A confusão entre liberalismo e liberdade é proposital e inescrupulosa. Os conceitos mais fortes no atual neoliberalismo tirano são: "liberdade de expressão", "liberdade de escolha", "liberdade de consumo", "liberdade individual", etc. Bases do que se vende como "felicidade". Duas palavras intoxicadas pelos discursos extremistas "liberdade" e "felicidade", porque fazem parte da angústia primária do ser humano que possui a ambiguidade de ser individual e social e tudo converge ainda para o sentido destruído de "solidão" que virou uma baboseira chamada "solitude" individualista (olha a redundância aí, gente!). Mas andamos comprando esses sonhos embalados pro nosso presente que "será melhor amanhã", eles sempre garantem. Por isso, tratar das questões íntimas se tornou tão indispensável. Porque a autonomia precisa ser URGENTEMENTE valorizada, pois a alienação das massas já é o mal do século XXI, que parecia querer um apelido carinhoso como o século das liberdades e se mostra uma cápsula de volta a passados de correntes. Uma ironia cruel na narrativa histórica do homem pós-moderno.
Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
- Nunca apareceu algum fantasma por aqui?
- Fantasma? Ahahah. Claro que não.
- Ninguém da sua equipe nunca viu nada sobrenatural? Pode contar, sempre há histórias sinistras nos cemitérios...
- Nos cemitérios há histórias tristes, não sinistras…
- Conta para nós como é o trabalho?
- A equipe de coveiros prepara a cova no lugar certo e no tempo certo para o enterro. Enquanto a família faz o velório, nós preparamos tudo aqui para não haver imprevistos ou inconvenientes na hora do enterro.
- Mas sempre pode haver imprevistos, não é mesmo?
- Nosso trabalho é muito profissional. Há toda uma técnica envolvida. Precisamos ser quase invisíveis. Até o modo de recolocação da terra com a pá possui uma técnica especial, para que a terra não faça barulho quando é jogada para cobrir o caixão.
- Pensando bem, realmente, em todos os enterros que já fui, nunca reparei no trabalho dos coveiros, embora sejam eles que façam tudo. Incrível mesmo.
- Essas técnicas são importantes porque precisamos ter muito respeito ao corpo e à família do falecido, que está passando por um momento de muita dor. Nunca é só preparar a cova para depois enterrar o caixão. Há toda uma infra-estrutura para proporcionar à família uma despedida digna.
- Mas acontecem coisas alegres também? Nunca aconteceu algo ou uma situação que vocês se seguraram para não rir?
- Às vezes acontecem coisas engraçadas. Lembro uma vez que entrou um bêbado no enterro, que devia ser amigo do falecido, e começou a discursar em voz alta... Isso acontece às vezes. Às vezes até a família ri.
- E situações tristes?
- Sempre é triste. Nós lidamos com momentos de profunda tristeza das famílias. Por isso precisamos ser muito profissionais. Mas há situações que nos tocam também. Há momentos em que até nós, que estamos acostumados com o trabalho, ficamos sensibilizados. Já aconteceu de um colega nosso fazer o enterro de um parente. E já aconteceu de um colega enterrar a própria mãe.
- Puxa, nunca tinha pensado nisso…
- Mas no trabalho aprendemos a separar a emoção. Fazemos o que precisamos fazer com muito respeito. E nos preparamos muito para o que o pode acontecer.
- Como assim?
- Um enterro de um parente que há anos estava doente é um momento triste para a família, claro. Mas um enterro de uma criança é algo muito, mas muito mais dolorido. As pessoas passam mal. Desmaiam. Precisam ser socorridas. Deixamos corredores abertos para socorro.
- Realmente… Pensava que o trabalho de coveiro era só cavar e enterrar. Mas isso é só uma pequena parte mesmo.
- Sim, enterrar, exumar… Não há no Brasil estudos ou ensino dessas técnicas. É uma pena, porque precisava. A gente estuda por conta própria e compartilha as experiências. Eu leio muito sobre os cemitérios do mundo inteiro. Como são enterrados os corpos em Portugal, no Egito, na Inglaterra… A gente estuda muito.
- Fantasma? Ahahah. Claro que não.
- Ninguém da sua equipe nunca viu nada sobrenatural? Pode contar, sempre há histórias sinistras nos cemitérios...
- Nos cemitérios há histórias tristes, não sinistras…
- Conta para nós como é o trabalho?
- A equipe de coveiros prepara a cova no lugar certo e no tempo certo para o enterro. Enquanto a família faz o velório, nós preparamos tudo aqui para não haver imprevistos ou inconvenientes na hora do enterro.
- Mas sempre pode haver imprevistos, não é mesmo?
- Nosso trabalho é muito profissional. Há toda uma técnica envolvida. Precisamos ser quase invisíveis. Até o modo de recolocação da terra com a pá possui uma técnica especial, para que a terra não faça barulho quando é jogada para cobrir o caixão.
- Pensando bem, realmente, em todos os enterros que já fui, nunca reparei no trabalho dos coveiros, embora sejam eles que façam tudo. Incrível mesmo.
- Essas técnicas são importantes porque precisamos ter muito respeito ao corpo e à família do falecido, que está passando por um momento de muita dor. Nunca é só preparar a cova para depois enterrar o caixão. Há toda uma infra-estrutura para proporcionar à família uma despedida digna.
- Mas acontecem coisas alegres também? Nunca aconteceu algo ou uma situação que vocês se seguraram para não rir?
- Às vezes acontecem coisas engraçadas. Lembro uma vez que entrou um bêbado no enterro, que devia ser amigo do falecido, e começou a discursar em voz alta... Isso acontece às vezes. Às vezes até a família ri.
- E situações tristes?
- Sempre é triste. Nós lidamos com momentos de profunda tristeza das famílias. Por isso precisamos ser muito profissionais. Mas há situações que nos tocam também. Há momentos em que até nós, que estamos acostumados com o trabalho, ficamos sensibilizados. Já aconteceu de um colega nosso fazer o enterro de um parente. E já aconteceu de um colega enterrar a própria mãe.
