sábado, 4 de abril de 2020

Dia dois

Insônia, sóbria, sobras e sombras
Cada uma palavra e cada letra traz um efeito.
 Ela insônia insistente, eu insone resistente comovendo as pálpebras a me acariciar os olhos em meia-baixa.
Eu tão sóbria que causo dormência no meu sentido súbito, em que nasce metáforas e anagramas alegóricos metafísicos. A sobriedade mata a metafísica trivial. Minha cética costumeira adormeceu por tirania.
Ela se derrama em sobras que caída me lambuzo e me deleito. É o meu delito acreditar em devaneios de além-mar. Aquém-mar há falta, há vaga, há vão em cantos de sonoros ecos. Cavernosa é a parede do meu peito, invadida por fora por sua lava de vulcão ardendo em destruição.
As nossas sombras andaram juntas no amanhecer sem solução... Vagar em luminosas vias... véus de luto sob os olhos...penumbras de matizes mal assombradas...fantasmagoram em mim porão. Existe uma prisão à vista, breu e limo alcançam as minhas mãos. Apegos egoístas...invadem e privam meu pôr do sol. A sombra andando sobre a aurora consente a noite não deixar adormecer no leito. Ela não chega. É sempre dia. Se não vejo a lua, onde ela foi parar?

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Participei ontem de um encontro entre educadores sobre aprendizagem criativa e o que se fala mais é exatamente disso...como as escolas, principalmente privadas, estão tentando "justificar a mensalidade" com a exploração do trabalho docente à revelia de qualquer momento de diálogo com os profissionais, sem qualquer preparo, sem as alternativas de formação fundamentais (mesmo que exijam tempo) e sem pensar na realidade em que estamos vivendo (pandemia e estresse coletivo). Realmente são os pais que também devem ser alertados. O foco, além de gestores obviamente, são pais que se colocam nesse papel de exigir "produtividade" por causa da mensalidade. É a certeza de que a escola está no lugar da babá, muitas vezes. Infelizmente, Paulo Freire continua contemporâneo em sua análise crítica em "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar". O trabalho docente continua sendo uma forma de aparelhamento ideológico do estado adestrador que, para manter o cabresto, faz o professor de seu fantoche escravizado.
Justificar "mensalidade" escolar com exploração do trabalho dos professores, sem qualquer preparo, sem atentar que eles têm suas próprias famílias em casa e que há um contexto histórico totalmente fora de controle é desumano! Há muitos professores sendo explorados em trabalhos para os quais sequer foram preparados!
Muitas vezes, são os pais e responsáveis os culpados por esse tipo de trabalho compulsório e adoecedor sendo cobrado dos professores. Muitas famílias acham que escola e professor são babás que têm a obrigação de cuidar de seus filhos para eles. NÃO! ISSO NÃO É EDUCAÇÃO! Professor e escola não são babás com quem se deixa os filhos e sai para "buscar os próprios sonhos" ou para trabalhar e "construir uma carreira". NÃO! EDUCAÇÃO NÃO É ISSO!
Vídeos que "ocupem o tempo da criança" com tarefas escolares em que os alunos não sejam METODOLOGICAMENTE mediados POR UM PROFISSIONAL NÃO ENSINAM! ISSO NÃO É ENSINO! Por favor, parem de se enganar, de enganar seus filhos e de explorar a mão de obra, muitas vezes, "barata" de professores QUE NÃO ESTÃO PREPARADOS NESSE MOMENTO por causa dessas circunstâncias para um trabalho assim.
Há outras alternativas. Se informa. Escolas, gestores e corpo técnico e docente PODEM PENSAR JUNTOS COM CALMA em qual a melhor alternativa, por exemplo de distração e de trabalho inclusive EMOCIONAL para esse momento. Há muito que se aprender com esse DESASTRE HUMANITÁRIA e, com certeza, não é o conteúdo de escola básica indispensável agora!
 Agora é hora de valorizar AS VIDAS. Valorizar as pessoas. Valorizar o que REALMENTE nos CUIDA. Crianças, adolescentes e jovens precisam de CUIDADOS e não de mais conteúdo escolar e acadêmico despejado em suas mentes pressionadas por essa situação caótica.

