terça-feira, 24 de março de 2020

Esse cara está vivendo um mandato histórico. É daqui para o registro dos livros. Ele não está só nos defendendo do vírus, há um mal BEM MAIOR RONDANDO A NOSSA PÁTRIA. O fascismo está correndo por fora como um cão rondando a presa. E eu confio nesse governador! Ele pode nos ajudar a vencer essa batalha. O mandato democrático desses representantes NÃO PODE SER AMEAÇADO com discurso cínico. É a hora de lutar pela democracia! O coronavírus vai nos mostrar quem segura em pé! Estarei do lado dos democratas SEMPRE!

Uma voz se ergue no meio da paranóia...uma mulher se faz ouvir em chamas

Histeria..... palavra tão cara ventilada em discurso politico sem qualquer explicação ou contextualização. Como se histeria fosse algo de um falseamento, de um teor não verdadeiro, de um exagero. Eu, como histérica incurável que sou, penso: nada é mais vivo do que a realidade psíquica de um sujeito, ainda que fictícia e cheia de excessos. Se uma histeria se faz, ouçamos ela. Onde há histeria há um corpo que é palco de muita energia. Onde há histeria há vida, nem que seja em nome do medo da morte e do desamparo. Se um povo histérico desobedece a ordem de um líder sem platéia, esta é uma histeria legitima! Escutemos a histeria!
Os governadores do Brasil estão lutando pela democracia cambaleante. A cada pronunciamento, o estado democrático de direito é alvejado e vacila. É isso que ele pretende. Quanto mais sua verborragia se fizer ecoar, mais o estado de sítio se deflagra e ele ganha condições constitucionais de ser autocrático. Os governadores sabem que estão a um passo de perderem seus cargos e os legisladores estão cientes de que podem perder a vida. O Brasil enfrenta mais do que uma pandemia. Estamos a um passo do fascismo. É inacreditável a irresponsabilidade de quem foi às urnas, às ruas e ao grito para pedir o genocídio. Quem sobreviver aqui nunca esquecerá que foram muitas mãos a pedir guerra civil.
Pode ser. Mas sem dúvida ele está apostando no pior. O que de fato um fascista quer é mortes. Sem dúvida a psicopatia dele está clara. Não se trata de uma "gripizinha" em nenhuma hipótese. E mesmo as medidas de contenção por quarentena ou isolamento não vão garantir um número de mortes "satisfatório", mesmo porque não existe nada próximo disso quando se trata de mortes evitáveis. Os números estão em subnotificação. O estado de Minas já mostra a anormalidade de mortes por problemas respiratórios nunca antes registrada, embora nada prove ainda que tenham sido por causa do novo coronavírus. Então, acredito que não é essa a estratégia de marketing. O que ele está deflagrando é sua necropolítica, que logo pode se tornar um fechamento do congresso se o país chegar em estado de sítio. Ele quer a desordem para se enraizar e terá apoio militar em peso. Devemos nutrir a democracia a partir dos governadores que já entenderam que perderão seus mandatos caso ele conclua o seu plano de governo autoritário.
Se o caos que bolsonazi pretende se instalar no nosso país, será o passo que ele quer para o autoritarismo. O propósito claro dele com seus pronunciamentos é a convulsão popular. Ele quer a guerra e as mortes. Caso governadores se deixem sucumbir pelas crises econômicas e percam a popularidade, as condições para o governo fascista vão estar mais fortes. Eu acredito que a luta pela democracia se intensifique e defender os governos estaduais será a única saída. A pressão popular em deputados deve ser para que na prática apóiem as medidas "rebeldes" dos estados e assim garantam  a democracia até o fim do ano. Por mim, o impeachment aconteceria ainda hoje, mas não acredito que venha do dia pra noite. 😔

