Se eu mergulho em mim, derramo amor...prazer... ódio... rupturas. Se eu te mergulho, deságuo em fúrias...feras...feridas...e amar. É sobre o encontro de mágoas às vezes, mas em um vigoroso oceano há sempre vida!
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
vai pro caralho
Ninguém está preocupado com o suposto "chifre" de ninguém, o que se quer é DIFAMAR E DEPRECIAR A IMAGEM DE UMA MULHER. Não podem mais nos apedrejar impunes porque aqui "tá fora de moda", mas podem nos ASSEDIAR MORALMENTE POR MEIO DAS REDES SOCIAIS. Sempre lugares muito tóxicos para mulheres e, principalmente, terríveis espaços discursivos sobre relacionamento porque acolhem e fomentam a HETERONORMATIVIDADE COMPULSÓRIA, isto é, a relação em que um domina e o outro é dominado. Uma forma colonizadora de afetos, adoecedora e destrutiva. Casais homoafetivo ou não heteronormativos são clandestinizados, hostilizados e até perseguidos por amigos ou familiares nas redes sociais. Em pleno setembro amarelo, eu que ia lembrar da moça que casou consigo e em seguida se suicidou, como se estar sozinha ou ser "deixada" por um homem fosse o fim da vida de uma mulher. Uma sociedade doente que estimula suicídios, discriminação, assassinatos e muitas formas de violência verbal, psicológica, moral é, por tudo isso, simbólica. Eu fico encaralhada com essas frescuras.
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Infelizmente , muitos são os colegas (professores) nas escolas públicas do Brasil que se colocam no lugar de moralizadores, e isso é, ao meu ver, antiético e, dependendo da situação, anti-humanitário. Há, nas salas de aula, performances carregadas de uma ideologia teocrática , tecnocrática, misógina e obscurantista. Precisamos também melhorar enquanto educadores as nossas concepções de humanidade, urgentemente. Não sei se isso é algo que eu ouço nas salas de professores que já frequentei ou que frequento... mas é tão comum que causa desânimo. Aos professores, deve ser garantido o livre direito de cátedra sem jamais esquecer que somos fontes de repercussão cultural. Devemos cuidar bastante da nossa capacidade ética e nunca relativizar direitos humanos, tais como o direito ao aborto seguro conforme previsto em lei, para além de quqluer credo que possamos adotar. Nossos alunos não podem ser recrutados e influenciados por nossas ideologias quando essas são atentados à própria humanidade. Então, é preciso cuidar da concepção dos educadores , principalmente nas escolas públicas onde se inscrevem discursividades conflitantes, em pleno diálogo, mas não a ponto de legitimar desumanidade. A educação deve ser para humanização e não mais um meio de manter a barbárie.
terça-feira, 2 de junho de 2020
eu gostei bastante da discussão que você proporcionou na postagem da Cássia Nascimento porque faz algum tempo que alguns filósofos (no Brasil, Luis Felipe Pondé) já estão tratando da concepção de democracia. Desde a Grécia, origem etimológica do termo, não se tratava de um governo realmente do "povo", era apenas a representação das intenções coletivas de uma parcela da população que se considerava representativa. Aí já vemos que a proposta de democracia nunca foi plena, como a tradução literal costuma insinuar. Alguns estudiosos, por exemplo, tratam da condenação de Sócrates dentro da democracia ateniense como uma fratura na ideia de "poder popular", já que esse filósofo tinha uma autonomia clara em relação ao governo institucionalizado (ele era contrário a essa forma de governo). Sem tentar impor verdades, eu queria mesmo que se fizesse uma reflexão crítica sobre a própria viabilidade da democracia como ela se estabelece dentro do neoliberalismo que se torna cada dia mais tirano. Me parece uma tirania "legalizada" pela forma de governo pautado em liberdades individuais que se cristaliza, o que é possível dentro das democracias