domingo, 14 de março de 2021

eugenia à brasileira????

O inacreditável nessa fantasia eugenista de um percentual significativo de sulistas do Brasil é como eles não representam sequer os segmentos provincianos na Alemanha do século XXI.  É uma coisa tão fantasiosa que nem mesmo Alemães conseguem se referenciar com a alucinação de "raça pura" dessa gente.

Não querer ser "brasileiro" por estar em nossa origem a miscigenação de etnias africanas e ameríndias é de uma pobreza instrucional em História, Geografia, Antropologia e Sociologia que fico imaginando O SACRIFÍCIO de uma pessoa que seja professora dessas disciplinas  nessa circunstância.
Porém, há uma justificativa histórica vergonhosa, pela semelhança com um provincianismo etnocêntrico, supremacista branco,  DOGMÁTICO, nos Estados Unidos que  envergonhou as Américas com o mandato do abutre Trump.

Uma banalidade do mal talvez explicável em um embrião ideológico que coloca na fantasia do ser superior a incapacidade de sentir porque racionaliza demais. Sem nenhuma função científica,  somente com a proposta de explicar em si mesmo a realidade de tudo. Um ser sem sensibilidade para o outro e sem capacidade de humanizar-se, acredito eu que temporariamente. Essa patologia não pode ser inata, isso eu desacredito. O que me faz ser professora,  educadora... já que a educação de fato humaniza a gente.

terça-feira, 9 de março de 2021

álcool, cerveja, mulher, violência doméstica e feminicídio ...uma perspectiva histórica

Lendo "História da sexualidade 3: o cuidado de si", de Foucault,  lembrei de um regime cuja intenção era purificar a sexualidade , equilibrar e promover hábitos saudáveis.  Entre diversas sugestões,  a prática de beber vinho era a melhor avaliada porque tinha princípios masculinos. Isto é, assim como a prática clerical de assimilar o vinho ao sangue do Cristo exaltava essa bebida e seu vínculo patriarcal,  havia outra que era inferiorizada. Adivinha? O costume de beber cerveja. Uma bebida historicamente relacionada ao trabalho de mulheres. Outra leitura indispensável me ratificou isso. Gerda Lerner, em "A criação do patriarcado : história da opressão das mulheres pelos homens", comprova que as fazedoras de cerveja eram as subalternas em propriedades profundamente patriarcais. A misoginia sempre explicaria historicamente a inferiorização do gênero de bebida assimilado ao feminino. Então, essa prática muito atual de cervejaria artesanal é um apagamento (gourmetizador) da relação entre mulheres e cervejas. Um apagamento que garante o maior status para a cerveja artesanal. E, cruelmente, demonstra a relação macabra entre o consumo abusivo de bebida alcoólica (em especial a cerveja, pelo consumo nas classes proletárias) com o índice explosivo de feminicídios. É,  tristemente, diretamente proporcional a relação entre maior consumo de álcool e maior número de violência doméstica  e morte de mulheres. Tudo que escrevi aqui, me perdoe pelo textão, é um desabafo. Eu mesma fui criada em um ambiente com violência doméstica, tentativa de feminicídio e abuso psicológico intenso intimamente ligado com alcoolismo. Eu precisa dizer.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Eu não estou no mundo sozinha. Ao meu redor, andam MUITAS MULHERES MARAVILHOSAS. Então, quando se aproximar,  venha em paz. Eu jamais vou pensar apenas em minha própria "fome de vida". Eu tenho sedes insaciáveis,  eu tenho desejos inomináveis,  eu tenho lutas QUE VOCÊ NÃO PODE NEM NUNCA SABERÁ uma letra... Se vier, venha em paz.
A minha irmandade é pelas MULHERES DA MINHA VIDA.
Minha alma-gêmea é minha irmã Hel Freitas , minha rainha e guia, minha MÃE luz dos meus caminhos. As mulheres que me cercam entre amigas, familiares e pessoas que escolhi fazerem parte do meu universo, TODAS ELAS são MUITO RESPEITADAS por mim.
Se vier, venha em paz.
Nunca esqueça.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

carta à Audre lorde

https://diariosincendiarios.wordpress.com/2018/09/25/carta-a-audre-lorde/amp/

(em resposta ao texto A Transformação do silêncio em linguagem e ação)

“Eu estou aqui como poeta Negra lésbica e sobre o significado de tudo isso repousa o fato de eu ainda estar viva, coisa que poderia não ter sido.”

