Aos que pediram encarecidamente a ditadura militar violentando as pessoas da "oposição", agora é hora de se ver no lugar indigesto da inibição de manifestação POR QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. Os que possuem essa mentalidade contraditório que só querem a ditadura contra os SEUS inimigos, agora precisam perceber que buscar se manifestar em favor das suas escolhas (embora, indiscutivelmente irresponsáveis que são) é um direito DEMOCRÁTICO. Sem democracia não há diálogo. A proposta do governador é conservar a saúde pública em equilíbrio, o contraditório quer colocar em risco as vidas para ganhar sua ânsia por guerra e disputas irrelevantes. Quem sai perdendo com a proposta de "manifestação" contrária a vida são os mesmos que se fazem de defensores da vida no caso de aborto. Para eles, expor à morte milhares de pessoas agora não é uma boa saída? Então, a inibição é uma proposta. Tenho certeza que nada mais do que isso será feito.
Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
sexta-feira, 27 de março de 2020
Fernando Maués pode ter certeza que no máximo, os mais empolgados serão inibidos e duvido muito que seja na bala de borracha. Veja que as manifestações de apoio ao bolsonazi aqui em Belém sempre foram frequentadas pela branquitude. São senhores e senhoras de bens, que andam, que estão em carros, que levam a família tradicional brasileira nas marchas para Jesus. Eu vejo inclusive policiais de alto e baixo escalão aí. Eder Mauro por exemplo é muito influente aqui e não deixará barato. Eu acredito exatamente que por haver oficiais da polícia que são da elite é que a escolta será feita. Dei aula em cursinhos preparatórios para concurso de PM e de PC, eles flertam bastante com o bolsonarismo. São muitos advogados e pós-graduados em diversas áreas em que a grana fala bem mais alto. E eu concordo plenamente com vc que deveríamos fazer algo em contrapartida. Se fosse uma reação, mesmo que virtual, contra o Bolsonazi eles viriam em manada pra cima de qualquer um, mesmo que fosse de modo criminoso. Então, devemos nos preparar para alguma contrapartida coordenada de casa já que esse é o plano #FicarEmCasa.
Não se preocupe, não haverá "cassete no lombo" de ninguém! Não é assim que se dispersa ricos, brancos e sociopatas em Belém. O que vai haver é uma escolta policial vendo a alucinação coletiva e se arriscando. Policiais são negros, são de origem periférica em sua maioria. Jamais poderiam cassetar seus senhores. Infelizmente essa é a realidade. Haverá com certeza escolta com a hostilidade e a prática ostensiva contidas. A quem diz que será violento, não se preocupe, é só o nosso sonho. Quando o sistema se levantaria contra si mesmo da mesma maneira que arrebenta as cabeças em nossas ruas. O que gostei nisso tudo é que há uma voz de governança dizendo que não apoia e levará a polícia como forma de inibição. Pode ter certeza, não haverá mais do que uma escolta.
Infelizmente, não são os engravatados, os donos de empresas, os "manifestantes" de dentro do carro, as madames querendo suas empregadas de volta, que irão morrer em sua maioria. O vírus atinge qualquer pessoa, eu sei. Mas a maioria a morrer sofrendo sufocada será preta, pobre e periférica. Sabemos que isso é uma certeza que os FASCISTAS que apoiam esse governo sabem. Eles sabem e não disfarçam. Para eles, pobres estão condenados, e não se trata de determinismo, é fascismo. A eugenia é um sintoma de fascismo. Querer "limpar" a sociedade é o principal objetivo dessa "gente". O mal que está banalizado entre pobres que se sentem levados por uma inércia mental chamada "alienação". A falta de "consciência" de classe é a característica mais dolorosa dessa outra doença social. O inimigo a ser vencido pelos fascistas: a igualdade de direitos. Eles querem apartheid. Eles querem holocausto. Eu não tenho nenhuma dúvida de que há MUITOS fascistas entre nós. Não consigo mais vendar os olhos a fim de suportar. De verdade, realmente tentei andar de olhos fechados porque dói ver o suicídio coletivo ao qual estamos expostos, mas é a realidade. E não é porque estou chamando de "suicídio coletivo" que se trata de culpa de quem o faz consigo. Não! A alienação é uma mentalidade mantida e defendida pelo Estado neoliberal, que se mascara de "democrático" até que se estabeleça de fato a morte (cerebral) do Estado, insuficiência política através de um "Estado Mínimo". O Brasil está vivendo uma pseudodemocracia. Nenhum direito mais tem garantia. Nem o direito à vida. É duro mas não podemos negar! Os legisladores estão sendo empurrados a uma camisa de força por um sistema financeiro irracional. É a distopia neofascista capitalista do século XXI.
quarta-feira, 25 de março de 2020
ao seu nascente
Eu sempre sei escrever sobre despedidas...