liberais no mundo todo. Quando comparado ao sistema republicano romano, por exemplo, nossa também chamada república é repetitiva porque elege formas de ditaduras em que há um representante militarista (um líder) que concentra as decisões sobre as demandas coletivas e não é justo obviamente. E, no caso da República, houve um pretenso deslocamento do poder centralizado, o que jamais chegou a ser compartilhado em nenhuma parte do mundo "civilizado". A questão de gestão que você colocou é realmente a concretização desse sistema. Governo, Estado e Gestão não são a mesma coisa. E no Brasil nenhum dos três funciona em relação ao bolsonarismo. Apesar de tudo, acredito que o debate sobre a forma de governo precisa começar a ser levado a sério no nosso país. Muito implosiva essa forma de presidencialismo na qual se proporciona autoridade máxima a uma figura (liderança). Essa concepção está antiquada e não nos garante mais direitos (nem à maioria da população). Embora, desde a República Velha, saibamos que nossos senadores, as "vossas excelências" aqui são de uma origem saqueadora da pátria (Machado de Assis não apoiava o republicanismo por isso), temos que testar alternativas. A era Temer-Bolsonaro nos constata que o liberalismo é genocida e qualquer forma de governo que se baseie apenas nele também será assim. Espero que a pluralidade de representação nas diversas instâncias seja um caminho para um governo melhor no nosso país.
Por favor, pessoal, vamos parar de propagar esse tipo de discurso do nazista. O que ele quer é propaganda gratuita, e nós sem querer fazemos! Parem! Parem com isso! Ele quer publicidade para o ódio, espalhar dor! Tem muita gente que ao ver ou ouvir isso sofre MUITO e isso é combustível para o nazismo. Nazismo gosta de SOFRIMENTO EM MASSA. Uma, duas ou estas e aquelas pessoas morrendo e sofrendo para o Nazismo é nada. Espalhar dor e sofrimento é o que o fascismo mais gosta. Parem! Por favor não propaguem!
sábado, 23 de maio de 2020
Fascismo na América do Sul
E que esquerda é essa?! Parece que fazer propaganda eleitoral é mais lucrativo - sendo que esse adjetivo chega a ser ofensivo para quem é realmente da esquerda - do que derrubar o fascismo em franca instauração. A mim, não me importo que este ou aquele legalista ou parlamentarista seja uma proposta em um regime de transição até a próxima eleição presidencial (que eu gostaria que fosse para ontem, mas não pode ser). A mim, me importa que a gente não seja assassinada em um sistema genocida que mais parece um holocausto sul-americano do que qualquer outra coisa. Haverá uma diáspora da nossa gente enquanto essa tirania estiver vigente. E, aos povos tradicionais que não podem sequer se mover pois estão sitiados, nos resta chorar e sangrar em bandeiras funestas. Infelizmente, somos um país anestesiado e a banalidade sucumbe já muita gente. Então, lutar com agressividade, exigindo o impedimento é a única saída. #ForaGenocida #ForaBolsonaro #ForaFascista
segunda-feira, 18 de maio de 2020
E ainda colocam a nutrição nesse lugar de descaso em que vemos no mundo. Saciar a fome, nesse tipo de mentalidade, é secundário porque a vontade de comer é demonstração de poder. Nutrir as pessoas de maneira digna não é um objetivo, ao contrário disso, é o privilégio de poder comer o que se quer que seduz e, realmente, domina a mentalidade. Precisar se alimentar, como acontece com as crianças recém-nascidas é uma posição de inferioridade política a ponto de ser silenciada e apagada qualquer voz nesse sentido. O patriarcado não quer "matar a fome" com uma variedade de comida, quer saciar a própria gana de ver a escassez de alguns alimentar a sua tirania. Quem pode come, quem não come é desigual e está submetido a morrer sem saciar desejos elementares, como o desejo de ser ouvido e visto. Para mim, o sistema patriarcal é um núcleo de desumanidade.