- Puxa, nunca tinha pensado nisso…
- Mas no trabalho aprendemos a separar a emoção. Fazemos o que precisamos fazer com muito respeito. E nos preparamos muito para o que o pode acontecer.
- Como assim?
- Um enterro de um parente que há anos estava doente é um momento triste para a família, claro. Mas um enterro de uma criança é algo muito, mas muito mais dolorido. As pessoas passam mal. Desmaiam. Precisam ser socorridas. Deixamos corredores abertos para socorro.
- Realmente… Pensava que o trabalho de coveiro era só cavar e enterrar. Mas isso é só uma pequena parte mesmo.
- Sim, enterrar, exumar… Não há no Brasil estudos ou ensino dessas técnicas. É uma pena, porque precisava. A gente estuda por conta própria e compartilha as experiências. Eu leio muito sobre os cemitérios do mundo inteiro. Como são enterrados os corpos em Portugal, no Egito, na Inglaterra… A gente estuda muito.
Sônia Guajajaras é uma das maiores mulheres latino-americanas do século XXI. E eu pergunto: quem IGNOROU ela nesse título? Os mesmos que ponderam quando o assunto é direitos étnicos e identitários para as comunidades tradicionais, tais como Quilombolas, Indígenas, Ribeirinhos e MUITOS outros em vários territórios em todo o Brasil. São os mesmos que NÃO ENXERGAM a necessidade de BERRAR pelo direito dos povos indígenas ANTES até de falarem dos seus. Bolsonazi é o pior de todos os demônios exterminadores que já apareceu na história dos ameríndios. Um dos mais PERVERSOS governantes da história curta desse país ingênuo cheio de ignóbeis. Somos infantis quanto aos direitos que temos e quanto aos direitos de nossas populações tradicionais! É uma indignação atrás da outra. Honestamente ser brasileira é uma VERGONHA!
domingo, 11 de agosto de 2019
Marcelo Totipah poesia e cicloviagem
O Marcelo Totipah é um cicloviajnte inspirador que nos faz sair do chão cinzento e sem vida. Ele nos convida a apreciar a vida com os olhos de uma criança amada. Ele nos mostra que ser amado é olhar para o mundo, para a natureza, para os seres com amor e em reciprocidade amado ser.
Eu só consigo enxergar alma nas palavras do Marcelo. A poesia nele permanece.
https://www.facebook.com/marcelototipah/
A NOITE MAIS LINDA
Estava quase dormindo quando minha gata bateu a porta da barraca. Abri pensando que ela queria entrar, mas ela queria que eu saísse. A Lua crescente tinha acabado de se pôr e a visão da noite era delírio.
O céu gritava estrelas. Júpiter destoava de tão clara, exuberante. Na beira da lagoa entre as algas, insetos brilhavam fixos, sutis como as estrelas. Vagalumes riscavam galhos piscantes. Noite sem lua e sem nenhuma luz criada pelo homem, tudo brilhava.
A lagoa espelhava céu. Estrelas se embaraçavam brilhos tímidos verdes que vinham das algas.
Latidos de cachorro longe, sinos de vacas descompassadas, vindas do vento anunciado nas palmeiras farfalhadas. E os grilos ali, contínuos, presentes, orquestrados.
Antes que o frio e o sono me convidassem para a barraca, contei seis estrelas cadentes. Estrelas que viraram vagalumes. Ou vagalumes que fingiam estrelas.
A companhia da natureza é a melhor solidão que existe.
Marcelo Totipah
sábado, 10 de agosto de 2019
CONTRA O LUGAR DE FALA
1. "Lugar de fala" é o novo fundamentalismo político. Refúgio de dogmáticos e intolerantes, que, da forma mais autoindulgente possível, concedem-se prerrogativas de superioridade moral.
2. "Lugar de fala" é um espaço privilegiado de exigência de que os outros calem a boca. É o lugar do "cale-se" aplicado a todos que não são como eu. Lugar de falar é ao mesmo tempo um lugar de calar - eu falo, você cala.
3. "Lugar de fala" é o álibi perfeito para reivindicações de monopólio de fala. Só eu e os meus temos a fala autorizada e os direitos de explorá-la.
4. Como em todo sistema monopolista, o "lugar de fala" provê ao falante certificado um modelo de negócios. Como somos poucos os que têm direito de exploração desse produto, a raridade agrega enorme valor aos biscoitos finos que eu forneço e a, mim, naturalmente, seu fabricante autorizado. Encontrado um bom nicho, pode-se ganhar dinheiro, prestígio ou celebridade com o monopólio da fala autorizada. Há muitos faturando com isso.
5. A artimanha principal das reivindicações do "lugar de fala" consiste em punir ou recompensar indivíduos singulares em virtude da classe de indivíduos em que eles se situam. O seu direito de falar é transferido para mim, porque o coletivo onde você se situa deve historicamente ao coletivo onde me situo. A sua classe oprime a minha, mas quem deve pagar é você, independentemente do que você fale ou seja. A reivindicação de que você deve calar a boca, porque as pessoas da sua espécie já falaram demais, e me deixar falar sozinho, porque as pessoas da minha espécie não tiveram chances históricas de falar, é um truque para disfarçar o meu autoritarismo e a minha intolerância.
6. O argumento em defesa do pluralismo e da consideração pelas diferenças de identidades e pontos de vista não precisa do conceito de "lugar de fala" para ser defendido. Ao contrário, a reivindicação de "lugar de fala" serve hoje principalmente para que os patrulheiros da identidade verifiquem se o seu monopólio está sendo respeitado. Os "fiscais de atendimento às normas sobre monopólio do lugar de fala" são a nova moda universitária. A ideologia do "lugar de fala" virou adversário do pluralismo, das diferenças e da tolerância.