domingo, 29 de março de 2020

Caroline Kreile Dos Reis morei no interior do Maranhão por 3 anos, o que há é venda de leite cru por pessoas que alimentam suas famílias através da venda de 1 litro de leite a R$1,00. Óbvio que a realidade da indústria requer fiscalização sanitária, mas estamos falando de VONTADE POLÍTICA. Estamos tratando de MATAR A FOME de milhares de pessoas pelo Brasil a fora. Se vc acha isso impossível, então, veja todas as pesquisas sobre indústria da miséria (alimentícia) que se tem. Não se produz alimento, se produz FOME E MISÉRIA. Jogar fora para o COITADINHO do produtor é mais simples do que OBRIGAR A DOAÇÃO EM SITUAÇÃO DE CALAMIDADE. Será que o produtor não teria NENHUMA maneira de tornar esse produto consumível? Teria mas não faz. O sistema que move a lucratividade nesse setor impõe a venda de uma base alimentar não preparada e DERRAMA PELAS CRIMINOSAS VALAS da produção o que alimenta os vermes da miséria. Claro que eles "gostariam muito" de poder doar. Mas esse poder não é dado aos donos do alimento. A fiscalização sanitária NO NOSSO PAÍS é só mais uma engrenagem. Veja os exemplos dos produtores sustentáveis como o MST, desperdício próximo de zero, responsabilidade humanitária. Por isso a reforma agrária é um "problema" pro burguês, ela legaliza a distribuição e equilibra a lucratividade irracional.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-de-alimentos-discute-formas-de-combater-desperdicio,70003051028

https://www.diarioinduscom.com/a-realidade-da-fome-no-mundo-e-a-oferta-de-alimentos/

https://www.politize.com.br/fome-no-mundo-causas-e-consequencias/

http://www.pucrs.br/revista/uma-lei-que-mata-de-fome/

http://www.justificando.com/2019/07/22/relatorio-da-onu-indica-que-fome-no-brasil-que-antes-diminuia-voltou-a-crescer/

https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura/lei-que-proibe-jogar-alimentos-fora-vira-exemplo-mundial-3m4jleeqk1exidd8hnjalam5n/

Dicas de leitura sobre o tema. Mas o que se produz nas universidades brasileiras sobre o assunto também vale muito a pena.
Adriano Gross Gonçalves inclusive outros alimentos são descartados não só no nosso país. Muitas são as campanhas de grandes chefes pelo mundo em relação ao descarte de alimento. Por exemplo, durante aquela alta do preço de tomate em 2014 (acho), os produtores estavam descartando esse "produto" nas lavouras, sem sequer os noticiários pensarem em relatar o assunto. Enquanto o alimento for pensado como mais um produto da indústria, não haverá ética humanitária sobre acabar com a fome. Quando se pensa em produtores sustentáveis, como o MST por exemplo, esse descarte chega a zero. Mas a produção em larga escala é desumana e se apoia em dispositivos legais para ser cruel. A fome é o produto vendido nós comerciais das grandes empresas. Se produz vontade de comer o que não se pode comprar. Se produz desnutrição e miséria também. Não há uma indústria alimentícia que se habilite em doar por exemplo cestas com seus produtos às pessoas que não poderiam de jeito nenhum comprar, aos miseráveis. Há toneladas de alimento industrializado por exemplo no lixo por perderem a "validade", outra importante invenção desse sistema. Jogar fora alimento nutre a fome de milhares de pessoas no mundo. Comprar alimento de grandes indústrias e pagar para matar gente no mundo inteiro. Infelizmente, é a realidade da alienação do poder de ser consumidor. Somos os que mantém a roda da morte capitalista em constante dinâmica. 
Para eles, é absolutamente "natural" que se jogue fora porque é um "trabalho" desperdiçado. Eles fazem para garantir o equilíbrio financeiro já que não terão livro sobre, então, não vale a pena alimentar mais nada. O lucro é pensado como o único fim e nenhuma proposta de doação se vê porque não há lucro em doar. É uma lógica ao inverso de alimentar. Produzir alimento para ter dinheiro, não é para "matar a fome", mas para sustentar a fome de muitos que perecerão. Garantir que haja fome mantém o leite como um dia produtos mais importantes desse mercado. A fome alimenta a vontade de comer sem ética, comer sem empatia. Comer nesse caso é um privilégio de poucos e a fome um objeto desejado pelo "produtor de alimento".

