sábado, 11 de abril de 2020

Mais cedo eu respondi sobre isso a uma pessoa que sigo do Facebook. Ela é paulistana e professora do ensino infantil. Na postagem, falou sobre se deixar o ano letivo de 2020 como "perdido" em relação às burocracias e investir exatamente nos cuidados e alguns conteúdos direcionados.  Concordo plenamente com minha colega que não dá para pressionar os professores e simplesmente levar o ano como se nada tivesse acontecido. É hora de se reinventar. Eu acho muito relevante a atual conjuntura dramática em que vivemos porque ela escancara a maior doença, para mim, que acomete o sistema educacional brasileiro: a burocracia tecnicista. Os 200 dias letivos com conteúdo depositado nas aulas sem qualquer perspetiva de mudanças metodológicas. Os professores estão muito acostumados com a mesma apostila, a mesma aula expositiva e a mesma prova seletivista. O que não é um mal da nossa categoria, mas uma indução do próprio sistema antiquado. O uso das novas tecnologias encarado sempre com muita desconfiança por muitos professores que verbalizam ser "só mais um trabalho" a sobrecarregar nossas vidas. A formação que nunca está a gosto porque parece ignorar os desafios da prática precária no "chão das salas" muitas vezes desestruturadas. São muitos fatores a se pensar. Muitos. Eu mesma estou refletindo muito sobre minha própria forma de ser professora porque já fui colocada na situação de ter que ir para salas de chat, grupos de whatsapp e aulas via videoconferência. Não estava preparada. Topei porque me senti colocada diante de uma situação extrema e acredito que nesses casos devemos aprender. E vamos aprender no começo errando. Eu que sempre tive muita resistência em fazer vídeos e aula por celular agora me vi nessa situação por necessidade minha e dos alunos. Não é fácil e não será. Não é simples e não será. Não é a única alternativa e nem pode ser. Mas acredito que vale a pena tentar. Para mim, seria muito melhor se houvesse uma formação realmente prática sobre como se portar, o que levar ao ambiente virtual de ensino, o que não levar, o como perceber as respostas dos alunos e, principalmente no meu caso, como garantir o diálogo, que eu considero indispensável para que as aulas sejam significativas. Estou aprendendo exatamente diante dessa situação traumática.
Eu gosto da ponderação do autor sobre a comparação com bolsonazi... Realmente, ofende ser comparado a esse fascista, mas de fato é o que se vê. Quem admite que há necessidade de continuar com aulas online o que era feito em aula presencial, ainda não entendeu nada sobre educação de verdade. Educação não é ocupação para quando os pais precisarem cumprir seus afazeres. Educação não é distração para quando o garoto não tem "nada para fazer de melhor". Educação não é uma rotina biológica como acordar - escovar os dentes - se banhar - tomar café - ir para a escola. Não, não é. Educação é muito mais. Mesmo Home Schoolling não é isso. Não é assim que se faz o ensino doméstico institucionalizado. Educação exige técnica, ética, diálogo e ciência. São princípios freireanos, sim, mas também são as nossas práticas históricas. Professores e alunos sabem que educação não é o que se está fazendo, nem propondo. Se há certas boas intenções, não duvido. Mas também não acredito que sejam as mais importantes pela forma como está acontecendo. Os professores que estão se empenhando merecem nosso apoio, estarão exauridos para o restante do ano...e os alunos sabem exatamente do que precisam. Infelizmente, dentro das escolas todos os dias estamos cansados de dizer, a família que se ausenta no ambiente escolar é a mesma que agora foge do convívio, digo sem medo de errar. A convivência dentro de casa com os próprios filhos muitas vezes se traduz em uma forma adoecedora. É nesse lugar que se colocou a escola há algumas décadas...como sou uma jovenzinha, diria que há três décadas... A escola é a intermediadora de conflitos entre pais e filhos, agora sem poder ficar nesse lugar o que sobra é reclamação. Sabemos exatamente do que se trata.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Você é casa...

Vício de amor
Qualquer lugar com você é casa...