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Nenhuma novidade. Nas crises domésticas TODOS SABEM QUE É ASSIM. Somos adestradas para "dar conta" das coisas enquanto os homens se lançam em maravilhosas aventuras. Os heróis não são só invenção, são em certa medida mentira, ao menos os das telonas. As mulheres vencem guerras constantes e aprendem a comunicar medo e cuidado desde cedo. Elas sabem ser porta-vozes de gente comum, já os super homens estão a mercê do mito, que lhes fez o que são, protagonistas de uma cultura de hipocrisia.
E isso não resultado de informação, mas de amedrontamento. Sim, a população está amedrontada e o medo segue impune. Enquanto em uma esperteza manipuladora alguns "vendem" milagres, na tv aberta (maior canal de informação) o entretenimento se tornou cruel. A arma para combater o vírus poderia ser a informação, mas o que se percebe é alarme. Alarde também. Alarme que gera por um lado paralisação e por outro negação. A prova disso é o efeito de ansiosidade na gente. Assistir jornal de tv aberta virou teste psicotécnico para guerra, embora eu suspeite de sadismo e masoquismo. Uma população carente de educação e naturalmente manipulável é mais que isca, é o alvo da guerra das forças, quem aliena mais. Para mim, a falta de uma linguagem realmente acessível e didática na imprensa desencadeia amedrontamento, aparelho ideológico de um Estado tirânico. Enquanto há os que inventam curandices para angariar a atenção de quem se desesperar tanto que nega. Nega com veemência. O bolsonazismo existe e é uma mentalidade genocida, não é nenhuma invenção isso. Mas "a única saída é pela alarmamento da população", não é bem o que vejo. Não se ensina "tocando o terror", há ao contrário disso uma didática da esperança, entusiasmada por Freire na luta pela emanciapação e da cidadania. Por que seria diferente neste caso? Até carta suicida vale a pena reverberar contra o insano... Que se tornou presidente em uma narrativa de salvaguardado de uma facada pavorosa. Agora o pavor é um vírus potente e a gente é imunizada pela negação ou pelo medo irrefreante? Talvez. Não vejo com bons olhos a forma como a informação anda sendo promovida no Brasil. Parece um espetáculo de terror. Isso não é eficiente, já se vê há tempos. Estava na hora de mudar a forma de falar com a nossa gente simples e que realmente precisa acreditar que é vontade de salvar e não de nos matar mais rápido o que fazem...
A linguagem da tv aberta no Brasil é orientada pelo despertar do medo. Primeiro, medo de ser brasileiro agora. Segundo, medo de ser pobre. Terceiro, medo de ser infectado. Quarto, medo de infectar. Quinto, medo de tudo. Sexto, medo de números. A lista vai longe. Até medo do "presidente" tem. Tudo é uma motivação para o medo que por hora move a população. Umas são movidas para o alerta, outras para a negação. Faces de uma informação sem piedade das desigualdades entre as massas. Vejo os programas de televisão e entendo como há tanta alienação. Enquanto a tv aberta trata em rede nacional com a banalização do amedrontamento da gente, há os espertalhões que trabalham no "acolhimento" das formas não remediadas de medo. Explico-me: enquanto quem deveria informar, espetaculariza a dor e o sofrimento através do medo para provavelmente conter à força o inimigo (que é simplesmente nesse caso o governo); há quem se aproveite e venda até "bago de feijão" milagroso, curando as famílias impotentes. Então, esse é o resumo. Não há didática na estratégia da mídia em vencer seus inimigos. Não há pedagogia ética da informação tentando acolher a natureza humana da população. Há alarme tocando enquanto uns são levados e outros são pisoteados, não há certeza quem não irá ou quem sofrerá com isso. Por isso, profissionais da saúde não sentem redução. O governo federal é realmente genocida. O medo é intuitivo e ao mesmo tempo real nos brasileiros, mas a imprensa não informa, encrenca. Isso é bem notável. Dizer na língua da gente que morrer não é o único caminho previsível perdeu a graça.