sábado, 28 de março de 2020

Por Matheus Germino

As carreatas bolsonaristas revelam o que sempre soubemos: nossa elite é perversa e genocida. E a classe trabalhadora, estranhada e desesperada em retornar para sua condição de exploração compulsória brutalizante, imposta pelas forças destrutivas do Capital, é carente das armas da crítica e do desejo real de emancipação humana e civilizatória. A subjetividade do trabalhador foi completamente deformada pelos valores fantasmagóricos e decadentes do capitalismo. Essa crise humanitária pandêmica deixa claro como o dia que, enquanto vivermos sob o modo de vida capitalista, nossa espécie estará condenada à extinção. Que os ignorantes fundamentalistas desapareçam primeiro!

sexta-feira, 27 de março de 2020

Aos que pediram encarecidamente a ditadura militar violentando as pessoas da "oposição", agora é hora de se ver no lugar indigesto da inibição de manifestação POR QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. Os que possuem essa mentalidade contraditório que só querem a ditadura contra os SEUS inimigos, agora precisam perceber que buscar se manifestar em favor das suas escolhas (embora, indiscutivelmente irresponsáveis que são) é um direito DEMOCRÁTICO. Sem democracia não há diálogo. A proposta do governador é conservar a saúde pública em equilíbrio, o contraditório quer colocar em risco as vidas para ganhar sua ânsia por guerra e disputas irrelevantes. Quem sai perdendo com a proposta de "manifestação" contrária a vida são os mesmos que se fazem de defensores da vida no caso de aborto. Para eles, expor à morte milhares de pessoas agora não é uma boa saída? Então, a inibição é uma proposta. Tenho certeza que nada mais do que isso será feito.
Fernando Maués pode ter certeza que no máximo, os mais empolgados serão inibidos e duvido muito que seja na bala de borracha. Veja que as manifestações de apoio ao bolsonazi aqui em Belém sempre foram frequentadas pela branquitude. São senhores e senhoras de bens, que andam, que estão em carros, que levam a família tradicional brasileira nas marchas para Jesus. Eu vejo inclusive policiais de alto e baixo escalão aí. Eder Mauro por exemplo é muito influente aqui e não deixará barato. Eu acredito exatamente que por haver oficiais da polícia que são da elite é que a escolta será feita. Dei aula em cursinhos preparatórios para concurso de PM e de PC, eles flertam bastante com o bolsonarismo. São muitos advogados e pós-graduados em diversas áreas em que a grana fala bem mais alto. E eu concordo plenamente com vc que deveríamos fazer algo em contrapartida. Se fosse uma reação, mesmo que virtual, contra o Bolsonazi eles viriam em manada pra cima de qualquer um, mesmo que fosse de modo criminoso. Então, devemos nos preparar para alguma contrapartida coordenada de casa já que esse é o plano #FicarEmCasa.
Não se preocupe, não haverá "cassete no lombo" de ninguém! Não é assim que se dispersa ricos, brancos e sociopatas em Belém. O que vai haver é uma escolta policial vendo a alucinação coletiva e se arriscando. Policiais são negros, são de origem periférica em sua maioria. Jamais poderiam cassetar seus senhores. Infelizmente essa é a realidade. Haverá com certeza escolta com a hostilidade e a prática ostensiva contidas. A quem diz que será violento, não se preocupe, é só o nosso sonho. Quando o sistema se levantaria contra si mesmo da mesma maneira que arrebenta as cabeças em nossas ruas. O que gostei nisso tudo é que há uma voz de governança dizendo que não apoia e levará a polícia como forma de inibição. Pode ter certeza, não haverá mais do que uma escolta.
Infelizmente, não são os engravatados, os donos de empresas, os "manifestantes" de dentro do carro, as madames querendo suas empregadas de volta, que irão morrer em sua maioria. O vírus atinge qualquer pessoa, eu sei. Mas a maioria a morrer sofrendo sufocada será preta, pobre e periférica. Sabemos que isso é uma certeza que os FASCISTAS que apoiam esse governo sabem. Eles sabem e não disfarçam. Para eles, pobres estão condenados, e não se trata de determinismo, é fascismo.  A eugenia é um sintoma de fascismo. Querer "limpar" a sociedade é o principal objetivo dessa "gente". O mal que está banalizado entre pobres que se sentem levados por uma inércia mental chamada "alienação". A falta de "consciência" de classe é a característica mais dolorosa dessa outra doença social. O inimigo a ser vencido pelos fascistas: a igualdade de direitos. Eles querem apartheid. Eles querem holocausto. Eu não tenho nenhuma dúvida de que há MUITOS fascistas entre nós. Não consigo mais vendar os olhos a fim de suportar. De verdade, realmente tentei andar de olhos fechados porque dói ver o suicídio coletivo ao qual estamos expostos, mas é a realidade. E não é porque estou chamando de "suicídio coletivo" que se trata de culpa de quem o faz consigo. Não! A alienação é uma mentalidade mantida e defendida pelo Estado neoliberal, que se mascara de "democrático" até que se estabeleça de fato a morte (cerebral) do Estado, insuficiência política através de um "Estado Mínimo". O Brasil está vivendo uma pseudodemocracia. Nenhum direito mais tem garantia. Nem o direito à vida. É duro mas não podemos negar! Os legisladores estão sendo empurrados a uma camisa de força por um sistema financeiro irracional. É a distopia neofascista capitalista do século XXI.

