segunda-feira, 15 de agosto de 2022

não sirvo a quem se quer fazer senhor de mim

Sabe o que é pior, na minha visão,  é a generalização.  É a fala da branquitude nele que faz do homem, no caso o padre, um ser universal.  Não há personalidade,  não se respeita a identidade étnica,  não existe princípio de ser humano em dignidade e diversidade. A catequese colonial que explorava, violava e impunha a "concepção " autoritária do mundo eurocêntrico está ofensivamente expressa nesse discurso,  que demonstra o racismo agudo e naturaliza a desumanização.  Não está na responsabilidade individual deste padre essa moral opressora. Está na fala histórica desse ser humano o princípio da manutenção do próprio aprisionamento,  sem a indignação emancipatória,  o que para mim é resultado direto de uma pedagogia da opressão,  em que um oprimido demonstra a lógica violenta do próprio opressor.  Para que uma humanidade seja comunalmente autônoma, ela precisa de uma busca incessante do questionamento da própria opressão,  o que é muitas vezes enlouquecedor. Dessa prática "religiosa ", eu também me abstenho. Dissido na contramão do que se pensa ser senhor.

domingo, 14 de agosto de 2022

entre ricos entre pobres entre sis

Ricos × pobres ?????
Não!
exploradores × trabalhadores = infelizmente,  não. 
exploradores + explorados × trabalhadores + pessoas desumanizadas = sim. E não "tá,  tudo bem"!

Onde o explorador, o opressor e o tirano se conjugam; nenhuma forma de humanidade permanece definida.
Hoje o trabalhador de ontem pode estar desumanizado. 
Entre os opressores, eles apenas mudam entre si de cargos.
Ser hoje trabalhador e querer, desejar meeeeeesmo, até idolatrar a "oportunidade" de virar mais um explorador não é "sonho", infelizmente é autoextermínio. Amanhã quem sabe onde esse sonho pode parar? O troféu não alimenta,  os aplausos não matam a sede de um tigre faminto, indomável. A história de "se tornar melhor" vira dogma, religião,  vício. Não existe um freio que impeça o próprio desamor.
Há quem chame de "delírio ", "loucura", "mal-estar", amargura...
Eu considero um perigo uma gente vivendo com seu próprio inimigo por dentro.
Muitas histórias nessa tragédia anunciada ouvimos, ouço e será ouvida.
É triste desistir de ser quem se é por delírio por causa do opressor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

quem eu sou? eu dissido

Quem eu sou?
Eu sou quem não foi, quem não irá e quem não fez trato algum.
Eu sou os meus "NÃOS ", os sins não em mim são senão outros, impostores, invasores, eu NÃOS. 
Eu sou se eu estava firme, se eu gritei, briguei e disse "me respeite".
Eu sou quando não peço "me aceite". Eu repito em meu peito um silencioso "NÃO ".
Se eu ri sem jeito, não estava ali.
Se eu morri de medo, eu sobrevivi.
Se eu caí e permaneci, eu estive. Não estou mais. Não me sabem lama, areia, pedra e ademais.
Não me suponha, é perda de tempo, se enxergue.
Não me imponha. Crie em si a vergonha de querer um controle remoto.
Não me procure. Quem me achou, nem sabe. 
Ao me olhar, cale.
Ao me tratar, desvie.
Ao me receber, estive.
Eu fui. E você passagem.
Eu caminho. O outro, em mim, miragem.
Deserto. (Desertar, não desistir, abandonar, partir)
Dissido. (Do verbo dissidir, do vocábulo dissidente, por essência dissidência)
Não me compare.
Não sou descritível.
Se achar que me conhece, repare.
Repare em si, eu - no seu espelho - sou invisível. 
Não busquei, não fui, nem falei.
Não me importei.
Não perguntei.
Não me enquadro.
Eu não caibo. 
E não pedi sua opinião. 
Em mim, quem eu não sou é dispensável. 
Imagina, em si.
Para que se quer sobre o outro o que não é nada nem a si?

domingo, 10 de julho de 2022

Há algo que você nunca poderá comprar em um relacionamento: Intimidade.
A intimidade de mesmo sem roupa sentir-se bem ao lado de alguém. A intimidade de se olhar no espelho e mesmo se sentindo feia ainda assim voltar para a cama e deitar ao lado de quem você gosta como se esse fosse o lugar mais seguro do mundo.

Vai dizer que já não aconteceu com você de sair com alguém que parece incrível e aí na hora de tirar a roupa veio toda aquela insegurança. Pois é, porque não importa o quanto a outra pessoa pareça incrível, a intimidade só vem quando você tem certeza que aquela pessoa consegue ver dentro de você.

Intimidade expõe os defeitos... e se o outro fica quando esses defeitos surgem isso significa o quanto essa pessoa realmente gosta de você.

Intimidade é o que torna o sexo incrível, é o que faz o tesão atingir seu máximo. Intimidade é o que faz você encostar a cabeça no peito da pessoa e sem precisar falar nada se sentir protegida.

Eu tenho pena de quem nunca sentiu isso e mais pena ainda de quem desperdiça isso. Sentir-se seguro com alguém e, mais do que isso, sentir que alguém se sente seguro com você... é a sensação mais incrível que existe quando se trata de relacionamento.

Intimidade traz cor aos dias cinzas, traz força para quando o mundo parece desabar, traz conforto quando a vida é dura demais com a gente.

Mas a intimidade você não pode comprar, não pode subornar com beleza, dinheiro, perfume e charme. Não, a intimidade é nua, ela é o que você é, não o que você quer parecer ser.

Intimidade. O elo mais forte de um casal. É quando baixamos o escudo e deixamos o coração exposto. Um golpe aí nos destrói, mas quando acontece a cumplicidade é a certeza de que aquelas duas pessoas finalmente se conhecem e amam.

sábado, 9 de julho de 2022

Depoimento a Lia Hama - Revista Piauí

Beatriz Matos

Conheci meu marido, Bruno Pereira, em 2010, quando ele era o coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Atalaia do Norte, no Amazonas, responsável pela Terra Indígena Vale do Javari. Eu já trabalhava no Vale do Javari desde 2005, mas naquela época morava no Rio de Janeiro, fazia doutorado e estava em viagem de campo a uma aldeia matsés da região. Conversamos rapidamente e gostei do sotaque pernambucano e do jeito debochado dele. Anos depois nos reencontramos e vivemos uma paixão avassaladora. Deixei para trás minha vida carioca e fui morar com ele num sítio perto do município de Atalaia do Norte.