7. Alimenta os direitos de reivindicação de "lugar de fala" a ideia de que expressar ideias, fazer pesquisa ou discutir problemas sociais são atividades direta e inextrincavelmente ligadas à "representação" de uma espécie ou de um coletivo. Propriedades individuais relacionadas a conhecimento, competência, domínio do assunto, inteligência ou boa fé são secundárias em face do que realmente importa, que é a que gênero ou espécie identitária você pertence e cujo direito de representar você pode reivindicar. Então, não se trata apenas de representação, mas de autorrepresentação. Só está habilitado a falar quem está autorizado a representar, ficando cancelado todas as outras formas tradicionais de competência.
8. A esquerda criou e alimentou as teses fundamentais do "lugar de fala" e ainda cerca os reivindicadores do monopólio do falar e do mandar calar com extrema complacência. Normalmente o "lugar de fala" é usado de forma eficiente apenas contra a esquerda. A extrema-direita, que agora a sitia política e socialmente, é imune aos constrangimento das reivindicações do lugar de falar e, antes, usam tais reivindicações para as ridicularizar e para reforçar o próprio ponto de vista.
1. "Lugar de fala" é o novo fundamentalismo político. Refúgio de dogmáticos e intolerantes, que, da forma mais autoindulgente possível, concedem-se prerrogativas de superioridade moral.
2. "Lugar de fala" é um espaço privilegiado de exigência de que os outros calem a boca. É o lugar do "cale-se" aplicado a todos que não são como eu. Lugar de falar é ao mesmo tempo um lugar de calar - eu falo, você cala.
3. "Lugar de fala" é o álibi perfeito para reivindicações de monopólio de fala. Só eu e os meus temos a fala autorizada e os direitos de explorá-la.
4. Como em todo sistema monopolista, o "lugar de fala" provê ao falante certificado um modelo de negócios. Como somos poucos os que têm direito de exploração desse produto, a raridade agrega enorme valor aos biscoitos finos que eu forneço e a, mim, naturalmente, seu fabricante autorizado. Encontrado um bom nicho, pode-se ganhar dinheiro, prestígio ou celebridade com o monopólio da fala autorizada. Há muitos faturando com isso.
5. A artimanha principal das reivindicações do "lugar de fala" consiste em punir ou recompensar indivíduos singulares em virtude da classe de indivíduos em que eles se situam. O seu direito de falar é transferido para mim, porque o coletivo onde você se situa deve historicamente ao coletivo onde me situo. A sua classe oprime a minha, mas quem deve pagar é você, independentemente do que você fale ou seja. A reivindicação de que você deve calar a boca, porque as pessoas da sua espécie já falaram demais, e me deixar falar sozinho, porque as pessoas da minha espécie não tiveram chances históricas de falar, é um truque para disfarçar o meu autoritarismo e a minha intolerância.
6. O argumento em defesa do pluralismo e da consideração pelas diferenças de identidades e pontos de vista não precisa do conceito de "lugar de fala" para ser defendido. Ao contrário, a reivindicação de "lugar de fala" serve hoje principalmente para que os patrulheiros da identidade verifiquem se o seu monopólio está sendo respeitado. Os "fiscais de atendimento às normas sobre monopólio do lugar de fala" são a nova moda universitária. A ideologia do "lugar de fala" virou adversário do pluralismo, das diferenças e da tolerância.
7. Alimenta os direitos de reivindicação de "lugar de fala" a ideia de que expressar ideias, fazer pesquisa ou discutir problemas sociais são atividades direta e inextrincavelmente ligadas à "representação" de uma espécie ou de um coletivo. Propriedades individuais relacionadas a conhecimento, competência, domínio do assunto, inteligência ou boa fé são secundárias em face do que realmente importa, que é a que gênero ou espécie identitária você pertence e cujo direito de representar você pode reivindicar. Então, não se trata apenas de representação, mas de autorrepresentação. Só está habilitado a falar quem está autorizado a representar, ficando cancelado todas as outras formas tradicionais de competência.
8. A esquerda criou e alimentou as teses fundamentais do "lugar de fala" e ainda cerca os reivindicadores do monopólio do falar e do mandar calar com extrema complacência. Normalmente o "lugar de fala" é usado de forma eficiente apenas contra a esquerda. A extrema-direita, que agora a sitia política e socialmente, é imune aos constrangimento das reivindicações do lugar de falar e, antes, usam tais reivindicações para as ridicularizar e para reforçar o próprio ponto de vista.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Precisamos conversar seriamente sobre isso. E precisamos evitar dar outros nomes para aquilo que não passa de censura, afinal.
Por Luis Felipe Miguel
“Quando meu filho era pequeno, foi alimentado com o melhor da literatura infantil disponível em português - uma das vantagens de ter nascido com mãe e avó especialistas no tema. Enquanto lia para ele aqueles livros, eu me perguntava como ele processava os contos de fadas, já que tinha muito mais familiaridade com paródias e reinterpretações do que com os originais.
Mal comparando, penso que está acontecendo algo semelhante com a ideia de “lugar de fala”. Quando a preocupação com lugar de fala ganhou corpo, nas últimas décadas do século passado, ela se apresentava como uma crítica ao discurso - científico, político, artístico - que se acredita capaz de englobar a universalidade. Afirmava, assim, que todo discurso é socialmente situado e que, portanto, entender de onde ele parte é sempre importante para avaliá-lo.
Levar em conta a perspectiva social não é o mesmo que rechaçar de antemão como impróprios ou inaceitáveis discursos que porventura não partam do lugar “correto”. É entender que as marcas da particularidade sempre estarão presentes, para o bem ou para o mal.
Hoje, “lugar de fala“ é usado nas disputas políticas sem lembrança desse pano de fundo. Com isso, muitas vezes seu sentido parece invertido: parece que se trata de denunciar a universalidade falsa de antes para colocar em seu lugar uma nova universalidade, autêntica, “subalterna“. Perdemos, nessa mudança, o que havia de mais radical, que era a denúncia da própria universalidade.