Audre, em minhas muitas tentativas de romper os silêncios que atravessam meu corpo, eu aprendi que o lugar onde ele se instala é justamente onde mais faz ruídos. E o ruído rasga cada sopro de voz, por dentro, muito antes de se tornar vento.

Desde muito cedo eu fui ensinada a calar, a catar todas as palavras que me vinham à boca e amassar, amordaçar, frear. Aprendi a silenciar todos aqueles rasgos a mim direcionados. Os olhares que me lançavam, como navalhas, reafirmavam cortantes, o peso de tudo.

Eu ainda era menina quando todas essas dores me alcançaram. E não sabia ao certo porque doía, mas sabia o quanto doía. Não conseguia falar, não tinha com quem falar, eu estava diante de mim mesma e sem saber o que fazer com aquela imagem que ecoava dolorosa frente aos meus olhos e sentidos. Fui durante muito tempo o espelho daquilo que me diziam ser errado, feio, sujo. Tentei ser diferente e a cada tentativa frustrada um pouco de mim se esvaia. E você sabe, Audre, o quão é doloroso passar pelas violências que a lesbofobia atrelada ao racismo impõe sobre nossos corpos.

Desde a minha infância fui muito introspectiva, muito silenciosa, muito para dentro. O meu primeiro impulso para fora do silêncio, foi quando, ainda na escola, numa aula de português, sem querer, tropecei em um poema num livro didático e algo em mim se movimentou de uma forma diferente e me impulsionou à escrita.  Pensei: talvez pôr as dores no papel as façam menos doloridas.

Logo quando comecei a escrever não tinha uma consciência exata do que eu pretendia com aquilo e tampouco enxergava a escrita como uma forma de resistência – embora fosse -, só queria um pouco de alívio. O intuído era aliviar tudo aquilo que insistentemente latejava em meu corpo. Busquei nas palavras uma maneira de ressignificar e transformar essas dores em alguma coisa que não me desse um soco dentro da boca. Não foi fácil e ainda não é. Ainda estou nesse exercício de transformar o silêncio em linguagem e ação. Pergunto: um dia deixaremos de ter silêncios a romper? E, certamente, a resposta será não. Porque entre os ruídos e os não-ditos há tantas outras coisas.

Uma vez enquanto conversava com uma amiga sobre toda essa minha dificuldade em romper o silêncio, ela me disse algo que me fez parar por alguns minutos e logo após esse breve momento de paralisia, aquela fala me deslocou. Ela me disse: “As coisas só começam a existir quando você fala sobre elas. Você só vai começar a existir enquanto uma poeta negra e lésbica quando você começar a se enxergar (e se enxergar é estabelecer um diálogo consigo e com os outros) e a falar sobre quem você é e sobre o que é estar nesse lugar”. E isso me causou um imenso estranhamento e espanto logo quando ouvi.  Porque, pela segunda vez, eu saí do seio do silêncio, porque eu queria e precisava existir, e foi como se eu tivesse ouvindo: “Fala para elas de como nunca se é uma pessoa inteira se guardas silêncio, porque esse pedacinho fica sempre dentro de ti e quer sair, e se segues ignorando-o, ele se torna cada vez mais irritado e furioso, e se nunca o deixa sair um dia diz: basta! E te dá um soco dentro da boca.”

Esse sentimento de possível inexistência misturado à necessidade de existir ecoou em mim durante alguns dias. A sensação foi de imersão em mim mesma e nos meus medos. Afinal, o que me paralisava? Após dias em uma conversa muito íntima com o silêncio, cheguei à conclusão de que o que me emudecia era o medo. O medo da visibilidade e do seu enlace mais profundo: a vulnerabilidade. Ao tomar uma assustadora consciência de meus próprios abismos, adentrei uma percepção ainda mais funda: meu corpo sempre foi o alvo e a vulnerabilidade nunca esteve distante de tudo que represento. Continuar cultivando o silêncio se configura como uma autopreservação forjada e agora o meu corpo já tinha consciência disso.

