porteiro (moralmente pago pela mediocridade da gente). Somos aqueles que abrem as portas e fecham as janelas. Está na hora de abrir nossas casas para que o vento leve a poeira embora. Não tenha medo de deixar a sujeira da alma sair.
Bom dia, gente!
Bom dia, gente!
terça-feira, 29 de outubro de 2019
O que fez mulheres serem exemplarmente assassinadas em praça pública é o que faz hoje muitas de nós sermos condenadas às variadas mortes e torturas públicas atualmente. Ainda há caça às bruxas e, não se engane, elas estão do nosso lado. Marielle é UMA delas, Agatha outra. Por isso continuamos bruxas. Não devemos cair nessa mitificação de bruxas porque ela muitas vezes deixa glamouroso o que é ainda hoje MORTE NO MEIO DA RUA. Por favor, vamos acordando para essa ideologia que acha bonitinha a fantasia de que houve bruxas quando de fato nós nunca deixamos de ser mortas pelo que fazemos contrariando o sistema de poder de homens. O patriarcado é o tribunal de muitas mortes de mulheres, muitas vezes do nosso lado. Então, vamos enxergar nossa realidade que nunca teve uma mudança total a ponto de não tornar mulheres bruxas. Devemos ainda tomar cuidado para não sermos as mulheres que ajudam nesse tribunal.
sábado, 26 de outubro de 2019
Exatamente sobre isso será um encontro, uma roda de mulheres da qual participarei hoje. E vou te dizer "empoderamento" é uma palavra que eu peguei até ranço. Não sei se é pela minha falta de conhecimento sobre a importância do termo, ou porque realmente estou enojada com o sequestro dela pelo neoliberalismo do demônio, mesmo. Dá um ódio ouvir mulheres dizendo que são empoderadas porque trabalham e ganham sua própria renda cujo usufruto vai para uma casa inteira. Dá uma encaralhação de ouvir as manas dizendo que são "empoderadas" quando transam com qualquer mané, mas eu conheço a vida e a história delas e sei de todas às vezes que ela chorava pelo embuste e sei que ela está fazendo isso para se punir por não estar "à altura" dele - afinal ele é um bosta, mas ela não percebe derrotada que é pelos filmes idiotas que lhe fizeram acreditar na merda da romantização heteronormativa. Eu tô MUITO PUTA com isso. Empoderamento é o caralho, sabe! Eu não consigo nem mais ouvir. Queria uma outra palavra para nutrir meu direito e minha fome por dignidade para nós mulheres, para TODAS AS MULHERES. Mas só vejo essa derrota com um nome vindo do estrangeirismo marketeiro "empowerment" dos infernos!🤦😣😔
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
É hora de mandar empregos à merda. Sem direitos, pra quê ter patrão? Pra quê aturar cobranças, chefias, horários, ameaças, exploração e desprezo? Trabalho não é emprego, essa é só mais uma das grandes mentiras sociais implantadas como "verdades inegáveis". Agora é hora de criatividade, atitude, iniciativa e coragem. Hora de cooperação, de trabalhar por conta própria, de exercer habilidades, de inventar e reinventar. Quando faltarem empregados, voltam os direitos. E se demorar, aparecem regalias. Os patrões não existem sem os empregados. Os empregados, quando despedidos, dão seu jeito sem patrão. O patrão sem empregados se mata. O empregado sem patrão se vira. O forte se sente fraco e o fraco se sente forte. É preciso perceber que é o contrário, essas aparências foram construídas pra enganar. E enganam já há tempo demais a gente demais. As exceções se multiplicam.