Minha estrutura ruída em vários pedaços que piso pelo chão... há estilhaços que ferem os meus pés...minha morada eu nunca tive e sinto que ruiu...
A casa que eu entro e procuro abrigo é ela no meio do breu...sinto que estava tudo desarrumado...vejo os sonhos e planos... está tudo bagunçado... Mesmo assim eu me sinto em paz...
O que há no estar nela que me acalma?
Aconteceram coincidências tantas que não tive roupa pra escapar das artimanhas do destino que me pregou a melhor das peças...
Andei tanto cansada e com os pés feridos que cheguei nela...dói de tanto acreditar mesmo assim sem ter poderes e fins...
Ela é o abrigo da minha alma... é a cama mais gostosa da vida...o travesseiro onde eu posso morrer...confio até nas suas confusas escolhas que te afastam de mim...confio igual um cego no tiroteio... qualquer bala que ultrapassar meu peito não me parece ser o meu fim...
A casa é o meu fim. Com todas aquelas panelas de fundo branquinha a fazer macarronada de queijo minas... não posso comer lactose, meu amor...eu como mesmo assim todas as invenções dela de fazer bagunça e deixar uma louça gigantesca...quero morrer...eu sei que vou amar tudo que vc fizer...
Ela é um lar de janelas floridas...varandas em cima dos olhos da gente... ninguém alcança aqui... não podem te ver sem roupa desse jeito...a sua nudez devia ser minha... não é...nada nela me pertence até quando me entrega a sua vida e diz "pra sempre".
Estamos vivendo um abalo sísmico da cultura de consumo que é o suporte do neoliberalismo orgânico. Nessa cultura, o "direito individual" é radicalizado a uma forma de lei (lei de consumo, ideológica) para a qual a "vontade de consumir" precisa ser defendida. Uma das bases de manutenção (defesa) dessa lei é o "direito de ir e vir", "liberdade de expressão" e "liberdade de credo", são exemplos de direitos individuais que não são naturais, mas foram naturalizados para que se defendesse para si, mesmo não percebendo que nunca foi um direito realmente universal. Sempre houve os que não podem ir e vir, os que não têm a liberdade de se expressarem e os que não têm no seu credo a garantia de manifestação respeitosa na cultura, por exemplo por causa do preconceito historicamente definido. Ir e vir agora é um sinal de "privilégio negado" para algumas pessoas. O que é vergonhoso! Quem nunca pode não questiona, quem sempre teve pressiona o sistema. Que terremoto veremos? Das pessoas que acreditam que suas vontades devem ser "supridas" ou dos donos da produção de vontade que sempre pareceu em prateleiras imperceptíveis aos olhos alienados da gente? Pode ter certeza, que não direitos humanos realmente garantidos quando eles tocam nas bases do sistema. Talvez em alguns lugares essa cultura saia muito enfraquecida, mas em outros o poder de consumir será intensificado. Sabe-se o que isso tenha a ver com o fascismo no qual o mal se banaliza a ponto de pessoas serem distinguidas para serem exterminadas... Tomara que nada😔
erfeito, querida. Sabes que hj a Br estava congestionada? Entre muitos viajantes aqueles que ignoram uma pandemia mundial em nome do seu lazer em viagem de feriadão... arff.

em pensar que muitos dos que irão morrer não tiveram qualquer escolha respeitada, nem seu direito de estar em casa com a família 😔 Não tem como não perceber a desigualdade social agravando essa crise "biológica". É muito triste que alguns cristãos ainda se colocam nesse lugar de defesa do "direito individual"... Frustra. Não adoeceremos na mente porque já vivemos rodeados por esse privilégio deles, mas é revoltante. Não tem jeito.