Em 2016, nos mudamos para Belém do Pará porque eu havia passado no concurso para me tornar professora de Antropologia e Etnologia Indígena da Universidade Federal do Pará (UFPA). Fizemos a união estável e tivemos dois filhos: Pedro Uaqui, hoje prestes a completar 4 anos, e Luis Vissá, de 2. Enquanto eu dava aulas na universidade, Bruno realizava expedições periódicas para terras indígenas em Rondônia, Maranhão e Amazonas.

Foi um período intenso de formação dele com grandes sertanistas, como Rieli Franciscato e Altair Algayer. A floresta era o lugar onde Bruno se sentia mais à vontade. Ele queria aprender a fundo como monitorar a movimentação dos indígenas isolados, entender por onde eles andavam e de que forma os territórios deles estavam sendo invadidos. Aprendeu a falar a língua dos Matis, dos Matsés e um pouco da dos Kanamari. 

Sua dedicação à causa indígena era enorme. Era um comprometimento existencial dele. Bruno tinha uma personalidade forte, era bastante intransigente, o que muitas vezes causava atritos com colegas de trabalho. Para ele, a proteção do território indígena era algo inegociável, não havia concessões, e por isso às vezes acusava outros funcionários da Funai de serem “pelegos”. 

Mudamos para Brasília em 2018, quando ele assumiu a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai. Pedro tinha apenas 2 meses. Poucos indigenistas dessa geração conseguem fazer o que ele fazia: conjugar a experiência de mato dos sertanistas mais velhos com a habilidade administrativa de conhecer a máquina do Estado. À frente do CGIIRC, Bruno coordenou ações importantes junto com a Polícia Federal para desarticular a atividade de garimpo em terras indígenas. Foi quando ele começou a chamar a atenção dos garimpeiros ilegais. 

Quando conheci Bruno, ele já recebia ameaças de morte, mas houve uma escalada na violência após a entrada do governo do presidente Jair Bolsonaro. O recado do governo federal aos garimpeiros, madeireiros, pescadores e caçadores ilegais é claro: “Podem tocar o terror porque não vai acontecer nada com vocês.” Esses pescadores ilegais que confessaram a participação no assassinato do Bruno e do jornalista Dom Phillips são conhecidos há muito tempo na região. Não é de hoje que têm conflitos com os indígenas e a Funai. A novidade é a coragem para cometerem o crime em plena luz do dia, com várias testemunhas. Provavelmente acharam que seria mais um assassinato a ser esquecido. 

Em 2019, um parceiro do Bruno no combate à invasão das terras indígenas do Vale do Javari, o indigenista Maxciel Pereira do Santos, foi morto com dois tiros na cabeça. Ele estava com a filha na garupa da moto quando foi alvejado na avenida principal de Tabatinga (AM). A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) denunciou essa mesma turma do Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado [principal suspeito de ser o responsável pelas mortes de Bruno e Dom], ao Ministério Público Federal do Amazonas e nada aconteceu. 

Esses crimes bárbaros estão acontecendo em várias terras indígenas espalhadas pelo país. Todos os colegas que atuam nas regiões têm algum caso escabroso para contar. Em novembro de 2019, assassinaram Paulo Paulino Guajajara, uma das lideranças dos Guardiões da Floresta, grupo de indígenas que fazem a vigilância do território de etnias Guajajara, Kaapor e Awa-Guajá, no Maranhão. 

Bruno estava incomodando muita gente. No final de 2019, ele foi exonerado do cargo de coordenador dos povos isolados após uma grande operação junto à Polícia Federal que detonou balsas de garimpo ilegal no Vale do Javari. Ele então pediu uma licença não remunerada da Funai e passou a atuar como assessor da Univaja , pois avaliava ser inviável fazer um trabalho sério na Funai sob a gestão de Bolsonaro. Voltamos a morar em Belém. 

Fiquei com muita raiva quando disseram que Bruno estava numa “aventura” quando sofreu a emboscada. Ele não era nada irresponsável, pelo contrário, sempre foi muito cauteloso. Tinha porte de arma pelo menos desde 2015 por causa das ameaças. Dom estava escrevendo um livro sobre a Amazônia e Bruno foi levá-lo para entrevistar os ribeirinhos. Ele estava conversando com o pessoal das comunidades sobre as alternativas de manejo do pirarucu. Muitos pescadores mantêm diálogo com a Funai e os indígenas. É uma tarefa difícil porque a pesca ilegal e o tráfico de drogas rendem muito mais dinheiro do que o manejo. Minha impressão é de que, insuflada pelos discursos desse governo federal, a turma do Pelado quis impor outro regime: “Não vamos mais negociar. Agora quem manda aqui somos nós.” 

Eu estava com meus filhos em Belém quando recebi a notícia do desaparecimento de Bruno. No domingo (5/06) à noite, o Beto Marubo, da Univaja, me ligou: “Bia, o Bruno estava retornando de uma reunião, era para ter chegado a Atalaia por volta das nove da manhã e não chegou. Estamos com nossas equipes de busca atrás dele.” Levei um susto na hora, mas não fiquei desesperada porque conheço a região. Pode acontecer de a canoa alagar e a pessoa ficar pendurada numa árvore esperando por ajuda. Achei que fosse o caso do Bruno. 

A agonia foi crescendo conforme os dias foram passando e não havia sinal dos dois. Eu combinei com uma amiga que ela poderia ficar comigo e meus filhos em casa, caso acontecesse alguma coisa grave. Sou de Belo Horizonte e o Bruno era de Recife, então minha rede de apoio em Belém é formada apenas por amigos.

Mantive a esperança de encontrá-lo vivo até o último minuto, mas é claro que, à medida que os dias passavam, as chances diminuíam. Eu me apegava às histórias de outros sertanistas e lembrei do caso de um grupo que sobreviveu a uma queda de avião no Vale do Javari. A aeronave caiu na água e, dois dias depois do acidente, quando todos haviam sido dados como mortos, os indígenas encontraram os sobreviventes. Entre eles, havia uma grávida que deu à luz uma menina.