Nos combates políticos, “lugar de fala“ surge casado com a percepção extrema de um privilégio epistêmico dos dominados. Como se a posição de dominado promovesse acesso garantido e imediato a uma compreensão fiel da realidade. Joga-se no lixo tudo o que produziu sobre ideologia, dominação simbólica, produção da doxa, imposição de representações do mundo social pelos grupos dotados de maiores recursos.
Joga-se no lixo igualmente a necessidade da teoria, do estudo, do debate. O acesso à verdade depende da posição social e de nada mais.
É também como se um olhar externo não pudesse dizer nada sobre nossa situação - confundindo o esforço de produção de conhecimento com a liderança de movimentos políticos que, essa sim, deve permanecer coletivamente nas mãos dos integrantes daquele grupo social.
Como consequência, em vez de ser um alerta para que todos os discursos sejam avaliados levando em conta o local social de onde partem, o “lugar de fala“ serve para se defender a produção de espaços isolados, em que a posição social conta como único critério de validade, independente do que se diz.
Se, na sua origem, a ideia de lugar de fala podia ser entendida como um chamamento à abertura do debate para a integração de múltiplas vozes silenciadas, agora o “lugar de fala“ muitas vezes serve como ferramenta de censura e exclusão.
Da maneira como eu a entendo, a velha discussão sobre lugar de fala, apesar de toda a sua denúncia da universalidade ilusória, não implica abandonar a busca de discursos capazes de compreender o mundo de forma mais ampla e plural. Saber que a universalidade nunca será plenamente alcançada não significa abraçar um particularismo míope e auto-indulgente. Pelo contrário, pode ser um meio de nos tornar mais exigentes na busca nunca concluída de uma visão para além dos particularismos.
No momento em que o retrocesso se alastra pelo mundo afora, prejudicando tantos grupos de pessoas em tantas dimensões, e em que é tarefa urgente construir uma resistência também pluridimensional, o particularismo estreito e estridente dessa percepção rasa do “lugar de fala” torna-se, sem dúvida, um aliado da permanência da dominação.”
Por Luis Felipe Miguel
“Quando meu filho era pequeno, foi alimentado com o melhor da literatura infantil disponível em português - uma das vantagens de ter nascido com mãe e avó especialistas no tema. Enquanto lia para ele aqueles livros, eu me perguntava como ele processava os contos de fadas, já que tinha muito mais familiaridade com paródias e reinterpretações do que com os originais.
Mal comparando, penso que está acontecendo algo semelhante com a ideia de “lugar de fala”. Quando a preocupação com lugar de fala ganhou corpo, nas últimas décadas do século passado, ela se apresentava como uma crítica ao discurso - científico, político, artístico - que se acredita capaz de englobar a universalidade. Afirmava, assim, que todo discurso é socialmente situado e que, portanto, entender de onde ele parte é sempre importante para avaliá-lo.
Levar em conta a perspectiva social não é o mesmo que rechaçar de antemão como impróprios ou inaceitáveis discursos que porventura não partam do lugar “correto”. É entender que as marcas da particularidade sempre estarão presentes, para o bem ou para o mal.
Hoje, “lugar de fala“ é usado nas disputas políticas sem lembrança desse pano de fundo. Com isso, muitas vezes seu sentido parece invertido: parece que se trata de denunciar a universalidade falsa de antes para colocar em seu lugar uma nova universalidade, autêntica, “subalterna“. Perdemos, nessa mudança, o que havia de mais radical, que era a denúncia da própria universalidade.
Nos combates políticos, “lugar de fala“ surge casado com a percepção extrema de um privilégio epistêmico dos dominados. Como se a posição de dominado promovesse acesso garantido e imediato a uma compreensão fiel da realidade. Joga-se no lixo tudo o que produziu sobre ideologia, dominação simbólica, produção da doxa, imposição de representações do mundo social pelos grupos dotados de maiores recursos.
Joga-se no lixo igualmente a necessidade da teoria, do estudo, do debate. O acesso à verdade depende da posição social e de nada mais.
É também como se um olhar externo não pudesse dizer nada sobre nossa situação - confundindo o esforço de produção de conhecimento com a liderança de movimentos políticos que, essa sim, deve permanecer coletivamente nas mãos dos integrantes daquele grupo social.
Como consequência, em vez de ser um alerta para que todos os discursos sejam avaliados levando em conta o local social de onde partem, o “lugar de fala“ serve para se defender a produção de espaços isolados, em que a posição social conta como único critério de validade, independente do que se diz.
Se, na sua origem, a ideia de lugar de fala podia ser entendida como um chamamento à abertura do debate para a integração de múltiplas vozes silenciadas, agora o “lugar de fala“ muitas vezes serve como ferramenta de censura e exclusão.
Da maneira como eu a entendo, a velha discussão sobre lugar de fala, apesar de toda a sua denúncia da universalidade ilusória, não implica abandonar a busca de discursos capazes de compreender o mundo de forma mais ampla e plural. Saber que a universalidade nunca será plenamente alcançada não significa abraçar um particularismo míope e auto-indulgente. Pelo contrário, pode ser um meio de nos tornar mais exigentes na busca nunca concluída de uma visão para além dos particularismos.
No momento em que o retrocesso se alastra pelo mundo afora, prejudicando tantos grupos de pessoas em tantas dimensões, e em que é tarefa urgente construir uma resistência também pluridimensional, o particularismo estreito e estridente dessa percepção rasa do “lugar de fala” torna-se, sem dúvida, um aliado da permanência da dominação.”
terça-feira, 6 de agosto de 2019
Uma mensagem que se atribuiu ao "conselho tutelar" que mais parece ser uma secretaria do inferno, um lugar onde tudo que se quer é isentar o Estado da sua responsabilidade em relação às garantias de direitos fundamentais das crianças brasileiras. Isso aqui é uma fraude (segue a falácia abaixo):
*O CONSELHO TUTELAR ADVERTE!!!!!*
Pare de deixar seus filhos com o noivo que mal conhece, pare de deixar com o vizinho, pare de deixar com pessoas também que você mal conhece, porque é de graça
[1- olhem essa loucura! Sugerir que os pais "não querem pagar" para pessoas de boa intenção fiquem com seus filhos. Como se um estuprador ou um/uma potencial agressora não pudesse ser bem paga???!?!].