segunda-feira, 23 de março de 2020

a situação é indiscutivelmente difícil. Estamos passando por algo incontrolável e por nos sentirmos sistematicamente impotentes, sucumbimos muitas vezes ao descontrole emocional. Mas eu posso te dizer que isso é pior. Não quero que vc me entenda mal, preciso que sua razão seja agora o principal meio de estabilidade para a sua mente. Todos sabemos que é realmente uma situação difícil, mas não é impossível de vencer e não podemos deixar o desespero nos fazer perder antes. Uma boa energia emocional é muito importante e ajuda a combater males tão desastrosos quanto esse vírus. Não é místico em si. É psicológico mesmo. A debilidade emocional derruba a imunidade e gera falta de planejamento. Vc precisa estar tranquila ao máximo possível para colaborar com a sua família. Não deixe esses pensamentos desestabilizadores derrubarem sua capacidade de acreditar, de ter esperança, de confiar. Confia em Deus, confia na força da sua família. Acredita em vc mesma. Vc vai vencer as batalhas. Entrega a sua energia positiva todo dia para a sua mente e deixa essa ideia fazer morada no seu coração. Não se deixe abater antes da hora. A hora agora é de espera com vigor. É aquela espera que o Freire dizia. Esperar com um movimento de vida para enfrentar as turbulências. Vamos vencer muitas outras batalhas! Eu acredito que pode dar certo! Eu confio que podemos vencer esse mal com esperança!
O grupo de risco é a HUMANIDADE. TODOS da espécie hommo sapiens (no caso as PESSOAS TODAS, até os fascistas) são grupo de risco para se CONTAMINAR. Porém, existem pessoas que têm a tendência a desenvolver a forma mais grave e acabam por aumentar a chance de morte. O risco é de morte sim e as pessoas que têm maior vulnerabilidade são as que mais desenvolvem a doença de maneira grave. Repetir está pouco então para finalizar: TODOS podem "pegar" a doença, mas alguns (não poucos e nem menos importantes) podem morrer. Até o jovenzinho que se acha o homem de ferro pode morrer dependendo da debilidade do seu próprio sistema imunológico. Então, FIQUEM EM CASA, mesmo se vc se acha o imortal.

domingo, 22 de março de 2020

ela é a minha alvorada

A noite chegou com ela. Andaram uma vida inteira até o meu quarto. A demora não se sabe pelo relógio da sala. Parece sempre atrasada, moça. Acho que é essa ansiedade que nos domina.
Queria dormir no seu colo uma história de amor completa. Do primeiro ao último capítulo, ouvindo seu respirar cumprido. Não importa quantas linhas escritas ou quantas palavras, sequer se contam as letras. Apenas o seu ir e vir de inspiração e respiração ligeiras. Os pulmões em coro sabem o acalanto sob o meu travesseiro. Sobe o tom de ninar qualquer desejo nas horas ardendo em vibrantes sintonias.
Eu não sabia que ela andava junto ao tempo, ou que as fases da lua obedeciam a sua matriarquia. Ordena as estrelas e controla suas próprias primaveras. É dona e mãe severa de todas suas angústias e ânsias sonoras. Ela ergue o dia e sucumbe as minhas razões e prudências com suas manhas. Sou dela enquanto vibro em suas profundezas e silencio. Me afaga em suas mãos sem respeitar regras movidas por um temperamento doce e incontrolável.
Eu não queria mais acordar. A visão dela no quarto me amansa. Por que eu preciso tanto do sorriso dela para sonhar, para gozar e para amolecer inteira? São os olhos dela fechados alguma mágica que me hipnotiza? Eu queria tomá-la pelo braço e dizer "deita aqui do meu lado pro resto da vida". Não perguntaria nada, só diria em segredo uma breve serenata na sua boca.
Tenho mesmo tanta necessidade da sua presença? Não é física. É poética pura. Ela não tem efeito material no meu corpo? Claro que tem. É um despertar de tudo enquanto o mundo lá fora morreu. Mas sobretudo é poesia porque desprende as palavras prisioneiras. Elas escapam na direção dela, como se não fossem mais minhas. Sempre foram suas. É a musa na minha melodia desde o primeiro dia. Se eu cantar, foi porque ela me amanheceu.