terça-feira, 5 de maio de 2020
Meu chefe colocou no grupo de trabalho que esses tempos exigem do professor mais expertise e "um estúdio" para que possam executar a profissão de maneira satisfatória. Perguntou no grupo quem dominava três instrumentos: flash, PowerPoint e animações. Na lista de mais de 100 educadores, a maioria a declarar domínio pleno foram homens, uma maioria evidenciadora. Enquanto estamos ajudando nossas famílias durante essa quarentena, cuidando da casa, colaborando e até nos dedicando aos cuidados com as crianças, os homens estão se aprimorando profissionalmente, porque as casas são para as mulheres como a casa grande aos escravos, nossas celas de exploração. "O que vamos fazer pra mudar isso?" É só o que a minha mente inflamada grita. "Vamos nos aprimorar nas horas em que eles descansam..." E vamos sangrar pelo nosso lugar. O mundo nunca foi fácil para mulheres mesmo!
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Cada um tem uma receita que cura... Não tem problema... Vamos nos curando... Que a cura não seja uma única promessa, não tenha um único jeito e não seja uma única saída... Que a minha cura esteja mais perto do que eu possa imaginar e que a sua cura chegue a tempo... Cura é uma palavra libertadora!
#FiqueEmCasa ❤️
#FiqueEmCasa ❤️
quarta-feira, 29 de abril de 2020
Que verdade perfeita! Muitas vezes, olhar para o outro e motivar a sua competência, nada mais é do que elogiar para que continue nos servindo. Infelizmente, isso é muito comum nas relações que temos com as mulheres (seja entre homens e mulheres ou entre pares). As mulheres são tão incentivadas a determinadas características exaustivas que só se percebe que a finalidade era a servidão através do incentivo cínico do elogio depois que ela cai de tão explorada e é condenada no imediato momento. Como se não tivesse prestado pra nada...
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Eu queria dizer que tanto concordo quanto cada vez mais vejo o meu lugar de branca (embora periférica) gritar seus privilégios. Sou das únicas entre as amigas que demorou para trabalhar, demorou para se sustentar, não pega quase em uma vassoura mas foi cuidada por empregadas e babás. Mamãe trabalhou a a minha infância inteira, regada em um lindíssimo lema "estudem para que não dirijam fogão, não crio filhas para que sejam pilotos de fogão". Foi o exemplo mais revolucionário, porém com uma dose de cruel ao mesmo tempo. Queria explicar o que pressinto hoje, mas nem consigo enxergar com exatidão. Não consigo morar sozinha porque dependo afetivamente da minha família que depende afetivamente de mim. Um ciclo adoecedor. Mas, para além dessa prisão familiar comum no patriarcado (brancocêntrico), percebi que na minha casa relacionamos diretamente trabalho doméstico ao desprezo que temos pela histórico desse trabalho, isto é, por racismo. É um racismo forte na minha família imaginar mulheres, brancas, criadas para serem as patroas sendo as "donas de casa que fazem tudo". Se não somos quem cozinha, advinha quem faz? Se não somos quem cria os filhos, quem fará por nós? Se queremos alçar vôos extraordinários na Academia, quem nos sustentará? Infelizmente, a resposta é devastadora. 😣 Eu sempre achei lindo o fato de eu me sentir muito feminista, com uma mãe como exemplo de mulher que não é "do lar". Foi quando caí na real. Aqui em casa não lutamos por libertar mulheres. Não. Só a nossa própria ascensão é objetivada. Se para isso outra mulher, em geral negra e periférica tiver que ocupar esse lugar, não nos revelaremos. É duro dizer com todas essas letras, mas o racismo no patriarcado é alma do negócio. Sem uma emanciapação de TODAS as mulheres, iniciando pelas negras e minorias (indígenas, ribeirinhas, amazonidas, quilombolas, mulheres trans e etc.) não tem feminismo que funcione. É puro blá blá blá. Eu percebi isso na minha vida da pior forma.