Eu vou olhar de longe ela casando, amando, sorrindo, gozando, gestando e criando o próprio mundo. Ela é dona de si. Os olhos dela vão longe, não é mais possível me alcançarem. Eu vou ver ela de longe e não importa quantos quilômetros me distanciarem. Os anos também se vão, mas nunca tão longe. Seu vestido branco, único em plena multidão será vestígio de sonhos que eu jamais presenciarei. Ela sorrindo depois de um belo banquete entre amigos, familiares e padrinhos. Serão muitas pessoas por perto e eu de bem distante dizendo sobre amores e ventos num barco à vela afastado do continente. Longínqua. Eu e a neblina que invadiu o dia. Será no meio da praia o casamento dela. Eu já vejo as flores derramando suas pétalas amarelas, vermelhas e brancas pelo tapete de areia. Será simplesmente lindo. E o mar a me levar por onde nenhum amor nunca esteve. Amar de uma lonjura infinita e valente. Perder para si mesmo vendo fantasmas e uma tempestade à sua frente é desgovernante. A quem já naufragou tantas vezes é hora de se propor ir mais longe. Que chegue aonde ninguém podia dizer que chegaria. Vá pra mais perto de si e de sua própria ilha. Leve a imagem dela na sua parede de fotos indeléveis. Por onde for mais breve a fuga e mais certa a partida. Não retorne de onde saiu um dia. Siga, enfrente a si e lembre dela naquele vestido de amor nascente. O sol já lhe dará um poente para se esquecer de si e das suas feridas. Amar é a cura. Amando há de se curar no fim. O tempo é a única parceria nessa viagem dura... Amargura? Demora em mim a braveza ácida do desarmar em desamor as minhas muralhas. Por baixo de tudo, ferida e sangue sal e água. Nenhuma rota perdura infinitamente. Velas soltas no mar apontam um porto em breve. E nenhuma dor encostará em terra.
Eu vou olhar de longe ela casando, amando, sorrindo, gozando, gestando e criando o próprio mundo. Ela é dona de si. Os olhos dela vão longe, não é mais possível me alcançarem. Eu vou ver ela de longe e não importa quantos quilômetros me distanciarem. Os anos também se vão, mas nunca tão longe. Seu vestido branco, único em plena multidão será vestígio de sonhos que eu jamais presenciarei. Ela sorrindo depois de um belo banquete entre amigos, familiares e padrinhos. Serão muitas pessoas por perto e eu de bem distante dizendo sobre amores e ventos num barco à vela afastado do continente. Longínqua. Eu e a neblina que invadiu o dia. Será no meio da praia o casamento dela. Eu já vejo as flores derramando suas pétalas amarelas, vermelhas e brancas pelo tapete de areia. Será simplesmente lindo. E o mar a me levar por onde nenhum amor nunca esteve. Amar de uma lonjura infinita e valente. Perder para si mesmo vendo fantasmas e uma tempestade à sua frente é desgovernante. A quem já naufragou tantas vezes é hora de se propor ir mais longe. Que chegue aonde ninguém podia dizer que chegaria. Vá pra mais perto de si e de sua própria ilha. Leve a imagem dela na sua parede de fotos indeléveis. Por onde for mais breve a fuga e mais certa a partida. Não retorne de onde saiu um dia. Siga, enfrente a si e lembre dela naquele vestido de amor nascente. O sol já lhe dará um poente para se esquecer de si e das suas feridas. Amar é a cura. Amando há de se curar no fim. O tempo é a única parceria nessa viagem dura... Amargura? Demora em mim a braveza ácida do desarmar em desamor as minhas muralhas. Por baixo de tudo, ferida e sangue sal e água. Nenhuma rota perdura infinitamente. Velas soltas no mar apontam um porto em breve. E nenhuma dor encostará em terra.
no fim ela
- eu conto pra ela hoje?
- não. deixe ela feliz por mais esse dia.
- e se morrer hoje...
- será como uma surpresa ruim e não como uma espera dolorosa.
- o que direi?
- que eu não vou sofrer assim pra sempre.
- o que mais?
- que eu vivi o suficiente.
- econômica?
- matemática.
- é sobre nunca mais poder abraçá-la...
- eu estarei viva enquanto ela estiver... em sua mente.