E foi nessa de conversar com o silêncio e apalpar as suas minucias que o atravessei.
Em alguns momentos, trocamos: fui silêncio e ele música, fui nota e ele ficou calado, no escuro. Repare, eu disse, nota. Fui nota, notada, acordes e música. Fui ouvida e falada. Fui a palavra cantada nos meus próprios ouvidos.

Mas, o medo de falar ainda rasga a segurança que cuidadosamente vem sendo construída.
A boca do silêncio ainda arranha as tantas possibilidades de sopro.

Concordo com você, Audre, quando diz que: “Podemos aprender a trabalhar e a falar apesar do medo, da mesma forma que aprendemos a trabalhar e a falar apesar de cansadas.”

E acredito que o silêncio pode ser configurado de duas maneiras: como uma potência significativa ou sendo capaz de produzir a própria noção de silenciamento, que para muito além de estar em silêncio, configura-se como pôr um sujeito em silêncio.

Eu quero poder tocar o silêncio, poder estar em silêncio por escolha, não por medo. Claro, é sim necessário e importante romper o eixo onde o silêncio aprisiona, mas podendo preservar o ponto onde ele é conforto.

O silêncio não é só o que está visível, ou seja, aquilo que está além da boca, ele pode estar também fazendo sentido e significando em outros lugares – às vezes como conforto, noutras vezes, como prisão –  e produzindo nas próprias palavras os ecos desses trânsitos internos. Podermos escolher o momento de falar e o momento de estar em silêncio é um ato de autopreservação, reconhecimento dos nossos limites e respeito aos nossos cansaços.

Eu quero poder me libertar do medo de pôr o meu corpo em evidência, mas ainda restam tantos silêncios para romper.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Muito obrigada pela iniciativa de DIALOGAR. Dialogar, amigas-amigues-amigos, é um fala e o outro escuta. Escutar por sua vez é INDISPENSÁVEL para todos, isto é,  tanto para quem fala, quanto para quem escuta.  Escutar é uma sabedoria elementar mas que não está na moda. Espero que seja possível dialogar de fato com sua gestão,  porque você merece ser ouvido por muitos louvores enquanto profissional e pessoa que és.  Também nossos artistas devem ser escutados em seus gritos simbólicos,  cheios de indignação por muitas vezes serem calados na indiferença,  na ingratidão por seus legados. No mais, vamos sim avançando, progredindo e criando laços de democracia e reparação aos mais indispensáveis atores na cultura da alma. A alma tem sua aventura na percepção.  É arte que chama quando a alma da gente transborda em estética, transformando o instante em intuição sobre um infinito ser.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

monopólio, monogamia, Foucault, Gerda Lerner e muita história pra contar

Eu tenho até uma diferença para essas definições de monogamia e poligamia, baseada em uma ideia que li no livro do Foucault "História da sexualidade: o cuidado de si ". O livro que trata de fato sobre a história da sexualidade - a partir do recorte eurocêntrico do início da era "Depois de Cristo", entre os anos 3 e 5 mais ou menos - traz uma ideia interessante sobre um termo que é "monopólio", uma denominação do Foucault para o casamento heterossexual, que eu chamo de heterodeterminado, o que para mim também cabe na denominação de patriarcal. Essa forma de monopólio serveria, segundo Foucault,  para concretizar o controle sexual tanto de homens quanto de mulheres, principalmente da parcela privilegiada e, por isso, mais representada socioculturalmente. Os dominantes deveriam se casar entre si (o que às vezes seria até um tipo de homogamia, ou casamento entre famílias afins e parentes,  como os Judeus). Esse monopólio, então, para mim, é bastante diferente da monogamia porque ela é intermitente na trajetória histórica dos indivíduos,  isto é, ora somos monogâmicos, noutra polígamos e até passamos algum tempo sem nos relacionarmos afetivamente de modo especificamente,  dito amoroso. Então, para mim, o que conhecemos como monogamia é,  de fato, monopólio que principalmente,  diferente do que propusera Foucault sobre aquele momento histórico é aquele recorte social,  atinge muito mais as mulheres com um controle social, sexual e política indiscutivelmente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A formação em saúde é regida por uma heteronormatividade tão brutal que uma mulher lésbica tem seu cuidado em saúde negligenciado por que segundo os profissionais que a atendem, ela é "virgem" e por isso não pode ser examinada da forma como outras mulheres heterossexuais são.

