sábado, 10 de abril de 2021

O feminismo não é um escudo de defesa de "mulheres ruins" ou de "qualquer mulher ". O feminismo é uma condição de que mulheres são humanas iguais a qualquer outro ser humano, portanto, defeitos e qualidades vão interagir. Porém, vem da visão feminista do mundo  a certeza de que existe o patriarcado. O patriarcado é o sistema de opressão que esmaga mulheres e quaisquer pessoas em um nível social de inferioridade, por exemplo, indígenas, outras etnias colonizadas, negros e demais povos em refúgio pelo mundo - INCLUINDO crianças,  que são alvos diretos da brutalidade desse sistema mundo a fora. No caso específico da tortura e do assassinato do menino Henry é bastante pertinente pensar que o próprio executor da criança, isto é,  o vereador miliciano Jairinho, tenha TODAS as possibilidades do mundo de usar a sua influência para manipular tanto a visão pública sobre ele, quanto para abrandar a sua pena dividindo com ela como coautora ou cúmplice, o que no processo penal geraria, na minha opinião, uma injustiça irreversível à própria memória da  vítima porque amenizaria a clara brutalidade do verdadeiro violentador e torturador dessa criança.  Sabe-se , já dentro do processo, que mesmo avós,  funcionários domésticos, professores e psicólogos estão sendo ouvidos dentro da perplexidade de INÉRCIA diante da situação. Todos se omitiram. Se você me disser que pior de todos no caso foi a mãe,  eu posso lhe garantir, o garoto estaria vivo e salvo se o CONSELHO TUTELAR tivesse sido acionado, se o pai tivesse a possibilidade de reagir diante da situação e não deixar o filho retornar.  Também não sei como o pai não percebeu que havia alguma situação difernete na saúde do filho que vinha passando por sessões de tortura. O que tudo isso significa?  A violência do Estado PATRIARCAL diante de um homem prestes destruir um alvo. Quem poderia ir contra o poderio e a influência pública do filho de um dos milicianos mais fortes do Rio de Janeiro? Eu fico pensando se não há alguma relação na execução política de Mariele Franco que venha dos mandatos claramente inescrupulosos desses homens. Então, não é sobre defender ela. Mas sobre não deixar de olhar a profundidade em que isso chega, já que se ele tiver uma pena amenizada - pela manipulação da imagem pública e das adições no processo de "supostos" vestígios de que a mãe é também culpada - um homem realmente psicopata e genocida continuará seu mandato, com vistas a reeleição.  Pode ter certeza.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

A relação que mulheres têm com a "performance de inutilidade" é exclusivamente a de serem submetidas, só.  Não há parte, parcela, metade. Não há.  Homens podem rever seus própria conceitos de vida, pois é o nome desses "deuses" que se encontra ATÉ no OLIMPO da ciência.  Então, mulheres não são nem " em parte" responsáveis. NÓS somos CONDENADAS à exploração por causa disso. Dá pra pensar que "são as mulheres de criam, cuidam, ensinam aos homens a serem quem são "? CLARO que não! Não mesmo. Esse sistema CHAMADO PATRIARCADO condena mulheres a "fantasias de privilégios " e coloca os homens no topo do poder, assim como seus pares - isto é,  todos (até mulheres) que se mantém ou que colaboram para essa manutenção. Mas não podemos dizer que há uma generalidade de mulheres "parcialmente " culpadas. Não há.  Mas há um imenso poder político, econômico,  midiático e cultural reforçando  isso.  Como vamos mudar essa "realidade"? Em primeiro lugar, TIRANDO das nossas costas os  homens que carregamos. Em segundo lugar, PARANDO de nos sentirmos as culpadas que devem (através do feminismo???????🤨) mudar a atitude,  a mentalidade e a sistemática patriarcal de toda UMA SOCIEDADE.  Em terceiro lugar, se amar, se cuidar, se escutar, se rebelar, se comprometer consigo,  se proteger, se respeitar , ser a primeira a LUTAR POR SI MESMA - o que aqui é um sentido mais amplo: lutar em si por todas. Jamais NUNCA JAAAAAAAAAAMAIS devemos ser RESPONSABILIZADAS por EDUCAR MACHO, escutar as dores da sua masculinidade tóxica ou repercutir os discursos em que eles sejam o centro, com seus exemplos ESCROTOS , suas metodologias científicas MEDÍOCRES OU suas URGÊNCIAS em.mudar para que consigam conviver bem.conosco. SÓ essas pequeninas 3 certezas, MATAM O LEÃO e fazem com que sejamos AO MÍNIMO menos DESTRUÍDAS,  ESMAGADAS e CULPABILIZADAS em nossas subjetividades, que são a nossa própria forma de  viver.  Então, só quero REFORÇAR,  acabar com o patriarcado não significa UMA MULHER PEGAR A LUTA PARA SI E dizer aqui em casa eu vou fazer diferente com ele, ele assim poderá aprender.... NÃO! NÃO! NÃO! Isso é blábláblá de uma tendência liberal que coloca AINDA o homem no centro, até DAS DEMANDAS FEMINISTAS, DAS DEMANDAS de mulheres. Isso não dá. Comecemos por nos cuidar, nos amar, nos ler...se isso afastar homens que talvez se tornassem namorados, maridos ou integrante de uma pseudo situação "amorosa" conosco ...quer dizer BEM CLARAMENTE: talvez você não PRECISA da parceria afetiva romantizada de ninguém. Primeiro,  CUIDE-SE e não deixe te CONDENAREM a escravização patriarcal.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Quer saber do que um vereador bolsonarista, cidadão de bem, defensor da família e dos bons costumes é capaz? Vamos ao caso de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, médico e vereador eleito pelo partido Solidariedade no Rio de Janeiro.