Eduardo Marinho
Eduardo Marinho
Thais Duarte com certeza! Por isso eu deixo bem claro que o capitalismo para mim é uma tirania. Nunca foi e nunca poderá ser o meio para se chegar a uma democracia, muito menos em um tipo de universalismo social em que realmente todos fossem considerados humanos na mesma proporção. Quando tratamos, por exemplo, do de mulheres que se denominam feministas, mas não concordam com a necessidade de rever a pressão estética sobre as mulheres, estão diante de bode expiatórios do nosso movimento. Um tipo de autodestruição, comum em mulheres profundamente alienadas no campo do outro (do patriarcado estruturante). Elas estão submersas em estruturas sociais, em violências simbólicas, que aprisionam seus corpos e suas mentes. O que isso significa na prática. Elas ajudam seus próprios algozes, o que não é simplesmente demérito, é sofrimento. Muitas mulheres que defendem o padrão cisnormativo, que resume a "feminilidade" autorizada pelo patriarcado, estão em sofrimento inconsciente grave. São, ao mesmo tempo, as guardiãs dos seus "machos alfas" quanto as que mantêm os cadeados de suas correntes. Vc está certa por ter feito o alerta que pelo tom ficou forte e retumbante, como exige a urgência da escravização de nossas irmãs. Porém, elas sentem como uma afronta às suas próprias estruturas, aos seus "privilégios", às histórias. De fato, podem ter medo de perder o sentido da vida no qual sempre acreditaram. No fundo, romper com determinadas estruturas requer tanta força, coragem e luta na qual partes da gente morrem. Partes importantes da nossa vida, da nossa história e daquilo que consideramos verdade morrem. O feminismo é o lugar de cura para dores inalcançáveis de modo solitário. Múltiplas vozes de dor juntas cuidam de nossas feridas históricas. Feminismo é uma mulher cuidando da outra. Muito obrigada por lutar do mesmo lado que o nosso, mana🙋♀️💜
Eu fico muito triste em perceber que o zumbis da alienação estão cada vez mais proliferados e isso é consequência da velocidade em rede. A internet é muito positiva por vários motivos, mas é desastrosa quando não dominada pelo conhecimento científico, político e governamental. Ainda há muita ignorância, falta de regulamentação e regulação, ausência de pesquisas mais profundas sobre o assunto porque não há vontade política e iniciativa privada sérias nesse contexto. Para mim, os discursos repetitivos que reproduzem e mantêm ideologias anti-humanas são a arma do capitalismo tirânico que temos atualmente. É um aparelhamento ideológico claro e está conseguindo manipular a população de modo mais abrangente e mais eficaz por causa da realidade virtual. Essa fantasia de mundo, criada em rede, é uma oportunidade para o pensamento zumbi dessas pessoas se aflorar. As falas zumbisoides se aproveitam do ambiente virtual para aparecerem e ganham realidade sim. A realidade que se faz é a precarização da vida e da saúde emocional de muitas pessoas. Devemos ser alertas quanto ao problema que a internet se tornou porque não está devidamente regulada em nosso país, o que se percebe na América inteira. Triste realidade. Deveríamos lutar por uma regulamentação da Internet no nosso país.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Eu queria entender melhor essa questão mesmo. O Freud tem um livro chamado "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade", cujas teorias são embrionárias para a psicossexualidade infantil. Nele, há uma afirmação a qual tenho muita simpatia, porque foi postulada por um judeu no início do século XX (que tinha tudo para ser conservadorista). A afirmação é de que para Freud o ser humano nasce bissexual, sendo assim para todos. O que é uma verdadeira revolução para a teoria da sexualidade dentro da cultura ocidental. Eu acredito que é bem por aí mesmo, sendo que - segundo essa visão freudiana - a diferença sexual se estabeleceria mais tarde por meio das vivências dentro do sistema cultural. Então, eu acredito muito na visão de que a identidade sexual é uma importante autoafirmação subjetiva, sendo responsável pela saúde emocional e cognitiva. Por isso, nessa situação específica da heterossexualidade compulsória eu ainda tenho muitas incertezas e algumas inseguras em relação ao fato de que me parece ser uma afirmação de que apenas homossexualidade seria a determinação saudável, o que também não pode ser desta forma. Gosto da influência da Judite Butler nas discussões sobre o gênero e a heteronormatividade. Acredito que esse sim seria um padrão compulsório em determinadas culturas dominantes, como a ocidental eurocêntrica. Sobre heteronormatividade e cisnormatividade eu me sinto muito mais confortável em falar por perceber no dia a dia. E como sempre adorei essa abertura na tua página❤️
domingo, 20 de outubro de 2019
Ler é ouvir; ouvir leitura não é ler.