VIRGEM! 2021 e profissionais de saúde ainda precisam do aval de um pênis para fazer o seu trabalho. Assim, uma mulher com endometriose ou outro comprometimento do seu aparelho ginecológico é orientada a não fazer um simples ultrassom transvaginal por que o transdutor vai penetrar sua vagina nunca antes penetrada por um pênis! Afff! Que burrice, que ignorância e que desconhecimento sobre as diversas formas de práticas sexuais, meu povo! Isso é objeto de estudo, também. Pode e deve ser aprendido.

Mulheres lésbicas podem compartilhar objetos durante relações e isso pode ser meio de transmissão de IST's, SIM! Elas devem fazer coleta de preventivo, sim! E se você tem alguma dúvida em relação às práticas sexuais delas e os cuidados médicos que elas demandam, PERGUNTE SOBRE ISSO A ELAS.

Fora que essa ideia de que primeiro precisa entrar um pênis na vagina para que ela possa ser examinada por um profissional de saúde é tão atrasada, machista e nada científica que chega a me dar vergonha.

A vagina é só uma parte do corpo feminino. Mais uma. Sim, envolvida em incontáveis tabus, mas é apenas uma região do corpo que precisa de cuidados específicos.

Acaso a mulher que nunca fez sexo oral com um homem não pode ter sua garganta examinada? Uma mulher que nunca praticou sexo anal não pode ter uma queixa intestinal investigada?

Recentemente, vi a Ginecologista Sincera conversando sobre isso na página dela e os relatos são absurdos.

E tem um debate muito mais cheio de tabu que é o debate da tal da virgindade... O valor que se dá a isso compromete a assistência a saúde das mulheres! Um horror!

E até onde eu sei, a tal da virgindade tem a ver com nunca ter transado. Ou seja, a mulher que foi estuprada nunca transou. A mulher que faz um ultrassom transvaginal nunca transou. A mulher que precisa fazer um exame ginecológico nunca transou. Mas as pessoas estão ligadas numa membrana que precisa estar intacta.

Aí, dessa lógica, nasce a ideia de que mulheres lésbicas que transam e são plenas e felizes exercendo a sua sexualidade são virgens! Que coisa bizarra! É tudo sobre o aval masculino, né. É tudo sobre o pênis, aquele órgão definidor de nossas vidas, da nossa moral, da nossa capacidade de ser mulher, e agora até da nossa saúde... Preguiça!

domingo, 10 de janeiro de 2021

Para minha amora dia e noite,

Vou traduzir o que eu disse...que tem trechos que não dá pra ouvir:

Deixa eu te dizer uma coisa linda...
Existem portas que a gente deixa aberta pra semlre entrar e sair
Mas existem portas que a gente fecha e se tranca, a gente se prende 
É a gente que tem a chave do cadeado da nossa cela
A nossa prisão - na verdade -, passarinha...passarinha...(tu és a minha passarinha predileta)
A nossa gaiola, passarinha, a nossa gaiola-coração tá sempre  aberta...
Mas como a gente tem a chave na mão, a gente pensa que o cadeado tá fechado...
Abre a porta
Abre a janela e vai...
Vai voar...
É que você é grande demais...
o céu inteiro é a sua casa.