“O foco de seu mandato está na restituição da dignidade ao cidadão pelo atendimento do poder público no quesito saúde, sem deixar de pensar na educação dos jovens. De espírito empreendedor, apoia as iniciativas que buscam a melhoria da qualidade de vida da população”, diz o seu perfil no site da Câmara.

Curiosamente, ele compõe o Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio. É suspeito de ter agredido e matado o enteado Henry Borel, de 4 anos, e foi preso junto com a mãe da criança, Monique Medeiros, por atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas.

Ao analisar o corpo da criança, a perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na região frontal do crânio e nas partes lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração do fígado e hemorragia retroperitoneal.

É estarrecedor imaginar o sofrimento que essa criança passou, seguimos esperando que a justiça seja feita!!! Meus sentimentos aos familiares e amigos!!!
Isack Reis vc está dizendo que os dois são psicopatas,  certo? Eu não concordo. Para mim, quem é o violentador, torturador e o assassino dessa crianças é o PSICOPATA vereador Jairinho que TEM muitas outras condutas da mesma espécie MALDOSA,  ELE É um maldito assassino sim! Um psicopata não como os que se pensa em "TRATAR" ele é UM PREDADOR que alcançou nesse garoto e na mãe A OPORTUNIDADE DE SER o pior que conseguiu.  Ele é cruel. Está PROVADO que é TORTURADOR,  ASSASSINO. Mas todos ainda se questionam " Mas porque a mãe é pior...por que a ela não salvou o filho???" Me diga...esse MONSTRO é um PSICOPATA sabe qual a possibilidade de uma pessoa (mãe, babá,  ou quem quer que seja) lidarem com ele. Nenhuma. O pai  dessa criança TAMBÉM não teve culpa, mesmo tendo mostrado uma conversa em que a mãe do filho diz COM TODAS AS LETRAS que seria MAIS UMA NOITE DIFÍCIL porque o menino chorava e NEM QUERIA VOLTAR DA CASA  DO PAI.  Por que o PAI  DEIXOU o filho ir????? Por que não se questionou ???? Se há uma conivência COMPULSÓRIA,  uma coautoria CULPOSA dessa mãe que ela SEJA PUNIDA. MAS EU ESPERO QUE ESSE DEMÔNIO psicopata PEGUE TOOOOOOOOOODOS os anos de cadeia, VÁ PARA UM SANATÓRIO e NUNCA MAIS VOLTE AO CONVÍVIO SOCIAL ele é um predador de gente e ASSASSINO TORTURADOR DE CRIANÇA. 

um perverso infanticida em ação ?


Dizer que a mãe do Henry, menino ASSASSINADO, foi ao salão friamente um dia depois da morte dele, é claramente uma tentativa  de ESCONDER a MONSTRUOSIDADE  do padastro, o assassino e manipulador de toda essa crueldade. Ele é VIOLENTO REINCIDENTE contra crianças, tendo nas mães as iscas para seus alvos, crianças.
depende muito do que está por trás. Esse tipo de assassino usa todo o seu aparato de coação,  por exemplo, ele pode estar dizendo que para ele será muito mais branda a penalização, já que para todos os efeitos ela é cúmplice. O que eu fico imaginando é como, no outro relacionamento que ela tinha com o pai da Henry, ela não teria dado ao menos indícios de que era a favor de agressão em relação ao filho? Isto é,  por que ela se colocou em uma situação tão manipulável na relação em que segue sendo ao menos aparentemente submissa? Isso pode estar relacionado ao fato de que as outras mulheres e demais testemunhas, que já estão dentro do processo como vestígios da personalidade violenta do (ainda) suspeito, tiveram dificuldades e até medo mesmo de dar depoimentos. No mínimo, esse suposto investigado,  possui uma personalidade altamente perigosa, manipuladora e ameaçadora, o que em determinado contexto pode ajudar no aparente consentimento ou até "autorização " que se está tentando  colocar na mãe enquanto isso será,  claramente, uma proposta de negociação da defesa do acusado para fins de abrandamento de pena. Infelizmente,  em termos jurídicos mesmo, a mãe teve indiscutivelmente conivência,  mesmo que psicologicamente induzida.  Porém, o assassino é,  ao que se percebe, um reincidente em relação à agressão de crianças,  que não estará nem constrangido se precisar fazer tal ação mais uma vez. Ele já dava indícios - segundo outras pessoas que já tiveram relacionamento com ele - de que possui um comportamento perigoso em relação às crianças. Por isso que eu acredito que ele seja um verdadeiro covarde, inescrupuloso.

domingo, 4 de abril de 2021

Um pequeno segredo de zaratustra: o ultra-homem não pode ser deus, nem por um dia.