Fiquei em contato permanente com o Beto Marubo, da Univaja, e com o pessoal da OPI (Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), uma organização não governamental que o Bruno, eu e outros colegas fundamos em 2020. Quatro pessoas da OPI estavam acompanhando as buscas no local. Quando encontraram as mochilas com os objetos deles amarrados no fundo do rio ficou claro que o pior podia ter acontecido. Mandaram uma foto e reconheci a bermuda do Bruno e a carteirinha do plano de saúde dele. Foi avassalador. 

Esses dias de buscas foram uma loucura. Eu passava o tempo todo acompanhando o Twitter, as mensagens no WhatsApp, atualizando as páginas de notícias. Não dormi quase nada porque estava ansiosa demais. Na segunda-feira (13/6), li no Twitter que a embaixada brasileira em Londres havia avisado a família do Dom de que os corpos tinham sido encontrados. Senti taquicardia na hora, mas logo raciocinei: “Calma, pode ser que seja fake news.”

Eu estava certa de que receberia as notícias em primeira mão do pessoal da OPI e da Univaja. Liguei para a Carolina Santana, do OPI, e ela me falou: “Não é verdade, o pessoal continua com as buscas, não encontraram corpo nenhum.” Demoraram algumas horas até voltarem atrás e desmentirem a informação. 

Vivi uma montanha russa de emoções: do desespero à esperança, da tristeza à alegria, até que a notícia que eu mais temia chegou. Na quarta-feira (15/6), a Carolina Santana, do OPI, me ligou e disse: “Bia, recebi a notícia lá do pessoal no campo: encontraram os corpos.” A palavra corpos, na verdade, era um eufemismo, porque eles foram esquartejados e queimados. Encontraram os restos mortais deles. Mas a única coisa que eu conseguia pensar na hora era: “Tomara que o Bruno não tenha sofrido.” Fiquei aliviada quando soube que primeiro ele levou um tiro e já não estava vivo quando o resto da barbárie aconteceu. 

Não sei de onde tirei forças para enfrentar esse horror. Ao mesmo tempo em que eu tinha que lidar com os detalhes devastadores da tragédia, precisava tomar providências práticas, como ir ao dentista buscar a radiografia da arcada dentária do Bruno para comprovar que os restos mortais eram mesmo dele.  

A questão mais delicada era dar a notícia aos nossos filhos. Recebi uma orientação da minha psicanalista. Quando o Bruno não voltou, falei: “Papai teve um problema muito grande no trabalho, vamos ter que esperar porque ele está com dificuldade.” Eles perguntaram: “Mas o papai vai voltar?” Falei: “Não sei, mas temos que torcer para que sim. A mamãe está chateada, mas o papai é forte.” Quando recebi a confirmação da morte, expliquei: “O papai estava defendendo os indígenas e tinha um pessoal que queria invadir a terra deles. Aí teve uma briga e o papai não vai mais conseguir voltar.” Pedro, o mais velho, perguntou: “Mataram o papai?” Respondi: “Sim.” Luis, o caçula, questionou: “Mas atiraram nele?” Tive que contar a verdade. 

Elaborei então a parte espiritual: “Mas, olha, o papai vai estar sempre aqui com a gente, ele vai viver nos nossos corações.” Os dois ainda estão digerindo o que aconteceu. Em muitos momentos falam do pai, lembram do que fazia. Levei os dois para minha cidade natal, onde se distraem com as primas. Estou tentando preservá-los ao máximo do assédio de jornalistas. Não deixei que fossem ao velório do pai porque seriam alvo fácil das câmeras. 

Fiquei impressionada como povos indígenas de diferentes etnias tomaram para si a morte do Bruno. Recebi vídeos dos Matsés raspando o cabelo, algo que eles só fazem quando os parentes deles morrem. Vi homenagens dos Kanamari, dos Guarani e dos Kayapó. É como se dissessem: “Estão matando a gente e estão matando os nossos aliados.” Apesar de nunca terem atuado ao lado de Bruno, os Pankararu e os Xukuru foram homenageá-lo cantando suas músicas no velório em Recife. Foi emocionante ver esse reconhecimento porque ficou claro que a importância do Bruno extrapolou as fronteiras do Vale do Javari. 

Trabalho com os indígenas há anos e é muito raro receber esse tipo de reconhecimento. O mais comum é eles ficarem desconfiados: “Vocês são brancos e vieram roubar a nossa cultura. Querem ganhar dinheiro às nossas custas.” Para mim, a parte espiritual do Bruno está muito bem encaminhada. Eu realmente acredito que ele está comigo e com os meninos. Posso ouvi-lo dizer no meu ouvido: “Ô, Beatriz, se liga, para de chorar. Vai em frente, que você é forte.” 

Bruno seguia os rituais xamânicos e tomava ayahuasca com os indígenas. No vídeo que viralizou, ele canta uma música que é de iniciação dos pajés Kanamari. Fala sobre a árvore da ayahuasca que dá sua seiva aos pajés, assim como a arara dá comida na boca dos filhotes. Bruno cantava essa música para os meninos dormirem. Quando os Kanamari explicaram a canção à imprensa, eles fizeram uma metáfora com o Bruno: “Assim como a arara alimenta os filhotes, o Bruno também nos alimentava.” Os indígenas dizem que ele virou um encantado, um espírito protetor da floresta. 

Quando a morte foi confirmada, o ex-presidente Lula me ligou para prestar condolências. Disse que quer se encontrar comigo quando for a Belém. Já de Bolsonaro não recebi ligação nenhuma. Pelo contrário: ele realizou uma motociata em Belém dois dias depois de encontrarem os corpos de Bruno e Dom. No velório em Recife havia representantes dos governos estadual e municipal, mas ninguém da esfera federal.  

Eu desejo que os assassinos sejam presos e paguem pelo que fizeram, mas, mais fundamental do que isso, é evitar que crimes como esses se repitam. O mais importante é que seja possível voltar a transitar com segurança pelos rios do Vale do Javari, que os servidores da Funai tenham condições de trabalhar de verdade na região, que os povos indígenas possam viver sem a ameaça de invasão e destruição de seus territórios. Ali é o meu local de trabalho e quero poder voltar lá com meus filhos para que conheçam o local onde o pai deles atuava. 