A porta nunca esteve trancada, passarinha

mensagem que cura...massagem, ciências, humanidade e corpos que cuidam

Eu faço análise - minha psicanalista me salvou do beira do abismo, estou sempre  preparada para pular.  Tive que dar um tempo da análise durante a pandemia, por precaução.  Fui ao extremo de surtos de pânico, tranquilizante,  sedação...dormir  era coma induzido.  Então, fui ao psiquiatra, tipo ao meu pior inimigo. Ele me olhou como um destroço de gente que eu tava...e disse "junte devagar...seu caquinhos". Disse com uma receita que na primeira vez me trouxe a sensação de que eu estava viva. Tomei os três psicofármacos e senti o corpo que estava vazio...eu era uma alma penada, o espelho tava escondido. Foi assim que peguei o milk, coloquei no táxi.  Mudei de casa. Moro só com ele há 6 meses...quase nenhuma assombração que eu me familiarizara estava mais de companhia da minha própria sombra na luz do mundo barulhento...aterrorizante.  Ter paranoia é viver um delírio.  Eu preciso dos remédios para trabalhar feliz, ler em paz, dormir e existir realmente sem fantasmas (literalmente) - esse é o nome que eu dei aos pensamentos intrusos da minha cabeça sem cuidado de antes. Agora, eu estou fazendo um programa de massagens curativas, terapêuticas... A minha curadora,  uma mulher admirável antes de tudo, completou o ensino médio a duras penas. E eu, repleta de livros, minha bibliografia é sempre imensa, citação direta e indireta é minha senha de banco... que sou só isso... na mão de cura dela, renasço. Pago com vil metal ao que não tem preço, nem mensura. Ela faz massagem com óleos,  cores, meses e energias de uma linguagem que eu não sei ler uma letra. Ela faz massagem que cura gente inteira. Eu me entrego na sua vocação serena de 2 décadas.  Ela me ensina com paciência, cuidado e humildade a ser eu mesma.  Eu gosto do trabalho que reescreve a nossa história. Eu acredito muito nisso.

mulheres que MATAM os lobos

Esse arquétipo do "lobo", "o selvagem do bem", é muito vendável. De fato, a heterossexualidade normativa é um instrumento VIOLENTO para qualquer mulher, eu te entendo muito. Essa situação ABSURDA de mitificar o "macho natureba" passa despercebida...MAS É VIOLÊNCIA. Os homens como sempre estão no topo da cadeia alimentar como predadores, idolatrando-se, gozando em berço esplêndido de uma MASCULINIZAÇÃO da miséria do espírito. Eles são vazios de densidade subjetiva, isto é,  meros fantoches da venda de "afetividade" líquida.  Mulheres estão  no substrato, onde protagonistas se fazem minhocas. As minhocas são indispensáveis para a vivacidade do bioma, mas quem nasceu para ser a própria floresta,  não deveria se colocar em posição de chão para ser pisoteado por abutres. Essa é a minha metáfora de dor, sofrimento psíquico,  quando assisto ao culto desprezível ao que se fantasia de cultura nórdica. Infantis são as analogias ficcionalizadas. Historiografias nunca estão na moda porque trazem dos cemitérios arqueológicos o que de fato foi o humano daquele período.  Então, eu apenas vejo, sinto muito, alcanço o nojo rápido e transbordo em forma de mulheres da realidade - do chão desse mundo - que leio. Só elas me curam. Estou cansada dessas ficções alienantes que são jogadas feito agrotóxicos nas redes sociais em meus pés de realidade onde vivo. Mas...sem que se exista na história,  não se está  vivo. Por isso, eu falo, por isso  eu grito, por isso EU LUTO. Sigamos, como sempre, juntas na luta feminista que nos CUIDA muito . Beijos, paxãozoooona da minha rede social 💜💜💜💜💜♀️💜♀️💜♀️💜♀️💜♀️🌬🍃🤍

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

manifesto educAÇÃO

EducAÇÃO = prática humana de aprender  JUNTO 

Para que a educação seja um DIREITO GARANTIDO precisamos ACABAR COM A MENTALIDADE BANCÁRIA,  mercadológica, de educar.

Professores NÃO são DOMINADORES do conhecimento que DEPOSITAM nos alunos = EDUCADORES somos aqueles que acreditam que TODOS aprendem quando há a DISPOSIÇÃO ÉTICA (HUMANITÁRIA) de construir o processo de aprendizagem DIALOGICAMENTE.

Alunos NÃO são pessoas que precisam aprender algo que não sabem = EDUCANDOS são, juntamente com educadores, PESSOAS que acreditam que aprender é UM PROCESSO DE DIGNIDADE humana a fim de se construir EM CONJUNTO uma comunidade, uma sociedade e uma humanidade cada vez mais JUSTA.