Um prazer fantasiado de "sofrimento", conhecido como sadismo, é uma característica (não doença) em algumas pessoas,  o que não tem nenhuma justificativa inata... Esse é o sadismo de caráter,  de maldade mesmo e de ausência de humanidade em si. Às almas miseráveis que se agigantaram, se mostraram como uma monstruosa forma de atitude nesse vergonhoso brasil (paupérrimo em cidadania), apenas uma justeza de sentença se sabe: da mesma desumanidade que se veste o outro, será vestido a si mesmo. O genocídio à fascista é como um suicídio em um duelo de roleta russa no qual a primeira bala não mata o outro, mas atinge em cheio a própria cabeça - embora o prazer em imaginar que seria o outro o alvo destruído encha a mente de delírio. O delírio de ao avesso de um deus que cria, se sentir tão poderoso a ponto de ser o não deus que extirpa.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

mono poli homo hetero gamia... o sexual e o amor no humano histórico

eu não consegui dizer que faz parte de uma das possibilidades das naturezas do sexual humano tão rico e plural em trânsito histórico. Eu penso , mas de maneira muito minha, que não há uma só definição como ser monogâmico ou ser polígamo... penso que ao longo da nossa vivência sexual as possibilidades acontecem naturalmente,  em determinados momentos sendo mais um do que outro... como se fosse um continuum na jornada pessoal e não categorias fechadas que conseguem nos identificar.  Então, é  como se, para mim, não se pode chamar uma pessoa de monogâmica ou poligâmica porque ao longo da experiência de relações afetivo-sexuais foram vivenciados momentos mais monogâmigos ou mais poligâmicos. A homogamia, relação entre pessoas de uma mesma comunidade ou até família,  por exemplo, é compulsória em alguns grupos étnicos, como judeus e também comunidades tribais (o que é identitário). Já a heterogamia é a realidade mais comum nas relações ocidentalizadas. Porém, não se pode tomar como definição ou rótulo, porque deveríamos ter o direito de experienciar as possibilidades sem passar pelo aval ou pelo silenciamento (até sufocamento) da opinião pública,  sobre uma situação que deveria  ser mais íntima no sentido autodescoberta mesmo. O que amei na tua postagens, como sempre, é a voz de construção de diálogos que você SEMPRE nos propõe.  Você é, para mim, uma voz de abertura e emancipação. Eu só te agradeço por me acolher nesse caminho, onde tua sabedoria nos banha... te sinto sempre  como um rio gigantesco sobre mim. Mulheres que tô morrendo de saudade do teu abraço abrigo. Obrigada por promover esse debate incrível. Para mim, é oportunidade de estar entre pares.
Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

Monogamia não é monopólio

Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Eu tenho uma visão muito minha sobre esse assunto.  Queria muito compartilhar porque acho que nessa postagem o essencial é o que não se pode mais ser calado, silenciado e apagado mesmo. Infelizmente,  a experiência histórica precisa ser considerada sobre a interrelação pessoal afetiva, mesmo também esses termos sendo aparentemente repetitivos colocados assim. Então, o que se faz necessário para mim sobre isso é que monogamia, poligamia, heterogamia e homogamia são possibilidades na nossa jornada particular. Eu vejo mesmo que ser ou não ser mono, poli, homo, heterogâmico são estados transitórios,  mesmo não sendo legitimados assim, por isso seja bem mais definida a monogamia nesse formato patriarcal de civilização em que nos encontramos.  Porém, mesmo a monogamia  precisa ser olhada com certa atenção porque faz parte da natureza sexual  da gente; muito embora seja a versão  artificial patriarcal de violência corpórea de monogamia como monopólio (exclusiva sexualidade com um par predefinido, como o casamento  heterossexual teoricamente seria), a versão posta como única. Monogamia não é monopólio em si, mas monopólio é a parte de controle sexual feminino mais exercida pela mentalidade civilizatória centrada no binarismo machológico e, por tudo isso, machocêntrico. Isso não é estritamente sobre homens que impõe uma dominação  sobre mulheres, mas sobre a concepção  de mulher como objeto para o homem que assim, no capitalismo e no liberalismo, se torna o seu proprietário, com o aval político institucional da microfísica do poder patriarcal que entra em nossas casas, tranca os armários em que nos escondemos e rouba o lençol na hora da sessão de autoconhecimento.

domingo, 28 de março de 2021

Conta a tradição cristã a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Sentado sobre um burrinho, foi saudado pela multidão em delírio. Os evangelistas narram que foi recebido por gente que estendia as suas vestes sobre o chão poeirento. As patas do burrinho pisavam os ramos das árvores espalhados para enfeitar seu caminho. Adiante dele, os devotos clamavam, entre delírio e brados de amor e fé: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 

Menos de uma semana depois, o mesmo Jesus Cristo estava morto. Após humilhações públicas e torturas, foi crucificado – a mais degradante morte que o Império Romano destinava aos que infringiam a Lex Julia Majestatis. Horas antes fora traído, negado e abandonado pelos amigos mais próximos; vira o governador Pilatos lavar as mãos em público e a multidão preferir salvar um conhecido criminoso. Dos que o saudaram dias antes, nem sinal. Na hora decisiva, amargou plena e profunda solidão, a beber vinagre quando estava sedento, a ver suas roupas serem sorteadas entre desconhecidos. Aos pés da cruz, apenas sua mãe e alguns raríssimos amigos.