- e o corpo físico?
- nunca foi o bastante.
- o que direi sobre as manhãs, as tardes e as noites dela esperando na sua frente?
- que eu sabia.
- é verdade?
- talvez eu sinta ela do outro lado da margem.
- o oceano de vida que vai separá-las é gigante.
- não acredito em vida após essa. mas sei que seus olhos leram a minha mente por todos esses anos. nunca ninguém chegou em mim tão longe.
- quais suas últimas palavras a ela?
- eu a amo. e o presente de amar dura por toda eternidade
- não. deixe ela feliz por mais esse dia.
- e se morrer hoje...
- será como uma surpresa ruim e não como uma espera dolorosa.
- o que direi?
- que eu não vou sofrer assim pra sempre.
- o que mais?
- que eu vivi o suficiente.
- econômica?
- matemática.
- é sobre nunca mais poder abraçá-la...
- eu estarei viva enquanto ela estiver... em sua mente.
- e o corpo físico?
- nunca foi o bastante.
- o que direi sobre as manhãs, as tardes e as noites dela esperando na sua frente?
- que eu sabia.
- é verdade?
- talvez eu sinta ela do outro lado da margem.
- o oceano de vida que vai separá-las é gigante.
- não acredito em vida após essa. mas sei que seus olhos leram a minha mente por todos esses anos. nunca ninguém chegou em mim tão longe.
- quais suas últimas palavras a ela?
- eu a amo. e o presente de amar dura por toda eternidade
No Brasil temos uma mentalidade tão carente que idolatramos os funcionários que possuem cargo eletivo. Idolatramos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente e demais funcionários porque temos uma carência de instrução, uma precária educação crítica e uma ignorância absurda sobre nossa própria realidade. Já foi denominado alienação esse estado em que não se sabe de si mesmo ao defender quem não lhe defenderia. A lógica desenhada parece óbvia, mas no Brasil (país do futebol) defender o "seu político" é muito mais comum do que defender o direito de todos ou melhorias para a coletividade. O problema é que a conta chega, o resultado é sentido por todos. Quando defendemos os políticos que deveriam ser nossos funcionários, que deveriam ser cobrados para fazerem da melhor forma as suas funções, perdemos o principal: nossa dignidade enquanto nação. Aqui não vale nada ser honesto e competente. Aqui basta só balançar bandeira e morrer ou matar por gente que NUNCA nem nos conhecerá. Se morrermos ou se nossos parentes morrerem eles jamais vão chorar. Eu queria um país de gente exigente (instruída) e não de torcedores fanáticos por nomes e siglas imundas de tanta corrupção e incompetência. Eu queria um país de gente sensata!
As periferias e as favelas sempre foram alvos das "balas perdidas", mas ninguém sentia. A ascensão da classe média, que promoveu sua voz, fez se ouvir o sofrimento de muita gente. Agora querem retirar o direito de existir. A importância de educar nas áreas periféricas está em garantir que o direito de existir e ter voz na política jamais pereça. Dar voz a quem sempre foi silenciado é uma luta diária da educação antifascista e democrática.
O mal do indivíduo que defende o capitalismo é pensar que a humanidade depende de dinheiro para viver. Não se defende mais a vida das pessoas, mas somente o "direito" de produzir. A alienação é uma forma de suicídio, faz parte da estrutura cultural capitalista indiscutivelmente genocida, Marx comentou a relação de necropolítica da vida privada nesse sistema desumano. Saramago também demonstrou o poder dessa "máquina" em desumanizar a gente. A era bolsonazi brasileira mascarada pela defesa do "bem" maior (capital) não está mais debaixo de máscaras. Defender esse discurso é banalizar a violência contra a própria humanidade coletiva e intrínseca. Muitos fascistas se empenharam na mesma direção, como exemplificou Hannah Arendt em "Eichmann em Jerusalém". O mal é a desumanidade que nos faz nos distanciarmos do que é ser humano e nos aproximarmos de "máquinas da produtividade". Para mim, está mais do que na hora de defendermos a ideia de ser humano, que não é natural. Precisa ser reinventada, mas também ensinada, transmitida e valorizada urgentemente.
terça-feira, 24 de março de 2020
Esse cara está vivendo um mandato histórico. É daqui para o registro dos livros. Ele não está só nos defendendo do vírus, há um mal BEM MAIOR RONDANDO A NOSSA PÁTRIA. O fascismo está correndo por fora como um cão rondando a presa. E eu confio nesse governador! Ele pode nos ajudar a vencer essa batalha. O mandato democrático desses representantes NÃO PODE SER AMEAÇADO com discurso cínico. É a hora de lutar pela democracia! O coronavírus vai nos mostrar quem segura em pé! Estarei do lado dos democratas SEMPRE!