Educação NÃO é escolarização CORPORATIVISTA, MERCADOLÓGICA, NEOLIBERAL, PARTIDARISTA E INSTRUMENTALISTA.

Eu DEFENDO A EDUCAÇÃO PÚBLICA, ÉTICA, DEMOCRÁTICA,  HUMANÍSTICA, ECOLÓGICA, UNIVERSAL E GRATUITA. 

Educação é um saber que seres vivos conduzem historicamente a partir de seus contextos.

Respeito à EDUCAÇÃO é o que eu EXIJO!

O Brasil NECESSITA de educação de verdade.

Vamos defender a educação para a humanidade e para a ecologia ética JÁ!

#eudefendoaeducação

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

atualidades de neofascismo

O fundamentalismo pseudoreligioso, que de fato é uma caça às bruxas atualizada, está descrito nesse mapa.

Ouçam: dízimo em muitas dessas "igrejas" são muitas vezes apenas LAVAGEM DE DINHEIRO sujo do capital GENOCIDA. Não precisam de fiéis vivos...pois não vivem do dinheiro deles, mas da exploração das suas mentes.

Ouçam: mulheres por toda a África, agora no Brasil,  em lugares EMPOBRECIDOS por "grandes investimentos" e por governos neoliberais GENOCIDAS são mortas, têm suas terras roubadas, seus direitos sequestrados.

Ouçam: Nessa forma de tirania, a velhice,  os idosos e, principalmente as mulheres idosas são vistos como estorvo, como alvos de morte...para esse tipo de governo morte de idosos é visto como solução.  Muitos jovens passam a matar seus pais idosos para usarem com liberdade o que herdam, mesmo que seja pouco.

Ouçam: OU MUDAMOS o nosso olhar sobre as pseudoreligiões  cristãs, OU CAIREMOS no mais absurdo lugar onde VIVER É UMA LUTA ÁRDUA e constante.

Cuidado com os tiros, as balas perdidas, os apedrejamentos, os incêndios em templos de religiões de matriz africana e com o assassinato de LGBTQIA e de mulheres cis e trans (especialmente as negras). 
Essa forma de governo é maldade para acabar com a humanidade da gente.
Libertemos o nosso país disso logo.
#ForaBolsonaro

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

delírio de um romance a céu aberto

Eu nasci numa cama d'água, ouça
Numa casa a beira de um rio parado, ouça
Que me observava crescer às margens de tamanha água
Eu nadava em meus braços o rio em volta o rio me levava
Bem-te-vis, canarinhos, ingás, mangas de tantas qualidades
Até que o sol se pôs
As estrelas são penduricalhos de um romance
A beira do rio inundou minha casa margaridas espalhadas
Eu era uma nada conhecia a madrugada
E o rio se mostrou fálico
Romance às margens
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Delírios de um romance a céu aberto
Delírios de um romance a céu aberto
Bem-te-vis, canarinhos, ingás, mangas de tantas qualidades
Até que o sol se pôs
As estrelas são penduricalhos de um romance
A beira do rio inundou minha casa margaridas espalhadas
Eu era uma nada conhecia a madrugada
E o rio se mostrou fálico
Romance às margens
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Eu conheci a madrugada
Me tornei um nada
Entendi o rio
Delírios de um romance a céu aberto
Delírios de um romance a céu aberto

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

mulher do fim do mundo

Tati Langone o feminismo já foi um movimento de "guerra dos sexos" , sabe😔. Uma ideia que hoje não faz mais o mesmo sentido porque não queremos ser comparadas com homens para sermos exaltadas por isso. Hoje, defendemos que ser a mulher que somos é que deve ser respeitado. O orgulho não é sobre sermos exploradas,  exauridas, humilhadas em relações familiares e amorosas  que nos destroçam e escravizam. Não,  sabe.É sobre enxergar em nós mesmas o nosso lugar de humanidade,  exigir a nossa dignidade e o nosso reconhecimento sobre o que já somos. Não precisamos de aplausos e nem de comparações entre pares ou com homens. Ser a mulher que já somos é a nossa causa. Por todas as mulheres e também por todos aqueles que são juntamente conosco marginalizados nesse modus operandi genocida do patriarcado neoliberal. É por nós,  mana!♀️💜♀️💜♀️💜♀️💜♀️