Eu comparo a morte de Bruno ao assassinato do seringueiro e sindicalista Chico Mendes e da missionária americana Dorothy Stang. Ambos foram assassinados por defenderem a preservação da floresta amazônica e dos povos que vivem nela. Que a comoção provocada pelas mortes de Bruno e Dom sirva para melhorar as condições de vida dessas pessoas e de seus aliados. Nada trará o Bruno de volta, mas espero que sua morte não tenha sido em vão.

terça-feira, 17 de maio de 2022

abstinência - livro de Marina Félix

Ele não vai te entender, desiste.
Não vai te abraçar domingo pela manhã 
Ficar com você na cama...
Não. Ele não sabe nada de você. 
Não te enxergou todo esse tempo. 
Não gosta do sabor do seu beijo
Nem dos seus vícios...
Ele não vai te entender, desiste. 
Ele amou todas elas, menos você.
Sua mania de mexer no cabelo quando está com sono, ele não sabe. 
Não te levou pra passeios no parque 
Não perguntou como foi seu dia
Então por que você fica? 
Ele não sabe sua cor favorita 
Ele nunca te escreveu uma poesia. 
Ele te acha louca, desequilibrada 
Pensa que você além de gostar dele, gosta só de cachaça
Ele não vai te entender, desiste.
Ele nada sabe do seu sofrimento 
Nunca perguntou dos seus arrependimentos 
Ele não liga para suas histórias
Por que você não deixa logo ele ir embora? 
Não chora.
Ele não vai te abraçar quando você sentir medo 
Ele não sabe como você se olha no espelho
Ele não vai te entender, desiste.
Ele nunca viu constelações inteiras nas suas pintas do pescoço
Nunca viu o amor que você transborda na hora do gozo
Nunca sequer te viu, mesmo te olhando no olho.
Não chora! 
Seja forte! Deixa ele ir embora.
Se despede!
Ele nunca vai cuidar quando você estiver com febre
Esquece.  
Ele nunca te deu um livro 
Nunca foi de verdade seu amigo
Ele não vai te entender, desiste.
Não insiste.
Deixa uns recados pela casa 
Que quando ele fala das outras isso te mata 
E que ele diz que você é ingrata.
Ele não sabe de nada.
Não reparou que você mudou o cabelo
Não te elogia nem nos seus dias mais vermelhos 
Ele te nega beijo. 
Ele não liga que você chora
Não pensa duas vezes antes de ir embora 
Mas ele sempre volta. 
Por que? 
Não ajuda não ele a responder. 
Você nunca vai se entender. 
Mas pelo menos, insiste! 
Dele? Desiste. 
(aliás...minha cor favorita é verde).

Poema do meu livro Abstinência 
Para comprar meus livros no site 
www.marianafelix.com.br

sábado, 14 de maio de 2022

dinâmica de espelho

Quando eu olho pro meu desejo, desvio o sentido 
Eu não quero vê-lo assim tão cru, tão nu, tão bruto
Revesto o que não domino
Eu busco ao revesti-lo distrair o motivo
Traio meu próprio desejo
Fantasio o meu objeto de medo
Me assusto
Me afasto
Me largo
Eu lhe deixo... pai
Eu queria o que não vejo
Queria o que não tenho
Não é meu
Não posso prendê-lo
Ele se foi, eu não o vejo mais 
Debaixo do revestimento, o que jaz?
Pra onde foi?
Eu estou atrás? 
As respostas que persigo
São velozes e vou no outro sentido 
Lento
Leio
Tiro a roupa
Apareço 
Olho
No espelho 
O nu do espelho 
Eu me fecho
Não posso ver
Mas quero ser
Eu mesma no espelho que atravesso
Por desejo
Por sentir tanto
Por querer mesmo
Por mim

terça-feira, 10 de maio de 2022

Vaca profana, a democracia cambaleante, o brasil minúsculo e o contraditório pedagógico em ano eleitoral

Meu posicionamento sobre o conflito entre os discursos mais inconciliáveis e o atual programa de lançamento da pré-candidatura de Lula para presidente é muito favorável à crítica cirúrgica e URGENTE proposta por Rita Von Hunty - como símbolo de uma frente crescente na esquerda brasileira: muuuuuitos, que vemos com um pé  e mais atrás o chuchu,  vulgo alckmin (minúsculo que é para mim).
Não cancelo Rita, nem Jones Manuel, nem muitos companheiros do lado esquerdo da força porque fui eleitora do PSTU desde o meu primeiro voto aos 17 anos, era 2004. Meu primeiro voto em Lula foi no 2° turno, pois no 1° turno daquele 2006 Heloisa Helena chegava com o PSOl. MEU 1° VOTO FOI EM UMA CANDIDATA À PRESIDENTA. Não tenho arrependimento sobre aquele momento. 
Sigo compreendendo a necessidade do DEBATE DEMOCRÁTICO  mais periférico o possível,  mais das minorias, mais ABOLICIONISTA,  mais ANTIRRACISTA, mais FEMINISTA, mais muuuuito mais mesmo em favor da vida dos povos originários e das comunidades tradicionais,  mais ao NORTE, mais da gente...eu sei que parece utópico, mas eu realmente aposto em se MOTIVAR A ANÁLISE CRÍTICA para melhorar e muito o que for de educacional na campanha eleitoral de 2022.
Apesar de tudo o mais...e - SOBRETUDO - quero poder votar em LULA, logo no 1° turno, porque o fascismo anda escancarado e nenhuma humanidade está ilesa.
Apenas, não tiro o direito de quem quiser criticar o que for para melhorar esse projeto de um novo mandato de Luis Inácio Lula da Silva como presidente para o Brasil mais uma vez. É um pedido mesmo de socorro pela democracia e pela soberania do nosso país. 
"Mas eu também sei ser careta.
De perto ninguém é normal. 
Às vezes,  segue em linha reta
A vida, que é 'meu bem, meu mal' 
(...)
Deusa de assombrosas tetas,  
Gotas de leite bom na minha cara,
Chuva do mesmo bom sobre os caretas" - Vaca profana, Caetano Veloso
Pra não esquecer do contraditório,  sem ser blef,  afinal os non sense é que seguem o som de um homem só.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