Uma voz se ergue no meio da paranóia...uma mulher se faz ouvir em chamas
Histeria..... palavra tão cara ventilada em discurso politico sem qualquer explicação ou contextualização. Como se histeria fosse algo de um falseamento, de um teor não verdadeiro, de um exagero. Eu, como histérica incurável que sou, penso: nada é mais vivo do que a realidade psíquica de um sujeito, ainda que fictícia e cheia de excessos. Se uma histeria se faz, ouçamos ela. Onde há histeria há um corpo que é palco de muita energia. Onde há histeria há vida, nem que seja em nome do medo da morte e do desamparo. Se um povo histérico desobedece a ordem de um líder sem platéia, esta é uma histeria legitima! Escutemos a histeria!
Os governadores do Brasil estão lutando pela democracia cambaleante. A cada pronunciamento, o estado democrático de direito é alvejado e vacila. É isso que ele pretende. Quanto mais sua verborragia se fizer ecoar, mais o estado de sítio se deflagra e ele ganha condições constitucionais de ser autocrático. Os governadores sabem que estão a um passo de perderem seus cargos e os legisladores estão cientes de que podem perder a vida. O Brasil enfrenta mais do que uma pandemia. Estamos a um passo do fascismo. É inacreditável a irresponsabilidade de quem foi às urnas, às ruas e ao grito para pedir o genocídio. Quem sobreviver aqui nunca esquecerá que foram muitas mãos a pedir guerra civil.
Pode ser. Mas sem dúvida ele está apostando no pior. O que de fato um fascista quer é mortes. Sem dúvida a psicopatia dele está clara. Não se trata de uma "gripizinha" em nenhuma hipótese. E mesmo as medidas de contenção por quarentena ou isolamento não vão garantir um número de mortes "satisfatório", mesmo porque não existe nada próximo disso quando se trata de mortes evitáveis. Os números estão em subnotificação. O estado de Minas já mostra a anormalidade de mortes por problemas respiratórios nunca antes registrada, embora nada prove ainda que tenham sido por causa do novo coronavírus. Então, acredito que não é essa a estratégia de marketing. O que ele está deflagrando é sua necropolítica, que logo pode se tornar um fechamento do congresso se o país chegar em estado de sítio. Ele quer a desordem para se enraizar e terá apoio militar em peso. Devemos nutrir a democracia a partir dos governadores que já entenderam que perderão seus mandatos caso ele conclua o seu plano de governo autoritário.
Se o caos que bolsonazi pretende se instalar no nosso país, será o passo que ele quer para o autoritarismo. O propósito claro dele com seus pronunciamentos é a convulsão popular. Ele quer a guerra e as mortes. Caso governadores se deixem sucumbir pelas crises econômicas e percam a popularidade, as condições para o governo fascista vão estar mais fortes. Eu acredito que a luta pela democracia se intensifique e defender os governos estaduais será a única saída. A pressão popular em deputados deve ser para que na prática apóiem as medidas "rebeldes" dos estados e assim garantam a democracia até o fim do ano. Por mim, o impeachment aconteceria ainda hoje, mas não acredito que venha do dia pra noite. 😔
segunda-feira, 23 de março de 2020
a situação é indiscutivelmente difícil. Estamos passando por algo incontrolável e por nos sentirmos sistematicamente impotentes, sucumbimos muitas vezes ao descontrole emocional. Mas eu posso te dizer que isso é pior. Não quero que vc me entenda mal, preciso que sua razão seja agora o principal meio de estabilidade para a sua mente. Todos sabemos que é realmente uma situação difícil, mas não é impossível de vencer e não podemos deixar o desespero nos fazer perder antes. Uma boa energia emocional é muito importante e ajuda a combater males tão desastrosos quanto esse vírus. Não é místico em si. É psicológico mesmo. A debilidade emocional derruba a imunidade e gera falta de planejamento. Vc precisa estar tranquila ao máximo possível para colaborar com a sua família. Não deixe esses pensamentos desestabilizadores derrubarem sua capacidade de acreditar, de ter esperança, de confiar. Confia em Deus, confia na força da sua família. Acredita em vc mesma. Vc vai vencer as batalhas. Entrega a sua energia positiva todo dia para a sua mente e deixa essa ideia fazer morada no seu coração. Não se deixe abater antes da hora. A hora agora é de espera com vigor. É aquela espera que o Freire dizia. Esperar com um movimento de vida para enfrentar as turbulências. Vamos vencer muitas outras batalhas! Eu acredito que pode dar certo! Eu confio que podemos vencer esse mal com esperança!