Minha insônia favorita

Quando meus olhos fecharam...ela surgiu na minha cozinha. Era uma casa toda clara, tinha cortinas na janela e uma linda sacada. O cabelo dela estava preso e fazia uma coroa em cima da sua cabeça de rainha. Ela me dizia frases comuns e eu nem respondia. Eu ainda não sabia o que ela queria ali de frente pra mim em plena sua casa, lugar que ela regia sem nenhuma insegurança.
Eu olhei nos seus olhos e estranhei como eles estavam sorrindo. Eram de uma cor que luzia, tipo cristais em prisma. Um arco-íris se fez no meio da minha vista. As janelas estavam abertas, eu sentia o vento que balançava as venezianas no meu quarto.
Ouvi o som da minha playlist favorita e o nome dela estava chamando na tv. Era ela na minha sequência viciante. De longe, a música dizia "qualquer lugar com você é casa... você é casa". Era ali a minha moradia.
Olhei ao redor, a mesa estava posta. Eu estava sentada inerte. Se o mundo balançasse eu não cairia, apesar da lei de Newton. Ela era o único dispositivo que eu seguia. Ao som macio da sua voz mansa e aguda, ouvi um "eu queria o leite não esse negócio aqui", eu balbuciei "você quer mandar em tudo", com voz suavemente rebelde. Ela me olhou como se dissesse "tá sonhando de novo...seus olhos ficam ausentes".
Acordei de repente. Ela estava de novo na minha mente. Eu estava de novo sorrindo e dizendo "onde ela consegue tamanha autoridade?". Era a dona de tudo que eu via frontalmente. Eu via apenas à frente e o passado estava longe demais com ela sendo um presente incondicionalmente. O futuro era o meu invisível poente. O sol se põe todo dia, e a noite invade a gente.
Ela era o meu nascer. Nasceram tantas coisas dela que eu nem sei o que ela não gestava. Criadora como a natureza imponente. Criatura como o mar mais pungente de vida. Fértil como uma ventania ardendo as florestas. Não há o que pereça em sua dinastia. Ela invadiu a minha sala de jantar, já era 21h e logo tomaria conta de mim durante toda a madrugada.
Eu olhei para ela sentada em uma das cadeiras. Estávamos todos em volta dela na mesa. Era eu, uma bela menina cacheada e boba, um menino de cabelos dourados e ela com os olhos de reprovação pela aquela cena novelesca sem graça. Ela queria o quê? Nossas bílis enquanto passava um breve noticiário na tv longínqua. "Quem deixou essa porcaria ligada?". E eu querendo sentar na sua sala enquanto comia salada e pizza de rúcula.
Ela queria fanta laranja, alguém comprara fanta uva e batatas fritas. Quem se atreveria a tamanha displicência. "Era o que tinha". "Nunca tem milho de pipoca, cerveja longneck e nem meu sorvete favorito". "Qual é o seu sorvete favorito, dona?". "Qualquer um que esteja bem durinho, né, mãe". "Eu ainda pergunto, sabendo que sempre perco essa história". "Calada você está certa, mas falando você é condenada".
Ela me condenou a ser sua. No dia em que lhe vi naquela roda de gente estranha. Ninguém fala nada com nada e eu tô aqui atrás do farol que os olhos dela refletiam desde a porta daquele construção anacrônica. Ela é uma velha resposta aos meus traumas. E eu fui deitar sem conseguir acordar do sonho que é poder tê-la. Na rede ao lado ela balança o mundo, eu não consigo ver mais nada. O balanço dela me causa vertigem.
Sua voz no fundo me chama "esse pelo todo me faz mal, você sabe". Eu canso de cheirar seu pescoço e ela vira e nutre um vulcão que não entra em erupção até seu oceano desprender de suas profundezas. Dentro dela, eu conheço outras histórias. Eu vi um universo de letras esquisitas demais para a minha cética mistura de lógica e mística católica. Ela é comunista e eu estou aprendendo a ler sobre anarquia em tempos de cólera.
 Ela ri da minha insanidade. Da minha imaturidade, ela zomba. E, por minha insegurança, ela me empurra para a maior queda-livre: amá-la em desmedidas. Eu acordei aquela noite com a respiração ofegante porque sonhei com a sua boca, caí em uma insônia profunda.
Alguém bateu no quarto. Eu abri a porta, tinha os cabelos cacheados soltos. Olhei e vi que os olhos eram familiares. Ela estava cada dia mais livre e serena. "Não consegui dormir por causa dessa chuvarada, mãe". "Entre, querida". Dormiram como se não tivesse mais nenhuma chuva. Mas a escuridão não me atingia. Insone continuei e escutei canções de antes, de quando eu sonhava com ela na minha vida. Já estava claro quando ouvi sua voz de sempre "não é hora para dormir agora, há uma vida esperando por nós". E lhe senti no céu da boca.
Os olhos pareciam vidrados. Tomamos banho na hora de sempre. No "banheiro da sala", de onde ouvi sua música favorita de uma mulher cheia de lutas. Eu escutei todas as letras que sorriam na minha língua. Não podia cantar. Não tinha nenhuma melodia na minha boca a não ser a sua saliva. E me hipnotizava a sua pele macia com a textura de água limpa e sabonete. Ela tinha uma indumentária de rainha mesmo nua. E eu não sabia explicar nada até ela pedir o roupão pra ficar molhada na cozinha.
Eu não sabia o que fazer sem ela na minha sala, escutando as mesmas músicas preferidas. Os filmes dela são os mesmos durante as manhãsinhas. Ir ao supermercado só depois das 10h "aquieta a vida". Eu seguia parada olhando ela deitada como quem dormia sua lógica, seus seios lisos derramando uma beleza irresistível. Eu dizia "vamos beber mais tarde um cervejinha para acalmar as coisas". Ela estava certa, eu "iria deixar para depois mais uma pressa"... Eu queria a vida com ela na minha sacada, enquanto eu fumava sozinha.
Eu acordei com o cheiro dela no lençol da cama. Ela estava na crônica de amor e insônia daquela quarentena. O vento do ventilador cantava o toque dela na minha perna fria. Ela é o meu sonho de amor escrito em todas as linhas dessa tarde sozinha.
Março 2020 L.A.N.A