família patriarcal e a exploração do trabalho executado em casa POR MULHER

Geralmente,  as mulheres da família tradicional,  família patriarcal (dispositivo de violência simbólica de gênero) , SÃO OBRIGADAS A FAZER AS TAREFAS DOMÉSTICAS, o que é UMA PRISÃO violenta para uma vida.
Não se trata de dizer que as tarefas domésticas sejam por si mesmas escravizantes, violentadores ou sacrificantes. Não é isso! Mesmo porque QUALQUER ADULTO FUNCIONAL, ou jovem, ou adolescente (até mesmo crianças e idosos) podem fazer isso de acordo com uma distribuição equitativa e bem distribuída a fim de que uma casa seja o lugar de DESCANSO, SOSSEGO, AFETO e ACONCHEGO para os moradores.
Entretanto,  são,  SOBRETUDO,  as mulheres obrigadas, isto é,  COMPULSORIAMENTE incumbidas desse FARDO - que se torna até a escravização,  a exploração,  o aprisionamento dessa subjetividade e dessa pessoa. Esse trabalho se torna INVISÍVEL,  ou melhor dizendo, se faz invisibilizado para que a exploração possa ser perpétua. Muitas são as mulheres que se tornam subalternizadas, submissas, escravizadas e prisioneiras de um cotidiano exaustivo, exauridor e potentemente patológico. Essa violência patriarcal gera sofrimento contínuo,  dores, angústias e prostração. 
A família patriarcal é o meio pelo qual essa violência de gênero FUNCIONA. É, em casa, no seio da família que essa forma de exploração acontece.  Não tem repercussão pública,  por se tratar de um padrão de exploração de mulheres NATURALIZADO. Por exemplo, quando a mãe cuida de TUDO dentro de casa enquanto marido e filhos podem ter seus planos, sonhos, projeto e objetivos traçados,  executados e vivenciados.  Nesse mesmo momento,  a vida dessa mulher está PRESA nos tentáculos de um "amor" em forma de trabalho doméstico NÃO REMUNERADO,  NÃO RECONHECIDO,  NÃO MOSTRADO E MUUUUUUUITO MENOS VALORIZADO,  isso porque a demonstração pública dessa violência deixaria a família fragilizada enquanto "lugar de amor", "lar" e "refúgio", sendo na realidade lugar de exploração,  subalternização, submissão,  escravização  e subordinação de mulher.
Muitas vezes, a mentalidade (aparentemente ingênuo) de que uma mãe TEM QUE CUIDAR DA FAMÍLIA,  DA CASA, DOS FILHOS, DE TODOS E DE TUDO é o motor, a principal engrenagem, o dispositivo VIOLENTO e colonizador contra as mulheres. Consequentemente,  a mulher que é OBRIGADA  a ficar com o "trabalho doméstico" se torna esvaziada de sua VONTADE, de seus próprios planos, de seus objetivos e de sua própria vida que passa a ser ALIENADA e dolorosamente dependente do que os outros querem, precisam, exigem e demandam. Ela deixa de ser mais uma pessoa da casa e se torna COISA DE TODOS, como uma máquina mantenedora da rotina para que as outras pessoas da casa possam ter suas vidas funcionando socialmente.  Essas mulheres deixam de existir no espaço público e político,  passando a serem enclausuradas e até prisioneiras de um patriarcado SENHOR, SEVERO e DONO da própria vivência delas.
A família tradicional é o patriarcado mais CRUEL que uma mulher conhece, pois seus mando e desmandos são TIRÂNICOS, como em uma ditadura silenciosa a esmagar a liberdade de ser, de estar e de viver dela. Essa violação apelidada de "amor incondicional", de "cuidado materno", é uma violação brutal da própria dignidade e da existência da pessoa, sobretudo, da mulher doméstica ou "mãe " a "rainha" ou seria melhor definir "escrava do lar", a "serva da família ". Todo cuidado é pouco quando se mexe no centro substancial da falácia do "amor familiar".

segunda-feira, 4 de abril de 2022

minimalista desde que me reconheci

Eu tenho um excesso de mim...é como me sinto. Então,  desde criança - vinda de uma família ribeirinha (interior do Pará) - convivi com as mínimas certezas, com simplicidade e muitos valores de espírito.  Era preciso ser de dentro pra fora... e na busca de esvaziar-me dos excessos de mim mesma, procuro limpar os outros sentidos: visão menos cheia de estímulos,  paladar mais sensato, olfato limpo e orientado paraba natureza, audição afinada e econômica, por fim, um tato que não anseia mais do que equilíbrio na temperatura,  nos apegos e no que se referir. Eu sou de fato assim e hoje me lapido tanto mais aos 34 anos completos.

domingo, 20 de março de 2022

não há uma só verdade feminista...a branquitude não consegue se governar

Eu não gosto da interpretação que fazem dos livros da Clarissa. Gosto demais do estilo poético dela. Sou professora de Língua Portuguesa, Literatura, Arte, Redação. Estudo um pouco de antropologia, filosofia, historigrafia (feminista), feminismos, psicanálise e literatura feminista, marxista, negra e dissidente. Aprendi muito que os comentários, as leituras mesmo, as interpretações (às vezes um tanto equivocadas mesmo) são fruto de uma falta de leitura própria sobre os livros sabe. Sobre como quando falam de Freire, só por falar, só para descredibilizar mesmo. Eu acho ruim isso. A Clarissa é de origem russa e por isso se tornou pesquisadora das narrativas ancestrais da sua ascendência familiar. A família dela foi morar nos Estados Unidos e, mesmo assim, havia quem se opusesse ao agressivo processo de aculturação tão caro aos supremacistas do racismo estadunidense, a maioria até dos intelectuais (até Zygmunt Bauman e Chommysk). Então, li "Ciranda das mulheres sábias" como quem sentava ao lado de uma irmã mais velha ou uma vizinha mais velha e seguia ao alento do tempo. É um bálsamo, sabe. Tenho muitas leituras duras, aflitivas e cheias de dororidade. Ler Clarissa me colocou em um colo e me ninou. Eu sosseguei. Há quem distorça, por exemplo, "Mulheres que correm com os lobos". O que para mim é uma agressividade desleal de leitor ruim mesmo. Dizer por exemplo que ali se tem "arquétipos universais" ou tipos generalizantes de gente é de uma superficialidade que parece um resumo ruim de internet. É uma pesquisa tão autobiográfica, porque se trata de narrativas genealógicas de uma ascendência quase siberiana. Por isso os lobos, por isso os fantasmas azuis, por isso a selvagem mulher ser em si uma mulher de um lugar primitivo, mítico mesmo e elementar para a própria autora. Chega a ser parecido com ler narrativas lendárias ameríndios e amazônicas. Ou ouvir minha mãe (ribeirinha, população tradicional no Pará) falar das histórias que ela ouvia quando criança. Me vejo olhar as margens de rios de águas escuras e serenas, cheias de verdades escondidas sobre a mulher tão profunda que me habita em algum lugar clandestino da mente perdida. Então, me desculpe se eu estou sendo chata ou inconveniente, não se pode culpar a autora pelo uso distorcido, pela interpretação apressada e pela justificativa injusta de quem leu para se alienar.

o Brasil que anda de sandália.