O grupo de risco é a HUMANIDADE. TODOS da espécie hommo sapiens (no caso as PESSOAS TODAS, até os fascistas) são grupo de risco para se CONTAMINAR. Porém, existem pessoas que têm a tendência a desenvolver a forma mais grave e acabam por aumentar a chance de morte. O risco é de morte sim e as pessoas que têm maior vulnerabilidade são as que mais desenvolvem a doença de maneira grave. Repetir está pouco então para finalizar: TODOS podem "pegar" a doença, mas alguns (não poucos e nem menos importantes) podem morrer. Até o jovenzinho que se acha o homem de ferro pode morrer dependendo da debilidade do seu próprio sistema imunológico. Então, FIQUEM EM CASA, mesmo se vc se acha o imortal.
domingo, 22 de março de 2020
ela é a minha alvorada
A noite chegou com ela. Andaram uma vida inteira até o meu quarto. A demora não se sabe pelo relógio da sala. Parece sempre atrasada, moça. Acho que é essa ansiedade que nos domina.
Queria dormir no seu colo uma história de amor completa. Do primeiro ao último capítulo, ouvindo seu respirar cumprido. Não importa quantas linhas escritas ou quantas palavras, sequer se contam as letras. Apenas o seu ir e vir de inspiração e respiração ligeiras. Os pulmões em coro sabem o acalanto sob o meu travesseiro. Sobe o tom de ninar qualquer desejo nas horas ardendo em vibrantes sintonias.
Eu não sabia que ela andava junto ao tempo, ou que as fases da lua obedeciam a sua matriarquia. Ordena as estrelas e controla suas próprias primaveras. É dona e mãe severa de todas suas angústias e ânsias sonoras. Ela ergue o dia e sucumbe as minhas razões e prudências com suas manhas. Sou dela enquanto vibro em suas profundezas e silencio. Me afaga em suas mãos sem respeitar regras movidas por um temperamento doce e incontrolável.
Eu não queria mais acordar. A visão dela no quarto me amansa. Por que eu preciso tanto do sorriso dela para sonhar, para gozar e para amolecer inteira? São os olhos dela fechados alguma mágica que me hipnotiza? Eu queria tomá-la pelo braço e dizer "deita aqui do meu lado pro resto da vida". Não perguntaria nada, só diria em segredo uma breve serenata na sua boca.
Tenho mesmo tanta necessidade da sua presença? Não é física. É poética pura. Ela não tem efeito material no meu corpo? Claro que tem. É um despertar de tudo enquanto o mundo lá fora morreu. Mas sobretudo é poesia porque desprende as palavras prisioneiras. Elas escapam na direção dela, como se não fossem mais minhas. Sempre foram suas. É a musa na minha melodia desde o primeiro dia. Se eu cantar, foi porque ela me amanheceu.
Queria dormir no seu colo uma história de amor completa. Do primeiro ao último capítulo, ouvindo seu respirar cumprido. Não importa quantas linhas escritas ou quantas palavras, sequer se contam as letras. Apenas o seu ir e vir de inspiração e respiração ligeiras. Os pulmões em coro sabem o acalanto sob o meu travesseiro. Sobe o tom de ninar qualquer desejo nas horas ardendo em vibrantes sintonias.
Eu não sabia que ela andava junto ao tempo, ou que as fases da lua obedeciam a sua matriarquia. Ordena as estrelas e controla suas próprias primaveras. É dona e mãe severa de todas suas angústias e ânsias sonoras. Ela ergue o dia e sucumbe as minhas razões e prudências com suas manhas. Sou dela enquanto vibro em suas profundezas e silencio. Me afaga em suas mãos sem respeitar regras movidas por um temperamento doce e incontrolável.
Eu não queria mais acordar. A visão dela no quarto me amansa. Por que eu preciso tanto do sorriso dela para sonhar, para gozar e para amolecer inteira? São os olhos dela fechados alguma mágica que me hipnotiza? Eu queria tomá-la pelo braço e dizer "deita aqui do meu lado pro resto da vida". Não perguntaria nada, só diria em segredo uma breve serenata na sua boca.