quinta-feira, 9 de abril de 2020

Que castração do capeta que ela é
Ela arde...corta tudo que eu pensei que eu tinha
Ela eu sinto debaixo da minha sina...ela me nina
Ela dói...igual uma ferida que acabou de ser tocada
Ela me sangra...eu doída viro gente no colo dela inteira a ser mamada
Ela me cinde... eu dedilho cicatrizes que voltam do além de mim
Ela me nota...me enxerga torta semente de dores a se mobilizarem
Ela quer ver...quer em mim o que não pode ter
Ela me interroga...fujo dela e do que ela me cobra
Ela me castra...com suas mãos em delírios de me comer
Ela me assusta...me invade em meus desejos  famintos de dar
Ela é como o pássaro...vooa rasante na velocidade certa para o meu deleite
Ela tira a minha roupa...tira meu fôlego
Ela é meu delito...fico nua só de lhe ouvir
Tudo ela sabe...tudo ela abre...tudo ela fode em mim
Minha alma é toda dela...meu gozo na orelha dela...meus olhos nela fecham de prazer
Eu ofegante paro e cheiro sua pele...cheiro sua boca...cheiro seu cabelo...cheiro todo o seu corpo em pedacinhos e devagar
Eu avanço em seu pescoço...lambendo no seu cangote minha própria versão preferida de pudim
Eu olho nos seus olhos firmes e suaves...mandando em mim como um comandante...morando na intuição
Eu colho seus amores de antes...beijando seus lábios que pedem beijos afoitos de ter
Eu mordo na ponta do seu queixo...na ponta dos seus lábios...quero tirar um pedaço de você pra mim
Eu chupo gostoso seu seio esquerdo...seguro de leve o direito... você retorce a cabeça no travesseiro
Eu sei que é a hora certa de descer...de descer mais? Pergunta rebelde...respondendo mais, mais, mais...
Eu não vou deixar você me puxar de volta se eu chegar mais longe...
Eu quero ver seu raciocínio lógico perder a compostura...quero sonhar tua loucura rangendo o dente pra não gemer
Eu vou te chupar um pouco...te molhar com minha água na boca por te querer
Eu cheguei tão perto... tão natural... tão eu em você
Nós dormimos depois de uma explosão dos medos...todos foram destruídos na hora de se entregar
Nós entrelaçamos pernas, braços e dengos...amor feito...tesão sereno...eu podia me casar com você


É muito traumatizante ver situações de convivência como a que se coloca no BBB. Imagina o que é ver, por exemplo, uma Flay (muito racista também) colocar na Thelma um peso de julgamento que ela nunca colocou na Gisele e nem na Manu que claramente já foram de contra a ela. Para ela, é muito mais "fácil" atacar alguém vulnerabilizado do que uma pessoa com maior "prestígio" comunitário. A Thelma e o Babu lutam calados, quietos, abafados, como sabemos apagamento e silenciamento, sociologicamente definindo. Sempre há nesse tipo de "jogo" a estratégia de matilha, todos contra o mais fraco. Um estilo de atuação extremamente discriminatório, idêntico ao que acontece com minorias. Somos todos os dias a parte mais frágil (faço parte da comunidade LGBTI+). A Marcela aqui fora tem prestígio profissional e privilégio de classe, de raça e de indentidade de gênero (porque é uma mulher branca cis). Então, aplaudir qualquer obrigação humanitária dela é o sintoma da reverência ao dominador. Não podemos esperar que venha qualquer reparação histórica em relação a Thelma e a Babu. O que se fará é demagogia, se algo for feito.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Poxa, Úrsula, eu sei que você teve uma excelente intenção, mas não podemos ser ingênuos. A escola é o lugar onde o aprendizado mais complexo acontece. Não é sobre ouvir os conteúdos, sabe? É sobre ultrapassar os limites impostos pelas desigualdades sociais, pela ausência da garantia mínima de dignidade humana e por sermos seres históricos. A nossa "natureza" exige a socialização como modo complexo de saber, inclusive saber ser. Quando um aluno de uma escola particular assiste em sua residência a uma aula em vídeo, ou faz suas tarefas enviadas por meios remotos como whatsapp, e-mail e outros, de fato, essa criança poderá ter um maior aparato sociocultural que lhe garantirá melhor entendimento muitas vezes. E mesmo assim não estamos tratando aqui de realmente esse tipo de "ensino", que eu chamo de "subterfúgio de crise", garantir a continuidade de uma escolarização. Aprender não é ouvir, nem ver. Sou professora formada pela UFPA desde 2010, tenho experiências em tipos diferentes de ambientes de aprendizagem (escola privada, ONG's, escola pública, cursinho, preparatório pra concurso e rede de educação social). Hoje sou efetiva da Seduc daqui e já fui efetiva por 3 anos da Seduc do Maranhão. Então, quem lhe garante é uma professora. Se há algo que nós educadores sabemos é educação É MUITO MAIS DO QUE ISSO. Tal como já nos apontavam os mestres Paulo Freire e Rubem Alves, por exemplo. Mas somos muitos e temos uma luta sangrada há séculos nesse país (ao menos dois). Portanto, se quer construir uma visão de educação, estamos abertos! Conversem conosco! Queremos mesmo dialogar sempre. Essa é a nossa maior alegria. Ser professora é a minha dedicação quase exclusiva. Não deixo de ser professora nem sentada entre amigos. Estamos aqui para dialogar e aprender juntos.