terça-feira, 21 de abril de 2020
É triste demais perceber que, por sermos mulheres, somos condicionadas ao amor para o outro, pelo outro e nunca de si. É uma tormenta ser uma mulher que decidi amar a si mesma e seguir seu caminho sem até necessitar de um outro para quem devorar amor. Não digo que a solidão é o único caminho de felicidade, mas não é o monstro que pintam. E infelizmente acreditamos no que falam sobre esse monstro. Acreditamos que ser só é ser seca, ser amarga, ser inferior. Tenho certeza que muitas de nós está em uma condição familiar estritamente adoecedora por isso. Viu tentar explicar o que quero dizer com isso: muitas de nós convive dentro de suas famílias com obrigações absurdas que nos adoecem e não nos fornecem o mínimo de amor e cuidar. Isso é traumático. A maioria das mulheres se sente apenas obrigada a dar e nunca receber praticamente nada em troca. Acreditamos, primeiro, em uma falsa interpretação bíblica de que esse é o único sentido do verdadeiro amor. Mas o que me intriga mais nessa história toda é que os homens recebem muitos amor e não se sentem mal por isso. Não se sentem menos cristãos, há até os que justificam esse tipo egoico de relação interpessoal afetiva doentia, perversa mesmo. Há que se pensar ainda muito sobre as relações humanas em relação a vivência das mulheres. Somos o tempo todo exploradas e isso não é justo!
Será que eu posso?
Eu tenho um drama em mim
Uma questão profunda
Bem dentro
Nada na margem
É um prazer intenso e escondido
Mas para mim
Segue como uma miragem
Desgasto por conter
Sigo exausta por impedir
Bloquear minhas entregas
Sou inibição e censura
Por quê?
Quem me condenou?
O que eu fiz de tão errado?
Parece que eu nunca fiz nada
De fato, eu nada fiz até hoje de meu
Não tem minha assinatura
Em nenhuma cena da vida
Eu não ajudei, fui comandada
Me sinto uma marionete
Sem alma até
Nunca me perguntei por que não posso
Por que é errado desaguar
É errado beber e jorrar?
Não pode fumar? Mas eu fumo, eu quero
Não pode beber? Mas eu amo, eu deliro
Meu delito é querer?
Eu tenho um drama em mim
Uma questão profunda
Bem dentro
Nada na margem
É um prazer intenso e escondido
Mas para mim
Segue como uma miragem
Desgasto por conter
Sigo exausta por impedir
Bloquear minhas entregas
Sou inibição e censura
Por quê?
Quem me condenou?
O que eu fiz de tão errado?
Parece que eu nunca fiz nada
De fato, eu nada fiz até hoje de meu
Não tem minha assinatura
Em nenhuma cena da vida
Eu não ajudei, fui comandada
Me sinto uma marionete
Sem alma até
Nunca me perguntei por que não posso
Por que é errado desaguar
É errado beber e jorrar?
Não pode fumar? Mas eu fumo, eu quero
Não pode beber? Mas eu amo, eu deliro
Meu delito é querer?