sexta-feira, 20 de março de 2020

Eu acredito que o desespero claro desse áudio não é para o mal e sim para o bem. Quando se vive uma situação de extrema vulnerabilidade, de risco iminente de mortalidade, não há como ser "frio". Acredito que a frieza nesses casos seja indício de psicopatia. Não se trata de medo de morte, mas de medo de ver pessoas que amamos serem contaminadas, assim como nós também poderemos ser, e terem uma situação de extremo sofrimento. Eu não quero isso para minha mãe de 67 anos. E, por extensão, à família de ninguém, quero que tal mal aconteça. Então, não custa nada ficar em casa. Não custa nada propagar informações e motivações à quarentena e ao isolamento quando necessário, por suspeita ou contato com possíveis infectados. A questão é essa. Ou defendemos a nossa humanidade, sendo solidários e ficando em casa. Ou assumimos certa nuance de desprezo a outros seres humanos através de um discurso de indiferença a tamanha calamidade. Estamos em uma guerra contra um vírus, inimigo quase invisível e muito mais poderoso do que qualquer invenção que já tenhamos conseguido ter através da ciência. É hora de ficar em casa e esperar o tempo dele passar. Eu acho, no mínimo, prudente. Ninguém deveria perder pela falta de empatia de ninguém.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Não é por medo. É por PRECAUÇÃO! Por favor, cuidado com as chamadas, deve haver RESPONSABILIDADE. As pessoas não estão fazendo o protocolo INTERNACIONAL de quarentena POR MEDO é por CUIDADO. CUIDADO! A palavra não é sequer proteção. Cuidado comigo e com os outros. Vamos estimular o cumprimento das regras, Diário! Agora não é mais hora para espetáculos de agenda. Agora se trata de ÉTICA HUMANITÁRIA. Ou jogamos no time que vai ganhar ou aqueles que ficarem do outro lado estarão no mesmo fracasso que todos nós. A MORTE de pessoas inocentes NUNCA PODE SER ENCARADA COMO SENSAÇÃO DE PÂNICO, ela é a própria desgraça da humanidade. Eu não quero enterrar meus mortos em valas abertas. Eu quero a dignidade de uma morte humanizada para TODOS.

terça-feira, 17 de março de 2020

Sim, acredito que há tudo uma razão de ser...