Alerta também com os nossos conhecidos, olho vivo!! O abuso de menores, o estupro, o sequestro, o maltrato, etc, é real e é uma ferida que nunca vai sarar. [2- Como se as pessoas não soubessem da triste realidade e do sofrimento que é o abandono, a negligência e a violação física, psíquica e afetiva de uma criança]
• As crianças *não* devem ir para a loja/escola sozinhos. [3- vão andar com quem... Um guarda-costas?????]
• As crianças *não* devem ficar no carro sozinhas porque você vai descer rapidinho para fazer algo. [4- até esquecem os filhos no carro, imagina uma crueldade dessas!]
• As crianças *não* devem acostumar a andar com qualquer pessoa. [5- tenha tempo de SOBRA pra "selecionar com quem seu filho andará O DIA INTEIRO... #IRONIA]
• As crianças *não* devem sair para jogar sem supervisão. [6- JOGAR O QUÊ??? Jogar é para ricos... Pobres ficam nas ruas perambulando! NÓS SABEMOS OU FINGIMOS QUE NÃO VEMOS!?!?!]
• O irmão mais velho não deve cuidar dos seus irmãozinhos. Não é sua responsabilidade.[7- CADÊ A CRECHE que já vem com um estoque de calcinha?????]
• As crianças *não devem estar em um ambiente onde se consuma álcool* (mesmo que esteja tranquilo) nunca. [8- tira ela do Brasil ou fica sossegado porque não é maconha... Olha como seria mil vezes pior, né?!? #ironiaaltaaqui]
• As crianças *não devem estar perto de pessoas instáveis* ou com maus costumes. [9- se o pai ou a mãe ou o cuidador direto for um "problemático" é só dar pro "conselho tutelar" cuidar MUUUUUUUUUITO MELHOR, NÉ? #IRONIA]
• As crianças *não devem dormir fora de casa,* você não conhece as pessoas.... [10- Se uma criança de 17 anos dorme fora isso é realmente grave!!!]
• As crianças não devem conviver com todos os amigos do pai ou da mãe, não é necessário; *nem todos são boas pessoas.* [ 11- inclusive, padres, pastores, professores, enfermeiros, ginecologistas e todo ou qualquer ser desumano que acredite que machismo é uma balela]
• Eles não tem a decisão em suas mãos. [12- depende de que cultura ele nasceu, porque se for periférico, indígena,pobre e vulnerável em geral, vai ter que se virar pra sobreviver cedo cedo INFELIZMENTE O BRASIL É ESSA MERDA MACHISTA SIM!]
• Eles não sabem de perigo. [13- E quando avisam que tem algo de errado no "tio fulano" a mamãe manda logo ir procurar o que fazer porque fica inventando história]
• Eles não sabem de maldade. [14- e quando a maldade é do coleguinha do colégio que estupra ou faz bullying, o que é que tem né?]
• Eles não sabem de ódio. [15- se for uma questão de ser o extremista e filho de uma família fascista, duvido muito que não saiba exatamente como o ódio se propaga e se efetiva!]
• Eles não sabem que existem pessoas com más intenções. [16- e se desconfiam do professor, do padre, do pastor e de quem quer que seja, tipo do vovô, está ficando louca!]
• As crianças são inocentes, são ingênuos. São apenas crianças! [17- essa é a maior vergonha de TODAS AS DECLARAÇÕES IDIOTAS DESSA MENSAGEM DE TEXTO estilo que o presidente vigarista do Brasil adora junto com seus fascistinhas]
Nossa responsabilidade é protegê-los de tudo e de todos [18- ATÉ DE NÓS MESMOS!] , mesmo que não sejam nossos próprios filhos. [19- ATÉ QUE EM FIM CHEGA A ÚNICA REFERÊNCIA AO ECA E À CONSTITUIÇÃO FEDERAL]
"Cuidemos das nossas crianças"
SOBRETUDO, garantir os direitos BÁSICOS de uma criança e de uma adolescente no Brasil É UM DEVER DE TODOS, DA COMUNIDADE, DA ESCOLA, DA FAMÍLIA, DO ESTADO E DE TOOOOOOOOODO!
EU ESTOU MUITO INDGNADA!
*O CONSELHO TUTELAR ADVERTE!!!!!*
Pare de deixar seus filhos com o noivo que mal conhece, pare de deixar com o vizinho, pare de deixar com pessoas também que você mal conhece, porque é de graça
[1- olhem essa loucura! Sugerir que os pais "não querem pagar" para pessoas de boa intenção fiquem com seus filhos. Como se um estuprador ou um/uma potencial agressora não pudesse ser bem paga???!?!].
Alerta também com os nossos conhecidos, olho vivo!! O abuso de menores, o estupro, o sequestro, o maltrato, etc, é real e é uma ferida que nunca vai sarar. [2- Como se as pessoas não soubessem da triste realidade e do sofrimento que é o abandono, a negligência e a violação física, psíquica e afetiva de uma criança]
• As crianças *não* devem ir para a loja/escola sozinhos. [3- vão andar com quem... Um guarda-costas?????]
• As crianças *não* devem ficar no carro sozinhas porque você vai descer rapidinho para fazer algo. [4- até esquecem os filhos no carro, imagina uma crueldade dessas!]
• As crianças *não* devem acostumar a andar com qualquer pessoa. [5- tenha tempo de SOBRA pra "selecionar com quem seu filho andará O DIA INTEIRO... #IRONIA]
• As crianças *não* devem sair para jogar sem supervisão. [6- JOGAR O QUÊ??? Jogar é para ricos... Pobres ficam nas ruas perambulando! NÓS SABEMOS OU FINGIMOS QUE NÃO VEMOS!?!?!]