sábado, 26 de dezembro de 2020

Existe um acontecimento psicológico chamado de Síndrome de Estocolmo. É o "encantamento" pelo agressor que a vítima sofre, tamanho trauma que lhe acomete. O sofrimento psicológico nesse tipo de transtorno afetivo é indescritível e pode levar a pessoa a conceber,  fantasiar (no sentido subjetivo psicopatológico) e até efetivar uma relação "amorosa" com seu agressor. Por isso, é necessário que se discuta os dispositivos de gênero e as redes de violência simbólica em que estamos o tempo todo sendo condicionados e assujeitados. As mulheres sofrem bastante com transtornos diversos após uma violência de gênero (machismo) muito dolorosa, que pode ser impossível de ser significada de modo racional ou compreensível pela lógica de violentado e violentada. Então, é indiscutivelmente lastimável a violência simbólica à qual estamos submetidas. Pode ser esse o caso, assim como pode não ser. Achei interessante levantar essa questão. Muito obrigada por ter compartilhado.♀️❤

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

a uma alma irmã que me fez dizer antes de feliz Natal...feliz renascer em nós

Eu sei, minha querida amiga, que seu Natal está sendo um tanto tristonho.  Amar é assim. Amar sente. Amar chora. Amar cisma em ter saudades, em sentir falta. Amar é humano. Amar é também,  por tudo isso, divino. 
É divino chorar.
É  divino sentir saudades.
É divino perceber em nós a falta que um amor inesquecível sempre vai fazer.
Mesmo assim eu lhe digo, que seu Natal seja celebrado no seu coração. Não precisa de festa, nem de exagerada gargalhada para que Deus se lembre que és maravilhosa, uma filha grata, uma amiga compreensiva, um ser humano amável e pessoa leal.
Enfim, desejo que seu Natal tenha uma oração suave, que te faça dormir. Durma com uma bonita certeza: Deus está contigo e com sua família sempre. Que ele renasça em suas vidas sempre. 
Um Natal de amor e vida para vcs.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Compartilho com vocês esse texto lindo do Papa Francisco. ❤

"O Natal costuma ser uma festa ruidosa, há muito barulho. Nos faria muito bem um pouco mais de silêncio, para ouvirmos a voz do Amor

Natal é você, quando decide nascer de novo, cada dia, deixando que Deus penetre seu interior.

O pinheiro do Natal é você, quando resiste fortemente aos ventos e dificuldades da vida.

 Os enfeites de natal são você, quando suas virtudes são cores que enfeitam a vida.

O sino do natal é você, quando chama, une, reúne, congrega pessoas.

A luz do natal é você, quando ilumina com sua vida, o caminho dos outros através da bondade, paciência, alegria, generosidade.

Os anjos do natal são você, quando canta ao mundo uma mensagem de paz, de justiça e de amor.

A estrela do natal é você, quando conduz alguém ao encontro do Senhor.

Você também é os reis magos, quando dá o melhor que tem aos necessitados

A música do natal é você, quando consegue encontrar harmonia interior.

O presente do natal é você, quando é verdadeiramente amigo e irmão de todo ser humano.

O cartão de natal é você, quando a bondade está escrita em suas mãos.

A felicidade do natal é você, quando perdoa e restabelece  a  paz mesmo que ainda esteja sofrendo.

O presépio do natal é você, quando sacia de pão e de esperança o pobre que está ao seu lado. 