“E as pessoas ficaram em casa. E leram livros, e escutaram, e descansaram, e se exercitaram, e fizeram arte, e jogaram jogos. E aprenderam novas formas de ser, e ser em quietude. E ouviram mais profundamente. ⠀
⠀
Algumas meditaram, algumas rezaram, algumas dançaram. Algumas encontraram suas sombras. E as pessoas começaram a pensar diferente. E começaram a se curar. E na ausência de pessoas vivendo na ignorância, no perigo, no egoísmo e na inconsciência, a Terra começou a se curar. ⠀
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E quando o perigo passou, e as pessoas se juntaram novamente, elas choraram seus mortos e fizeram novas escolhas, e sonharam sonhos novos e criaram novas formas de viver e de de curar completamente a Terra, da mesma forma que eles haviam sido curados”. ⠀
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- Kitty O’ Meara
Pessoal, eu nunca gosto de me pronunciar em situações polêmicas, mas não se trata de polêmica. É uma questão inquestionável de saúde pública. Eu tenho uma mãe de 67 anos, que possui plano de saúde na Hapvida e eu, honestamente, não acredito que em caso de epidemia será realmente eficiente o serviço. Saúde pública é coisa séria e jamais pode ser levada a questões estritamente particulares. Idosos e bebês, tenho o meu afilhado de 1 ano e 8 meses, são grupo de risco de morte, não de risco de infecção. Somos professores, eu tenho 32 anos, posso entrar em contato e ser assintomática e mesmo assim levar a morte para a minha casa. Em geral, a quarentena tem o efeito de controle epidemiológico. É para que não se alastre de maneira tão desastrosa. É apenas o ano letivo em comparação com vidas. E nada pode ser comparado com vida. Nada. Ao menos, é essa a opinião que eu defendo.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Eu não sou ninguém para vir defender ou condenar, mas estou muito perplexa com os comentários transfóbicos que se espalham por causa dessa situação. Não tem como não assemelhar o tratamento discursivo de muitas pessoas (mulheres, homens, feministas ou não) com fascismo. É muito óbvio o critério seletivo. Não quero defender nenhum tipo de crime. Sou absolutamente contra a cultura do estupro e qualquer forma de apologia a esse crime irreparável. Me solidarizo com as vítimas, pessoas que já sofreram e com qualquer situação nesse universo de abuso sexual. Porém, não consigo enxergar na condenação compulsória dos discursos contra Susy nada de bom. A transfobia é um crime, mas também uma ideologia de purismo genético, biológico, sem qualquer benefício humanitário. Fazer justiça com as próprias palavras em um canal como o Facebook é discurso de ódio e não surpreendentemente foi iniciado nos porões do fascismo. Hannah Arendt quando foi analisar o caso de um fascista chamado Eichmann identificou uma semente (origem) fascista em uma pessoa comum. Ela chamou de "banalização do mal". Qualquer humano sem priorizar a ética humanitária tende ao extremismo e ao ódio gratuito que estimula genocídio. Eu sou contra isso. Também, consigo ver nitidamente o racismo que se escancara no caso de Susy, muitas pessoas condenam ela e toda a população negra trans ou não  que está em sua maioria povoando as nossas cadeias, que parecem um apartheid legalizado. Susanne Von Richthofen está sendo cotada para ser protagonista de um filme e foi abraçada por uma comunidade evangélica. Sem querer equiparar crime bom e crime ruim, não tem como não perceber que a condenação fatal é transfóbica e racista. Se a justiça está para a democracia como uma garantia dos direitos de qualquer pessoa, não posso discordar de que ela está pagando por sua pena, como poderia acontecer comigo, mas em condições indiscutivelmente piores. Eu sou branca, eu sou cis, eu tive oportunidade de fazer universidade. Então, o que eu percebo é que precisamos tomar cuidado para não fortalecermos nosso maior inimigo, o patriarcado, branco, misógino e fascista.
Cuidado para que a notícia, aparentemente, inocente não seja estimuladora de transfobia. A transfobia é um crime e não pode haver por parte de uma notícia veiculada por um portal tão sério e popular esse tipo de mensagem. Não estou dizendo que há transfobia direta ou intencional na informação porém é visível o número alarmante de pessoas comentando de modo transfóbico. Notem que não era a intenção da série do fantástico promover conteúdo transfóbico, ao contrário era COMBATER A TRANSFOBIA que mata milhares de pessoas no Brasil todos OS DIAS. NINGUÉM mandou escreverem carta, quem fez, fez porque quis. Se Suzy recebeu cartas de crianças escritas dentro de uma escola, significa diretamente que a educação está promovendo a harmonia, a solidariedade e a humanidade entre as pessoas. Talvez essa seja a principal necessidade não só de Suzy mas de muitas pessoas que foram parar na cadeia por causa da desigualdade social NOJENTA que temos em nosso país. Há racismo também nesse ódio todo. Suzy não é branquinha, não vão fazer um filme sobre ela como já há cotação para acontecer com Suzane Von Richthofen. Pois é Dol, cuidado para não caírem no hall de veículo de comunicação abrigador do discurso do ódio e do fascismo. Onde não há dignidade possível para QUALQUER pessoa, nem que seja sobre sua história, sobre sua menção, NÃO HÁ DEMOCRACIA. Onde não há democracia impera a lei do holocausto. Quem vai jogar a próxima pedra? Eu gostaria de não ter visto tamanha desumanidade como presenciei nessa lastimável reportagem anti-humanitária. Cuidado com seus próprios leitores, entre eles há os que disseminam genocídio em pele de "justiça verbal".
De onde menos se imagina, brota o fascismo. São comentários indiscutivelmente transfóbicos, sutilmente racistas, naturalizadores da discriminação, mantenedores de discurso  que julga existir uma gente mais "natural" e outra "anormal". É a banalização do mal nas rodas mais "progressistas". Onde se lê há gente mais natural, leia-se também um discurso antigo sobre uma tal raça ariana "mais pura". São contra a humanidade e sua diversidade e dizem que são a favor da humanidade. Eu estou triste demais. Há tanta transfobia naturalizando genocídio na minha timeline de modo que eu penso: o fascismo está vencendo. A banalização do mal (fascismo) naturaliza discurso que segrega, banaliza a violência simbólica através do discurso sutil das redes sociais que prega a "justiça verbal". São os justiceiros/justiceiras da web destilando ódio, vingança e desumanidade. O que não se assemelha ou seria se aproxima mais do fascismo do que a condenação do diferente? O fracasso da humanidade me assusta.