• O irmão mais velho não deve cuidar dos seus irmãozinhos. Não é sua responsabilidade.[7- CADÊ A CRECHE que já vem com um estoque de calcinha?????]
• As crianças *não devem estar em um ambiente onde se consuma álcool* (mesmo que esteja tranquilo) nunca. [8- tira ela do Brasil ou fica sossegado porque não é maconha... Olha como seria mil vezes pior, né?!? #ironiaaltaaqui]
• As crianças *não devem estar perto de pessoas instáveis* ou com maus costumes. [9- se o pai ou a mãe ou o cuidador direto for um "problemático" é só dar pro "conselho tutelar" cuidar MUUUUUUUUUITO MELHOR, NÉ? #IRONIA]
• As crianças *não devem dormir fora de casa,* você não conhece as pessoas.... [10- Se uma criança de 17 anos dorme fora isso é realmente grave!!!]
• As crianças não devem conviver com todos os amigos do pai ou da mãe, não é necessário; *nem todos são boas pessoas.* [ 11- inclusive, padres, pastores, professores, enfermeiros, ginecologistas e todo ou qualquer ser desumano que acredite que machismo é uma balela]
• Eles não tem a decisão em suas mãos. [12- depende de que cultura ele nasceu, porque se for periférico, indígena,pobre e vulnerável em geral, vai ter que se virar pra sobreviver cedo cedo INFELIZMENTE O BRASIL É ESSA MERDA MACHISTA SIM!]
• Eles não sabem de perigo. [13- E quando avisam que tem algo de errado no "tio fulano" a mamãe manda logo ir procurar o que fazer porque fica inventando história]
• Eles não sabem de maldade. [14- e quando a maldade é do coleguinha do colégio que estupra ou faz bullying, o que é que tem né?]
• Eles não sabem de ódio. [15- se for uma questão de ser o extremista e filho de uma família fascista, duvido muito que não saiba exatamente como o ódio se propaga e se efetiva!]
• Eles não sabem que existem pessoas com más intenções. [16- e se desconfiam do professor, do padre, do pastor e de quem quer que seja, tipo do vovô, está ficando louca!]
• As crianças são inocentes, são ingênuos. São apenas crianças! [17- essa é a maior vergonha de TODAS AS DECLARAÇÕES IDIOTAS DESSA MENSAGEM DE TEXTO estilo que o presidente vigarista do Brasil adora junto com seus fascistinhas]
Nossa responsabilidade é protegê-los de tudo e de todos [18- ATÉ DE NÓS MESMOS!] , mesmo que não sejam nossos próprios filhos. [19- ATÉ QUE EM FIM CHEGA A ÚNICA REFERÊNCIA AO ECA E À CONSTITUIÇÃO FEDERAL]
"Cuidemos das nossas crianças"
SOBRETUDO, garantir os direitos BÁSICOS de uma criança e de uma adolescente no Brasil É UM DEVER DE TODOS, DA COMUNIDADE, DA ESCOLA, DA FAMÍLIA, DO ESTADO E DE TOOOOOOOOODO!
EU ESTOU MUITO INDGNADA!
Por isso que admitir que existe uma cultura do estupro e que ela está diretamente relacionado ao machismo e as demandas de uma sociedade moralista é tão importante! Não há realmente como se prevenir! Não há como garantir que sua família não será atingida, afinal de contas nas escolas os professores também assediam alunas! Padres, pastores, avós, amigos, PAIS e cuidadores de crianças abusam delas! Não há como se prevenir a não ser através de uma campanha efetiva de mudança de mentalidade na qual as mulheres não sejam culpabilizadas pelo "fracasso familiar", nem por serem culpadas por serem abusadas, por exemplo. Essa conscientização precisa estar no currículo oficial escolar do Brasil. É obrigatório combater o machismo e as suas doenças tal como o estupro. A inferiorização das mulheres, a sobrecarga de trabalho que as escraviza, a responsabilidade absoluta pela "educação" e pelos cuidados com a família é uma escravidão e uma forma de não responsabilizar e de deixar impunes a esmagadora maioria dos agressores. Não posso dizer que não haja caso de violência sexual contra crianças provenientes de mulheres, existem embora sejam muito menores, mas eles são reprodução pura da dominação sexual patriarcal. Minha preocupação é com minha aluna de 16 anos grávida e "casada" com um rapaz de 21 anos que ano passado ameaçou matar ela na escola. Entre outros tantos casos. Por isso eu duvido que seja uma medida realmente determinante tranferir a responsabilidade para os pais quando o Estado brasileiro é negligente e não é questionado de fato, ao contrário atualmente é apoiado nas suas irresponsabilidades. Eu fico preocupada demais com o rumo que a cultura no Brasil está tomando. Somos cada vez mais um país de desumanidade e individualismo radical o que afeta diretamente às crianças e qualquer segmento social mais vulnerável. Será um desastre humanitário, eu sinceramente não consigo não ser realista sobre isso.
Eu queria saber quem é que tem o poder de escolher entre trabalhar e colocar alimento dentro de casa e "selecionar" quem vai cuidar do filho? Me desculpem a saia justa do questionamento, mas eu realmente quero entender como se coloca tão facilmente a responsabilidade em pais e cuidadores de crianças em relação aos crimes provenientes da violência e da negligência contra crianças, mas não se enxerga o tamanho da CULPA e do DOLO que o Estado brasileiro possui nesse tipo vergonhoso de crime?! Onde estão as creches? Onde estão as escolas de tempo integral? Onde estão as remunerações adequadas? Onde está a transferência de renda que não pareça uma esmola? Onde está a dignidade da família brasileira? Quais são os programas efetivos de responsabilidade estatal em relação a essa temática (que não seja jogadinha barata de marketing tal como o programa "criança [IN]feliz)?! Cadê a responsabilidade do Estado brasileiro em relação a exploração sexual infantil e dos abusos por puro abandono, sem falar por favor em discurso deplorável sobre "falta de calcinha"?!?!? Eu fico preocupada com o país de semianalfabetos em direitos humanitários que o Brasil tem se mostrado! É uma lástima!
sábado, 3 de agosto de 2019
Talvez eu não seja namorável.
Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…
Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?
Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…
Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…
Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.
E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…
Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.
Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:
– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.
Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.
Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.
E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..
Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.
Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…
Texto escrito por Akasha Lincourt
Uma vez, em um bar, ela me disse: “Neste mundo existe pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”…
Aquilo me intrigou durante toda a noite, uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê?
Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…
Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la…
Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?
Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e cumprimentou todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…
Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, conclui.
Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pro morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança.
E na minha cabeça só ecoava: “inamorável”.
Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar ao assunto…
Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário.
Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:
– Olhe ao seu redor, estamos já há um tempo aqui. Durante esse tempo por nós passou uma garota chorando por que seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar.
Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.
Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos; realmente não fazemos parte disso! Entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos. Somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes.
Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.
E eu me importo? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso..
Nenhum desses status, não. Não importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos “beatles” por que é importante para ela, mesmo eu detestando a banda.
Porque eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por manter o coração e a mente aberta.”
Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela…
Texto escrito por Akasha Lincourt
A palavra procrastinação está cada vez mais cheia de significados que remetem a coisas que fazem mal, tipo: atraso, falta de compromisso com o outro, deixar para amanhã o que ia fazer hoje, não resolver um problema... Mas eu discordo! Eu protesto! Isso não é verdade porque PROCRASTINAR É VIVER! Dentro do capitalismo, tempo é uma coisa controlada pelos donos do poder, então, ele é dinheiro! Mas isso também é mentira! Por isso os capitalistas colocaram a palavra procrastinação como algo ruim, para que a gente seja produtiva e dê lucro para eles! Eu odeio o capitalismo porque ele nos roubou nossos maiores tesouros, entre eles a liberdade de viver como se quer e o tempo de fazer o que se quer e não o que dá lucro!
terça-feira, 23 de julho de 2019
Enquanto a metáfora do anticristo for vista como uma filosofia contra a religião, não avançaremos na epistemologia nietzscheniana. Se há uma epistemologia proposta por Nietzsche, essa é um viés filosófico da ruptura com os dogmas e doutrinas em qualquer forma de pensamento, inclusive a ciência e a filosofia clássica - como já sabemos. Reconhecer o questionamento sobre a autoridade absoluta da religião na existência humana, realmente foi um dos maiores embates culturais propostos por Nietzsche, mas não é o único. Encontrar nesse questionamento essencialista o núcleo do existencialismo e da fenomenologia é uma possibilidade catalisadora nas questões nietzschenianas. Desculpem a chatice do argumento que se reitera e se ratifica, mas é necessário enfatizar: não se trata de ir contra a Igreja enquanto instituição religiosa, mas sim de questionar o seu poder absoluto em relação à política, à ciência e à cultura. A igreja não é, para Nietzsche, uma entidade social ou somente religiosa, ela é o pensamento dogmatizador, desumanizador, deturpador da consciência. Para ele, há o aparelhamento simbólico através da naturalidade de resolução por meio do mítico. É isso que precisamos focar, pois o fascismo é um dispositivo dentro desse sistema.
sábado, 20 de julho de 2019
Sou professora no interior do Maranhão e vejo os olhos humanos com fome todos os dias na escola. Quando estamos sem merenda, a fome que faz desmaiar em sala. Quando estamos com uma merenda fraca, a fome que desconcentra e desatenta para o conteúdo - aliás, desde que sou professora de escola pública (há 3 anos) o conteúdo já não é mais o meu foco, me foco em meus alunos e em seus olhos vulneráveis. Quando é período de férias e meus alunos não comerão sempre, eu sei, isso me arde por dentro porque eu sinto a fome deles na minha alma. Eu já tive fome, eu já quis comer e não havia o que eu queria, mas eu nunca dormi sem uma refeição ao menos. Apesar da minha ignorância, não há como não sentir a fome dos meus, da minha comunidade e da minha gente que luta, que cai e que morre bem do meu lado. A fome está do meu lado e, se eu não a visse, a desumanidade já havia me cegado. Sou muito descrente nas falácias interpretativas que encontro sobre a narrativa literária de Jesus, mas gosto de me lembrar de parte de suas andanças em que encontrou a fome e não cegou. Talvez, Jesus de Nazaré (aquele interiorano pobre) tenha enxergado na fome dos seus a sua própria miséria. É miserável ser humano e não poder acabar com a fome de toda gente. Ser humano e ser impotente diante da fome é uma miséria com a qual devemos conviver por derrota, por fracasso mesmo de humanidade que se acha tão superior aos outros animais e não é. A fome é a miséria da humanidade e nossa maior derrota. O que fez Jesus então? Repartir o pouco que tinha, o pouco que era com todos, diz-se que multiplicou pães e peixes. Eu, por outro lado, acredito que tenha multiplicado a humanidade entre os homens e fez com que os que tinham repartissem o seu pouco e assim fizeram o milagre de ser igual. Ser igual é uma virtude rara. Ser igual a quem tem fome, mesmo sem nunca ter sentido essa dor de fato, é um milagre. Ser humano hoje em dia é fazer todo dia em si um pequeno milagre. Que o fascismo não nos tire a humanidade.