Jesus não é caso isolado na história da humanidade. Antes e depois dele, oradores, filósofos, poetas, astrônomos, imperadores e modernos cientistas desabaram da glória ao subsolo. De Julio Cesar a Bonaparte; de Hipatia de Alexandria e Alan Turing; de Sócrates a Oscar Wilde.

É do temperamento coletivo a frivolidade. As multidões mudam de opinião ao sabor das circunstâncias. Hoje, herói aplaudido; amanhã pária, candidato à negação pública. Basta uma palavra mal posta, um gesto impensado, uma contrariedade a um tirano.

Em tempo de redes sociais, o fenômeno é ainda mais rápido. Instantâneo, por vezes. É um constante perseguir de popularidade, uma permanente fixação pela ideia de ter milhares de amigos. Ilusão. Modas passam, gostos mudam, os queridinhos da vez cedem lugar aos novos e – já disse o poeta – a mão que afaga também apedreja. Ai de quem se apega.

Mais que isso. Nossas vidas, a virtual e a real, são ruidosas. Pouco permitem que desfrutemos de nossa própria companhia. Estamos sempre a nos reunir, festejar, visitar, numa sucessão de compromissos. Em todos os intervalos, celular à mão, inclusive na cama, antes de dormir. Ao acordar, lá está ele, bem ao lado, na cabeceira, com sua vertiginosa espiral de novidades e emoções. Curtir, comentar, reagir, replicar, comprar brigas, bloquear, adicionar e começar tudo outra vez. As horas escorrem rápidas e nunca estamos sós.

A quarentena impôs uma solidão nova, um obrigatório estar consigo mesmo. Mudança grande. Sem as demais atividades, restou-nos horas demais para a vida virtual. E ela cansa, consome. Por isso estranhamos. Mesmo os que estão acostumados a viver sós se inquietam.

É que farejamos o perigo. Neste terreno pantanoso do olhar para si mesmo, não há certeza da pisada. O que vemos no espelho é mistério e, vá lá, um certo medo da descoberta.

A questão que pulsa nos subterrâneos do espírito humano não é dita em voz alta: e se faltassem, em meio a tudo isso, as muletas que carregamos? Se não houvesse filmes, séries, energia elétrica, livros, parentes, amigos? Qual seria a nossa reação? Haveria algo em nós capaz de sobreviver a tal paisagem desolada sem enlouquecer de tédio, sem amargar revolta?

A resposta a essa pergunta é reveladora – e cabe a cada um, óbvio. O saber estar consigo mesmo – arte algo esquecida em meio às modernidades tão sedutoras – é essencial quando se pensa em meditação, tranquilidade da alma. A propalada mente calma nada mais é do que adaptação às circunstâncias, autocontrole, resiliência. Ela não se curva ao desespero, mesmo em meio à adversidade. Sabe que cólera, medo e paixões desenfreadas são péssimas conselheiras.

Alcançar este estado de graça é um árduo e longo caminho. Exige treinamento, perseverança, disposição. E, se há de começá-lo, que seja agora, pois, creia-me, será necessário uma hora ou outra.

Neste exato instante, em hospitais do mundo inteiro, há gente isolada. Sem televisão, sem celular, sem viva alma para conversar. Nas UTIs dos mesmos hospitais, muitos morrerão sem que a mão de um ser amado se despeça ou traga conforto. Sozinhos.

Estes não escolheram a solidão. Outros a desejaram.

Sócrates morreu cercado de discípulos, mas, a rigor, estava só. Não havia ali quem estivesse em comunhão com a sua serenidade. Os discípulos estavam aflitos e ele teve de lhes dar exemplo de fidelidade às próprias ideias. Suas horas finais foram usadas para demonstrar o valor de suas teses. Não queria choro ou descontrole. Bebeu a cicuta até a última gota, sem que a mão tremesse. Na hora final, pediu que lhe cobrissem o rosto. Queria a solidão de si mesmo. Não se consegue isso de uma hora para outra.

Na história narrada nos evangelhos ocorre exatamente o mesmo. O Jesus que morre é ainda o homem que ensina, perdoa e exemplifica, apesar do corpo que se finda entre dores. Uma de suas últimas frases é emblemática: Eli, Eli, lamá sabactani (Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?). Não é um pedido de ajuda, nem reclamação. Estava apenas recitando antigo Salmo, o 22, que inicia com esta exata frase.

O poema de Davi fala de um homem desprezado, cujas vestes foram repartidas e as forças secaram. Um homem que morre sozinho e faz da finitude um instante de poética contemplação: “Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.(…) Mas tu, Senhor, não te afastes de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me“.

Os instantes finais de Jesus são voltados inteiramente para si; a divindade e companhia que evoca estão nele mesmo.

O que fez não é impossível para nenhum outro ser humano. Preparar-se para isto é o desafio que hoje se põe à mesa.