domingo, 8 de março de 2020

O dia começa com a poesia dela
Com a poesia de lá
Com um dia do lado de cá
Uma vida inteira
Esperando um toque
De palavras
Que são teus
Que são esses
E agora meus.

Eu não sei o que fiz ao mundo
Pra te ganhar assim
Do nada
De um jeito inexplicável
Incrível
Inusitado
Feita exata
Descrita no meu desejo
Nos meus pedidos
Nos sonhos acordados
Em tardes de domingo.

Como és isso?
Como és tudo?
Como pode Ser
Como existe assim?
Como sustenta essa tua marca
Tão perfeita
Tão viva
Tão tua
E as vezes minha.

Como tu vive
Mexendo comigo
Entrando na minha vida
Sem pedir
E para.
E vive.
Tú é uma poesia inteira.
Infindável.
Versos inesgotáveis.
Poemas imensuráveis.
Tu é uma poesia toda.
Tem teus inícios e meios
Mas não me apresenta teus fins.
Me confunde os olhos
As certezas
Entre cigarros e cervejas
Minhas verdades escorrem
No chão da tua palavra
Da tua voz.
E na didática, dialética
Meio certa
Enquanto o coração aperta
Meu peito enche
Minha respiração se cansa
De todo esforço pra viver
No teu mundo
Naquele infinito segundo inteiro de ti.

Eu jurei não te querer
Jurei não te amar
Jurei não desejar o teu eu inteiro
Em mim.
Jurei todo dia te afastar
Me afastar
Não me permitir
Não aceitar querer
E mesmo não querendo
Eu quero.
E mesmo não te vendo
Eu peco.
Mesmo sem pedir
Eu peço.

Só vejo teu corpo
Tuas mãos
Teus dedos
Tua boca
Teu cabelo
Teu mundo
Entrando no meu
Ali
Em qualquer lugar do mundo
Te ter nas mãos
E segurar
Beijar
E engolir tua poesia
Sobreviver da tua energia
Respirar tuas narrativas
Tua história inscrita em mãos
Nas tuas
Que queira Deus, sejam minhas.

Tu me escreve
E mexe tudo aqui dentro
Não respiro
E sigo.