quarta-feira, 25 de março de 2020

ao seu nascente

Eu sempre sei escrever sobre despedidas...
Eu vou olhar de longe ela casando, amando, sorrindo, gozando, gestando e criando o próprio mundo. Ela é dona de si. Os olhos dela vão longe, não é mais possível me alcançarem. Eu vou ver ela de longe e não importa quantos quilômetros me distanciarem. Os anos também se vão, mas nunca tão longe. Seu vestido branco, único em plena multidão será vestígio de sonhos que eu jamais presenciarei. Ela sorrindo depois de um belo banquete entre amigos, familiares e padrinhos. Serão muitas pessoas por perto e eu de bem distante dizendo sobre amores e ventos num barco à vela afastado do continente. Longínqua. Eu e a neblina que invadiu o dia. Será no meio da praia o casamento dela. Eu já vejo as flores derramando suas pétalas amarelas, vermelhas e brancas pelo tapete de areia. Será simplesmente lindo. E o mar a me levar por onde nenhum amor nunca esteve. Amar de uma lonjura infinita e valente. Perder para si mesmo vendo fantasmas e uma tempestade à sua frente é desgovernante. A quem já naufragou tantas vezes é hora de se propor ir mais longe. Que chegue aonde ninguém podia dizer que chegaria. Vá pra mais perto de si e de sua própria ilha. Leve a imagem dela na sua parede de fotos indeléveis. Por onde for mais breve a fuga e mais certa a partida. Não retorne de onde saiu um dia. Siga, enfrente a si e lembre dela naquele vestido de amor nascente. O sol já lhe dará um poente para se esquecer de si e das suas feridas. Amar é a cura. Amando há de se curar no fim. O tempo é a única parceria nessa viagem dura... Amargura? Demora em mim a braveza ácida do desarmar em desamor as minhas muralhas. Por baixo de tudo, ferida e sangue sal e água. Nenhuma rota perdura infinitamente. Velas soltas no mar apontam um porto em breve. E nenhuma dor encostará em terra.

no fim ela

- eu conto pra ela hoje?
- não. deixe ela feliz por mais esse dia.
- e se morrer hoje...
- será como uma surpresa ruim e não como uma espera dolorosa.
- o que direi?
- que eu não vou sofrer assim pra sempre.
- o que mais?
- que eu vivi o suficiente.
- econômica?
- matemática.
- é sobre nunca mais poder abraçá-la...
- eu estarei viva enquanto ela estiver... em sua mente.
- e o corpo físico?
- nunca foi o bastante.
- o que direi sobre as manhãs, as tardes e as noites dela esperando na sua frente?
- que eu sabia.
- é verdade?
- talvez eu sinta ela do outro lado da margem.
- o oceano de vida que vai separá-las é gigante.
- não acredito em vida após essa. mas sei que seus olhos leram a minha mente por todos esses anos. nunca ninguém chegou em mim tão longe.
-  quais suas últimas palavras a ela?
- eu a amo. e o presente de amar dura por toda eternidade