Coragem, pois. Ao olhar no universo de si mesmo, pode-se descobrir galáxias e nebulosas, planetas que giram docemente, estrelas de alta magnitude. Talvez seja assim que o homem aprende a se amar e a estar feliz consigo.

***

Ilustração. Edward Hopper. Morning sun

feminista do bbb

A gente ensina MULHERES que elas SERÃO imediatamente PUNIDAS... é certeza de SÚBITA condenação...
Mas aos homens...as chances , as muitas (até infinitas) OPORTUNIDADES são a todo momento renovadas...
Notem... as mulheres que estão DENTRO do confinamento OUVIRÃO - se for a saída de MAIS UMA  MULHER - que ELAS estão SEMPRE erradas...
 Mesmo aquelas MAIS SEGURAS DE SI vão ENTENDER - pela clareza da RESPOSTA DE UM PÚBLICO - que ELAS não têm segunda, terceira, quarta,  décima, enésima CHANCE...
Mas quem sai GANHANDO mesmo...é o MACHISMO, o patriarcado e a MISOGINIA porque defendem homens CONDENANDO TODO  DIA MAIS UMA MULHER.

(essa é só a minha opinião, não é uma verdade absoluta. RESPEITO completamente visões diferentes, CONTANTO QUE não se promova o fascismo, o bolsonarismo e o genocida)

Foucault e abuso

Gente, vocês viram isso? Uma verdadeira bomba. Gravíssimo, caso se confirme. Segue o texto para quem não é assinante: 

Filósofo que exerceu grande influência sobre intelectuais contemporâneos, Michel Foucault seria um pedófilo que teria feito sexo com crianças árabes enquanto viva na Tunísia no final dos anos 1960. A bomba foi disparada pelo escritor e professor franco-americano Guy Sormon, que contou ter visitado Foucault nos arredores de Túnis à época.

A referência de Sormon aos crimes sexuais do filósofo francês, que morreu em 1984 aos 57 anos, foram publicadas este mês em seu livro "My dictionary of bullshit" e depois reiteradas pelo autor em um programa de TV. O apresentador ficou pasmo: “Você está falando de Foucault, para você um pedófilo, algo que as pessoas não costumam lembrar quando falam dele”.

Sorman, de 77 anos, disse que visitou Foucault com um grupo de amigos em uma viagem de férias de Páscoa no vilarejo de Sidi Bou Said, onde o filósofo morava em 1969. “Crianças pequenas corriam atrás de Foucault dizendo 'e eu ? me leve, me leve'”, lembrou ele em entrevista ao jornal britânico "The Sunday Times" deste domingo.

"Eles tinham oito, nove, dez anos, ele estava jogando dinheiro com eles e dizia 'Vamos nos encontrar às 22h no lugar de costume'". Este, ao que parece, era o cemitério local: "Ele faria amor lá nas lápides com meninos. A questão do consentimento nem mesmo foi levantada".

Sorman afirmou que "Foucault não teria ousado fazer isso na França", comparando-o a Paul Gauguin, o impressionista que fez sexo com meninas que pintou no Taiti, e André Gide, o romancista que perseguia meninos na África. "Há uma dimensão colonial nisso. Um imperialismo branco".

Sorman disse lamentar não ter denunciado Foucault à polícia na época ou denunciado na imprensa, chamando seu comportamento de “ignóbil” e “extremamente feio moralmente”.

Mas, acrescentou, a mídia francesa já sabia sobre o comportamento de Foucault. “Havia jornalistas presentes naquela viagem, havia muitas testemunhas, mas ninguém fazia histórias assim naquela época. Foucault foi o rei filósofo. Ele é como um deus na França."

Foucault, filho de um cirurgião, foi um dos primeiros intelectuais célebres do século XX, autor de obras que até hoje seguem como referências absolutas na academia, como "Vigiar e punir", "Microfísica do poder" e os volumes de "História da sexualidade". O filósofo também é lembrado por assinar uma petição em 1977 para legalizar o sexo com crianças de 13 anos.

A biografia mais conhecida dele, "The passion of Michel Foucault" (1993), de James Miller, descreve seu interesse pelas casas de banho gays e sadomasoquistas da América  —  ele foi uma das primeiras figuras assumidamente homossexuais na vida pública e morreu de Aids  — mas não menciona suas experiências sexuais na Tunísia.

As afirmações de Sorman surpreenderam especialistas na Grã-Bretanha, onde o último volume da história da sexualidade em quatro partes de Foucault acaba de ser publicado pela primeira vez em inglês. Para Sorman, o comportamento de Foucault era sintomático de um distinto mal-estar francês que remontava a Voltaire. “Ele acreditava que havia dois princípios morais, um para a elite, que era imoral, e outro para o povo, que deveria ser restritivo.”

Ele continuou: “A França ainda não é uma democracia, nós tivemos a revolução, proclamamos uma república, mas ainda há uma aristocracia, é a intelectualidade, e ela teve um status especial. Qualquer coisa serve." Agora, porém, “o mundo está mudando repentinamente”, acrescentou Sorman.