Enquanto a cenoura estava R$15kg no Preço Baixo (atacado), decidi ir à feira. Andei mais, sorri mais e até planejei mais. Chegando nas barracas, os preços mais em conta, as falas mais sensatas, comprei fruta, carne e goma pro cafezinho. Disse muitos "muito obrigada" e pensei: dessa gente, como eu, em que trabalho é compulsório e não tem o respeito do governo elitizado e predatório, é daqui que vou comer, daqui que vou tirar forças. Estava entre os meus, sabe. Entre gente como eu. Sandálias, vento, chuvisco e trabalho no rosto e sangue. E uma vontade imensa de não desistir de si. É um desabafo sobre a vida cotidiana que deveria retribuir aos verdadeiros construtores do hoje, de ontens e de sempres. Sem a nossa humanidade, nem um Brasil seria possível. É do chão de trabalho no asfalto que precisa sair o governo. O Brasil precisa saber quem de fato ergue o amanhã no peito.

segunda-feira, 7 de março de 2022

dissidência 8M

Poema “Dissidência ou a arte de dissidiar”, de Mauro Iasi

Dissidência ou a arte de dissidiar

“Há hora de somar

E hora de dividir.

Há tempo de esperar

E tempo de decidir.

Tempos de resistir.

Tempos de explodir.

Tempo de criar asas, romper as cascas

Porque é tempo de partir.

Partir partido,

Parir futuros,

Partilhar amanheceres

Há tanto tempo esquecidos.

Lá no passado tínhamos um futuro

Lá no futuro tem um presente

Pronto pra nascer

Só esperando você se decidir.

Porque são tempos de decidir,

Dissidiar, dissuadir,

Tempos de dizer

Que não são tempos de esperar

Tempos de dizer:

Não mais em nosso nome!

Se não pode se vestir com nossos sonhos

Não fale em nosso nome.

Não mais construir casas

Para que os ricos morem.

Não mais fazer o pão

Que o explorador come.

Não mais em nosso nome!

Não mais nosso suor, o teu descanso.

Não mais nosso sangue, tua vida.

Não mais nossa miséria, tua riqueza.

Tempos de dizer

Que não são tempos de calar

Diante da injustiça e da mentira.

É tempo de lutar

É tempo de festa, tempo de cantar

As velhas canções e as que ainda vamos inventar.

Tempos de criar, tempos de escolher.

Tempos de plantar os tempos que iremos colher.

É tempo de dar nome aos bois,

De levantar a cabeça

Acima da boiada,

Porque é tempo de tudo ou nada.

É tempo de rebeldia.

São tempos de rebelião.

É tempo de dissidência.

Já é tempo dos corações pularem fora do peito

Em passeata, em multidão

Porque é tempo de dissidência

É tempo de revolução.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

democracia é o que em 2022... infortúnio

Fazer de Putin um Sanddam Hussein é o velho modus operandi de uma agressiva guerra contra soberanias antiamericanas (leia-se contra a política brutal características dos E.U.A.).
Golpes na América do Sul, patrocínio de exploração brutal contras diversas populações na África, incluindo a situação etnocida na Palestina...entre tantas outras ações diretas da "maior democracia" do mundo.
 E eu pergunto: o que é democracia nessa cultura?
Por que essa mesma história de "América salvadora" contra os ditadores do Oriente continua fazendo sentido?
Depois que a Ucrânia estiver arrasada, a pátria salvadora vai lá "reconstruir" as ruínas???? Mais uma vez isso????
O território de uma nação é a sua soberania. Nem a Ucrânia, nem a Rússia e nem um outro país no mundo parece estar com a sua SOBERANIA, seu território, realmente garantido e devidamente protegido porque existe um país que sempre quer anexar mais e mais países ao seu domínio...e isso é colonialismo. Colonialismo desde o século XVI até hoje destruindo a humanidade de quem for somente a fim de demonstrar poder.
Em resumo: a humanidade da gente não tem qualquer valor para os governos coloniais que esmagam comunidades como se fossem papéis em suas mãos e jogam no lixo.
A guerra demonstra que a humanidade é frágil demais diante da luta por domínio. Infelizmente, essa também não é nenhuma verdade nova. Qualquer registro histórico nos mostra que muitos morrem para que poucos se sintam superiores.
Nenhuma guerra deveria existir, mas a luta contra o colonialismo tardio (necropolítico) é suficientemente necessária e o motivo é a própria humanidade a resistir.

O caso Ucrânia e o complexo industrial-prisional

Esclarecendo a determinante ação do governo de Biden no GENOCÍDIO que se verá a partir dos "conflitos" na Ucrânia:
A nossa impressa apóia o complexo industrial de encarceramento - mais conhecido como Complexo Industrial-prisional G4S a multinacional mais ativa pelo mundo nesse contexto- (indústria de armas e de fabricação de prisões privadas pelo mundo) que é a base dos conflitos, que é uma organização genuinamente americana e que faz vítimas no mundo inteiro com guerras televisionadas ou não, eu fiz questão de destacar Biden, pois ele será escondido nas narrativas da mídia COMPRADA PRA FAZER UM VILÃO - quando a morte e a prisão de milhares pelo mundo é LUCRATIVA em especial para governos como o de Biden, o genocida sujo e covarde.

A proposta de um governo cunhado de "democrático", proveniente de um partido que responde pelo pseudônimo de "democrata", me fez focar tudo no nome desse genocida. Biden é de uma branquitude mortal. Ele e seu governo com uma equipe feroz fizeram questão de provocar a Rússia espremendo a Ucrânia dentro da OTAN com um único objetivo: guerra. 

Ele quer demonstrar que tem armas, que tem muito "poder" sobre o mundo a fim de buscar "melhorar" a opinião mundial sobre o seu governo - desde a saída brutal do Afeganistão, deixando a terra arrasada. Por isso, o papel de Biden nesse caso é o mais grave. E ele vai dar declarações se dizendo contrário ao conflito porque ser um mentiroso miserável sequer arranha a "imagem de bom branco" que ele vai querer vender por aí, enquanto a imprensa brasileira SUJA irá comprar.