terça-feira, 14 de abril de 2020
Eu ainda acho que essa manutenção do Enem é uma pressão sistêmica para o retorno à rotina. Infelizmente, o extremismo está mostrando as suas presas. Para mim, há uma estratégia de eugenia. E isso é fascismo na prática. Infelizmente, não consigo ver de outra forma
Com certeza. Retornar às escolas ainda neste semestre me parece utopia ou irresponsabilidade. Junho, se houver sucesso por parte da maioria dos governadores, teremos um isolamento social mais significativo. Eu acredito que a partir de meados de junho já poderemos começar a pensar no retorno e sem pressa. Pressa agora é fatal. Estarmos vivos é a melhor meta de todas
E eu ainda acho que datas são irrelevantes. Eu sei que elas têm uma função óbvia de justificar questões de planejamento, principalmente de escolas particulares e suas burocracias financeiras (por exemplo, o pagamento ou não de aulas ou férias durante janeiro em relação à preparação do alunado). Porém, chegamos a uma certeza: rigidez de planejamento agora é trabalho perdido. Deverá ser refeito quantas vezes for necessário. Quando deveríamos pensar em melhores estratégias de orientação dos alunos e de organização de conteúdo. O que para o Enem, antes não funcionava exatamente assim, mas agora é cada vez mais "conteudista". Como professores nessa batalha, eu desejo a vcs ânimo. Essa história irá nos formar mais do que qualquer curso em nossas vidas. A prática de hoje é mais que mil livros repetidos. Está mais do que na hora de levarmos leituras acadêmicas sobre uma educação melhor para a realidade do nosso país de fato. Eu acredito plenamente que vamos ter um efeito real mas escolas depois disso. Tenho essa esperança.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Movimento_eug%C3%AAnico_brasileiro
Com certeza. Retornar às escolas ainda neste semestre me parece utopia ou irresponsabilidade. Junho, se houver sucesso por parte da maioria dos governadores, teremos um isolamento social mais significativo. Eu acredito que a partir de meados de junho já poderemos começar a pensar no retorno e sem pressa. Pressa agora é fatal. Estarmos vivos é a melhor meta de todas
E eu ainda acho que datas são irrelevantes. Eu sei que elas têm uma função óbvia de justificar questões de planejamento, principalmente de escolas particulares e suas burocracias financeiras (por exemplo, o pagamento ou não de aulas ou férias durante janeiro em relação à preparação do alunado). Porém, chegamos a uma certeza: rigidez de planejamento agora é trabalho perdido. Deverá ser refeito quantas vezes for necessário. Quando deveríamos pensar em melhores estratégias de orientação dos alunos e de organização de conteúdo. O que para o Enem, antes não funcionava exatamente assim, mas agora é cada vez mais "conteudista". Como professores nessa batalha, eu desejo a vcs ânimo. Essa história irá nos formar mais do que qualquer curso em nossas vidas. A prática de hoje é mais que mil livros repetidos. Está mais do que na hora de levarmos leituras acadêmicas sobre uma educação melhor para a realidade do nosso país de fato. Eu acredito plenamente que vamos ter um efeito real mas escolas depois disso. Tenho essa esperança.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Movimento_eug%C3%AAnico_brasileiro
sábado, 11 de abril de 2020
Mais cedo eu respondi sobre isso a uma pessoa que sigo do Facebook. Ela é paulistana e professora do ensino infantil. Na postagem, falou sobre se deixar o ano letivo de 2020 como "perdido" em relação às burocracias e investir exatamente nos cuidados e alguns conteúdos direcionados. Concordo plenamente com minha colega que não dá para pressionar os professores e simplesmente levar o ano como se nada tivesse acontecido. É hora de se reinventar. Eu acho muito relevante a atual conjuntura dramática em que vivemos porque ela escancara a maior doença, para mim, que acomete o sistema educacional brasileiro: a burocracia tecnicista. Os 200 dias letivos com conteúdo depositado nas aulas sem qualquer perspetiva de mudanças metodológicas. Os professores estão muito acostumados com a mesma apostila, a mesma aula expositiva e a mesma prova seletivista. O que não é um mal da nossa categoria, mas uma indução do próprio sistema antiquado. O uso das novas tecnologias encarado sempre com muita desconfiança por muitos professores que verbalizam ser "só mais um trabalho" a sobrecarregar nossas vidas. A formação que nunca está a gosto porque parece ignorar os desafios da prática precária no "chão das salas" muitas vezes desestruturadas. São muitos fatores a se pensar. Muitos. Eu mesma estou refletindo muito sobre minha própria forma de ser professora porque já fui colocada na situação de ter que ir para salas de chat, grupos de whatsapp e aulas via videoconferência. Não estava preparada. Topei porque me senti colocada diante de uma situação extrema e acredito que nesses casos devemos aprender. E vamos aprender no começo errando. Eu que sempre tive muita resistência em fazer vídeos e aula por celular agora me vi nessa situação por necessidade minha e dos alunos. Não é fácil e não será. Não é simples e não será. Não é a única alternativa e nem pode ser. Mas acredito que vale a pena tentar. Para mim, seria muito melhor se houvesse uma formação realmente prática sobre como se portar, o que levar ao ambiente virtual de ensino, o que não levar, o como perceber as respostas dos alunos e, principalmente no meu caso, como garantir o diálogo, que eu considero indispensável para que as aulas sejam significativas. Estou aprendendo exatamente diante dessa situação traumática.