No Brasil temos uma mentalidade tão carente que idolatramos os funcionários que possuem cargo eletivo. Idolatramos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente e demais funcionários porque temos uma carência de instrução, uma precária educação crítica e uma ignorância absurda sobre nossa própria realidade. Já foi denominado alienação esse estado em que não se sabe de si mesmo ao defender quem não lhe defenderia. A lógica desenhada parece óbvia, mas no Brasil (país do futebol) defender o "seu político" é muito mais comum do que defender o direito de todos ou melhorias para a coletividade. O problema é que a conta chega, o resultado é sentido por todos. Quando defendemos os políticos que deveriam ser nossos funcionários, que deveriam ser cobrados para fazerem da melhor forma as suas funções, perdemos o principal: nossa dignidade enquanto nação. Aqui não vale nada ser honesto e competente. Aqui basta só balançar bandeira e morrer ou matar por gente que NUNCA nem nos conhecerá. Se morrermos ou se nossos parentes morrerem eles jamais vão chorar. Eu queria um país de gente exigente (instruída) e não de torcedores fanáticos por nomes e siglas imundas de tanta corrupção e incompetência. Eu queria um país de gente sensata!
As periferias e as favelas sempre foram alvos das "balas perdidas", mas ninguém sentia. A ascensão da classe média, que promoveu sua voz, fez se ouvir o sofrimento de muita gente. Agora querem retirar o direito de existir. A importância de educar nas áreas periféricas está em garantir que o direito de existir e ter voz na política jamais pereça. Dar voz a quem sempre foi silenciado é uma luta diária da educação antifascista e democrática.
O mal do indivíduo que defende o capitalismo é pensar que a humanidade depende de dinheiro para viver. Não se defende mais a vida das pessoas, mas somente o "direito" de produzir. A alienação é uma forma de suicídio, faz parte da estrutura cultural capitalista indiscutivelmente genocida, Marx comentou a relação de necropolítica da vida privada nesse sistema desumano. Saramago também demonstrou o poder dessa "máquina" em desumanizar a gente. A era bolsonazi brasileira mascarada pela defesa do "bem" maior (capital) não está mais debaixo de máscaras. Defender esse discurso é banalizar a violência contra a própria humanidade coletiva e intrínseca. Muitos fascistas se empenharam na mesma direção, como exemplificou Hannah Arendt em "Eichmann em Jerusalém". O mal é a desumanidade que nos faz nos distanciarmos do que é ser humano e nos aproximarmos de "máquinas da produtividade". Para mim, está mais do que na hora de defendermos a ideia de ser humano, que não é natural. Precisa ser reinventada, mas também ensinada, transmitida e valorizada urgentemente.

terça-feira, 24 de março de 2020

Esse cara está vivendo um mandato histórico. É daqui para o registro dos livros. Ele não está só nos defendendo do vírus, há um mal BEM MAIOR RONDANDO A NOSSA PÁTRIA. O fascismo está correndo por fora como um cão rondando a presa. E eu confio nesse governador! Ele pode nos ajudar a vencer essa batalha. O mandato democrático desses representantes NÃO PODE SER AMEAÇADO com discurso cínico. É a hora de lutar pela democracia! O coronavírus vai nos mostrar quem segura em pé! Estarei do lado dos democratas SEMPRE!

Uma voz se ergue no meio da paranóia...uma mulher se faz ouvir em chamas

Histeria..... palavra tão cara ventilada em discurso politico sem qualquer explicação ou contextualização. Como se histeria fosse algo de um falseamento, de um teor não verdadeiro, de um exagero. Eu, como histérica incurável que sou, penso: nada é mais vivo do que a realidade psíquica de um sujeito, ainda que fictícia e cheia de excessos. Se uma histeria se faz, ouçamos ela. Onde há histeria há um corpo que é palco de muita energia. Onde há histeria há vida, nem que seja em nome do medo da morte e do desamparo. Se um povo histérico desobedece a ordem de um líder sem platéia, esta é uma histeria legitima! Escutemos a histeria!
Os governadores do Brasil estão lutando pela democracia cambaleante. A cada pronunciamento, o estado democrático de direito é alvejado e vacila. É isso que ele pretende. Quanto mais sua verborragia se fizer ecoar, mais o estado de sítio se deflagra e ele ganha condições constitucionais de ser autocrático. Os governadores sabem que estão a um passo de perderem seus cargos e os legisladores estão cientes de que podem perder a vida. O Brasil enfrenta mais do que uma pandemia. Estamos a um passo do fascismo. É inacreditável a irresponsabilidade de quem foi às urnas, às ruas e ao grito para pedir o genocídio. Quem sobreviver aqui nunca esquecerá que foram muitas mãos a pedir guerra civil.