Tenho mesmo tanta necessidade da sua presença? Não é física. É poética pura. Ela não tem efeito material no meu corpo? Claro que tem. É um despertar de tudo enquanto o mundo lá fora morreu. Mas sobretudo é poesia porque desprende as palavras prisioneiras. Elas escapam na direção dela, como se não fossem mais minhas. Sempre foram suas. É a musa na minha melodia desde o primeiro dia. Se eu cantar, foi porque ela me amanheceu.
Minha insônia favorita
Quando meus olhos fecharam...ela surgiu na minha cozinha. Era uma casa toda clara, tinha cortinas na janela e uma linda sacada. O cabelo dela estava preso e fazia uma coroa em cima da sua cabeça de rainha. Ela me dizia frases comuns e eu nem respondia. Eu ainda não sabia o que ela queria ali de frente pra mim em plena sua casa, lugar que ela regia sem nenhuma insegurança.
Eu olhei nos seus olhos e estranhei como eles estavam sorrindo. Eram de uma cor que luzia, tipo cristais em prisma. Um arco-íris se fez no meio da minha vista. As janelas estavam abertas, eu sentia o vento que balançava as venezianas no meu quarto.
Ouvi o som da minha playlist favorita e o nome dela estava chamando na tv. Era ela na minha sequência viciante. De longe, a música dizia "qualquer lugar com você é casa... você é casa". Era ali a minha moradia.
Olhei ao redor, a mesa estava posta. Eu estava sentada inerte. Se o mundo balançasse eu não cairia, apesar da lei de Newton. Ela era o único dispositivo que eu seguia. Ao som macio da sua voz mansa e aguda, ouvi um "eu queria o leite não esse negócio aqui", eu balbuciei "você quer mandar em tudo", com voz suavemente rebelde. Ela me olhou como se dissesse "tá sonhando de novo...seus olhos ficam ausentes".
Acordei de repente. Ela estava de novo na minha mente. Eu estava de novo sorrindo e dizendo "onde ela consegue tamanha autoridade?". Era a dona de tudo que eu via frontalmente. Eu via apenas à frente e o passado estava longe demais com ela sendo um presente incondicionalmente. O futuro era o meu invisível poente. O sol se põe todo dia, e a noite invade a gente.
Ela era o meu nascer. Nasceram tantas coisas dela que eu nem sei o que ela não gestava. Criadora como a natureza imponente. Criatura como o mar mais pungente de vida. Fértil como uma ventania ardendo as florestas. Não há o que pereça em sua dinastia. Ela invadiu a minha sala de jantar, já era 21h e logo tomaria conta de mim durante toda a madrugada.
Eu olhei para ela sentada em uma das cadeiras. Estávamos todos em volta dela na mesa. Era eu, uma bela menina cacheada e boba, um menino de cabelos dourados e ela com os olhos de reprovação pela aquela cena novelesca sem graça. Ela queria o quê? Nossas bílis enquanto passava um breve noticiário na tv longínqua. "Quem deixou essa porcaria ligada?". E eu querendo sentar na sua sala enquanto comia salada e pizza de rúcula.
Ela queria fanta laranja, alguém comprara fanta uva e batatas fritas. Quem se atreveria a tamanha displicência. "Era o que tinha". "Nunca tem milho de pipoca, cerveja longneck e nem meu sorvete favorito". "Qual é o seu sorvete favorito, dona?". "Qualquer um que esteja bem durinho, né, mãe". "Eu ainda pergunto, sabendo que sempre perco essa história". "Calada você está certa, mas falando você é condenada".
Ela me condenou a ser sua. No dia em que lhe vi naquela roda de gente estranha. Ninguém fala nada com nada e eu tô aqui atrás do farol que os olhos dela refletiam desde a porta daquele construção anacrônica. Ela é uma velha resposta aos meus traumas. E eu fui deitar sem conseguir acordar do sonho que é poder tê-la. Na rede ao lado ela balança o mundo, eu não consigo ver mais nada. O balanço dela me causa vertigem.
Sua voz no fundo me chama "esse pelo todo me faz mal, você sabe". Eu canso de cheirar seu pescoço e ela vira e nutre um vulcão que não entra em erupção até seu oceano desprender de suas profundezas. Dentro dela, eu conheço outras histórias. Eu vi um universo de letras esquisitas demais para a minha cética mistura de lógica e mística católica. Ela é comunista e eu estou aprendendo a ler sobre anarquia em tempos de cólera.
Ela ri da minha insanidade. Da minha imaturidade, ela zomba. E, por minha insegurança, ela me empurra para a maior queda-livre: amá-la em desmedidas. Eu acordei aquela noite com a respiração ofegante porque sonhei com a sua boca, caí em uma insônia profunda.