Eu gosto da ponderação do autor sobre a comparação com bolsonazi... Realmente, ofende ser comparado a esse fascista, mas de fato é o que se vê. Quem admite que há necessidade de continuar com aulas online o que era feito em aula presencial, ainda não entendeu nada sobre educação de verdade. Educação não é ocupação para quando os pais precisarem cumprir seus afazeres. Educação não é distração para quando o garoto não tem "nada para fazer de melhor". Educação não é uma rotina biológica como acordar - escovar os dentes - se banhar - tomar café - ir para a escola. Não, não é. Educação é muito mais. Mesmo Home Schoolling não é isso. Não é assim que se faz o ensino doméstico institucionalizado. Educação exige técnica, ética, diálogo e ciência. São princípios freireanos, sim, mas também são as nossas práticas históricas. Professores e alunos sabem que educação não é o que se está fazendo, nem propondo. Se há certas boas intenções, não duvido. Mas também não acredito que sejam as mais importantes pela forma como está acontecendo. Os professores que estão se empenhando merecem nosso apoio, estarão exauridos para o restante do ano...e os alunos sabem exatamente do que precisam. Infelizmente, dentro das escolas todos os dias estamos cansados de dizer, a família que se ausenta no ambiente escolar é a mesma que agora foge do convívio, digo sem medo de errar. A convivência dentro de casa com os próprios filhos muitas vezes se traduz em uma forma adoecedora. É nesse lugar que se colocou a escola há algumas décadas...como sou uma jovenzinha, diria que há três décadas... A escola é a intermediadora de conflitos entre pais e filhos, agora sem poder ficar nesse lugar o que sobra é reclamação. Sabemos exatamente do que se trata.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Você é casa...
Vício de amor
Qualquer lugar com você é casa...
Minha estrutura ruída em vários pedaços que piso pelo chão... há estilhaços que ferem os meus pés...minha morada eu nunca tive e sinto que ruiu...
A casa que eu entro e procuro abrigo é ela no meio do breu...sinto que estava tudo desarrumado...vejo os sonhos e planos... está tudo bagunçado... Mesmo assim eu me sinto em paz...
O que há no estar nela que me acalma?
Aconteceram coincidências tantas que não tive roupa pra escapar das artimanhas do destino que me pregou a melhor das peças...
Andei tanto cansada e com os pés feridos que cheguei nela...dói de tanto acreditar mesmo assim sem ter poderes e fins...
Ela é o abrigo da minha alma... é a cama mais gostosa da vida...o travesseiro onde eu posso morrer...confio até nas suas confusas escolhas que te afastam de mim...confio igual um cego no tiroteio... qualquer bala que ultrapassar meu peito não me parece ser o meu fim...
A casa é o meu fim. Com todas aquelas panelas de fundo branquinha a fazer macarronada de queijo minas... não posso comer lactose, meu amor...eu como mesmo assim todas as invenções dela de fazer bagunça e deixar uma louça gigantesca...quero morrer...eu sei que vou amar tudo que vc fizer...
Ela é um lar de janelas floridas...varandas em cima dos olhos da gente... ninguém alcança aqui... não podem te ver sem roupa desse jeito...a sua nudez devia ser minha... não é...nada nela me pertence até quando me entrega a sua vida e diz "pra sempre".
Qualquer lugar com você é casa...
Minha estrutura ruída em vários pedaços que piso pelo chão... há estilhaços que ferem os meus pés...minha morada eu nunca tive e sinto que ruiu...
A casa que eu entro e procuro abrigo é ela no meio do breu...sinto que estava tudo desarrumado...vejo os sonhos e planos... está tudo bagunçado... Mesmo assim eu me sinto em paz...