Muito obrigada! Precisamos mesmo tornar a inclusão a nossa realidade educacional. Incluir não é integrar, da mesma sorte que intervir não é interferir. Enquanto na integração se coloca o aluno como um atendido pelo sistema educacional, através da inclusão, o aluno é o catalisador da educação. Ele gera o método, ele compartilha com o professor e seus colegas do processo de ensino-aprendizagem e a avaliação deixa de ser um mecanismo de exclusão e "seleção natural" e passa a ser o meio de compreensão e garantia do direito fundamental ao saber comunitário institucionalizado. Precisamos rever URGENTEMENTE as concepções de Educação no nosso país. Meu sonho é um dia conseguir ser professora de uma escola pública em que exista a garantia plena do direito à Educação formal. Esse é o meu sonho.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Toda pessoa gordofóbica é um reprimido. A insegurança pela falta de autoestima, pela ausência de reconhecimento de suas qualidades, por saber de seus indefensáveis defeitos, por se conhecer medíocre para muitas coisas...um indivíduo transtornado psicológica e socialmente é gordofóbico. Apesar disso, não há por que termos pena de um gordofóbico no sentido de querer ajudar, aconselhar, conscientizar. Nada disso terá efeito. Um gordofóbico é como um racista e um homofóbico tem um ódio que pode destruir uma pessoa que ele encontra como alvo. Alvo de destruição. Então, é preciso se afastar, calar, não dar atenção, ignorar e deixar na escuridão de onde saiu. Como disse Nietzsche "de tanto olhar o abismo, o abismo te olha". Os monstros que enxergamos no outro são o espelho da nossa alma. Deixem os demônios sozinhos e eles se autodestruírão, não como suicidas, mas como quem precisa acabar com a maldade que lhe habita sozinho, no seu próprio limbo.
terça-feira, 16 de julho de 2019
Infelizmente nossa realidade impede que muitos dos brasileiros imaginem o que seja uma universidade federal. Com certeza, a esmagadora maioria mal pensa em cursar uma faculdade, muito menor é o número dos que sonham em se pós graduar por uma instituição pública. A população não sabe que possui esse direito, não sabe que é um "sonho" que deveria se tornar realidade, não sabe que pode e deve querer maior qualificação profissional para além de uma simples formação burocrática (comprobatória, só um papel para mostrar na entrevista de emprego por exemplo), entre outras alienações. O povo brasileiro é muito alienável porque não possui instrução formal de qualidade, já que a escola pública em geral vem sendo há séculos um projeto de inserção de mão de obra em um tipo de mercado de trabalho violento, que é contra a qualidade de vida do operário, sendo viciado em produtividade precarizante. São muitos os fatores e o produto é um só: ignorância. Esse é o efeito de um projeto de país que se fez desde a primeira colonização e segue na sua versão mais feroz, o imperialismo neoliberal fascista. É preciso reagir? Óbvio! Mas como se enfrenta uma mídia colonizada, com uma educação precarizada, com professores tornados inimigos e com uma população esmolando direitos elementares como o de se alimentar???? É um desabafo o que eu faço. Me perdoem.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
Não tem maior representação do Brasil do que a imagem de um estádio de futebol com a seleção masculina em final de campeonato cuja divisão entre os que vaiam e os que aplaudem demonstra nosso abismo. Enfim, eles conseguiram. Colocaram o povo em guerra, fizeram da nossa gente uma torcida que se estranha e se sabota. Hoje somos um país sabotado de sabotados! Não há mesmo o que comemorar, não há por que comemorar. Sobre o atual (DES)governante do país, não há nem o que se falar, senão que é um ventríloquo, uma besta falante. Também há muito o que se entristecer por isso. Mas nada é maior do que o fracasso democrático, isto é, a derrota do povo brasileiro expressa em sua autorrejeição. Somos um país despedaçado.
terça-feira, 2 de julho de 2019
Um pouco por preguiça, um pouco por pão-durismo, tenho muita dificuldade em abrir mão de pertences de uso cotidiano. Fui proprietário, até o final de março, de um moletom que era o meu favorito e me acompanhava desde 2005. A estampa estava toda descascada e o zíper foi quebrando em várias partes até que se soltou completamente. Uma pena, porque tenho saudades desse moletom. Lembro também de um par de tênis brancos que dei como aposentados após quase uma década de uso. Passou um ano ou dois e os reabilitei para um fim de carreira que se estendeu por mais um biênio. Meu computador teve carreira semelhante: nascido em 2009, entrou em coma em abril do ano passado e, desenganado pelos técnicos, passou três meses vegetando até que retornou um dia sem aviso, lento mas robusto, e aqui está, é nele que vou escrevendo estas bobagens. O mais recente episódio começou em fevereiro, quando meu telefone deixou de carregar. Não demorei a perceber que bastava dar uma leve calçada na extremidade do cabo que ele voltava a carregar, assim de viés, mas carregava. Tinha que tomar muito cuidado, na hora de digitar, para não fazer ruir o calço que eu edificava com a carteira e um livro de crônicas. Segui assim por mais três meses, até que numa quinta-feira ele morreu por completo. Ou pensava eu que tinha morrido, porque o levei até uma loja e tiraram do buraco do carregador uma bolinha de tecido, que era o que estava atrapalhando tudo. E redivivo ele seguiu por mais seis ou sete semanas, até que a tomada ao lado da cama – mistérios da tecnologia – deixou de funcionar. Tive que mudar para a tomada perto da porta, o que era incômodo, porque eu esquecia de acionar o alarme e tinha que sair de baixo das cobertas para garantir que ele tocasse de manhã. Mas a tomada da porta também parou de funcionar – e eu tentei sugar com a boca uma nova bolinha de tecido, mas agora o problema parece que não era mais com o buraco do carregador, era mesmo com a tomada. Atrás da estante de livros fui encontrar uma terceira tomada, esquecida, que me serviu por mais alguns dias, mas como as outras morreu, vai entender. De maneira que, nesta noite de segunda, estou respondendo mensagens de pé, no banheiro, na tomada que me restou, apenas sete por cento de bateria. Em noites frias, meu celular salta do oitenta e dois para o nove por cento, sem aviso. Outras vezes fica estacionado no cinquenta e um por horas, até que num instante vai a zero e morre. Por essas e outras, tem tudo para continuar a meu lado por mais alguns anos.
Daniel Serrano - crônica de Facebook
Daniel Serrano - crônica de Facebook
domingo, 2 de junho de 2019
Aproveita as coisas boas, tá
"até a próxima vez" alguém saberia tecer os laços no invisível caminho dos afetos. Eu não sei. Então, lhe disse o que havia ali e segui. Não há nenhuma rota de encontro agora.
Eu sou assim
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