sábado, 4 de abril de 2020

Dia dois

Insônia, sóbria, sobras e sombras
Cada uma palavra e cada letra traz um efeito.
 Ela insônia insistente, eu insone resistente comovendo as pálpebras a me acariciar os olhos em meia-baixa.
Eu tão sóbria que causo dormência no meu sentido súbito, em que nasce metáforas e anagramas alegóricos metafísicos. A sobriedade mata a metafísica trivial. Minha cética costumeira adormeceu por tirania.
Ela se derrama em sobras que caída me lambuzo e me deleito. É o meu delito acreditar em devaneios de além-mar. Aquém-mar há falta, há vaga, há vão em cantos de sonoros ecos. Cavernosa é a parede do meu peito, invadida por fora por sua lava de vulcão ardendo em destruição.
As nossas sombras andaram juntas no amanhecer sem solução... Vagar em luminosas vias... véus de luto sob os olhos...penumbras de matizes mal assombradas...fantasmagoram em mim porão. Existe uma prisão à vista, breu e limo alcançam as minhas mãos. Apegos egoístas...invadem e privam meu pôr do sol. A sombra andando sobre a aurora consente a noite não deixar adormecer no leito. Ela não chega. É sempre dia. Se não vejo a lua, onde ela foi parar?

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Participei ontem de um encontro entre educadores sobre aprendizagem criativa e o que se fala mais é exatamente disso...como as escolas, principalmente privadas, estão tentando "justificar a mensalidade" com a exploração do trabalho docente à revelia de qualquer momento de diálogo com os profissionais, sem qualquer preparo, sem as alternativas de formação fundamentais (mesmo que exijam tempo) e sem pensar na realidade em que estamos vivendo (pandemia e estresse coletivo). Realmente são os pais que também devem ser alertados. O foco, além de gestores obviamente, são pais que se colocam nesse papel de exigir "produtividade" por causa da mensalidade. É a certeza de que a escola está no lugar da babá, muitas vezes. Infelizmente, Paulo Freire continua contemporâneo em sua análise crítica em "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar". O trabalho docente continua sendo uma forma de aparelhamento ideológico do estado adestrador que, para manter o cabresto, faz o professor de seu fantoche escravizado.
Justificar "mensalidade" escolar com exploração do trabalho dos professores, sem qualquer preparo, sem atentar que eles têm suas próprias famílias em casa e que há um contexto histórico totalmente fora de controle é desumano! Há muitos professores sendo explorados em trabalhos para os quais sequer foram preparados!
Muitas vezes, são os pais e responsáveis os culpados por esse tipo de trabalho compulsório e adoecedor sendo cobrado dos professores. Muitas famílias acham que escola e professor são babás que têm a obrigação de cuidar de seus filhos para eles. NÃO! ISSO NÃO É EDUCAÇÃO! Professor e escola não são babás com quem se deixa os filhos e sai para "buscar os próprios sonhos" ou para trabalhar e "construir uma carreira". NÃO! EDUCAÇÃO NÃO É ISSO!
Vídeos que "ocupem o tempo da criança" com tarefas escolares em que os alunos não sejam METODOLOGICAMENTE mediados POR UM PROFISSIONAL NÃO ENSINAM! ISSO NÃO É ENSINO! Por favor, parem de se enganar, de enganar seus filhos e de explorar a mão de obra, muitas vezes, "barata" de professores QUE NÃO ESTÃO PREPARADOS NESSE MOMENTO por causa dessas circunstâncias para um trabalho assim.
Há outras alternativas. Se informa. Escolas, gestores e corpo técnico e docente PODEM PENSAR JUNTOS COM CALMA em qual a melhor alternativa, por exemplo de distração e de trabalho inclusive EMOCIONAL para esse momento. Há muito que se aprender com esse DESASTRE HUMANITÁRIA e, com certeza, não é o conteúdo de escola básica indispensável agora!
 Agora é hora de valorizar AS VIDAS. Valorizar as pessoas. Valorizar o que REALMENTE nos CUIDA. Crianças, adolescentes e jovens precisam de CUIDADOS e não de mais conteúdo escolar e acadêmico despejado em suas mentes pressionadas por essa situação caótica.