O intelectual disse, no entanto, que Foucault não deve ser “cancelado”. “Tenho grande admiração por seu trabalho, não estou convidando ninguém para queimar seus livros, mas simplesmente para entender a verdade sobre ele e como ele e alguns desses filósofos usaram seus argumentos para justificar suas paixões e desejos”, disse ele. “Ele achava que seus argumentos lhe davam permissão para fazer o que quisesse.”

sábado, 27 de março de 2021

holocausto brasileiro de pandemia

O lockdown termina segunda...
O kit intubação dura pouco 
A vacinação é lenta...
A Páscoa NÃO PODE ser comemorada 
A pandemia e os traumas VÃO ENSINAR mais do que a gente imagina.
Não é preciso chorar pra sofrer , uma sábia MULHER brasileira declarou.
CUIDEM UNS DOS OUTROS porque não está nada fácil lutar ATÉ ENLOUQUECIDAMENTE contra tanta barbárie. 
Humanidade tá enfraquecida...
Que a "economia" seja salva para que AS VIDAS PERDIDAS possam ser SACRIFICADAS nesse holocausto brasileiro de pandemia.
Não está fácil sentir a dor de tanta gente e permanecer sendo chamada de "egoísta" porque não passa fome.
Ser obrigado a escolher entre passar fome e estar vivo NUNCA DEVERIA SER UMA ESCOLHA... isso já é CRUELDADE, injustiça,  INSANIDADE, sabe.
Que as nossas energias não sejam exauridas, que a gente permaneça SENTINDO, SOFRENDO,  tendo empatia. 
Ser insensível, anestesiado ao mal desse mundo contra todas as coisas viventes (natureza, animais, gente) É ESTAR um pouco desumano.
Eu prefiro perder sentindo, sendo humana, exageradamente humana...do que vencer com cemitérios repletos de amores da vida de tanta gente como  eu. 
Antes da Páscoa,  vimos com Jesus,  houve a MALDADE e a INJUSTIÇA.  Um homem foi crucificado mesmo sendo inocente,  entre dois homens que eram apenas ladrões. 
Estar entre "ladrões", para Jesus, era mesmo MELHOR do que entre RELIGIOSOS, POLÍTICOS,  RICOS e até entre amigos e familiares... porque HUMANIDADE é uma luta diária e dignidade não pode ser negociada, parcelada no cartão. 
Não quero ovos de chocolate...não há porque comemorar com o banquete.
Porque o banquete do amor NÃO ACONTECE enquanto há mortes constantes, sem nenhuma solução...
Isso é holocausto,  genocídio...
Eu não como nessa mesa e nem  desse pão.
Eu sou radical, meus amigos.
Sou radicalmente GENTE,  não tem um ser humano que não me seja parente.
O mundo chora a dor da gente...e eu sou oceano. Não tem ainda porque controlar meu luto. Que a maldade não se aproxime de mim, eu tenho um propósito em continuar viva para que não tirem amor por gente que carrego  comigo.
Ser amor incansavelmente.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Para muito além do que a pedagogia OPRESSORA, mas um suspeito...um olhar mesmo que visionário (embora velho já) para uma transformação da humanidade por meio de um educação TRANSFORMADORA

Fui professora efetiva  da rede estadual do Maranhão de 2016 até 2019. Profesora do Ensino Médio,  nos 3 anos, com português e redação.  
Minha forma de encarar o papel do professor na escola pública mudou completamente. 
Tivemos resultados sigbificativos em simulados estaduais, URE Zé Doca (IDH médio muito inferior à linha da pobreza ). Nesse caso, eu fui professora em uma sede municipal que fazia o suporte de ensino para POVOADOS, muitos com mais de 60km de distância em chão batido, outros com pontes para dar acesso em rios e até próximas a comunidades indígenas e quilombolas.
O que eu vi:
Alunos no 3° ano que sabiam ler MUITO POUCO, escrever COM MUITA dificuldade e tinham grande parte da família analfabeta.
Quando não havia merenda escolar, passávamos por isso durante alguns PERÍODOS,  até MESES, os alunos tinham um rendimento MUITO MENOR, isso porque a FALTA DE COMIDA é AINDA MAIS IMPORTANTE do que a falta de conteúdo, celular, computador, internet.
Não comer é muito mais grave do que não ter  nem dados móveis para celular, imagine internet BANDA LARGA.
Essa população foi atendida em mais de 75% da sua CARGA HORÁRIA letiva (remota ou híbrida) ano passado. 
Meus amigos professores que são apenas 25% efetivos, isto é,  TEM em sua maioria professores contratados (ganhando 1/3 do salário de um efetivo, sendo  isso mais ou menos R$1500 POR MÊS.   Esses professores fizeram trabalho remoto NO INTERIOR DE UM MARANHÃO sem qualidade de internet,  nem com fibra óptica. 
E os alunos tiveram prejuízos por causa das aulas, mas um pouco, o mínimo possível de alento com o vale alimentação que é MUITO POUCO para alimentar MUITAS VEZES uma família, porque o auxílio emergia do governo federal não chegou exatamente onde deveria porque há muita corrupção,  além de toda a desigualdade social ALIMENTADA pelo sistema genocida do atual irresponsável criminoso da República.
Por isso, o lugar dos alunos deveria ser sempre olhado também por nossa voz política de professores.
Sem o nosso olhar, o olhar da escola enquanto comunidade,  O REAL DIREITO constitucional da educação formal é uma farsa.
Assim que eu vejo.
Todo o apoio qualquer aluno meu, NA SEDUC do Pará,  terá.  Farei o que estiver AO MEU ALCANCE COMO PROFESSORA efetiva que sou, concursado para isso, para dar aos alunos O BÁSICO,  O MÍNIMO que depender de mim.
Assim que penso, porque a minha alimentação está ao menos garantida,  assim como minha saúde enquanto trabalho de casa. É o mínimo da minha parte que vai além do papel de um professor. É a minha ética como educadora em instituição pública nestes tempos DEVASTADORES para todos, mais ainda para aqueles que não tem sequer o básico que eu tenho.
Para mim, isso é romper com uma pedagogia do oprimido e,  ao mínimo mesmo, pensar em uma possibilidade de educação que transformadora e cidadã -  como foi defendido claramente por Paulo Freire, tanto em Pedagogia do oprimido (ou da OPRESSÃO) e "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa educar". Esse é  o mínimo mesmo. Nessa situação caótica,  pensar nos alunos que padecem muito mais com esse sistema esmagador de desigual é ética.