O que há no estar nela que me acalma?
Aconteceram coincidências tantas que não tive roupa pra escapar das artimanhas do destino que me pregou a melhor das peças...
Andei tanto cansada e com os pés feridos que cheguei nela...dói de tanto acreditar mesmo assim sem ter poderes e fins...
Ela é o abrigo da minha alma... é a cama mais gostosa da vida...o travesseiro onde eu posso morrer...confio até nas suas confusas escolhas que te afastam de mim...confio igual um cego no tiroteio... qualquer bala que ultrapassar meu peito não me parece ser o meu fim...
A casa é o meu fim. Com todas aquelas panelas de fundo branquinha a fazer macarronada de queijo minas... não posso comer lactose, meu amor...eu como mesmo assim todas as invenções dela de fazer bagunça e deixar uma louça gigantesca...quero morrer...eu sei que vou amar tudo que vc fizer...
Ela é um lar de janelas floridas...varandas em cima dos olhos da gente... ninguém alcança aqui... não podem te ver sem roupa desse jeito...a sua nudez devia ser minha... não é...nada nela me pertence até quando me entrega a sua vida e diz "pra sempre".
Estamos vivendo um abalo sísmico da cultura de consumo que é o suporte do neoliberalismo orgânico. Nessa cultura, o "direito individual" é radicalizado a uma forma de lei (lei de consumo, ideológica) para a qual a "vontade de consumir" precisa ser defendida. Uma das bases de manutenção (defesa) dessa lei é o "direito de ir e vir", "liberdade de expressão" e "liberdade de credo", são exemplos de direitos individuais que não são naturais, mas foram naturalizados para que se defendesse para si, mesmo não percebendo que nunca foi um direito realmente universal. Sempre houve os que não podem ir e vir, os que não têm a liberdade de se expressarem e os que não têm no seu credo a garantia de manifestação respeitosa na cultura, por exemplo por causa do preconceito historicamente definido. Ir e vir agora é um sinal de "privilégio negado" para algumas pessoas. O que é vergonhoso! Quem nunca pode não questiona, quem sempre teve pressiona o sistema. Que terremoto veremos? Das pessoas que acreditam que suas vontades devem ser "supridas" ou dos donos da produção de vontade que sempre pareceu em prateleiras imperceptíveis aos olhos alienados da gente? Pode ter certeza, que não direitos humanos realmente garantidos quando eles tocam nas bases do sistema. Talvez em alguns lugares essa cultura saia muito enfraquecida, mas em outros o poder de consumir será intensificado. Sabe-se o que isso tenha a ver com o fascismo no qual o mal se banaliza a ponto de pessoas serem distinguidas para serem exterminadas... Tomara que nada😔
erfeito, querida. Sabes que hj a Br estava congestionada? Entre muitos viajantes aqueles que ignoram uma pandemia mundial em nome do seu lazer em viagem de feriadão... arff.
em pensar que muitos dos que irão morrer não tiveram qualquer escolha respeitada, nem seu direito de estar em casa com a família 😔 Não tem como não perceber a desigualdade social agravando essa crise "biológica". É muito triste que alguns cristãos ainda se colocam nesse lugar de defesa do "direito individual"... Frustra. Não adoeceremos na mente porque já vivemos rodeados por esse privilégio deles, mas é revoltante. Não tem jeito.
erfeito, querida. Sabes que hj a Br estava congestionada? Entre muitos viajantes aqueles que ignoram uma pandemia mundial em nome do seu lazer em viagem de feriadão... arff.
em pensar que muitos dos que irão morrer não tiveram qualquer escolha respeitada, nem seu direito de estar em casa com a família 😔 Não tem como não perceber a desigualdade social agravando essa crise "biológica". É muito triste que alguns cristãos ainda se colocam nesse lugar de defesa do "direito individual"... Frustra. Não adoeceremos na mente porque já vivemos rodeados por esse privilégio deles, mas é revoltante. Não tem jeito.
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