domingo, 29 de março de 2020

Caroline Kreile Dos Reis morei no interior do Maranhão por 3 anos, o que há é venda de leite cru por pessoas que alimentam suas famílias através da venda de 1 litro de leite a R$1,00. Óbvio que a realidade da indústria requer fiscalização sanitária, mas estamos falando de VONTADE POLÍTICA. Estamos tratando de MATAR A FOME de milhares de pessoas pelo Brasil a fora. Se vc acha isso impossível, então, veja todas as pesquisas sobre indústria da miséria (alimentícia) que se tem. Não se produz alimento, se produz FOME E MISÉRIA. Jogar fora para o COITADINHO do produtor é mais simples do que OBRIGAR A DOAÇÃO EM SITUAÇÃO DE CALAMIDADE. Será que o produtor não teria NENHUMA maneira de tornar esse produto consumível? Teria mas não faz. O sistema que move a lucratividade nesse setor impõe a venda de uma base alimentar não preparada e DERRAMA PELAS CRIMINOSAS VALAS da produção o que alimenta os vermes da miséria. Claro que eles "gostariam muito" de poder doar. Mas esse poder não é dado aos donos do alimento. A fiscalização sanitária NO NOSSO PAÍS é só mais uma engrenagem. Veja os exemplos dos produtores sustentáveis como o MST, desperdício próximo de zero, responsabilidade humanitária. Por isso a reforma agrária é um "problema" pro burguês, ela legaliza a distribuição e equilibra a lucratividade irracional.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-de-alimentos-discute-formas-de-combater-desperdicio,70003051028

https://www.diarioinduscom.com/a-realidade-da-fome-no-mundo-e-a-oferta-de-alimentos/

https://www.politize.com.br/fome-no-mundo-causas-e-consequencias/

http://www.pucrs.br/revista/uma-lei-que-mata-de-fome/

http://www.justificando.com/2019/07/22/relatorio-da-onu-indica-que-fome-no-brasil-que-antes-diminuia-voltou-a-crescer/

https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura/lei-que-proibe-jogar-alimentos-fora-vira-exemplo-mundial-3m4jleeqk1exidd8hnjalam5n/

Dicas de leitura sobre o tema. Mas o que se produz nas universidades brasileiras sobre o assunto também vale muito a pena.
Adriano Gross Gonçalves inclusive outros alimentos são descartados não só no nosso país. Muitas são as campanhas de grandes chefes pelo mundo em relação ao descarte de alimento. Por exemplo, durante aquela alta do preço de tomate em 2014 (acho), os produtores estavam descartando esse "produto" nas lavouras, sem sequer os noticiários pensarem em relatar o assunto. Enquanto o alimento for pensado como mais um produto da indústria, não haverá ética humanitária sobre acabar com a fome. Quando se pensa em produtores sustentáveis, como o MST por exemplo, esse descarte chega a zero. Mas a produção em larga escala é desumana e se apoia em dispositivos legais para ser cruel. A fome é o produto vendido nós comerciais das grandes empresas. Se produz vontade de comer o que não se pode comprar. Se produz desnutrição e miséria também. Não há uma indústria alimentícia que se habilite em doar por exemplo cestas com seus produtos às pessoas que não poderiam de jeito nenhum comprar, aos miseráveis. Há toneladas de alimento industrializado por exemplo no lixo por perderem a "validade", outra importante invenção desse sistema. Jogar fora alimento nutre a fome de milhares de pessoas no mundo. Comprar alimento de grandes indústrias e pagar para matar gente no mundo inteiro. Infelizmente, é a realidade da alienação do poder de ser consumidor. Somos os que mantém a roda da morte capitalista em constante dinâmica. 
Para eles, é absolutamente "natural" que se jogue fora porque é um "trabalho" desperdiçado. Eles fazem para garantir o equilíbrio financeiro já que não terão livro sobre, então, não vale a pena alimentar mais nada. O lucro é pensado como o único fim e nenhuma proposta de doação se vê porque não há lucro em doar. É uma lógica ao inverso de alimentar. Produzir alimento para ter dinheiro, não é para "matar a fome", mas para sustentar a fome de muitos que perecerão. Garantir que haja fome mantém o leite como um dia produtos mais importantes desse mercado. A fome alimenta a vontade de comer sem ética, comer sem empatia. Comer nesse caso é um privilégio de poucos e a fome um objeto desejado pelo "produtor de alimento".