Se chamam Putin de ditador, beligerante e intransigente...ao Biden deve-se a identidade histórica de genocida. Sequer eu preciso falar de Putin, porque a indústria bélica que patrocina a imprensa instrumento esclarecido de necropolítica e da morte, vai fazer isso. Eu quero deixar claro quem é o assassino que está escondido na propagação da palavra "Putin" e da nacionalidade russa. Biden além de covarde é protegido. 

Biden merece um tribunal para investigar quais foram as suas reais investidas institucionais para esse genocídio. 

Por isso, fiz questão de deixar essa única narrativa fora total da curva mesmo... Biden é um genocida protegido atrás de uma fantasia suja de "democrata". Um verme para a democracia ocidental, tal qual Bush. Merece retornar para a escória de onde nunca deveria ter saído.


Biden, atual presidente dos EUA, é o assassino da população ucraniana, acreditem. Assume o GENOCÍDIO da população na Ucrânia a fim de tentar "melhorar" a autoestima do seu governo que só demonstra quão desastrosa é a dominação imposta aos povos por parte de países financiados pelo complexo industrial de encarceramento.
Saibam, existem muitas indústrias de armas francamente lucrando com prisões em massa, com guerras aleatórias, com a motivação de armar a população civil (ou seria civícola?).
Biden hoje acorda com sangue de mais inocentes em sua cara branca lavada...
Uma branquitude acostumada a ver mortes e dizimação como naturais.
Biden é o culpado direto pela morte da população ucraniana, acreditem.
O motivo: recuperar alguma opinião eleitoral no seu curral mascarado de democracia sendo apenas a América da morte.
O mundo deveria banir esses covardes para sempre.
#bidenassassino
#BidenGenocida

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

luto por causa de macho e outras baboseiras do romantismo tardio (séc 19) que insiste em permanecer na fantasia do heteropatriarcado escroto

A tristeza é sempre legítima, ao que não sequer precisamos salientar, afinal a sua MARAVILHOSA POSTAGEM É EXATAMENTE SOBRE AUTONOMIA AFETIVA DE MULHER, o que tanto me orgulha, mana. Saiba que aquelas pessoas "preocupadas" com sua alegria ou desprazer precisam mesmo É DE IR ATÉ SEUS PRÓPRIOS ESPELHOS, como você disse de modo tão autêntico, tão genuíno: você tem mais o que FAZER. Mulher é sinônimo de projeto, propósito, carreira e estudos. Mulher é sinônimo de TRABALHO, SIM! REMUNERADO SIM! Mulher não é "sentimentalismo" burguês, romantizado desde o século XIX no romantismo tardio que vive "ressentido" de ser fantasia de macho pra nós. Rasgue, mana. Destrua essa fantasia de cólera investida em ti. Esse dispositivo amoroso só quer te ver PARAR. Quer te distrair. Olha por si mesma e por tantas que nem voz, nem vez possuem. Caíram ontem, vão cair hoje e cairão amanhã mortas em estatísticas dos feminicídios tão característicos desse país, que nos mata DENTRO DE CASA. REAGE MESMO. Com ou sem croped, lança-se. Choca essa gente medíocre. Se mulher, está perdida no oceano heteronormativo. Se não, está espreitando seu caminho nesse hostil deserto de afeto real do heteropatriarcado. Deixa as mulheres na frente do fronte te inspirarem. Puxa a Angela Davis, a Grada Quilomba, a Djamila, a Gerda, a Federici, a Virgínia Woolf, a Hilda Hilst, a Lélia Gonzalez, a Conceição Evaristo e vai pelo mundo amada. Se ama. Se cuida. Se defende. No mais, é isso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

um ponto sísmico na fala do patriarcado que se propõe "democracia"...mas é violência contra um mundo de humanidade real

Nem acredito que seja uma radicalidade (no sentido ético mesmo) comunista que seja essencial para a revolução que o Brasil precisa, sabe. Não sou historiadora, nem estudiosa política, apenas uma pessoa com uma opinião, que considero analítica inclusive do ponto de vista feminista, como me proponho. Defendo que seja necessária uma formação contínua na própria instrução política básica que é a dos movimentos sociais. Isto é, que os movimentos com suas mais diversas propulsões sociais se invistam de popularidade para capilarizar emancipação. Para mim, como nas Américas se percebe -  através das formas de representações políticas institucionais que são fatos nesses 50 anos, do fim do século XX para a nossa atual situação - representação tecnocrática com mofo, rinite e distanciamento da população, em especial periférica e mais subrepresentada, não pode ser nem referência de "social democracia" - ao menos, não vejo assim para a América no hemisfério Sul, ou que ascende significativamente da África e de ameríndios, entre outras POPULAÇÕES originárias. Não há representação democrática que ignore as demandas antropológicas históricas e, por isso, reais. Ciro não tem nenhuma cara na democracia fluente da gente. Então, se pensarmos em uma "social democracia" que apelide movimento social de "identitarismo", saímos da democracia para a taxiologia política instrumental da tecnocracia aos moldes do início do século XX... pré-Guerra Fria. Honestamente, o discurso que Ciro inflama é a voz distante da gente que ele defende, com o distanciamento evidente de interesses públicos que surgem com ele, por ele e na objetividade e concisão clássicas de quem apenas discursa sem essência de diálogo. Uma péssima mistura de "voz grossa" e "testosterona", exalando tudo que se indispõe ao democrático no cenário mundial.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

de blef em blef o dispositivo de gênero mata mais mulher do que supõe a vã história do sexo famosinha

Dividir a conta do motel NÃO TEM NAAAAAAADA A VER COM A EMANCIPAÇÃO FEMININA, querida pesquisadora... Seus anos de intencionalidade na pesquisa sobre história da sexualidade AINDA NÃO LHE MOSTRARAM QUE A CONTA DA paternidade quem paga são as mães? A conta da pressão estética quem paga NÃO É A CLIENTELA mas a imensidão de mulheres NAS FARMÁCIAS em busca de psicofármacos? A conta da maternidade QUE É A PRÓPRIA VIDA DA MULHER QUEM PAGA É A EXPLORAÇÃO DO TRABALHO que é funcionamento das mulheres na sociedade e do controle de seus corpos!!!! Sabe o que está lhe faltando são OUTRAS LEITURAS, sugiro NA ORDEM:
- GERDA LERNER, a criação do patriarcado
- VIRGÍNIA WOOLF, Um teto todo seu
- SILVIA FEDERICI, Calibã e a bruxa
- AUDRE LORDE, Irmã outsider
- ANGELA DAVIS, A liberdade é uma luta contínua
- GRADA KILOMBA, Memórias de plantação...