Você é sim a noite de natal, quando humilde e consciente recebe, no silêncio da noite  o Salvador do mundo sem barulho nem celebrações, você é sorriso de confiança e ternura na paz de um natal perene, que estabelece o reino em você."

domingo, 13 de dezembro de 2020

Homens, mulheres, amores ou não. 
Um dia chega alguém...ou alguns...e diz que há regras para você se relacionar melhor e a principal é  respeitar a "liberdade" do outro de ser quem é.
 Porém, as mesmas regras que amparam o outro, nunca servem para você.  Se você gosta de chá e o outro de cerveja. O chá parece careta e encalhado,  nunca vai ter uma liberdade de verdade....e outros blábláblás.
 A cerveja, ah não!, a divina e consagrada. Ela é que é liberdade de fato, seu chá é "controle", é fazer o outro ser "aprisionado". Tem sempre um "deixa ele...deixa ela...deixa ser livre". 
Apesar da "liberdade" que você É OBRIGADO A DAR, em troca de migalhas, NUNCA há uma simples empatia de te perguntar: "amiga, isso te incomodou?", "amiga, você está se cuidando?" Ou simplesmente "eu te entendo porque mesmo sem ser como você, eu SIMPLESMENTE te respeito, mulher,  tu foi sempre foda pra mim."
Ei, mana...ei, mano...ei, mina...ei, mona...ei, mane...EEEEEI, eu sou mais importante do que qualquer coisa para mim mesma. Você que me conhece não deveria me dizer que eu tenho que "priorizar" ou "preservar" esse ou essa ou isso.
Relacionamentos, flertes, transas...tudo isso É POUCO,  é quase NADA, perto da imensidão de una existência. 
VOCÊ sabe que eu tenho outros valores, outros interesses. Você sabe que comigo a vida não é distração. Eu nasci INTENSA, INTEIRAMENTE MINHA... que o outro seja de mim apenas mais uma vastidão e eu minha ÚNICA sentença.

Pela atenção e consideração, obrigada.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

A nossa cura está na luta para que qualquer pessoa no Brasil tenha a possibilidade de ser vacinada. Antes de tudo, é preciso IGUALDADE entre nós. 
Irei celebrar a vacina sim! Aquela que chegará aos irmãos indígenas,  quilombolas  e de outras comunidades tradicionais mais afastadas do centro/urbanidade. 
Celebrarei sim, a vacina que chegar nas crianças,  pessoas  e famílias as quais tenham uma pessoa com peculiaridades genéticas e específicas situações de saúde e por isso estejam ISOLADAS de fato há meses, como  eu tenho na minha família. 
Eu quero celebrar de verdade , meus amigos. Mas não adianta eu tomar a vacina, que sou professora concursada, moradora da região privilegiada e com plano de saúde.  Eu sinceramente quero ser contemplada,  mas POSSO ESPERAR sabe...a minha urgência tem sentimento de HUMANIDADE.
NÃO VOU ESTAR FELIZ enquanto a vacina for um reflexo do PRIVILÉGIO NOJENTO que nos humilha. 
A quem puder tomar a vacina antes de quem realmente precisa, eu desejo consciência.  Ser a prioridade nesse caso É ANTES DE TUDO UMA VIOLÊNCIA reproduzida há milênios...
A transformação que eu acredito não foi escrita em nenhum  livro de filosofia, não está nas instituições de ensino e não é intelectual.
É uma EMANCIPAÇÃO que brota no coração de quem nasce gente independente da DESIGUALDADE CRUEL e vergonhosamente reproduzida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Infelizmente, há quem pense que estar privilegiado seja a única forma de se proteger da brutalidade de um monstro, ou seja, algumas pessoas acham que se aliar ao inimigo é tipo se proteger do lado dele...quando de fato isso é estar mais perto de quem pode te destruir. Nunca o inimigo da gente deve ser ignorado, sabe. Ao contrário, dar o outro lado da face é saber que ele te humilharia enquanto você o encara de frente sempre em lados OPOSTOS.  A cultura, as artes e a população mais prejudicada com governos neofascistas são exatamente do grupo de Marco Monteiro. O que ele está fazendo é dizer que está com medo de perder "privilégios " que sequer tem, são apenas temporárias formas de manipulação e controle sobre ele. Ele está preso e dando a chave que tinha nas mãos de seus juízes. Espero que saibamos para quem devemos dar às mãos nessas horas. Segurar a mão de um cego no tiroteio é humanidade. Estar atrás de um franco atirador, como se isso lhe tirasse do alvo, é diminuir a distância entre seu assassino e sua própria existência.  Um suicídio iminente.