sábado, 28 de março de 2020

Por Matheus Germino

As carreatas bolsonaristas revelam o que sempre soubemos: nossa elite é perversa e genocida. E a classe trabalhadora, estranhada e desesperada em retornar para sua condição de exploração compulsória brutalizante, imposta pelas forças destrutivas do Capital, é carente das armas da crítica e do desejo real de emancipação humana e civilizatória. A subjetividade do trabalhador foi completamente deformada pelos valores fantasmagóricos e decadentes do capitalismo. Essa crise humanitária pandêmica deixa claro como o dia que, enquanto vivermos sob o modo de vida capitalista, nossa espécie estará condenada à extinção. Que os ignorantes fundamentalistas desapareçam primeiro!

sexta-feira, 27 de março de 2020

Aos que pediram encarecidamente a ditadura militar violentando as pessoas da "oposição", agora é hora de se ver no lugar indigesto da inibição de manifestação POR QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA. Os que possuem essa mentalidade contraditório que só querem a ditadura contra os SEUS inimigos, agora precisam perceber que buscar se manifestar em favor das suas escolhas (embora, indiscutivelmente irresponsáveis que são) é um direito DEMOCRÁTICO. Sem democracia não há diálogo. A proposta do governador é conservar a saúde pública em equilíbrio, o contraditório quer colocar em risco as vidas para ganhar sua ânsia por guerra e disputas irrelevantes. Quem sai perdendo com a proposta de "manifestação" contrária a vida são os mesmos que se fazem de defensores da vida no caso de aborto. Para eles, expor à morte milhares de pessoas agora não é uma boa saída? Então, a inibição é uma proposta. Tenho certeza que nada mais do que isso será feito.
Fernando Maués pode ter certeza que no máximo, os mais empolgados serão inibidos e duvido muito que seja na bala de borracha. Veja que as manifestações de apoio ao bolsonazi aqui em Belém sempre foram frequentadas pela branquitude. São senhores e senhoras de bens, que andam, que estão em carros, que levam a família tradicional brasileira nas marchas para Jesus. Eu vejo inclusive policiais de alto e baixo escalão aí. Eder Mauro por exemplo é muito influente aqui e não deixará barato. Eu acredito exatamente que por haver oficiais da polícia que são da elite é que a escolta será feita. Dei aula em cursinhos preparatórios para concurso de PM e de PC, eles flertam bastante com o bolsonarismo. São muitos advogados e pós-graduados em diversas áreas em que a grana fala bem mais alto. E eu concordo plenamente com vc que deveríamos fazer algo em contrapartida. Se fosse uma reação, mesmo que virtual, contra o Bolsonazi eles viriam em manada pra cima de qualquer um, mesmo que fosse de modo criminoso. Então, devemos nos preparar para alguma contrapartida coordenada de casa já que esse é o plano #FicarEmCasa.
Não se preocupe, não haverá "cassete no lombo" de ninguém! Não é assim que se dispersa ricos, brancos e sociopatas em Belém. O que vai haver é uma escolta policial vendo a alucinação coletiva e se arriscando. Policiais são negros, são de origem periférica em sua maioria. Jamais poderiam cassetar seus senhores. Infelizmente essa é a realidade. Haverá com certeza escolta com a hostilidade e a prática ostensiva contidas. A quem diz que será violento, não se preocupe, é só o nosso sonho. Quando o sistema se levantaria contra si mesmo da mesma maneira que arrebenta as cabeças em nossas ruas. O que gostei nisso tudo é que há uma voz de governança dizendo que não apoia e levará a polícia como forma de inibição. Pode ter certeza, não haverá mais do que uma escolta.
Infelizmente, não são os engravatados, os donos de empresas, os "manifestantes" de dentro do carro, as madames querendo suas empregadas de volta, que irão morrer em sua maioria. O vírus atinge qualquer pessoa, eu sei. Mas a maioria a morrer sofrendo sufocada será preta, pobre e periférica. Sabemos que isso é uma certeza que os FASCISTAS que apoiam esse governo sabem. Eles sabem e não disfarçam. Para eles, pobres estão condenados, e não se trata de determinismo, é fascismo.  A eugenia é um sintoma de fascismo. Querer "limpar" a sociedade é o principal objetivo dessa "gente". O mal que está banalizado entre pobres que se sentem levados por uma inércia mental chamada "alienação". A falta de "consciência" de classe é a característica mais dolorosa dessa outra doença social. O inimigo a ser vencido pelos fascistas: a igualdade de direitos. Eles querem apartheid. Eles querem holocausto. Eu não tenho nenhuma dúvida de que há MUITOS fascistas entre nós. Não consigo mais vendar os olhos a fim de suportar. De verdade, realmente tentei andar de olhos fechados porque dói ver o suicídio coletivo ao qual estamos expostos, mas é a realidade. E não é porque estou chamando de "suicídio coletivo" que se trata de culpa de quem o faz consigo. Não! A alienação é uma mentalidade mantida e defendida pelo Estado neoliberal, que se mascara de "democrático" até que se estabeleça de fato a morte (cerebral) do Estado, insuficiência política através de um "Estado Mínimo". O Brasil está vivendo uma pseudodemocracia. Nenhum direito mais tem garantia. Nem o direito à vida. É duro mas não podemos negar! Os legisladores estão sendo empurrados a uma camisa de força por um sistema financeiro irracional. É a distopia neofascista capitalista do século XXI.