O que a senhora diz nesse blef não é opinião e nem atitude... é uma vergonha sem qualquer endosso CIENTÍFICO... que o ano novo lhe traga mais vergonha na cara...e mande o Freud ir pro inferno

domingo, 5 de dezembro de 2021

os caras vagabundos que sentam na costa das mulheres

Eu conheço 3 mulheres com esta mesmíssima história:
Conheceram um cara maravilhoso e foram morar com eles (há variações que não mudam o enredo: um já tinha 2 filhos, um de cada ex; uma das minas foi morar junto sem casar, outra noivou e casou no papel antes). O fato é que: os caras nunca curtiram muito trabalhar. 
Todas essas minas tiveram ume filhe com seus respectivos caras maravilhosos. Invariavelmente todas acharam que eles iriam tomar jeito, arrumar empregos, dar um jeito na vida, e que isto não tinha acontecido antes porque as ex deles eram loucas ou porque eles AINDA não tinham amadurecido, o que iria acontecer agora. Pois bem, invariavelmente nenhum arrumou emprego ou renda fixa. Invarialmente todas sustentaram estes sujeitos por muitos anos (uma por 5 anos, outra por 7 e outra por 4), além de sustentarem sues própries filhes e trabalhar e enlouquecer. E bem, todas finalmente e felizmente deixaram os caras.
Adivinha o que acontece depois? Sim, todos eles arrumaram outras mulheres, que provavelmente vão sustentá-los por alguns anos antes de entenderem que são uns embustes e que nenhuma carência vale ser preenchida com alguém que vai sugar seus recursos financeiros, emocionais ou materiais (às vezes todos estes juntos). 

Daí que uma amiga já na casa dos 30 e tantos desabafou comigo um problema: o pai dela, já bem idoso, que estava casado com a madrasta dela foi chutado de casa e não tinha onde ficar, ela estava com medo de ter que sustentar o cara. Motivo: nunca trabalhou e estava velho e folgado demais. Enfim, direito da madrasta se cansar, certo? Eu diria que ela aguentou bastante: 20 anos sustentando o cara. E ele ainda disse "não sei o que eu fiz pra merecer isso". Oras, não foi o que fez, foi o que NÃO fez: trabalhar. Resultado: ele foi morar num dos imóveis cedidos pela irmã, que também passou a dar uma mesada pra ele. A última vez que tive notícias soube que ele estava reclamando que a irmã não pagava uma empregada doméstica.

Entenderam a moral da história, mulheres do meu face? São várias: 1) Eles são vagabundos, irresponsáveis, parasitas e sanguessugas e nunca vão mudar porque sempre vai ter uma mulher estável e carente ou com culpa cristã suficiente para carregá-los nas costas;
2) Parem de minimizar ou passar pano! "Ah, coitados, precisam de terapia." "Ah, coitados a ex era louca, eles vão encontrar o rumo." "Ah, coitados, é o desemprego no Brasil". Não, não são coitados, são parasitas; escolheram um estilo de vida: se pendurar nas mulheres com quem se relacionam;
3) Golpe da barriga deveria se chamar Golpe do "sou vasectomizado", Golpe do "eu broxo com camisinha" (insira um golpe MASCULINO aqui). Nunca que uma mulher ganha nada tendo filho. Nunca;
4) Quanto antes desconstruir a ideia de família tradicional, melhor. Não te falta nada se não tiver um homem, mulher! Bora aprender a dar vazão às nossas carências sem precisar de homem. Mesmo que você seja hétero! Tem gente que passa a vida toda com pouco acesso a dinheiro, à água, por que você acha que não vai viver sem homem? Não deixa a carência te meter numa furada!
5) Pra parar por aqui: identificou o perfil no teu boy? Ele tá passando mais tempo na tua casa que na casa dele sem pagar no mínimo metade das contas? Tem um perfil dependente, cachorro que caiu da mudança? Um dia esqueceu uma escova e agora já tem uma gaveta só pra ele sem definirem os termos? PULA FORA enquanto é tempo e pára de ser trouxa, porra! Se você está namorando um cara e ele não tem emprego, não tem casa, não se sinta na obrigação de ajudar! Ele não é seu filho, você não tem que adotá-lo. Tem muitas formas de uma relação ser abusiva: não é só traição ou violência. Se a relação tá pesando nas tuas costas precisa refletir!

Tô editando porque lembrei de mais duas morais pra essa história:

6)Eles NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA irão mudar. Não se iluda.

7) Esse tipo de embuste está tanto na direita quanto na esquerda. Nada mais parecido com um machista de direita que um machista de esquerda. ok? PEGA ESSA VISÃO.

MISOGINIA como forma de subjetivação

E não é heterossexualidade isso, não... é a heteronormatividade compulsória que todo dia prega na cabeça de tantas mulheres (através de toda a indústria cultural do patriarcado) que ela é um vazio sem macho. Te digo porque sei que, veja a LOUCURA, até mesmo algumas análises psicológicas são fundamentadas 🤦🤦🤧🤧🤦🤦😤😤😤😤 na ideia VIOLENTA de que a mulher seria um vazio preenchido por homens... Uma bruteza de estupro cerebral que faz a MISOGINIA ser a subjetivação mais forte na heterossexualidade compulsória, sabe. Mulher que odeia a mãe por causa de macho. Que disputa com a mãe a vida inteira por causa de macho, que nem ela e nem a mãe merecem ...disputam não no sentido sexual biológico e material, mas no sentido PSÍQUICO. Não é uma verdade esse tipo de "interpretação da psiquê" humana , mas no mundo da MISOGINIA faz mais sentido do que COLABORAR entre mulheres. Faz mais sentido do que amar a própria mãe, a própria vida e os próprios propósitos. Tudo atrás sempre do homem...do eu que é além...daquele que provê...daquilo que será o redentor...menina, é uma lástima saber e conviver com mulheres tão misóginas que violentam a si e às outras mulheres a sua volta, como por exemplo a própria mãe. Cruel, olha ...cruel.