[26/3 23:09] Hilda: Se um aluno diz que o governo estadual é ruim por  causa do Lockdown,  a questão  não é política partidária ... A questão é maior
[26/3 23:10] Hilda: O Pará teve HOJE mais mortos do que UM PAÍS na América do Sul,  mesmo com lockdown
[26/3 23:12] Hilda: Se o aluno não tiver de algum modo a ciência de que o Lockdown está salvando a vida dele...e que ir trabalhar "pra poder comer" ou morrer é uma injustiça, uma DESUMANIDADE, ele nunca vai entender a importância da educação  de fato... DAR A DIGNIDADE do conhecimento formal e do reconhecimento, ao menos, da própria cidadania.
[26/3 23:14] Hilda: Esse aluno não está só  expondo o governo estadual...ele está falando do sistema, da educação que é prática e pensada por pessoas.  Minha pergunta é: para  quem é feita a educação pública no nosso país?
Essa pergunta ainda precisamos responder não com palavras...nem com planilhas (com certeza), embora isso seja uma exigência do Ministério Público,  porque se trata de um direito... temos que responder com prática.

quarta-feira, 24 de março de 2021

*À secretária de educação, gestores/as de escolas USES e URES*
Em assembleia geral do Sintepp realizada no dia 23 de março decidimos rechaçar o assédio extremo que alguns gestores vem praticando quanto às exigências da presença de professores na escola, cobrança de relatórios permanentes e em alguns casos da exigência de lançamento de média dos alunos a revelia da situação que nos encontramos, do tipo não fez trabalho lança nota zero.
Saibam todos que vivemos um momento difícil da pandemia e já perdemos inúmeros colegas para essa doença traiçoeira e se caso um de nós servidores venhamos a nos infectar, ou infectar outras pessoas por conta da pressão sofrida pelo superior no cargo isso pode levar inclusive a responsabilização individual pelo dano moral e material sofrido. 
A defesa da vida está em primeiro lugar, saibam que o contato social não ocorre apenas na escola, mas em todos os espaços da vida social e ficar em casa nesse momento é defender o direito de viver, por isso aprovamos coletivamente na assembleia que os relatórios devem ser entregues bimestralmente sem prejuízo dos alunos e da escola.
Atenciosamente.
Abel Ribeiro da Coordenação Jurídica do Sintepp

Carla Diaz e o patriarcado no BBB

Um pai
Eu:  eu te entendo porque conheço também o amor de pai que tens. Vi sempre a tua relação com os meninos ser muito forte. Por isso vou te explicar: não estamos priorizando na discussão ela ter de fato saído ou voltado, sabe. Estamos realmente dizendo que há MILHARES ou talvez MILHÕES de mulheres na MESMA situação que ela, o que é violência.  Ela não ter como perceber o tamanho do abismo em que esteve aprisionada é muito compreensível,  todos os relacionamentos tóxicos ou abusivos nos tornam reféns.  Ela estava,  concordo plenamente contigo, SEQUESTRADA de si. Ela tem o direito de ser devolvida a si mesma, à família e aos seus amigos  de verdade. O ensinamento que fica é: quantas vezes vemos relações ABUSIVAS com mulheres, principalmente,  e NADA FAZEMOS a não ser passar a mão na cabeça do abusador e condenar ela. Por isso  estamos repercutindo em rede nacional um: "acorda, mulher!". No fundo no fundo mesmo, temos a plena convicção ela é MUITO MAIS DO QUE ELE, não poderia estar sendo vista como "boba", "trouxa", "cega de amor", etc. Ela estava sendo sugada por um VAMPIRO EMOCIONAL. É isso. Muito obrigada por você se posicionar. Precisamos de muitos homens com atitudes severas contra outros homens abusivos. ❤❤❤❤❤❤❤❤❤😘❤
*À secretária de educação, gestores/as de escolas USES e URES*
Em assembleia geral do Sintepp realizada no dia 23 de março decidimos rechaçar o assédio extremo que alguns gestores vem praticando quanto às exigências da presença de professores na escola, cobrança de relatórios permanentes e em alguns casos da exigência de lançamento de média dos alunos a revelia da situação que nos encontramos, do tipo não fez trabalho lança nota zero.
Saibam todos que vivemos um momento difícil da pandemia e já perdemos inúmeros colegas para essa doença traiçoeira e se caso um de nós servidores venhamos a nos infectar, ou infectar outras pessoas por conta da pressão sofrida pelo superior no cargo isso pode levar inclusive a responsabilização individual pelo dano moral e material sofrido. 
A defesa da vida está em primeiro lugar, saibam que o contato social não ocorre apenas na escola, mas em todos os espaços da vida social e ficar em casa nesse momento é defender o direito de viver, por isso aprovamos coletivamente na assembleia que os relatórios devem ser entregues bimestralmente sem prejuízo dos alunos e da escola.
Atenciosamente.
Abel Ribeiro da Coordenação Jurídica do Sintepp