Em meus cursos de literatura, sobre prosa ou poesia, não abro mão de ler os textos em voz alta. Tenho a convicção de que, ao escrever, o autor aciona também sua fala, e conta não apenas com os olhos, mas com os ouvidos do leitor, que devem captar o ritmo, os timbres, as inflexões, as pausas, as tonalidades afetivas dos textos. Esses textos são todos indicados no programa do curso, já na primeira aula: quero que sejam lidos, ouvidos e estudados ANTES da minha leitura em voz alta. Esta será apresentada como uma INTERPRETAÇÃO, e é nessa forçosa condição que deve ser debatida. Ainda quando interpretado por um grande ator ou atriz, por quem seja capaz de revelar e realçar muitas potencialidades expressivas da linguagem, um texto literário não dispensa o acolhimento inicial do leitor que lhe dará a forma de sua própria captação pessoal. O impacto da primeira leitura que cada um faz de um texto, marcada pelas naturais limitações de um contato ainda pouco refletido, não pode ser substituído pelo impacto de quem já o leu e agora pronuncia sua recepção pessoal. Se eu ouvir a gravação de um conto do Guimarães Rosa lido por Lima Duarte, estarei, obviamente, ouvindo a leitura que faz Lima Duarte de Guimarães Rosa. Pode, evidentemente, ser belíssima e inspiradora. Ainda assim, não substitui aquela multiplicação virtual das leituras que brotam da voz de um autor que reconheço quando o leio e o ouço em meu momento de concentração. Não um momento solitário: um momento carregado da humanidade que o escritor estende a cada um que o leia, adensando o que Adorno, tratando da recepção da poesia lírica, chamou de “corrente coletiva subterrânea”.
Em meus cursos de literatura, sobre prosa ou poesia, não abro mão de ler os textos em voz alta. Tenho a convicção de que, ao escrever, o autor aciona também sua fala, e conta não apenas com os olhos, mas com os ouvidos do leitor, que devem captar o ritmo, os timbres, as inflexões, as pausas, as tonalidades afetivas dos textos. Esses textos são todos indicados no programa do curso, já na primeira aula: quero que sejam lidos, ouvidos e estudados ANTES da minha leitura em voz alta. Esta será apresentada como uma INTERPRETAÇÃO, e é nessa forçosa condição que deve ser debatida. Ainda quando interpretado por um grande ator ou atriz, por quem seja capaz de revelar e realçar muitas potencialidades expressivas da linguagem, um texto literário não dispensa o acolhimento inicial do leitor que lhe dará a forma de sua própria captação pessoal. O impacto da primeira leitura que cada um faz de um texto, marcada pelas naturais limitações de um contato ainda pouco refletido, não pode ser substituído pelo impacto de quem já o leu e agora pronuncia sua recepção pessoal. Se eu ouvir a gravação de um conto do Guimarães Rosa lido por Lima Duarte, estarei, obviamente, ouvindo a leitura que faz Lima Duarte de Guimarães Rosa. Pode, evidentemente, ser belíssima e inspiradora. Ainda assim, não substitui aquela multiplicação virtual das leituras que brotam da voz de um autor que reconheço quando o leio e o ouço em meu momento de concentração. Não um momento solitário: um momento carregado da humanidade que o escritor estende a cada um que o leia, adensando o que Adorno, tratando da recepção da poesia lírica, chamou de “corrente coletiva subterrânea”.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
"Um professor sempre será melhor do que o Google.
Porque um professor não dá uma informação, conta histórias.