Alguém bateu no quarto. Eu abri a porta, tinha os cabelos cacheados soltos. Olhei e vi que os olhos eram familiares. Ela estava cada dia mais livre e serena. "Não consegui dormir por causa dessa chuvarada, mãe". "Entre, querida". Dormiram como se não tivesse mais nenhuma chuva. Mas a escuridão não me atingia. Insone continuei e escutei canções de antes, de quando eu sonhava com ela na minha vida. Já estava claro quando ouvi sua voz de sempre "não é hora para dormir agora, há uma vida esperando por nós". E lhe senti no céu da boca.
Os olhos pareciam vidrados. Tomamos banho na hora de sempre. No "banheiro da sala", de onde ouvi sua música favorita de uma mulher cheia de lutas. Eu escutei todas as letras que sorriam na minha língua. Não podia cantar. Não tinha nenhuma melodia na minha boca a não ser a sua saliva. E me hipnotizava a sua pele macia com a textura de água limpa e sabonete. Ela tinha uma indumentária de rainha mesmo nua. E eu não sabia explicar nada até ela pedir o roupão pra ficar molhada na cozinha.
Eu não sabia o que fazer sem ela na minha sala, escutando as mesmas músicas preferidas. Os filmes dela são os mesmos durante as manhãsinhas. Ir ao supermercado só depois das 10h "aquieta a vida". Eu seguia parada olhando ela deitada como quem dormia sua lógica, seus seios lisos derramando uma beleza irresistível. Eu dizia "vamos beber mais tarde um cervejinha para acalmar as coisas". Ela estava certa, eu "iria deixar para depois mais uma pressa"... Eu queria a vida com ela na minha sacada, enquanto eu fumava sozinha.
Eu acordei com o cheiro dela no lençol da cama. Ela estava na crônica de amor e insônia daquela quarentena. O vento do ventilador cantava o toque dela na minha perna fria. Ela é o meu sonho de amor escrito em todas as linhas dessa tarde sozinha.
Eu olhei nos seus olhos e estranhei como eles estavam sorrindo. Eram de uma cor que luzia, tipo cristais em prisma. Um arco-íris se fez no meio da minha vista. As janelas estavam abertas, eu sentia o vento que balançava as venezianas no meu quarto.
Ouvi o som da minha playlist favorita e o nome dela estava chamando na tv. Era ela na minha sequência viciante. De longe, a música dizia "qualquer lugar com você é casa... você é casa". Era ali a minha moradia.
Olhei ao redor, a mesa estava posta. Eu estava sentada inerte. Se o mundo balançasse eu não cairia, apesar da lei de Newton. Ela era o único dispositivo que eu seguia. Ao som macio da sua voz mansa e aguda, ouvi um "eu queria o leite não esse negócio aqui", eu balbuciei "você quer mandar em tudo", com voz suavemente rebelde. Ela me olhou como se dissesse "tá sonhando de novo...seus olhos ficam ausentes".
Acordei de repente. Ela estava de novo na minha mente. Eu estava de novo sorrindo e dizendo "onde ela consegue tamanha autoridade?". Era a dona de tudo que eu via frontalmente. Eu via apenas à frente e o passado estava longe demais com ela sendo um presente incondicionalmente. O futuro era o meu invisível poente. O sol se põe todo dia, e a noite invade a gente.
Ela era o meu nascer. Nasceram tantas coisas dela que eu nem sei o que ela não gestava. Criadora como a natureza imponente. Criatura como o mar mais pungente de vida. Fértil como uma ventania ardendo as florestas. Não há o que pereça em sua dinastia. Ela invadiu a minha sala de jantar, já era 21h e logo tomaria conta de mim durante toda a madrugada.
Eu olhei para ela sentada em uma das cadeiras. Estávamos todos em volta dela na mesa. Era eu, uma bela menina cacheada e boba, um menino de cabelos dourados e ela com os olhos de reprovação pela aquela cena novelesca sem graça. Ela queria o quê? Nossas bílis enquanto passava um breve noticiário na tv longínqua. "Quem deixou essa porcaria ligada?". E eu querendo sentar na sua sala enquanto comia salada e pizza de rúcula.
Ela queria fanta laranja, alguém comprara fanta uva e batatas fritas. Quem se atreveria a tamanha displicência. "Era o que tinha". "Nunca tem milho de pipoca, cerveja longneck e nem meu sorvete favorito". "Qual é o seu sorvete favorito, dona?". "Qualquer um que esteja bem durinho, né, mãe". "Eu ainda pergunto, sabendo que sempre perco essa história". "Calada você está certa, mas falando você é condenada".