domingo, 21 de março de 2021

Uma história evangélica

Passei por um situação dramática em 2019. Eu estava em aula quando um aluno se aborreceu porque dei um exemplo de xenofobia a partir do trump (minúsculo que é). Então,  ele se alterou, foi agressivo e ofensivo verbalmente, por fim, saiu da sala batendo porta. No outro dia, eu soube que a mãe do dito cujo havia ido na escola para deixar o recado de que ele não veria mais as minhas aulas até que o pai dele chegasse de viagem e viesse "resolver" a situação comigo. Foi quando eu descobri que ele era filho do pastor estadunidense que havia chegado naquele interior do Maranhão para "ocupar" e "evangelizar" a cidade - em outras palavras, colonização.  Foi assim que mesmo  tendo família no seu país, fez família no Brasil e se tornou diretor em escola evangélica na capital, depois pastor nesse interior por muitas décadas. Respeitado por sua reputação e muito influente, o homem chegou na escola bastante "ofendido" com o fato de que eu havia sido "manipuladora", "doutrinadora", pois falava até palavrão em sala de aula e não estava capacitada para dar aula  - sou formada em letras, área do conhecimento que é afim de artes, disciplina que eu ministrava posto que nos rincões do Brasil o que se faz é o que há para fazer. Enquanto ele me difamava pelas costas para o meu coordenador que estava totalmente chocado com a situação deplorável que se apresentava. Eu simplesmente fui até a sala do coordenador apenas para dizer que havia passado do horário mais uma vez por uma questão específica com alunos que necessitavam da minha dedicação de modo mais direto. Quando abri a porta fui apresentada para ele. Ouvi o que ele tinha para dizer...mostrei minha aula, o assunto, a competência, disse que o filho dele havia faltado a primeira aula e chegou na segunda aula sem o exercício e ainda quis ter o direito de me ofender, mesmo sendo a autoridade instituída ali. Depois de dar uma aula de cristianismo pré-romano para ele na prática, falando sobre o gesto humilde de Jesus diante dos homens que queriam apedrejar uma mulher,  pedi que ele refletisse sobre a educação cristã doméstica que estava exemplificando, pois o filho dele não tinha humildade de primeiro ouvir e me chamar de modo comedido no corredor porque fez questão de me humilhar na frente de seus pares. Saí com um pedido de desculpa solene, com a certeza de que a LDB seria cumprida (já que o aluno tinha direito e os  pais o dever de mantê-lo em escolarização regular com frequência nas disciplinas propostas no nosso currículo) de modo que fiquei conhecida como a esquerdopata que silenciou o pastor por meio do evangelho.

quinta-feira, 18 de março de 2021

sensível demais...demasiado humanamente sensível

Hannah Arendt "As origens do totalitarismo ", uma descrição analítica da ditadura stalinista. Apesar do exército vermelho, isto é,  os soldados RUSSOS socialistas de Stalin terem vencido HITLER e o holocausto de judeus, como a própria Hannah Arendt - apesar de tudo isso -, um indiscutível processo de exame crítico da forma totalitarista soviética foi feita pela autora. Nesse breve dossiê político que a filósofa fez, ela afirma que o mais radical dos revolucionários,  um dia após a Revolução,  será um conservador (citação indireta,  uma paráfrase técnica). O que não consigo discordar. De fato, há entre o extremismo e o embrião da banalidade do mal uma linha tênue,  independente da ideologia que se carregue em bandeiras mais próximas ou não de um humanismo conveniente. De todo modo, ainda arrisco dizer, há que se celebrar vitórias aparentemente tímidas... Como disse Darcy Ribeiro, um humanista radical, jamais extremista,  eu fracassei, mas não estaria me sentindo vencedor no lugar  daqueles que ganharam nesse contexto. Ou como cantaria o passarinho Quintana...eles passarão, eu passarinho. Existe uma liberdade incorrigível na autonomia de um ser que se envolve em determinadas causas próprias de humanidade...uma delas, é a incapacidade de ser insensível às dores do mundo...poetas como Drummond e Adélia Prado  me representam sempre sobre isso. Para Lispector,  há alguns falta o "delicado essencial", que tiros não sejam classificados como dores seletivas...nenhuma dor humana é vitoriosa. Eu assim acredito.