Porque um professor funciona mesmo sem wi-fi, mesmo sem luz, mesmo no temporal.
Porque o professor não facilita a busca, exercita a memória.
Porque o professor não cria dependência, mas possibilita amizades.
Porque o professor pode mudar o destino de um assunto, voltar atrás, recomeçar de novo, dependendo das necessidades da turma.
Porque o professor não realiza só o que você deseja, vai além com detalhes e comparações.
Porque o professor lê a sua alma quando levanta o dedo para a pergunta, não apenas recebe uma dúvida.
Porque o professor também se importa com aquilo que não entendeu mais do que aquilo que quis perguntar.
Porque o professor escolhe falar do que ama. Você não está apenas tendo uma aula de um conteúdo, e sim testemunhando uma história de amor."
Carpinejar
Porque um professor não dá uma informação, conta histórias.
Porque um professor funciona mesmo sem wi-fi, mesmo sem luz, mesmo no temporal.
Porque o professor não facilita a busca, exercita a memória.
Porque o professor não cria dependência, mas possibilita amizades.
Porque o professor pode mudar o destino de um assunto, voltar atrás, recomeçar de novo, dependendo das necessidades da turma.
Porque o professor não realiza só o que você deseja, vai além com detalhes e comparações.
Porque o professor lê a sua alma quando levanta o dedo para a pergunta, não apenas recebe uma dúvida.
Porque o professor também se importa com aquilo que não entendeu mais do que aquilo que quis perguntar.
Porque o professor escolhe falar do que ama. Você não está apenas tendo uma aula de um conteúdo, e sim testemunhando uma história de amor."
Carpinejar
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Homem aleatório entendo muito bem o lado que vc propôs que seja analisado, realmente se trata de uma tendência não capacitista, isto é, que não se compare a capacidade mental de um ser humano através de outros parâmetros a não ser os seus próprios. Acho justo. Para além disso, existe a realidade que nos condiciona. O condicionamento cultural meritocrático, lei fantasiosa e capacitista do capitalismo, é uma realidade destrutiva principalmente para as pessoas que estão à margem do poder de representatividade. O que isso implica na prática? Mulheres se sentem diminuídas e inferiores porque não encontram parâmetros entre seus pares. Não veem outras mulheres em livros, não estudam sobre mulheres importantes, não conhecem a própria importância para a civilização e para o racionalismo científico, não sabem do seu papel indispensável para o nascimento da filosofia. Talvez seja difícil para vc compreender o nosso lugar porque vc não é mulher. Suas questões são outras, não melhores, nem mais avançadas ou atualizadas, eu repito: são outras. Entendo a sua pertinência, mesmo eu não sendo um homem, porque sou obrigada pela minha cultura etnocêntrica patriarcal e misógina a racionalizar o mundo através dela. Mas eu não concordo que seja essa a principal questão. Não se trata de encontrar o fulano que foi o primeiro a pilotar, eu chamei atenção claramente no meu comentário sobre a NECESSIDADE de se comparar mulheres a partir de um paradigma entre mulheres. Inclusive aposto que a idealização da matéria não é feita por uma mulher, porque mulheres não veem o mundo pelo seu próprio paradigma senão são provocadas pelo seu próprio senso. Não se trata de empoderamento, veja bem. Se trata de uma inquietação íntima, no caso uma mulher indignada buscando uma revolução históricocultural em si é que se posiciona de modo diferente. Não vi isso na proposta da matéria. Então, vamos ao que de fato interessa em última análise? As mulheres não devem ser comparadas a homens para que se sintam melhores do que de fato já são por si mesmas, dentro de suas próprias narrativas. Elas devem ser estimuladas pelas mídias afins a quebrarem