quarta-feira, 25 de março de 2020

ao seu nascente

Eu sempre sei escrever sobre despedidas...
Eu vou olhar de longe ela casando, amando, sorrindo, gozando, gestando e criando o próprio mundo. Ela é dona de si. Os olhos dela vão longe, não é mais possível me alcançarem. Eu vou ver ela de longe e não importa quantos quilômetros me distanciarem. Os anos também se vão, mas nunca tão longe. Seu vestido branco, único em plena multidão será vestígio de sonhos que eu jamais presenciarei. Ela sorrindo depois de um belo banquete entre amigos, familiares e padrinhos. Serão muitas pessoas por perto e eu de bem distante dizendo sobre amores e ventos num barco à vela afastado do continente. Longínqua. Eu e a neblina que invadiu o dia. Será no meio da praia o casamento dela. Eu já vejo as flores derramando suas pétalas amarelas, vermelhas e brancas pelo tapete de areia. Será simplesmente lindo. E o mar a me levar por onde nenhum amor nunca esteve. Amar de uma lonjura infinita e valente. Perder para si mesmo vendo fantasmas e uma tempestade à sua frente é desgovernante. A quem já naufragou tantas vezes é hora de se propor ir mais longe. Que chegue aonde ninguém podia dizer que chegaria. Vá pra mais perto de si e de sua própria ilha. Leve a imagem dela na sua parede de fotos indeléveis. Por onde for mais breve a fuga e mais certa a partida. Não retorne de onde saiu um dia. Siga, enfrente a si e lembre dela naquele vestido de amor nascente. O sol já lhe dará um poente para se esquecer de si e das suas feridas. Amar é a cura. Amando há de se curar no fim. O tempo é a única parceria nessa viagem dura... Amargura? Demora em mim a braveza ácida do desarmar em desamor as minhas muralhas. Por baixo de tudo, ferida e sangue sal e água. Nenhuma rota perdura infinitamente. Velas soltas no mar apontam um porto em breve. E nenhuma dor encostará em terra.