L.A.N.A.
Cuidado para que a notícia, aparentemente, inocente não seja estimuladora de transfobia. A transfobia é um crime e não pode haver por parte de uma notícia veiculada por um portal tão sério e popular esse tipo de mensagem. Não estou dizendo que há transfobia direta ou intencional na informação porém é visível o número alarmante de pessoas comentando de modo transfóbico. Notem que não era a intenção da série do fantástico promover conteúdo transfóbico, ao contrário era COMBATER A TRANSFOBIA que mata milhares de pessoas no Brasil todos OS DIAS. NINGUÉM mandou escreverem carta, quem fez, fez porque quis. Se Suzy recebeu cartas de crianças escritas dentro de uma escola, significa diretamente que a educação está promovendo a harmonia, a solidariedade e a humanidade entre as pessoas. Talvez essa seja a principal necessidade não só de Suzy mas de muitas pessoas que foram parar na cadeia por causa da desigualdade social NOJENTA que temos em nosso país. Há racismo também nesse ódio todo. Suzy não é branquinha, não vão fazer um filme sobre ela como já há cotação para acontecer com Suzane Von Richthofen. Pois é Dol, cuidado para não caírem no hall de veículo de comunicação abrigador do discurso do ódio e do fascismo. Onde não há dignidade possível para QUALQUER pessoa, nem que seja sobre sua história, sobre sua menção, NÃO HÁ DEMOCRACIA. Onde não há democracia impera a lei do holocausto. Quem vai jogar a próxima pedra? Eu gostaria de não ter visto tamanha desumanidade como presenciei nessa lastimável reportagem anti-humanitária. Cuidado com seus próprios leitores, entre eles há os que disseminam genocídio em pele de "justiça verbal".
Conselhos para uma mulher forte

Se és uma mulher forte
protege-te das feras que quererão
almoçar teu coração.
Elas usam todos os disfarces dos carnavais da terra:
se vestem como culpas, oportunidades, preços a pagar.
Fuçam tua alma, metem o ferrão de seus olhares e prantos
até o mais profundo magma da tua essência
não para iluminarem-se com teu fogo
mas para apagar a paixão
a erudição de tuas fantasias.
Se és uma mulher forte
tens que saber que o ar que te nutre
também traz consigo parasitas, moscões,
pequenos insetos que buscarão alojar-se no teu sangue
e alimentar-se do que é sólido e grande em ti.
Não percas a compaixão, mas teme-a quando ela te conduzir
a negar a palavra, a esconder quem és,
e te obrigue a amaciar-te
e te prometa um reino terrestre em troca
de um sorriso complacente.
Se és uma mulher forte
prepara-te:
aprenda a estar só
a dormir na mais absoluta escuridão sem sentir medo,
e que ninguém te jogue cordas quando rugir o temporal,
a nadar contra a corrente.
Aprende os ofícios da reflexão e do intelecto
Lê, ame a si mesma, constrói teu castelo
circunda-o com fossas profundas
mas deixa grandes as portas e janelas.
É imprescindível que cultives enormes amizades
para que os que te rodeiem saibam quem tu és
que tu faças um círculo com fogueiras e que o acendas no meio do teu quarto
uma lareira sempre ardente na qual se mantenha o fervor dos teus sonhos.
Se és uma mulher forte
protege-te com palavras e árvores
e invoca a memória das mulheres antigas.
Tens que saber que és um campo magnético
para onde viajarão gritando os pregos enferrujados
e o óxido mortal de todos os naufrágios.
Ampara, mas ampara-te primeiro.
Guarda distâncias.
Constrói-te. Cuida-te.
Entesoura teu poder.
Defende-o.
Faça-o por ti.
Te peço em nome de todas nós.
(Gioconda Belli, Nicarágua, 1948)

sábado, 7 de março de 2020

Realmente o tema "amor romântico" precisa ser muito mais debatido. As relações supostamente romantizadas apresentam muitos sintomas da nossa cultura. O machismo, a misoginia, a disputa de egos, o narcisismo, a idolatria de um mito (feminino ou masculino), as sagradas escrituras sobre as relações interpessoais, a homofobia, a transfobia, o racismo, o preconceito de classe e o capacitismo... são estes algumas das marcas que parecem definir romances regados a violências (simbólica, psicológica, física e patrimonial). Há dilemas também importantes dentro dessa lógica viciada em tornar os humanos dependentes entre si, sufocando a autonomia e com ela a oportunidade de conhecer mais sobre a real necessidade de afeto. A criatividade humana para o enlaçamento afetivo é ameaçada por essa ideia deturpada de amar. Como se fosse essa a única maneira possível. A monogamia é o alicerce desse mal e sustenta junto a submissão do amante em função de um ser amado inalcançável. Talvez a humanidade deva nutrir dentro das suas mais caras revoluções uma guerra frontal ao amor romântico, pai da cela "casamento" e do cadeado "procriação". Deve haver outras formas de ser realizado por estar em um relacionamento afetivo entre pares. O amor romântico, realmente, parece uma droga de efeito moral.