o paradigma que lhes obriga a pensar que somente homens são capazes ou suficientes. Elas devem olhar em um espelho subjetivo proposto pela cultura que lhes considere referência. Imagina o tamanho dessa luta? Talvez não! Fora o chinesinho que desde pequenino é estimulado a ser inventor, temos mulheres pelo mundo inteiro querendo ao menos ir à escola sem levar um tiro na cabeça, como aconteceu como uma anônima afegã, Malala. Hoje eu estou aqui para levantar a bandeira de mulheres que lutam para que outras mulheres sejam no mínimo escolarizadas o que de fato é um problema para além de qualquer outra luta moral, no caso o capacitismo. Que é pertinente sim, mas que não tem referência através dessa matéria, senão alguém querendo apagar e silenciar a luta de mulheres. Faz isso, esse silenciamento ou esse apagamento comparando-nos com um homem (genial?) ou elegendo outra luta "mais importante"! Quem diz o que é importante para uma mulher é ela mesma. Obrigada
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
A lição de casa que sempre volta com o professor é o famigerado legado. O que se ensina não é para si, nem para hoje, nem para agora, nem sequer para amanhã imediatamente. Se ensina como verbo intransitivo, não há complemento que seja suficiente. Em geral, o que foi aprendido talvez nem o professor imagina que ensinou. O que foi aprendido talvez nem o aluno sabe ao certo quem foi que colaborou para acontecer. É o tempo um fator determinante para que o ensinamento aconteça, mas ele muitas vezes apaga o endereço de onde o feito se originou. Ao professor, resta aprender todo dia a arte de esquecer de se questionar sobre o que de fato foi sua obra. Um dia ele encontrará ela diante de olhos humildes e serenos. Ser professor talvez seja a arte de esquecer de se colocar como o ensinador e conseguir enxergar no mundo um pouquinho de esperança. Esperança de que haverá frutos mesmo que não se possa provar seu gosto.
"Tudo dói.
Dói antes, durante e depois de sangrar.
Dói amar e ser amada por homens.
Dói na primeira vez e quando somos forçadas.
Dói pra parir, pra abortar e pra decidir entre os dois.
Dói sair na rua e ser um pedaço de carne.
Dói ficar em casa e se sentir sozinha no mundo.
Dói aos 18, aos 30 e aos 50.
Dói cada pêlo arrancado, cada quilo a mais, cada minuto na frente do espelho.
Dói ser gentil e engolir sapos.
Dói o soco, o insulto e a piada.
Dói a plástica, a academia e a dieta.
Dói ser 2, 3, 4 ou mais coisas ao mesmo tempo.
Dói no bolso, em casa, na rua e a vida inteira.
Dói ser bela, recatada e do lar.
Não dói ser mulher.
Dói tentar se encaixar nesse padrão impossível criado pelo machismo.
Dói tentar ser um mulher que nem sequer existe.
Mas tu não precisa sentir mais essa dor.
Tu é livre, mina.
Abrace suas irmãs e entenda a magnitude do ser feminino.
O nosso amor veio pra curar."
(Yasmin Bendito)
Dói antes, durante e depois de sangrar.
Dói amar e ser amada por homens.
Dói na primeira vez e quando somos forçadas.
Dói pra parir, pra abortar e pra decidir entre os dois.
Dói sair na rua e ser um pedaço de carne.
Dói ficar em casa e se sentir sozinha no mundo.
Dói aos 18, aos 30 e aos 50.
Dói cada pêlo arrancado, cada quilo a mais, cada minuto na frente do espelho.
Dói ser gentil e engolir sapos.
Dói o soco, o insulto e a piada.
Dói a plástica, a academia e a dieta.
Dói ser 2, 3, 4 ou mais coisas ao mesmo tempo.
Dói no bolso, em casa, na rua e a vida inteira.
Dói ser bela, recatada e do lar.
Não dói ser mulher.
Dói tentar se encaixar nesse padrão impossível criado pelo machismo.
Dói tentar ser um mulher que nem sequer existe.
Mas tu não precisa sentir mais essa dor.
Tu é livre, mina.
Abrace suas irmãs e entenda a magnitude do ser feminino.
O nosso amor veio pra curar."
(Yasmin Bendito)
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