Ela me condenou a ser sua. No dia em que lhe vi naquela roda de gente estranha. Ninguém fala nada com nada e eu tô aqui atrás do farol que os olhos dela refletiam desde a porta daquele construção anacrônica. Ela é uma velha resposta aos meus traumas. E eu fui deitar sem conseguir acordar do sonho que é poder tê-la. Na rede ao lado ela balança o mundo, eu não consigo ver mais nada. O balanço dela me causa vertigem.
Sua voz no fundo me chama "esse pelo todo me faz mal, você sabe". Eu canso de cheirar seu pescoço e ela vira e nutre um vulcão que não entra em erupção até seu oceano desprender de suas profundezas. Dentro dela, eu conheço outras histórias. Eu vi um universo de letras esquisitas demais para a minha cética mistura de lógica e mística católica. Ela é comunista e eu estou aprendendo a ler sobre anarquia em tempos de cólera.
Ela ri da minha insanidade. Da minha imaturidade, ela zomba. E, por minha insegurança, ela me empurra para a maior queda-livre: amá-la em desmedidas. Eu acordei aquela noite com a respiração ofegante porque sonhei com a sua boca, caí em uma insônia profunda.
Alguém bateu no quarto. Eu abri a porta, tinha os cabelos cacheados soltos. Olhei e vi que os olhos eram familiares. Ela estava cada dia mais livre e serena. "Não consegui dormir por causa dessa chuvarada, mãe". "Entre, querida". Dormiram como se não tivesse mais nenhuma chuva. Mas a escuridão não me atingia. Insone continuei e escutei canções de antes, de quando eu sonhava com ela na minha vida. Já estava claro quando ouvi sua voz de sempre "não é hora para dormir agora, há uma vida esperando por nós". E lhe senti no céu da boca.
Os olhos pareciam vidrados. Tomamos banho na hora de sempre. No "banheiro da sala", de onde ouvi sua música favorita de uma mulher cheia de lutas. Eu escutei todas as letras que sorriam na minha língua. Não podia cantar. Não tinha nenhuma melodia na minha boca a não ser a sua saliva. E me hipnotizava a sua pele macia com a textura de água limpa e sabonete. Ela tinha uma indumentária de rainha mesmo nua. E eu não sabia explicar nada até ela pedir o roupão pra ficar molhada na cozinha.
Eu não sabia o que fazer sem ela na minha sala, escutando as mesmas músicas preferidas. Os filmes dela são os mesmos durante as manhãsinhas. Ir ao supermercado só depois das 10h "aquieta a vida". Eu seguia parada olhando ela deitada como quem dormia sua lógica, seus seios lisos derramando uma beleza irresistível. Eu dizia "vamos beber mais tarde um cervejinha para acalmar as coisas". Ela estava certa, eu "iria deixar para depois mais uma pressa"... Eu queria a vida com ela na minha sacada, enquanto eu fumava sozinha.
Eu acordei com o cheiro dela no lençol da cama. Ela estava na crônica de amor e insônia daquela quarentena. O vento do ventilador cantava o toque dela na minha perna fria. Ela é o meu sonho de amor escrito em todas as linhas dessa tarde sozinha.
Março 2020 L.A.N.A
sexta-feira, 20 de março de 2020
Eu acredito que o desespero claro desse áudio não é para o mal e sim para o bem. Quando se vive uma situação de extrema vulnerabilidade, de risco iminente de mortalidade, não há como ser "frio". Acredito que a frieza nesses casos seja indício de psicopatia. Não se trata de medo de morte, mas de medo de ver pessoas que amamos serem contaminadas, assim como nós também poderemos ser, e terem uma situação de extremo sofrimento. Eu não quero isso para minha mãe de 67 anos. E, por extensão, à família de ninguém, quero que tal mal aconteça. Então, não custa nada ficar em casa. Não custa nada propagar informações e motivações à quarentena e ao isolamento quando necessário, por suspeita ou contato com possíveis infectados. A questão é essa. Ou defendemos a nossa humanidade, sendo solidários e ficando em casa. Ou assumimos certa nuance de desprezo a outros seres humanos através de um discurso de indiferença a tamanha calamidade. Estamos em uma guerra contra um vírus, inimigo quase invisível e muito mais poderoso do que qualquer invenção que já tenhamos conseguido ter através da ciência. É hora de ficar em casa e esperar o tempo dele passar. Eu acho, no mínimo, prudente. Ninguém deveria perder pela falta de empatia de ninguém.
Assinar:
Postagens (Atom)